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Cientistas
de todos os tempos :::
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Sir Isaac Newton
(1642 - 1727)
O homem de cabelos brancos fechou o caderno,
onde, com com escrita regular e miúda, se alinhavam seus cálculos, e
recostou-se na cadeira. Naqueles cálculos, naquele caderno fechado que lhe
custara tantos esforços e deduções, mais um mistério fora revelado aos
homens. E talvez tenha sentido grande orgulho ao pensar nisso.
Esse ancião grisalho, Isaac Newton, era
reverenciado na Inglaterra do século XVIII como o maior dos cientistas. Para
seus contemporâneos, representava o gênio que codificara as leis do movimento
da matéria e explicara como e por que se movem os astros ou as pedras. Uma
lenda viva, recoberto de honras e glória, traduzido e reverenciado em toda a
Europa, apontado como exemplo da grandeza "moderna" contraposta à grandeza
"antiga" que Aristóteles representava. Ainda hoje, seus Princípios constituem
um monumento da história do pensamento, só comparável às obras de Galileu e
Einstein.
Mas o trabalho que Newton, velho e famoso,
acabara de concluir - um dos tantos aos quais dedicou boa parte de sua vida e
ao qual atribuía tanta importância - nada tinha a ver com ciência. Era um
Tratado sobre a Topografia do Inferno. Lá estavam deduzidos tamanho, volume e
comprimento dos círculos infernais, sua profundidade e outras medidas. Essa
prodigiosa mente científica envolvia-se também num misticismo sombrio e
extravagante, que atribuía ao inferno uma realidade física igual à deste
mundo.
Newton, entretanto, era acima de tudo um tímido e
poucos souberam dessa obra, que só nos anos vinte deste século começou a ser
divulgada.
Casa onde Newton nasceu
Isaac Newton nasceu em Woolsthorpe, no
Lincolnshire, Inglaterra, no Natal do ano em que morria Galileu: 1642. Seu
pai, um pequeno proprietário rural, havia morrido um pouco antes; três anos
mais tarde, a mãe casou-se outra vez, e, mudando de cidade, deixou o pequeno
Isaac aos cuidados da avó. Até os doze anos de idade, o menino freqüentou a
escola de Grantham, aldeia próxima a Woolsthorpe.
Em 1660, foi admitido na Universidade de
Cambridge, conseguindo o grau de bacharel em 1665; nesse ano, uma epidemia de
peste negra abateu-se sobre toda a Inglaterra, e a Universidade viu-se
obrigada a fechar suas portas. Newton voltou então para casa, onde se dedicou
exclusivamente ao estudo, fazendo-o, segundo suas próprias palavras, "com
urna intensidade que nunca mais ocorreu". A essa época remontam suas
primeiras intuições sobre os assuntos que o tornariam célebre: a teoria
corpuscular da luz, a teoria da gravitação universal e as três leis da
Mecânica.
Trinity College, em Cambridge
Newton retornou a Cambridge em 1667,
doutorando-se em 1668. No ano seguinte, um de seus professores, o matemático
Isaac Barrow, renunciou às suas funções acadêmicas, para dedicar-se
exclusivamente ao estudo da teologia; nomeou Newton seu sucessor, que, assim,
com apenas 26 anos de idade, já era catedrático, cargo que ocuparia durante
um quarto de século.
Em 1666, enquanto a peste assolava o país, Newton
comprou, na feira de Woolsthorpe, um prisma de vidro. Um mero peso de papel,
que iria ter grande importância na história da Física. Observando, em seu
quarto, como um raio de sol vindo da janela se decompunha ao atravessar o
prisma, Newton teve sua atenção atraída pelas cores do espectro. Colocando um
papel no caminho da luz que emergia do prisma apareciam as sete cores do
espectro, em raias sucessivas: vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul,
anil e violeta. A sucessão de faixas coloridas recebeu do próprio Newton o
nome de espectro, em alusão ao fato de que as cores que se produzem estão
presentes, mas escondidas, na luz branca.
Prisma de Newton sobre alguns de seus escritos
Newton foi além, repetindo a experiência com
todas as raias correspondentes às sete cores. Mas a decomposição não se
repetia: as cores permaneciam simples. Inversamente, ele concluiu que a luz
branca é, na realidade, composta de todas as cores do espectro. E provou isso
reunindo as raias coloridas de duas maneiras diferentes: primeiro, mediante
uma lente, obtendo, em seu foco, a luz branca; e, depois, através de um
dispositivo mais simples, que passou a ser conhecido como disco de Newton.
