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Cientistas
de todos os tempos :::
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James Prescott Joule
(1818
- 1889)
Participando da extraordinária variedade do
universo, a matéria e a energia podem apresentar-se sob as mais diversas
formas: um corpo em movimento está animado de energia cinética, enquanto uma
mola distendida tem energia potencial; uma dinamite possui energia química;
já um corpo eletricamente carregado armazena energia elétrica.
Essas formas de energia podem se transformar umas
nas outras: a mola distendida, ao ser liberada, ganha movimento, o que
significa que sua energia potencial se converte em energia cinética.
Analogamente, a energia química contida na gasolina pode ser transformada,
através da queima do combustível, em energia cinética, aproveitada para
movimentar um veículo. E a produção de energia elétrica nas usinas
hidrelétricas aproveita a energia das quedas de água.
No entanto, a idéia de que a energia se apresenta
em diversas formas não surgiu espontaneamente. Até o início do século XIX,
por energia entendia-se apenas energia mecânica, ou seja, cinética e
potencial. E a constatação de que, na verdade, a energia cinética pode ser
transformada em calor foi que abriu caminho para essa nova concepção.
Quando dois corpos dotados de temperaturas
diferentes são postos em contato, ambos tendem a alcançar uma temperatura de
equilíbrio, situada entre os dois valores iniciais: o corpo mais quente se
torna mais frio e, reciprocamente, o mais frio se aquece. Durante muito
tempo, explicou-se esse fenômeno atribuindo aos corpos a posse de uma
substância a que se chamava calórico. Um corpo a alta temperatura conteria
muito calórico, ao passo que outro a baixa temperatura conteria pouco. Assim,
quando dois objetos nessas condições eram colocados em contato, o mais rico
em calórico transferiria uma parte dele para o outro.
Tal teoria era capaz de explicar
satisfatoriamente muitos fenômenos físicos, como por exemplo a condução do
calor. A idéia de que o calor é uma substância não podia, contudo, resistir
às evidências em contrário que começaram a surgir no fim do século XVIII;
foi, assim, substituída pela concepção de que o calor é uma forma de energia;
esse feito deveu-se principalmente a Benjamin Thompson, o conde Rumford.
Thompson trabalhava para o governo da Baviera, como supervisão na fabricação
de canhões para o Exército. Esse trabalho era executado cavando-se um
orifício no interior de um cilindro maciço de ferro. Durante o processo, o
ferro se aquecia, e o orifício era então mantido cheio de água. Mas a água
fervia, precisando ser periodicamente substituída; ora, na época aceitava-se
a hipótese de que, para fazer a água ferver, era necessário fornecer-lhe
calórico. Portanto, segundo as concepções vigentes, havia uma transferência
aparentemente ininterrupta de calórico do ferro para a água. Tentava-se
explicar o fato pela hipótese de que, quanto mais finamente dividido um
material, menor sua capacidade em reter calórico. Thompson, porém, observou
que a água fervia mesmo depois que as ferramentas perdiam seu corte, e não
mais eram capazes de subdividir o metal do canhão. Além disso, esse mecanismo
não obedecia a um princípio que justifica a aceitação de muitas idéias
abstratas em física: o princípio da conservação. De fato, neste caso havia
duas quantidades que não se conservavam: a energia mecânica, que devia ser
continuamente despendida, e o calórico, que era incessantemente criado.
Após realizar uma série de experiências e tentar
explicá-las a partir da teoria do calórico, Thompson resolveu tentar outro
caminho. Em 1798, comunicou à Royal Society inglesa que " ... raciocinando
sobre esse assunto, não devemos nos esquecer de considerar circunstância mais
notável, ou seja, a de que a fonte de calor gerado por atrito, nessas
experiências, era visivelmente inexaurível... parece ser extremamente
difícil, se não realmente impossível, formar uma idéia definida de alguma
coisa capaz de ser excitada e transmitida na maneira pela qual o calor era
excitado e transmitido nessas experiências, a menos que essa coisa seja
movimento".
Isso contribuiu para derrubar a teoria do
calórico, ao mesmo tempo que lançou o conceito de que o trabalho mecânico é o
verdadeiro responsável pelo aparecimento do calor no ato de furar os canhões.
