|
:::
Cientistas
de todos os tempos :::
imprimir
Thomas Edison
(1847 - 1931)
Num dia
do outono de 1877, Edison mostrou ao chefe de suas oficinas, John Krusei, o
esboço de uma curiosa engenhoca. Krusei não achava difícil construir a
máquina que a planta mostrava ser bastante simples: um tubo metálico com uma
espécie de funil, um diafragma de pergaminho e um cilindro de aço. O que
Krusei achava estranho era que tal máquina pudesse servir para alguma coisa.
Quando
Edison afirmou-lhe que o aparelho seria capaz de repetir o que lhe dissessem,
o ceticismo aumentou. Krusei chegou a apostar com Edison uma caixa de
charutos, que perderia se a máquina chegasse a funcionar.
Quando a
máquina ficou pronta, Edison envolveu o cilindro de aço numa folha de
estanho. Depois, enquanto o cilindro girava, cantou uma velha canção popular
dentro do funil: "Maria tinha um carneirinho. . ." Enquanto cantava, sua voz
fazia vibrar a membrana de pergaminho, que por sua vez comandava uma agulha
que ia sulcando a superfície macia do estanho.
Chegou
então o momento culminante. Posto novamente a funcionar o aparelho, o sulco
do estanho fazia vibrar a agulha e esta, por sua vez, acionava a membrana de
pergaminho. Para espanto e incredulidade dos auxiliares que cercavam a
máquina, voltou a soar a voz de Edison:
"Maria
tinha um carneirinho..." E Krusei perdeu a aposta.
O Fonógrafo
Esse famoso episódio da carreira de Edison foi
apenas um entre muitos, e talvez não o mais significativo. Mas sua influência
sobre a tecnologia foi tão profunda que é muito difícil extirpar os exageros
e os mitos incluídos em suas numerosas biografias. O impacto de suas
invenções, como o fonógrafo e a lâmpada elétrica, alterou os padrões de vida
em todo o mundo. As inovações de seu gênio eram tão revolucionárias que
eqüivaliam, na época, ao trabalho de pesquisa, somado, de três ou quatro das
mais importantes empresas americanas de hoje.
Em torno de figura tão dinâmica, perseverante e
empreendedora, forçosamente teriam de acumular-se distorções lendárias. Mas o
que existe de real em sua vida já é suficientemente dramático e novelesco.
Ainda hoje, a carreira de Edison é um exemplo estimulante do individualismo
empreendedor americano. E torna-se possível dizer que Edison deixou como
herança também uma grande influência cultural sobre a nação em que viveu.
A invenção do fonógrafo é um exemplo destacado da
capacidade inventiva de Edison. O aparelho funcionou logo no primeiro teste,
sem nenhuma experiência prévia. Depois de construído e posto a funcionar o
engenho, o próprio Edison ficou admirado diante de sua criação. A certeza de
que o aparelho funcionaria lhe havia sido inculcada por outras experiências,
relacionadas com o registro de comunicações telegráficas, porém o êxito
imediato o surpreendeu.
Outro fato estranho na história do fonógrafo foi
sua "incubação". A princípio a invenção provocou espanto e polêmica (muita
gente suspeitava da presença de algum ventríloquo durante as experiências).
Mas a ninguém ocorreu dar aplicação prática ao invento. Durante uns dez anos
o aparelho ficou de lado.
Só depois deste tempo Edison resolveu dar-lhe
atenção e melhoramentos. Gradualmente, foram surgindo o gramofone e o disco
sulcado de hoje. Em sua forma primitiva, porém, o aparelho serviria para
orientar o aperfeiçoamento do telefone.
Procedimentos desse tipo eram comuns a Edison.
Ele acreditava que a experiência de lentas reelaborações da idéia e do
aparelho sempre conduzia a resultados práticos decisivos.
Casa de Edison em Menlo Park
A "máquina falante" de Edison gerou tal
perplexidade no povo que logo se popularizou o cognome "Mago de Menlo Park".
