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::: Cientistas de todos os tempos :::

 

 

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Benjamin Franklin

1706 - 1790

"Para o nosso jantar, teremos um peru, morto por um choque elétrico e assado num espeto movido a eletricidade, sobre um fogo ateado por centelha elétrica. E beberemos à saúde de todos os eletricistas da Inglaterra, Holanda, França e Alemanha, em copos eletrizados, sob uma salva de tiros disparados pela bateria de carga elétrica."

Nenhum dos amigos de Benjamin Franklin, ao receber o curioso convite para um "piquenique elétrico", duvidou de que as proezas ali prometidas se concretizariam. Nem eles, nem o restante da tradicionalmente incrédula população de Filadélfia: os habitantes da cidade já estavam habituados com as incríveis experiências desse homem que, em 1752, provara ser capaz de "domar o raio".

Enquanto cientistas de todo o mundo discutiam, em acirradas polêmicas, se os raios seriam ou não um fenômeno elétrico, Franklin saíra em meio a uma tempestade e conseguira atrair um raio à chave presa ao papagaio que empinava. Muitos já suspeitavam de que o raio fosse, efetivamente, um fenômeno elétrico; mas Franklin. captando cargas presentes em nuvens baixas, o demonstrara experimentalmente. Era o seu sistema de trabalho: provar a teoria na prática.

Declaração de Independência dos Estados Unidos

Provar a teoria na prática: a mesma norma de conduta, fosse qual fosse a atividade em que estivesse empenhado; na ciência, ou na política. Pois esse eclético homem da América colonial acreditou na possibilidade de libertação das colônias americanas do jugo europeu, e se entregou a fundo a essa tarefa. Em 1754, está propondo um plano de união das colônias; em 1757, é deputado na Inglaterra, para defender junto à metrópole os interesses dos colonos; entre 1763 e 1765, em missão diplomática, consegue com que se revogue o ato que proibia às colônias o direito de se autogovernarem; em 1775, está ao lado de Washington, organizando a defesa do país; em 1776, com Jefferson e John Adams, está redigindo a histórica Declaração de Independência dos Estados Unidos.

Boston, 1706. A cidade é um daqueles pequenos núcleos de civilização que pontilham a América do Norte, essa imensa colônia européia. A 17 de janeiro, Josias Franklin, ex-tintureiro, e agora fabricante de velas, está vendo nascer seu décimo quinto filho, um menino que será batizado com o nome de Benjamin.

Os primeiros anos do garoto são tranqüilos: aprender a ler, a escrever, a fazer cálculos elementares; e, nas horas vagas, brincar com os colegas da vizinhança, nas empoeiradas ruelas do lugarejo. Mas a vida despreocupada só dura até os doze anos; numa família pobre, essa já é uma boa idade para começar a trabalhar.

Benjamin vai aprender o ofício de tipógrafo na oficina de um irmão mais velho, James. O que lhe traz dupla vantagem: pode praticar bastante e tornar-se um hábil profissional; e tem como adquirir cultura, lendo todos os originais que lhe caem nas mãos. Desde pequeno, manifestara gosto pela leitura. Agora, devora as obras que seu irmão imprime. E ainda economiza uns poucos níqueis, para comprar outros livros, que lê, sofregamente, durante as refeições ou à noite, à luz de velas.

Cedo, revela-se também um razoável redator: seus primeiros textos - geralmente bem-humoradas sátiras aos costumes locais - começam a aparecer num jornalzinho editado pelo irmão, o que lhe rende algum dinheiro. O bastante para tentar uma aventura.

Aos dezessete anos, Benjamin está decidido a desprender-se da tutela do pai e do irmão; quer abandonar a monotonia de Boston, trocá-la por horizontes mais amplos. Escondido da família, embarca, em outubro de 1723, para Nova York. Não encontrando trabalho nessa cidade, segue para Filadélfia, onde consegue fazer prosperar uma tipografia que, até então, ia muito mal. O sucesso financeiro é considerável; permite-lhe, depois de algum tempo, embarcar para Londres, com a finalidade de aperfeiçoar-se na arte tipográfica.

Benjamin Franklin tem 21 anos, quando volta da Inglaterra. Cheio de idéias, põe-se rapidamente a executá-las: para ganhar dinheiro, instala uma tipografia própria; para dedicar-se a atividades culturais, reúne amigos - na maioria, operários e artesãos como ele próprio - e funda um círculo, denominado Junto. Mais ainda, une-se a um sócio e funda a Pennsylvania Gazette (jornal até hoje existente, com o nome de The Saturday Evening Post).

