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Cientistas
de todos os tempos :::
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Pierre e Marie Curie
Pierre (1859 - 1906)
Marie (1867 - 1934)
No ano de 1878, no pequeno
laboratório de Schutzenberger, na Escola Municipal de Paris, nascia a
precursora da física do estado sólido. Era o resultado de uma longa série de
pesquisas levadas a cabo por Pierre Curie e seu irmão Jacques. Certos
cristais como o quartzo, por exemplo, têm a propriedade de converter tensões
mecânicas em impulsos elétricos e vice-versa: às alterações de um campo
elétrico respondem com vibrações. A descoberta da piezeletricidade não
encerrou os trabalhos de Pierre. Continuando os seus estudos sobre o estado
cristalino, determinou a temperatura acima da qual as substâncias perdem as
propriedades ferromagnéticas: o ponto de Curie.
Homem esquivo, Pierre vivia
exclusivamente em função da física, dedicando à pesquisa todo o seu tempo.
Essa situação mudou, porém, quando conheceu uma jovem polonesa - Marja
Sklodowska - que, em 1891, com apenas 24 anos, havia deixado sua cidade natal
- Varsóvia - e procurado em Paris um clima mais compatível com sua
inteligência e seus ideais científicos. Apesar de uma série de fatores
adversos que tivera de enfrentar, matriculara-se na Sorbonne.
Entre Pierre e Marja - agora
Marie - as afinidades eram perfeitas, tanto sob o aspecto social, como do
ponto de vista científico.
Marie, ao lado do homem, via também um físico
eminente a quem poderia pedir opinião. Pierre, por sua vez, reconhecia a
inteligência de Sklodowska, seu raciocínio rigoroso e principalmente, uma
acentuada vocação para a pesquisa. Nessa altura Pierre já havia conquistado
certo renome científico, tanto na França como no exterior. Marie era apenas
uma estudante de física e matemática. Mas, entre os dois, desenvolveu-se uma
amizade profunda, consolidada um ano depois com o casamento. Nesse mesmo ano,
1895, Pierre defendia sua tese de doutoramento sobre magnetismo a
temperaturas variáveis.
(Com a filha Irène)
Casada, Marie Curie passou a cuidar do lar, não
se descuidando todavia de suas pesquisas. Em 1897 nascia lrène, futuro Prêmio
Nobel de Química.
Marie publicava os resultados de suas primeiras
pesquisas e preparava sua tese de doutoramento. Foi atraída pelos trabalhos
de Becquerel, que, dois anos antes, descobrira que um minério de urânio,
colocado sobre uma chapa fotográfica envolta em papel preto, produzia uma
impressão análoga à que poderia produzir a luz. Becquerel percebeu que essa
impressão era devida a uma radiação que atravessava o papel. Essa propriedade
não dependia de uma insolação preliminar e persistia quando o minério era
conservado no escuro durante meses. Mas de onde provinha a energia emitida em
forma de radiação pelos minerais de urânio?
(Hangar da Escola de Física e Química)
Instalando num lugar úmido da
Escola de Física e Química uma câmara de ionização e alguns instrumentos de
detecção criados por Pierre, o casal procurou a resposta. Por meio de um
eletrômetro conseguiram medir tais radiações, afirmando que elas eram uma
propriedade atômica do elemento urânio. Sua intensidade era proporcional à
quantidade de urânio presente na substância, não dependendo do estado de
combinação química, nem de circunstâncias exteriores.
O casal Pierre-Marie foi mais
além: o urânio não era o único elemento que apresentava tal propriedade. Os
sais de tório emitiam radiações análogas.
Como resultado de todo esse longo trabalho,
iniciado pelo físico alemão Konrad von Roentgen, continuado por Becquerel e
concluído pelo casal, nascia o estudo do fenômeno da radiatividade.
Pierre e sua companheira deram
mais um passo à frente. Em uma comunicação à Academia de Ciências, a 12 de
abril de 1898, anunciaram que a pechblenda - óxido de urânio - era bem mais
ativa que o próprio metal. Tal fato levava a crer que o minério continha,
além do urânio, outro elemento.
Conseguiram do governo austríaco uma tonelada de
pechblenda, proveniente das minas de Joachimsthal. Quebrar, ferver, filtrar o
minério, lutar contra os gases asfixiantes, foi um trabalho árduo, mas
compensador. Em julho do mesmo ano informavam que haviam conseguido isolar da
pechblenda um metal que, na tabela periódica, seria vizinho do bismuto. Em
homenagem à pátria de Marie, foi designado como polônio.
