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ABC
da Ciência Boa
ciência não se faz com Apresentamos
os verbetes numa seqüência que nos parece didática. Para referência,
os verbetes são numerados e o índice alfabético, a seguir,
facilitará a busca deles.
1 - Aprender - superar insucesso, com resultado permanente. Encarado como desafio, o aprendizado compara-se a um emocionante esporte. 2
-Intuição - conhecimento
imediato, podendo ser sensível ou intelectual.
São exemplos: (a) As rosas são vermelhas (percepção sensorial
de cor); (b) Ponto, reta e plano são entes geométricos (percepção
intelectual sem raciocínio). 3 -Idéia - imagem mental de uma coisa, representação dessa coisa na mente de um individuo. Se for só individual, não tem valor científico. Exemplo: Sua idéia das cores coincide com a de um colega? 4 - Concepção - idéia, ou conjunto de idéias mais ou menos vago. Forma embrionária de conceito. Exemplo: Julio Verne expôs concepções fantásticas. 5
- Existência, realidade -
qualidade do que existe, do que é real; o termo encontra duas acepções:
(a) Em geral entende-se por real
(concreto, tangível), o oposto de ideal
(abstrato, pensado). (b) Em ciência experimental entende-se por
real tudo o que é concreto e também, no mundo das idéias, tudo o
que é útil. 6 - Fenômeno - tudo o que se percebe pelos sentidos (fenômeno externo) ou pela consciência (fenômeno interno). São exemplos: escala métrica, comprimento, arco-íris, dilatação, aprendizado, motivação. 7 - Descrição - enunciação das características de um objeto, ou de um processo; afirmação concisa do comportamento da natureza em certo grupo de fenômenos. 8 - Fato cientifico - tudo o que através de nossos sentidos e da interpretação inteligente, à luz dos conhecimentos atuais, tem ou parece ter existência científica (podendo ser concreto ou abstrato, cf. 5). É suscetível de constatação irrefutável no estado atual da ciência. 9 -Fato científico bruto ou simples - mera constatação (”a pedra cai”). Enquanto não houver ilusão dos sentidos, o fato simples é irretorquível. As teorias evoluem, os fatos simples perduram. 10 - Fato cientifico interpretado ou composto - enriquecido com elementos de teoria (cf. 69) (“a pedra cai devido à gravidade”). À medida que uma teoria evolui ou quando ela é substituída por outra teoria o fato composto pode transformar-se. O fato composto é evolutivo. 11 - Conhecimento - conjunto das relações conscientes entre idéias e os respectivos objetos (sejam eles concretos ou abstratos), formuladas mediante juízos subordinados à lógica. O conhecimento pode ser vulgar ou cientifico. 12 - Conhecimento vulgar - é individual; compõe-se de percepções, de imagens e de recordações. É através dos sentidos que nos pomos em contato com o mundo físico; do conhecimento vulgar assim adquirido é que, por elaboração mental, surge o conhecimento cientifico. 13
- Conhecimento científico -
através de investigação metódica, escrupulosa e rigorosa,
suprime tudo o que há de individual e particular no conhecimento
vulgar; recolhe os elementos comuns a uns tantos intelectos e que
poderiam ser comuns a todos os intelectos. É fato objetivo e
sociológico; conhecimento coletivo, obra humana, social. 14
- Etapas do conhecimento físico
(cf. 37) - compreende: 15 - Estrutura - conjunto das relações entre os elementos de um todo. Estrutura pode ser lógica, matemática, física etc. conforme a natureza dos objetos em estudo, e das relações que se investigam. Em cada ciência, a questão básica é: Quais são os entes que intervêm, e como se ligam uns a outros? 16
- Conceito - síntese das
características comuns a diversas idéias, estruturada de modo
igual em todas as mentes. Unidade de pensamento representada por um
termo oral ou escrito (símbolo). A gênese de um conceito é
processo de abstração e generalização. A inteligência humana
possui faculdade abstrativas: afasta as qualidades que diferenciam
os objetos, retém as qualidades que os unem (reforço!). Daí
surge a idéia universal, que é o conceito. Durante a evolução
da ciência, os conceitos evoluem também. O próprio conceito de verdade
evoluiu: a verdade filosófico-científica tradicional perdeu
significado; em física subsiste a verdade tal como ela se
manifesta nas relações entre grandezas (cf. 47, 48, 65). 17 - Compreensão de um conceito - conjunto estruturado dos elementos necessários e suficientes para o determinarem univocamente. Exemplo: Velocidade é percurso por unidade de tempo. Os elementos, ingredientes do conceito, são percurso (comprimento), e tempo (duração); a relação estrutural consiste na divisão daquele por este (quociente). 18 - Extensão de um conceito - conjunto dos entes aos quais ele se aplica, que ele designa. Exemplo: O conceito de velocidade se estende a bala de fuzil, ou de canhão, a avião, a espaçonave, ou a elétron em vídeo de televisão; o referencial pode ser fixo na Terra, ou nas galáxias. 19 - Conceito primitivo - o que se se estabelece por intuição, tornando-se preciso por comparação, distinção, exemplificação, vivência; nasce diretamente do conhecimento das coisas por meio dos sentidos (intuição, cf. 2). É o elemento primordial na formação de conceitos derivados. Exemplo: Como adquiriu você o conceito de “cor”? 20 - Conceito derivado - o que pode ser reduzido, mediante juízos, a uma associação de dois ou mais conceitos primitivos. É o elemento essencial no raciocínio científico amadurecido ou em vias de amadurecimento, do qual ele participa como unidade pré-estruturada. Exemplo: Trabalho é produto de percurso, por força na direção do percurso. 21
- Definição real - exposição
sumária da compreensão de um conceito. Caracteriza o ente a ser
definido, distinguindo-o inequivocamente de todos os entes
diferentes. Ao ente definido associa-se um termo.