Trata-se de um disco dividido em sete setores, cada um dos quais pintado com
uma das cores do espectro. Fazendo-o girar rapidamente, as cores se superpõem
sobre a retina do olho do observador, e este recebe a sensação do branco.
Nos anos que se seguiram, já de novo em
Cambridge, Newton estudou exaustivamente a luz e seu comportamento nas mais
variadas situações. Desenvolveu, assim, o que passaria a se chamar teoria
corpuscular da luz; a luz se explicaria como a emissão, por parte do corpo
luminoso, de um número incontável de pequenas partículas, que chegariam ao
olho do observador e produziriam a sensação de luminosidade. Como subproduto
dessas idéias, Newton inventaria o telescópio refletor: ao invés de usar como
objetiva umas lente - que decompondo a luz causa aberrações cromáticas
emprega um espelho côncavo, que apenas reflete a luz.
Telescópio construído por Newton
Até 1704 - ano em que apareceu sua Óptica -
Newton não publicou nada sobre a luz; mas isso na impediu que suas idéias
fossem sendo divulgadas entre os colegas e alunos de Cambridge.
Havia, na época, outra hipótese sobre a natureza
da luz: a teoria ondulatória do holandês Christiaan Huygens. Contemporâneo de
Newton, Huygens supunha a. luz formada de ondas, que são emitidas pelo corpo
luminoso. Pensava que sua propagação se dá da mesma forma que para as ondas
sonoras, apenas muito mais rapidamente que estás últimas.
A posteridade viria demonstrar que, apesar de
nenhuma das duas teorias ser integralmente acertada, Huygens andava mais
perto da verdade que Newton. Contudo, quando, em 1672, Newton foi eleito
membro da Royal Society, seu prestígio já o havia antecedido, e ele quase não
encontrou oposição à sua teoria da luz. Mas os poucos opositores - sobretudo
Robert Hooke, um dos maiores experimentalistas ingleses obrigaram Newton a
enfrentar uma batalha em duas frentes: contra eles e contra a própria
timidez.
Seu desgosto pela controvérsia revelou-se tão
profundo que, em 1675, escreveu a Leibnitz: "Fui tão importunado com
discussões a respeito de minha teoria sobre a luz, que condenei minha
imprudência em me desfazer de minha abençoada tranqüilidade para correr atrás
de uma sombra". Essa faceta de sua personalidade iria fazê-lo hesitar, anos
mais tarde, em publicar sua obra máxima: os Princípios.
Por mais de um milênio - desde que, juntamente
com o Império Romano, a ciência antiga fora destruída - o pensamento europeu
demonstrou-se muito pouco científico. A rigor, é difícil afirmar que a Idade
Média tenha, de fato, conhecido o pensamento científico. O europeu culto,
geralmente um eclesiástico, não acreditava na experimentação, mas na
tradição. Para ele, 'tudo quanto havia de importante a respeito de ciência já
havia sido postulado por Aristóteles e mais alguns cientistas gregos, romanos
ou alexandrinos, como Galeno, Ptolomeu e Plínio. Sua função não era colocar
em dúvida o que tinham afirmado, mas transmiti-lo às novas gerações.
Em poucos séculos - do XI ao XV - o
desenvolvimento do comércio e, posteriormente, do artesanato, da agricultura
e das navegações, fez desabar a vida provinciana da Idade Média, prenunciando
o surgir da Idade Moderna, na qual a ciência foi adquirindo importância cada
vez maior.
Os dois grandes nomes que surgem como
reformadores da ciência medieval são Johannes Kepler e Galileu Galilei.
Kepler, embora um homem profundamente medieval - tanto astrólogo quanto
astrônomo - demonstrou, entretanto, que o sistema astronômico dos gregos e
dos seus seguidores estava completamente errado. Galileu fez o mesmo com a
física de Aristóteles.
A mecânica de Aristóteles, assim como quase toda
sua obra científica, baseava-se principalmente na intuição e no "bom senso".
