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Sala
Feynman Introdução Este
Curso de Física é apresentado do
ponto de vista de que você, o leitor, se tornará um físico. É
claro que isto não é necessariamente verdadeiro, mas é o que
todo professor em toda matéria supõe! Se você se tornar um
físico terá muito que estudar: Surpreendentemente, apesar da tremenda quantidade de trabalho realizado durante todo esse tempo, é possível condensar em grande parte a enorme massa de resultados --- ou seja, encontrar leis que sintetizem todo nosso conhecimento. Mesmo assim, as leis são tão difíceis de captar, que seria descabido começar a explorar este complexo assunto sem alguma espécie de mapa ou do esboço do relacionamento entre as partes da ciência. Seguindo-se a estas observações preliminares, os primeiros três capítulos esboçarão, portanto, a relação da Física com o resto das Ciências, as relações das ciências entre si e o significado de ciência para nos ajudar a desenvolver um "noção" de assunto. Você
poderá perguntar por que não podemos ensinar física
simplesmente dando as leis básicas na página um e, depois,
mostrando em todas as circunstâncias possíveis, como fazemos na
geometria euclidiana, na qual enunciamos os axiomas e, depois,
fazemos todo tipo de dedução. (Não satisfeito em aprender
física em quatro anos, você quer aprendê-la em quatro minutos?)
Não podemos agir desta forma por duas razões. Cada pedaço ou parte da natureza total é sempre uma mera aproximação da verdade completa, ou da verdade completa até onde a conhecemos. De fato, tudo que conhecemos é apenas algum tipo de aproximação, pois sabemos que não conhecemos todas as leis ainda. Portanto, as coisas devem ser aprendidas apenas para serem desaprendidas de novo, ou, mais provavelmente, para serem corrigidas. O
princípio da ciência, quase
sua definição é: O
teste de todo o conhecimento é a experiência.
A experiência é o único juiz da "verdade"
científica. Dissemos
que as leis da natureza são aproximadas: que primeiro descobrimos
as "erradas" e, depois, as "certas". Ora, como
uma experiência pode estar "errada"? Finalmente, e mais interessante, filosoficamente nós estamos completamente errados com a lei aproximada. Todo o nosso quadro do mundo tem que ser alterado, embora a massa mude apenas um pouquinho. Esta é uma coisa muito peculiar sobre filosofia, ou as idéias, por detrás das leis. Mesmo um efeito minúsculo às vezes requer mudanças profundas em nossas idéias. Ora, o que deveríamos ensinar primeiro? Deveríamos ensinar a lei correta mas não familiar com suas estranhas e difíceis idéias conceituais, por exemplo, a teoria da relatividade, o espaço-tempo quadri-dimensional e assim por diante? Ou deveríamos ensinar, primeiro, as leis simples da "massa constante", que é apenas aproximada, mas não envolve idéias tão difíceis? A primeira opção é mais empolgante, maravilhosa e divertida, mas a segunda opção é mais fácil de entender numa primeira apresentação e é um passo decisivo para a compreensão real da segunda idéia. Este dilema surge repetidamente no ensino da física. Em diferentes momentos, teremos de resolvê-los de diferente formas, mas a cada estágio vale a pena saber o que se conhece agora, qual seu grau de precisão, como se encaixa a todo o resto e como poderá ser modificado quando aprendermos mais. Procedamos agora com nosso esboço, ou mapa geral, de nossa compreensão da ciência atual (em particular a física, mas também de outras ciências na periferia), de modo que, quando mais tarde nos concentrarmos em determinado ponto, tenhamos alguma idéia dos antecedentes, de porque aquele ponto particular é interessante e de como se enquadra na estrutura maior. Assim, qual é nosso quadro global do mundo? Anterior: Prefácio
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