Exemplo: Aceleração é ganho de velocidade por unidade de tempo. 22 - Definição nominal - associação bi-.unívoca entre um conceito primitivo e o termo que lhe é atribuído. Exemplos: (a) O conceito de cor é primitivo; presenciada uma cor, damos-lhe um nome (azul, verde, amarelo, vermelho etc.). (b) Da sucessão de eventos surge a idéia de tempo, que geralmente se admite como conceito primitivo, adquirido através da vivência de acontecimentos. 23 - Termo - símbolo oral ou escrito de uma idéia ou de um conceito; o termo evoca a idéia ou o conceito 24 - Juízo - afirma ou nega alguma coisa sobre alguma coisa; consciência da relação entre conceitos. Juízo é o conteúdo intelectual da proposição. 25 - Proposição - enunciado de um juízo; símbolo oral ou escrito de um juízo. Definições e leis são proposições. Exemplo: Quando o Sol nasce, clareia o dia. 26
- Raciocínio - atividade
pensante na elaboração e no encadeamento de juízos. relação
mental entre juízos; processo mental pelo qual de um ou mais juízos
se obtém outro juízo por necessidade lógica (cf. 45, 52). Raciocínio
é o conteúdo da argumentação. Exemplo: Corpo só pode ser
acelerado por efeito de força. O carro está acelerando. Portanto
o carro esta sujeito a força. 28
- Lógica - atividade pensante,
no que diz respeito aos produtos da mesma; estudo da estrutura do
juízo e do raciocínio. Para as ciências experimentais, a lógica
é necessária mas não suficiente! Nelas, as informações
primeiras são obtidas por observação e experimentação; os
fatos colhidos são a matéria prima que virá a ser elaborada
mediante lógica (teoria científica; cf. 69). 29 - Demonstração racional - legitimação lógica de uma proposição; faz-se mediante raciocínio. 30 - Demonstração experimental - exibição de fenômeno objetivo que evidencia a realidade de uma proposição (definição, ou lei cientifica). 31
- Uniformidade da natureza -
Exprime-se pela Lei de Causa e Efeito
(cf. 45). Os elementos que participam dos fenômenos estão
subordinados a certas relações recíprocas, que enunciamos como leis
da natureza. O comportamento da natureza é regular
ou seja, é regulamentado pelas leis: certo sistema, em certas
condições, exibe certa evolução; reproduzindo-se o sistema nas
mesmas condições, repete-se o mesmo processo evolutivo, é o que
exprime a Lei de Causalidade. 32
- Ciência - como um todo, é
conhecimento organizado (isto é, ordenado e estruturado). Cada ciência
particular é, em seu setor, a totalidade dos conhecimentos
ordenados e relacionados uns com os outros segundo critérios
coerentes e geralmente aceitos. A ciência pressupõe regularidade
na natureza, isto é, relação recíproca e invariável dos
elementos que participam dos fenômenos (lógica; causalidade ou
determinismo; probabilidade); por isso toda ciência se compõe de
conhecimentos fundamentados (o que não significa que sejam imutáveis)
e que permitem previsões. 33 - Método - seqüência de operações realizadas pelo intelecto, para atingir certo resultado; trajeto intelectual; modo sistemático, ordenado, de pensar e investigar; conjunto de procedimentos que permitem alcançar a verdade científica. Os métodos fundamentais são dedução e indução. 34 - Dedução - a partir de proposições gerais, demonstrar conclusões particulares. Exemplo: Das leis da semelhança de triângulos deduz-se o Teorema de Pitágoras. 35
- Indução - a partir de fatos
particulares, alcançar proposições gerais. Os fatos particulares
são obtidos 36 - Metodologia - conjunto dos métodos que cada ciência particular põe em ação. A colaboração entre demonstração lógica e experimentação, a inter-ação entre ciência pura e tecnologia, são caracteres do espírito científico contemporâneo. Em Ciência Experimental a metodologia compreende as seguintes fases:
37 - Fontes das ciências experimentais (cf.14):