O casal, porém, tinha razões
suficientes para acreditar que a presença do polônio não explicava o excesso
de radiatividade do minério. Impunha-se repetir toda a tarefa que conduzira à
descoberta do polônio. E, novamente, os resultados foram positivos. Não havia
mais segredos na radiatividade da pechblenda. Quase no final de 1898, uma
comunicação assinada por Marie, Pierre e seu colaborador G. Bémont anunciava
a descoberta do segundo elemento radiativo - o rádio.
Perfeitamente identificados em
suas pesquisas, tornando assim difícil saber o que pertence a um ou a outro,
Pierre e Marie não foram, de início, notados pelos meios científicos. Seus
trabalhos eram acolhidos com reservas, pois implicavam a destruição de um
conjunto de noções até então plenamente aceitas. E, se a existência do rádio
tinha sido comprovada, o seu isolamento ainda não tinha sido concluído. Mas,
após quatro anos de luta, o resultado foi feliz: obtiveram 1 decigrama de
rádio puro e determinaram o seu pêso atômico: 226. Elemento espontaneamente
luminoso, dois milhões de vezes mais radiativo que o urânio, teve seu valor
terapêutico rapidamente comprovado. Sua ação sobre o câncer foi testada por
Pierre e pelos professores Charles Bouchard e Balthasard.
A essa altura dos
acontecimentos, qualquer dúvida sobre o gênio e valor do casal seria
gratuita. Em todo o mundo o seu mérito era reconhecido. Mas as maiores honras
eram sempre dirigidas a Pierre. O governo francês condecorou-o, e a Sorbonne
ofereceu-lhe uma de suas cátedras.
A 25 de julho de 1903, Marie enfrentou o
julgamento da Sorbonne. Sua tese Recherches sur tes substances radioo-actives,
brilhantemente defendida, concedeu-lhe o título de Doutora em Ciências
Físicas, com menção de alto louvor. A Royal Society de Londres solicitou a
presença do casal. Nesse mesmo ano foi lançada a segunda edição da memorável
tese de Marie, que, juntamente com Pierre e Antoine Henri Becquerel, recebeu
o Prêmio Nobel de Física.
A França e o mundo inteiro
despertaram para a importância do casal. Criou-se uma cátedra para o
cientista na Faculdade de Ciências e Marie foi nomeada chefe de pesquisas do
departamento.
Um mês depois nasceu a segunda filha Ève -, que
seria pianista e, mais tarde, escritora, tendo como obra de maior repercussão
a biografia de sua mãe.
A 19 de abril de 1906 um trágico acidente separou o casal: Pierre, ao
atravessar a Rua Dauphine, rumo à Sorbonne, foi colhido por uma carruagem.
Marie, profundamente chocada,
ocupou a cátedra deixada vaga pelo marido, e, sozinha, continuou sua grande
obra científica. Era a primeira vez que uma mulher ocupava tal lugar na
Sorbonne.
Em 1908 organizou, reviu e
prefaciou as Obras de Pierre. Em 1910 publicou um longo trabalho intitulado
Traité de radio-activité.
Nessa época, dividia suas pesquisas entre a
física e a química. Em 1911 foi distinguida com um segundo Prêmio Nobel: o de
química.
Durante a Primeira Guerra
Mundial organizou centros de assistência radiológica para os feridos. Em
1918, restabelecida a paz, Marie retorna a suas pesquisas. Começaram, então,
as viagens ao estrangeiro. Em 1921, acompanhada por lrène, visitou os Estados
Unidos, onde recebeu das mulheres americanas 1 grama de rádio, que doou ao
Instituto Curie de Radioterapia, criado na França. Alguns anos mais tarde
chegou mais 1 grama, dessa vez destinado ao Instituto de Rádio de Varsóvia,
que Madame Curie dirigia de Paris. Em agosto de 1926, o Brasil também
conheceu a famosa cientista.
Pesquisas, viagens e,
novamente, o laboratório. Em 1933 publicou Les rayons alfa, bêta et gama des
corps radioactifs en relation avec la structure nucléaire: era um esquema de
todos os progressos realizados na física nuclear.
Morreu com 67 anos, a 4 de
julho de 1934, no sanatório de Sancellemoz, vítima das radiações do próprio
elemento que anos antes descobrira. Os precursores da era atômica estavam
mortos, mas sua obra não. lrène Curie e seu marido, Fréderic Joliot,
assumiriam a responsabilidade de continuar o grande edifício estruturado pelo
casal.
Em 1935 receberiam o Prêmio
Nobel de Química, pela criação de novos elementos radiativos, isto é, pela
descoberta da radiatividade artificial.
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