A nova teoria só foi plenamente desenvolvida anos mais tarde, graças a
trabalhos de Julius Robert von Meyer, Hermann von Helmholtz, L. A. Colding, e
James Prescott Joule.
Joule, um industrial inglês nascido 24 de
dezembro de 1818, dedicava-se à física como passatempo. Obcecado pelas
experiências bem feitas e pelas medidas precisas, realizou uma série de
observações sobre o calor e seus efeitos. E foi no decorrer dessas pesquisas
que estabeleceu o princípio da conservação da energia, em bases mais sólidas.
O principal feito de Joule consistiu em medir a
quantidade de calor que se produz quando uma dada quantidade de energia se
transforma. Isso foi feito através de três experiências. Na primeira delas,
um ímã em ferradura era colocado no interior de um recipiente cheio de água;
um pequeno eletroímã, disposto entre os dois braços da ferradura, recebia
corrente elétrica. A rotação do dispositivo fazia a temperatura da água
elevar-se, e então era possível, a partir da corrente elétrica que percorria
o circuito, calcular a quantidade de energia mecânica - de rotação do
eletroímã - que se transformava em calor.
Na segunda experiência, Joule fez a água passar
através de tubos capilares. O atrito do líquido com o vidro dos capilares
causava o aumento da temperatura do sistema. Esse acréscimo, comparado com a
energia gasta no fornecimento de água ao capilar, correspondia à quantidade
de calor produzida. Joule realizou ainda uma variante dessa experiência,
substituindo a água por vários gases diferentes, melhorando assim a precisão
de suas conclusões.
(Medida do equivalente mecânico da caloria)
A terceira experiência do pesquisador foi aquela
que lhe trouxe fama; realizada em 1845, tomou-se clássica pela sua
engenhosidade. Os resultados que permitiu alcançar eram afetados por uma
incerteza de 5 %, o que, para os padrões da época, era uma excelente
precisão. Joule não empregou mais que um recipiente cheio de água, um
termômetro, dois corpos pesados e uma haste metálica dotada de algumas pás.
Numa das extremidades da haste, havia uma carretilha. A haste era imersa na
água, de modo que as pás pudessem girar livremente no interior do líquido. Da
carretilha, que permanecia fora do recipiente, saíam dois fios em direções
opostas, cada um dos quais passando por roldanas com eixos dispostos
horizontalmente. Na ponta dos fios, amarravam-se os corpos pesados. O bulbo
do termômetro, imerso na água, permitia saber a temperatura.
A experiência consistia tão somente em suspender
os dois corpos pesados, por meio da carretilha, e depois liberá-la. Os
corpos, atraídos pela Terra, caíam, fazendo a carretilha girar; esse
movimento se transmitia à haste metálica, e dessa maneira as pás giravam
rapidamente no interior da água. Como conseqüência, a temperatura do líquido
se elevava, o que era acusado pelo termômetro. Sabendo a altura de queda dos
corpos, Joule pôde calcular a quantidade de calor que, fornecida à água, era
responsável pela elevação observada da temperatura. Chegou à conclusão que 1
caloria é equivalente a 4,186 newton.metro (1 caloria é a quantidade de calor
necessária para elevar 1 g de água de 14,5 a 15,50 C). Diz-se, então, que o
equivalente mecânico do calor é 4,186 N.m/cal.
Joule, porém, não parou aí: querendo mostrar que
se obtém a mesma quantidade de calor a partir de uma dada quantidade de
energia, não importando a maneira como ela é produzida, levou adiante outras
experiências, todas elas conduzindo ao mesmo resultado. A agitação do
mercúrio, o atrito de anéis de ferro em banhos de mercúrio ou a transformação
de energia elétrica em calor num fio imerso em água sempre levavam à mesma
proporcionalidade entre as formas de energia.
Após a morte do cientista, em 1889, resolveu-se
atribuir ao newton.metro a unidade de energia mecânica no sistema MKS - o
nome de joule. Ficava assim perpetuada a homenagem a um dos que mais
ajudaram a estabelecer o princípio da conservação da energia.
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