Menlo Park era a área suburbana de Nova York onde Edison havia construído uma
mansão e seus laboratórios de pesquisa.
Samuel Edison, de origem irlandesa, exercia ativa
militância política no Canadá. Quando falhou o movimento de independência de
que ele participava, viu-se obrigado a emigrar para os Estados Unidos com sua
jovem esposa, Nancy Elliot. Foi na cidade de Milan, Ohio, que nasceu Thomas a
11 de março de 1847.
Quando a família mudou-se para Port Huron, no
Michigan, o pequeno Tom já estava em idade de freqüentar a escola. Mas
preferia as lições que lhe eram ministradas por sua mãe.
Na escola era mau aluno, pouco assíduo e
desinteressado. Quando começou a manifestar-se nele o gosto pela mecânica,
também se desenvolveu, paralelamente, um profundo desejo de Independência.
Cultivava hortaliças e frutas para vender na cidade. Com o produto do próprio
trabalho ajudava a família pobre e conseguia dinheiro para comprar livros e
instrumentos, material de aprendizado de que não dispunha na escola.
A freguesia aumentava, a ponto de a produção de
seus artigos ser insuficiente. Ocorreu-lhe então a idéia de reabastecer-se na
vizinha cidade de Detroit.
Mas, sempre prático, não podia desperdiçar o
tempo nas viagens de trem. Durante o trajeto vendia jornais; teve tanto
sucesso como jornaleiro que logo se tornou também editor. Publicava um
semanário, o "Weekly Herald" (Arauto Semanal), onde era ao mesmo tempo
repórter, redator, gerente, tipógrafo e distribuidor. Fazia todo o trabalho
no mesmo vagão bagageiro que lhe servia de laboratório, com equipamento
improvisado e com a pouca experiência de seus quinze anos.
Essa fase de sua vida acabou mal. Um dia, a
explosão de uma garrafa de fósforo ateou fogo ao vagão e Edison foi despejado
de seu laboratório-oficina. Um sopapo no ouvido sofrido nessa ocasião é dado
como causa de uma mastoidite que lhe provocou a surdez, parcial que o
perseguiria nos anos seguintes.
Despejado do trem, Edison se defrontava com a
realidade adversa. Havia vivido de expedientes até ali, sem desenvolver
nenhum aprendizado capaz de propiciar-lhe um emprego estável. Num episódio
imprevisto, porém, salvou a vida da filha do chefe da estação ferroviária de
Mount Clemens. Acolhido na casa com gratidão, Edison pôde aprender
telegrafia.
A invenção de Morse, na época, oferecia muito
interesse e compensações para os que se dedicavam a ela. Edison, fascinado,
em pouco tempo se tornava um perito operador. Mas, enquanto manipulava o
telégrafo, sua mente inquieta continuava a trabalhar, em busca de
aperfeiçoamentos para o aparelho.
Sua inteligência, que tornava tão fácil a
obtenção de empregos, era também a causa freqüente de suas demissões: Edison
raramente se conformava em submeter-se à rotina estabelecida. Queria inovar.
Um exemplo dessa característica de sua personalidade foi a experiência num
emprego noturno. Para poder dormir, inventou um dispositivo automático que o
despertava a horas fixas, para marcar o ponto, ou quando se aproximasse algum
inspetor. Ouando descobriram o expediente, Edison mais uma vez se viu
desempregado. Em 1869 estava em Nova York, sem trabalho e sem um níquel no
bolso.
Mas, nessa época, seu destino sofreu uma
reviravolta. Durante o tempo em que havia passado como operador de telégrafo,
conseguiu inventar um aparelho registrador de números e letras, para
mensagens telegráficas. E em Nova York tal aparelho teria enorme aplicação:
as cotações da Bolsa de Valores precisavam ser transmitidas rapidamente.
O alcance desse invento - o teletipo - foi logo
percebido por uma emproas de corretagem. Especuladores da Bolsa poderiam
fazer fortuna com sistema tão rápido de comunicações. Ofereceram-lhe 40.000
dólares pela patente.