38 - Pesquisa científica - atividade criadora, complexa, e que por isso não se enquadra em moldes rígidos. Tem por finalidade descrever, elucidar, explicar, prever, condicionar os processos de seu âmbito (cf.72). — Um lampejo de percepção é atalho que pode promover a ciência muito mais do que fatigantes estudos e laboriosos ensaios experimentais. A pesquisa científica em alto nível exige qualidades altamente desenvolvidas: inteligência lúcida, imaginação fértil, disciplina mental, espírito de observação, persistência, paciência, ousadia, honestidade (cf. 73). 39 - Classificação das ciências — há divergências fundamentais entre os autores; propomos o esquema a seguir. Enfatizamos as caracterÍsticas dos diversos grupos de ciências, mas em muitos casos não existe delimitação precisa.
40 - Finalidades da ciência - práticas (previsão, planejando ação); teóricas (satisfação da curiosidade: como? por quê? 41 - Desenvolvimento da ciência — Atividade científica é tentativa para alcançar conhecimento objetivo e coletivo, sem influencia de preconceitos ou tendências pessoais. Os frutos de tais esforços são cumulativos na sucessão das gerações; por isso o conhecimento científico é cada vez mais extenso e mais exato. 42 - Filosofia das ciências - em bases amplas, interpreta os resultados da ciência e pesquisa elos do ligação entre ramos de ciência. 43 - Necessidade formal ou lógica - subordinação às leis da lógica; tem fundamento na Razão Suficiente. Rege as leis racionais (teoremas). 44 - Necessidade causal - subordinação à Lei de Causalidade (seja ela estrita, ou probabilística). Rege as leis experimentais. 45
- Causalidade ou determinismo
(cf. 31) - dependência de um evento em relação a outro, segunda
o Principio de Causa e Efeito; inter-relação invariável entre
causa e efeito; dai, possibilidade de previsão. dependência
inelutável de um evento em relação a outro. Exemplo: dando no
gatilho, dispara-se um tiro. 46 - Probabilidade - dependência estatística, probabilística. Também permite previsão (cf. 31) 47 - Verdade subjetiva ou formal - legitimidade lógica, isto é, de acordo com as leis da lógica. Coerência formal da estrutura lógica. Característica das afirmações que produzem ou produzirão o acordo de todos os intelectos, isto é, o consenso geral, a convergência mental. É a verdade nas ciências formais. 48 - Verdade objetiva - correspondência com objetos reais (sejam eles concretos ou abstratos; cf. 5); adequação à realidade. É a verdade nas ciências experimentais; nestas, as verdades formais só o são aparentemente, pais elas são tão fortes e tão fracas como as bases em que elas assentam. 49 - Ciências exatas - as que habitualmente demandam a medição dos entes que lhe interessam. matemática e física são ciências exatas. Nas ciências não-exatas, há uma louvável tendência de evolução para o status de ciência-exata. 50 - Observação - constatação de fenômeno (sem influencia-lo, se possível); anotar suas características essenciais; em ciência exata, medir as grandezas relevantes. Astronomia é ciência de observação. 51
- Experimentação - intervenção
do pesquisador no desenrolar dos processos. Produção artificial
ou provocada de um processo; modificação intencional das condições,
para observar as mudanças daí decorrentes no processo subseqüente;
em ciência exata, medir as grandezas
relevantes. 52 - Processo - marcha, desenvolvimento de transformações; sucessão de estados interligados por necessidade lógica, ou por necessidade causal. Em ciência física, toda verdadeira transformação implica em conversão ou intercambio de energia; reciprocamente, pode-se entender energia como o agente eficaz nas transformações físicas. 53 - Evento - cada estado que ocorre em um processo. Estado de um sistema é o conjunto das grandezas físicas que se medem ou que se poderiam medir no sistema, seja direta-, ou indiretamente (Exemplo: estado cinemático inclui data, lugar, velocidade, aceleração, centro de curvatura etc.). 54 - Ciências físicas - Ciências da realidade sensível, estudando as manifestações da matéria bruta. 55 - Ciências físicas básicas - estudam aspectos gerais de quaisquer fenômenos exibidos pela matéria bruta; são elas a física e a química. 56 - Física - cf.55, dando ênfase às modalidades de energia. 57 - Macrofísica - estuda o comportamento global de multidão de moléculas 58 - Microfísica - estuda o comportamento individual ou médio das moléculas, e dos átomos, ou o das partículas elementares. 