Mas o grande sucesso será, sem dúvida, o estranho periódico lançado pouco tempo depois por Franklin: o Almanaque do Pobre Ricardo, uma espécie de calendário que contém, além de ilustrações simples e dados astronômicos, conselhos úteis, coleções de provérbios, jogos e divertimentos. O humorismo leve e a moral livre dessa publicação agradam o povo; milhares de cópias são vendidas.

Com o Almanaque, Franklin persegue objetivos semelhantes ao do círculo Junto: pretende tornar-se um educador popular, difundindo uma moral leiga, não baseada na metafísica ou na teologia, mas no trabalho, na economia, na honestidade. E sobretudo no fato de que, a seu ver, o bem e o útil são conceitos indissolúveis.

Franklin é incansável. De uma biblioteca para o Junto, passa para a idéia de uma que fosse aberta a todos os cidadãos: será à primeira biblioteca pública de Filadélfia, e de toda a América. Depois, preocupado com as necessidades de seu povo, que, desarmado, vive em contato com territórios em guerras contínuas, organiza uma brigada de voluntários, primeiro núcleo do exército dos Estados Unidos. Funda em seguida uma milícia de bombeiros; sugere projetos para limpar, calçar e iluminar as ruas da cidade.

Ao lado de toda essa atividade, encontra tempo de criar uma escola, que dará origem à primeira universidade dos Estados Unidos, a Universidade da Pensilvânia. É justamente nesse fértil período, junto ao colégio de estudos superiores, que Benjamin Franklin começa a interessar-se por problemas científicos, sobretudo pelos fenômenos naturais.

Cotejando grande quantidade de dados que acumulara desde os tempos do Junto, formula uma interessante teoria sobre a origem e direção das tempestades; em seguida, faz observações sobre causas e estrutura dos ciclones; estuda, além disso, a natureza das correntes marítimas; investiga o fenômeno da condução do calor; pesquisa sobre óptica, da qual faz uma aplicação destinada a permanecer no tempo - as lentes bifocais.

Lentes bifocais

Contudo, suas mais importantes pesquisas desenvolvem-se em torno da eletricidade; sobretudo, a respeito da eletrostática, que nesse tempo é mal conhecida. Em particular, discutia-se ainda sobre a natureza desse fenômeno, usualmente dividido em eletricidade vítrea se produzida por atrito com o vidro e resinosa - se produzida no atrito contra resinas.

Durante uma viagem a Boston, Franklin tem ocasião de assistir a experiências de um certo Dr. Siencer. Entusiasmado, pede livros sobre o assunto ao colega inglês Collinson, que lhe remete também um tubo eletrostático. Com esse aparelho Franklin inicia uma série de apaixonantes pesquisas. Isso o leva a formular uma teoria simples, baseada no conceito fundamental de que existiria uma substância elétrica - ou fluido elétrico, como se dizia - contido nos corpos em quantidades definidas. Em determinadas condições, essa substância pode variar; se aumenta, o corpo fica eletricamente carregado, caso em que a carga se chama positiva; se diminui, a carga é negativa. Hipótese, portanto, análoga à moderna.

É verdade que a teoria sobre a existência de um fluido único não era totalmente exata; mas o raciocínio e a própria terminologia de Franklin eram bem mais avançados que os de seus contemporâneos. Muito além destes, Franklin já admitia que o "fluido elétrico" fosse inerente à matéria, numa época em que todos acreditavam que ele fosse gerado apenas no momento do atrito. Em sua correspondência com Priestley, de quem era amigo, há indícios de que ele chegou a intuir a chamada "lei de Gauss", considerada fundamental em eletrostática.

Cada vez mais envolvido em política, exercendo numerosos cargos públicos, nem por isso Franklin abandona a ciência. Descobrindo em 1750 o fenômeno de condução da eletricidade, chega, dois anos depois, à idéia do pára-raios, que constrói. A partir daí, desenvolve sua capacidade de inventor, encontrando aplicações práticas para toda a teoria - sobretudo a respeito de eletricidade - que acumulara durante tanto tempo.

Mas, progressivamente, a atividade do homem empenhado na luta de independência absorve o tempo do cientista. Com a emancipação dos Estados Unidos, surge o Franklin-diplomata, que vai à Europa discutir importantes tratados.

De volta, após bem sucedidas negociações de paz com a Inglaterra, é saudado entusiasticamente pelo povo da jovem nação independente. Entre 1785 e 1788, homenageiam-no com a presidência do Supremo Tribunal da Pensilvânia; nesse meio tempo, desempenha ainda o cargo de delegado à Convenção Constitucional.

Benjamin Franklin morreu a 17 de abril de 1790; na Filadélfia. 

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Prof. Luiz Ferraz Netto [Léo]
leobarretos@uol.com.br 

 


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