Dessa forma, suas análises não iam além dos aspectos mais superficiais dos
fatos. A experiência cotidiana sugeria-lhe, por exemplo, que, para conservar
um corpo em movimento, é necessário mantê-lo sob a ação de uma influência,
empurrá-lo ou puxá-lo. E ele o diz explicitamente em sua Mecânica: "O corpo
em movimento chega à imobilidade quando a força que o impele não mais pode
agir de modo a deslocá-lo". No entanto, é fato indiscutível que uma pedra
pode ser arremessada à distância, sem que seja necessário manter a ação de
uma força sobre ela. Aristóteles contornava essa dificuldade dizendo que a
razão pela qual a pedra se movimenta repousa no fato de que ela é empurrada
pelo ar que ela afasta, à medida que avança. Por menos plausível que fosse
essa explicação, ela permaneceu incontestada até o aparecimento de Galileu.
O sábio florentino, percebendo as incongruências
das teorias aristotélicas, atacou o problema de maneira oposta. Seu
raciocínio foi bastante simples: suponha-se que alguém empurre um carrinho de
mão por uma estrada plana. Se ele repentinamente parar de empurrar, o
carrinho percorrerá ainda uma certa distância antes de cessar seu movimento.
E essa distância poderá ser aumentada, se a estrada for tornada muito lisa e
as rodas do carrinho estiverem bem lubrificadas. Em outros termos, à medida
que se diminuir o atrito entre o eixo do carrinho e suas rodas, e entre estas
e a estrada, a redução de sua velocidade será cada vez menor. Galileu supôs,
então, que, se o atrito entre o carrinho e a estrada fosse eliminado por
completo, o carrinho deveria - uma vez dado o impulso inicial - continuar
indefinidamente em seu movimento.
Quarenta anos após a morte de Galileu, Isaac
Newton formulou mais precisamente esse conceito, que passou a ser conhecido
como o Primeiro Principio da Mecânica: "Qualquer corpo permanece em repouso
ou em movimento retilíneo uniforme, a não ser que sofra uma ação externa".
Galileu havia tentado ir mais além, estudando a
maneira como o movimento de um corpo varia quando este está sob a ação de uma
força - por exemplo, a queda de um corpo sobre a superfície da Terra.
Contudo, ele não pôde separar claramente nas suas experiências o dado
principal dos acessórios. Foi Newton quem despiu o problema de seus aspectos
não essenciais, e viu na massa do corpo esse dado.
Um mesmo corpo, submetido a forças de valores
diferentes, move-se com velocidades diversas. Uma bola parada, ao receber um
chute, adquire maior ou menor velocidade, num certo lapso de tempo, conforme
o chute seja forte ou fraco. Como a variação da velocidade com o tempo mede a
aceleração, a força maior comunica à bola uma aceleração maior.
Por outro lado, dois corpos de massas diferentes,
quando sob a ação de forças de igual valor, também se movem diversamente: o
de maior massa fica submetido a uma aceleração menor. Ou seja, a aceleração
provocara por uma força que atua sobre um corpo tem a direção e o sentido
desta força, e é diretamente proporcional ao valor dessa força e inversamente
proporcional à massa do corpo.
Esse é o enunciado do Segundo Princípio da
Mecânica, que permite, em última análise, descrever todo e qualquer
movimento, desde que se conheçam as massas dos corpos envolvidos e as forças
a que eles estão sujeitos. A partir dele, podem-se derivar todas as relações
entre a velocidade de um corpo, sua energia, o espaço que ele percorre em
determinado intervalo de tempo, e assim por diante.
Entretanto, além do problema da massa, Newton foi
obrigado a resolver outra questão: como se manifesta o estado de movimento de
um corpo, num tempo infinitamente curto, sob a influência de uma força
externa? Somente assim poderia estabelecer fórmulas gerais aplicáveis a
qualquer movimento. Esta preocupação levou-o a inventar o cálculo
diferencial, a partir do qual obteve também o cálculo integral.
O contraste entre a simplicidade do enunciado e a
profundidade de sua significação é ainda mais evidente no seu Terceiro
Principio da Mecânica:
"A toda ação corresponde uma reação igual e em
sentido contrário " Este é o postulado mais simples e mais geral de toda a
Física. Ele explica, por exemplo, por que uma pessoa dentro de um barco, no
meio de um rio, quando quer se aproximar da terra firme, "puxa a margem" e o
resultado visível é que a margem "puxa o barco". Em outras palavras, quando o
indivíduo laça com uma corda uma estaca da margem e começa a puxar a corda,
está, na verdade, exercendo uma força (ação) sobre a margem; esta, por sua
vez, aplica uma força igual em sentido contrário (reação) sobre o barco, o
que faz com que este se movimente.