59 - Química - cf. 55, dando ênfase às modalidades de matéria. Tradicionalmente a química só estuda as transformações ligadas a elétrons periféricos da coroa atômica; modernamente criou-se também a “química nuclear”. 60 - Postulado - Proposição cuja validez se aceita sem demonstração. Em física, postulados e leis experimentais formam em conjunto o fundamento racional de outras proposições (teoremas, leis racionais). Postulado também é chamado princípio. Em cada setor de ciência, o numero de postulados deve ser mínimo, isto é, o suficiente e não mais do que o estritamente necessário. Condições: independência e coerência intrínseca, nas ciências formais; independência, coerência intrínseca e coerência extrínseca, nas ciências experimentais. 61 - Coerência intrínseca - coerência subjetiva, formal lógica; verifica-se mediante analise critica, a luz das leis da lógica. 62 - coerência extrínseca - coerência objetiva, fatual, isto é, com os fatos da natureza; verifica-se mediante ensaios experimentais. 63 - Hipótese, em ciência experimental - proposição provisória, forma conjetural de uma lei presumível, visando a descrever cientificamente fatos de experiência; se confirmada, ela se converte em lei (podendo vir a ser derrubada em vista de novos conhecimentos). 64 - Lei matemática - relação funcional invariável entre números. 65
- Lei física - relação
invariável entre qualidades e/ou quantidades nos fenômenos físicos.
Descrição sumaria, simbólica, de um fenômeno ou processo.
Descrição exata da interdependência entre fatos científicos, em
campo limitado de fenômenos. Não explica, só constata, portanto descreve. 66 - Lei experimental - expressão de uma correlação invariável entre fatos observados nos fenômenos, oriunda de observação e/ou experimentação, e não suscetível de generalização ampla. (Exemplos: Lei de Boyle-Mariotte, Lei de Ohm, Lei da condução do calor). Também é chamada lei empírica. 67-
. Principio - Em física, é
lei sugerida pelos fatos experimentais, confirmada por eles direta
ou indiretamente em certo campo de fenômenos, mas não demonstrável
racionalmente; é aplicável a um universo de fenômenos
imensamente mais amplo do que o das confirmações experimentais. 68 - Teorema - proposição demonstrada racionalmente a partir de princípios e/ou leis experimentais. 69
- Teoria - conjunto completo e
logicamente estruturado das leis referentes a um setor de
conhecimento. Tentativa de unificar conhecimentos esparsos; nasce
vaga, e vai se consolidando gradativamente à medida que encontra
apoio cada vez mais amplo em fatos científicos. 70
- Economia - De ponto de vista
prático, a importância das teorias está em sua economia. Ensaios
experimentais podem tornar-se aparatosos delicados e demorados, e
então são extremamente custosos. Dentro das teorias vigentes tais
ensaios são dispensáveis, pois a teoria oferece todos os
elementos para obterem-se os mesmos resultados a custo ínfimo. A
teoria orienta o esforço humano em direção ao fim visado. O
gabinete de projetos de qualquer engenheiro dá correntemente
exemplos do dito. 71-
Explicar um fato - Demonstrar a
coerência entre o fato e uma lei ou teoria; demonstrar logicamente
que o mencionado fato é conseqüência da lei ou teoria. Na teoria
em que ele se enquadra, fenômeno explicado considera-se elucidado,
compreendido, entendido e justificado (!). 72- Entender a natureza - fundamentar os fenômenos em leis agrupadas em teorias. Os fatos particulares se enquadram em um esquema amplo. A consciência disso nos liberta das superstições, amplia nosso poder de condicionar os eventos do modo que nos convém, nos dá segurança. Perceber a ordem reinante na natureza nos dá grande prazer intelectual. A aspiração a essa recompensa é a mais forte motivação do verdadeiro estudioso. Nas profissões intelectuais a recompensa material é necessária e deve ser condigna, mas não deixa de ser um sub-produto de uma atividade complexa que em troca de esforço pleno do profissional lhe dá a sensação de auto-realização fecunda. 73- Etapas na pesquisa científica - não há normas; citamos:
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