Da noite para o dia estava rico. Construiu um
laboratório de pesquisas, mais parecido com uma oficina mecânica. E, no
período de 1870 a 1875, continuou a investigar o telégrafo, em busca de novos
aperfeiçoamentos e aplicações.
Como resultado desse trabalho, inventou os
sistemas dúplex e quadrúplex, que permitiam a transmissão simultânea de duas
e quatro mensagens através de um Mesmo cabo. Era um dispositivo de enorme
importância. O telégrafo, único sistema de comunicação rápida a distância,
tornou-se a conquista científica de maior rendimento econômico de então. A
reputação de Edison e sua riqueza atingiam níveis nunca sonhados por ele.
Em 1876, a grandeza de seus recursos e a
amplitude de suas atividades motivaram a construção de um verdadeiro centro
de pesquisas em Menlo Park. Era quase uma cidade industrial, com oficinas,
laboratórios, assistentes e técnicos capacitados. Nessa época, Edison chegou
a propor-se a meta de produzir uma nova invenção a cada dez dias. Não chegou
a tanto, mas é verdade que, num certo período de quatro anos, conseguiu
patentear 300 novos inventos, o que eqüivale praticamente a uma criação a
cada cinco dias.
Lâmpada Incandescente
Em 1878, com 31 anos, propôs a si mesmo o desafio
de obter luz a partir da energia elétrica. (É bom lembrarmos que sequer
existia, na época, qualquer rede elétrica já instalada. Para Edison, isso
constituía um problema menor. Se a lâmpada elétrica desse certo, ele haveria
de gerar a energia e implantar a rede para conduzi-la.)
Outros pesquisadores já haviam tentado construir
lâmpadas elétricas. Nernst e Swan, por exemplo, haviam obtido alguns
resultados, mas seus dispositivos tinham vida bastante curta.
Edison tentou inicialmente utilizar filamentos
metálicos. Foram necessários enormes investimentos e milhares de tentativas
para descobrir o filamento ideal: um fio de algodão parcialmente carbonizado.
Instalado num bulbo de vidro com vácuo, e se aquecia com a passagem da
corrente elétrica até ficar incandescente, sem porém derreter, sublimar ou
queimar. Em 1879, uma lâmpada assim construída brilhou por 48 horas contínuas
e, nas comemorações do final de ano, uma rua inteira, próxima ao laboratório,
foi iluminada para demonstração pública.
Dois anos depois, Edison construía a primeira
estação geradora de eletricidade, a qual produzia corrente contínua. (Nos
anos seguintes, um grande conflito de opiniões se estabeleceria entre ele,
que preferia o uso dessa corrente, e Tesla e Westinghouse, que defendiam o
uso da corrente alternada.)
Edison ainda aperfeiçoou o telefone (com o
microfone a carvão empregado até hoje), o fonógrafo, e muitas outras
invenções. Em conjunto, essas realizações modificaram os hábitos de vida em
todo o mundo e consagraram definitivamente a tecnologia.
Ao longo de sua vida, Edison registrou 1300
inventos. Apenas para criar um novo tipo de bateria, fez 8 mil tentativas
infrutíferas, ao fim das quais afirmou: "Bem, pelo menos conhecemos 8 mil
coisas que não funcionam".
Foi em grande parte por influência de Edison que
a ciência norte-americana passou a orientar-se para a satisfação das
necessidades imediatas do homem, numa filosofia utilitária que ainda hoje
perdura e que tornou os Estados Unidos a maior potência industrial do século
XX.
O grande papel de Edison na ciência não foi,
portanto, o de pesquisa pura, de descoberta de propriedades fundamentais da
matéria. Sua mente prodigiosa, ao contrário, orientou-se para a aplicação
prática de princípios estabelecidos por cientistas que o precederam. Morreu a
18 de outubro de 1931.
imprimir
|