Pode parecer extraordinário que algo tão evidente
tivesse que esperar o surgimento de Newton para ser estabelecido; mas, na
verdade, ele só pôde fazer suas afirmações depois que Galileu tornou claro o
papel que as forças desempenham no movimento. Galileu foi, assim, o precursor
de Newton, e este seu herdeiro e continuador.
O papel de Newton como sintetizador repetiu-se em
outro dos episódios importantes de sua obra: o descobrimento da lei da
gravitação universal. Desta vez, o pioneiro foi Kepler.
Enquanto Galileu lutou contra Aristóteles, Kepler
insurgiu-se contra Ptolomeu, um dos maiores astrônomos alexandrinos e, também
- embora involuntariamente -, o principal obstáculo ao desenvolvimento da
astronomia na Idade Média.
Ptolomeu acreditava no sistema das esferas
concêntricas: a Terra era o centro do Universo; à sua volta, giravam a Lua, o
Sol, os planetas e as estrelas. E, o que é mais importante do ponto de vista
cosmológico, tinha a certeza de que os movimentos dessas esferas deveriam
realizar-se em círculos perfeitos, com velocidade uniforme. Sua certeza
originara-se em Platão e tinha razões de ordem religiosa: Deus só pode fazer
coisas perfeitas, e apenas o movimento circular é perfeito.
Essa visão do Universo prevaleceu por tempo
espantosamente longo, considerando-se as evidências em contrário. O primeiro
passo efetivo contra esse estado de coisas foi dado por Nicolau Copérnico, no
princípio do século XVI: ele questionou o dogma de que a Terra é o centro do
Universo, transferindo para o Sol este papel. Mas não viveu - nem lutou -
para ver sua idéia prevalecer. Quem fez isso foi Kepler.
Colocar o Sol no centro do Universo, com a Terra
e os demais planetas girando em torno dele, não foi a tarefa mais árdua de
Kepler; o pior foi descrever como se dá o movimento dos planetas, já que as
trajetórias circulares evidentemente não eram obedecidas. E Kepler lutou a
vida inteira contra seus contemporâneos - e contra seus próprios preconceitos
astrológico-mágicos para concluir que os planetas descrevem elipses em torno
do Sol, obedecendo a três leis matemáticas bem determinadas.
Trinta anos após a morte de Kepler e vinte depois
da de Galileu, Newton, com apenas vinte anos de idade, atacou o
quebra-cabeças legado por seus dois precursores. As peças-chave eram: as leis
dos movimentos dos corpos celestes, de Kepler. e as leis dos movimentos dos
corpos na Terra, de Galileu. Mas os dois fragmentos não se ajustavam, pois,
de acordo com as leis descobertas por Kepler, os planetas se moviam segundo
elipses, e, conforme Galileu, segundo círculos. Por outro lado, as leis da
queda dos corpos de Galileu não possuíam relação aparente com o movimento dos
planetas ou dos cometas.
Newton atacou o problema, estabelecendo uma
analogia entre o movimento da Lua ao redor da Terra e o movimento de um
projétil lançado horizontalmente na superfície do planeta. Qualquer projétil
assim lançado está sob a ação de dois movimentos: um movimento uniforme para
a frente em linha reta, e um movimento acelerado devido a força de gravidade
que o atrai para a Terra. Os dois movimentos interagindo produzem uma curva
parabólica, conforme demonstrou Galileu, e o projétil termina por cair ao
chão. Cairá mais perto do lugar onde foi disparado se a altura de lançamento
foi pequena e a velocidade inicial do corpo foi baixa; cairá mais longe, se a
situação se inverter.
Newton perguntou-se, então, o que sucederia se a
altura do lançamento fosse muito grande, comparável, por exemplo, com a
distância da Terra à Lua. E sua resposta foi a de que o corpo deveria cair em
direção à Terra, sem, contudo, atingir sua superfície.
O porquê reside no seguinte: se o corpo for
lançado além de uma certa altura - e esse é o caso, por exemplo, dos
satélites artificiais -, a parábola descrita pelo corpo não o trará de volta
à Terra, mas o colocará em órbita. Assim, o satélite artificial está sempre
caindo sobre o planeta, sem nunca atingi-lo. O mesmo acontece com a Lua, que
um dia tangenciou a Terra e nunca mais deixou de "cair" sobre 'ela.
Com esse raciocínio, Newton ligou dois fenômenos
que até então pareciam não ter relação entre si- o movimento dos corpos
celestes e a queda de um corpo na superfície da Terra. Foi assim que surgiu a
lei da gravitação universal.
Tudo isso foi-lhe aparecendo gradualmente, até
que, em 1679, pôde responder a Halley, seu amigo e discípulo, que lhe
perguntara se conhecia um princípio físico capaz de explicar as leis de
Kepler sobre os movimentos dos planetas. E sua resposta foi a seguinte: a
força de atração entre dois corpos é proporcional ao produto de suas massas e
inversamente proporcional ao quadrado da distância que os separa. "Percebi",
escreveu Halley a Newton, "que você tinha feito uma demonstração perfeita."
Halley induziu, então, o amigo não sem alguma
dificuldade, pois Newton tinha bem presente o episódio da polêmica com Hooke
- a reunir em uma só obra seus trabalhos sobre a gravitação e as leis da
Mecânica, comprometendo-se a custeear, ele mesmo, as despesas de publicação.
Embora se tratasse de resumir e ordenar trabalhos
em grande parte já escritos, sua realização consumiu dois anos de aplicação
contínua. O compêndio, chamado Philosophiae
Naturalis Principia Mathematica, os Princípios, compõe-se de três
livros. O primeiro trata dos princípios da Mecânica; é nele que aparecem as
três leis do movimento de Newton. O segundo cuida da mecânica dos fluidos e
dos corpos neles imersos. Finalmente, o terceiro situa filosoficamente a obra
do autor e traz alguns resultados do que foi estabelecido nos dois
anteriores.
Nesse terceiro livro, Newton analisa os
movimentos dos satélites em tomo de um planeta e dos planetas ao redor do
Sol, baseando-se na gravitação universal. Mostra que é possível deduzir, da
forma de tais movimentos, relações entre as massas dos planetas e a massa da
Terra. Fixa a densidade da Terra entre 5 e 6 (o valor admitido atualmente é
5,5) e calcula a massa do Sol, bem como a dos planetas dotados de satélites.
Avalia em 1/230 o achatamento da Terra nos pólos - hoje sabemos que este
valor é de 1/270.
A estrada: de Newton em direção à execução da
obra que o imortalizou foi plana e isenta de acidentes de maior importância.
Newton não teve que enfrentar sozinho, como Galileu, a oposição de seus
contemporâneos, nem conheceu, como o florentino, a iniqüidade das retratações
perante os tribunais religiosos. Não precisou, como Kepler, travar lutas
consigo próprio, para fazer coincidir suas idéias sobre astrologia e seus
preconceitos místicos com os resultados das observações.
Newton, como se descobriria depois, foi tão
obcecado pelo misticismo quanto Kepler. Só que ele manteve ciência e religião
completamente separados em sua mente. Uma não influía sobre a outra.
Casa de Newton em Londres, em Leicester Square
Newton sempre teve o apoio do mundo científico de
sua época, usufruindo de todas as honrarias que podem ser concedidas a um
homem de ciência: em 1668, foi nomeado representante da Universidade de
Cambridge, no Parlamento; em 1696, assumiu o cargo de inspetor da Casa Real
da Moeda, tornando-se seu diretor em 1699; nesse mesmo ano foi eleito membro
da Academia Francesa de Ciências; em 1701, deixou sua cátedra em Cambridge,
e, a partir de 1703, até sua morte, foi presidente da Royal Society.
Mas, ao assumir mais cargos e receber mais
gratificações, sua atividade científica passou a diminuir e sua preocupação
com religião e ocultismo tendeu a aumentar. Depois da publicação dos
Princípios, suas contribuições se tornaram cada vez mais esparsas e, na maior
parte das vezes, insignificantes quando comparadas com a obra anterior.
No início de 1727, Newton, cuja saúde declinava
há anos, ficou gravemente enfermo. Morreu no dia 20 de março desse ano, tendo
sido sepultado na Abadia de Westminster com o seguinte epitáfio: "É uma honra
para o gênero humano que um tal homem tenha existido."
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