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Cientistas
de todos os tempos :::
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Wilhelm Konrad Roentgen
(1845
- 1923)
Poucos
acontecimentos na história da ciência provocaram impacto tão forte quanto a
descoberta dos raios X por Wilhelm Konrad Roentgen, professor de física na
Universidade de Würzburg.
"O dia 8 de
agôsto de 1895 pode ser considerado como a data de início de uma nova era em
física. Antes, os físicos viviam ainda na era clássica" - é o que diz um
artigo publicado numa revista especializada, por ocasião do 50º aniversário
da descoberta.
Nascido a 27
de março de 1845 em Lennep, no Baixo Reno, Roentgen iniciou seus estudos na
Holanda, país de origem de sua mãe. Foi depois para a Suíça, onde formou-se
na Escola Politécnica de Zurique, em 1866. Aí teve como professor o físico e
matemático R. J. E. Clausius (1822-1888), um dos fundadores da termodinâmica,
cujas aulas despertaram nele o interesse pela física. Em seguida foi para
Würzburg e tornou-se assistente de August Kundt (1839-1894), físico alemão
conhecido pela invenção de um método para determinar a velocidade do som nos
gases.
Roentgen
lecionou física e matemática em Hohenheim (1875), em Estrasburgo (1876), em
Geissen (1879), e em Würzburg (1880). Seis anos mais tarde tornou-se reitor
desta última universidade.
Em 1895,
Roentgen começou a ocupar-se dos raios católicos (assim chamados por serem
produzidos no cátodo dos tubos de vácuo) e realizou algumas experiências com
tubos de vácuo elevado. Consistiam em tubos de vidro cuidadosamente
esvaziados de ar, em cujo interior, em extremidades opostas, colocavam-se
duas pequenas lâminas.
Essas
lâminas eram ligadas aos pólos de um gerador de alta tensão. Estabelecida a
passagem de corrente, obtinha-se no tubo a emissão de radiação luminosa: era
uma espécie de luminescência que parecia emanar do ar rarefeito que
permanecia dentro do tubo. As experiências eram feitas em laboratórios
escuros, o que permitia melhor análise das fracas radiações produzidas no
tubo.
Certo dia,
com o objetivo de realizar certa experiência, Roentgen envolveu um tubo com
papelão preto. Casualmente, sobre uma mesa próxima havia uma tela de papel
impregnada de platinocianeto de bário em uma das faces. A cada descarga do
tubo, a tela se iluminava com uma luz esverdeada. E a produção do fenômeno se
verificava, quer quando a face impregnada estava voltada para o tubo, quer
quando isso ocorria com a superfície oposta.
Roentgen
chegou à conclusão de que a tela era atingida por uma radiação invisível,
capaz de transpor o obstáculo representado pelo anteparo negro. Certamente
deveria ser uma radiação "diferente", uma vez que o anteparo era opaco até em
relação às radiações ultravioleta.
Durante as
semanas sucessivas, Roentgen dedicou-se exclusivamente à identificação de
outras propriedades da recém-descoberta radiação. Em vista da incerteza que
nutria quanto à sua natureza, deu-lhe o nome de raios X. Pouco depois,
Kolliker, professor em würzburg, denominou-a raios Roentgen.
As
experiências foram-se intensificando. Evidentemente, a estranha radiação
provinha do tubo de vácuo elevado. Roentgen pensou então em colocar um livro
entre o anteparo e a fonte de radiação. Com surpresa, verificou que o objeto
projetava no anteparo apenas uma sombra leve, indício de que os raios X
conseguiam atravessá-lo. Depois, experimentou colocar como obstáculo sua
própria mão: esta também mostrou-se transparente, com exceção dos ossos, que
ressaltaram na sombra.
Finalmente,
tentou interpor uma chapa fotográfica, que ficou impressionada mas revelou a
presença dos dedos do experimentador, que a segurava por uma das pontas. Esta
sombra também era diferente da projetada pela luz comum: era como se os dedos
fossem, ao menos em parte, transparentes.
A 22 de
dezembro de 1895, Roentgen obteve a primeira chapa radiográfica da história:
a mão de sua mulher. A fotografia obtida confirmou tratar-se de uma nova
forma de radiação, que apresentava a propriedade de atravessar os corpos
opacos e que só podia ser detida por substâncias de elevada massa atômica
(chumbo e platina, por exemplo).
A 28 de
dezembro de 1895, no primeiro comunicado sobre os dados de suas observações,
Roentgen descreveu com particularidades a maior parte das propriedades
qualitativas básicas dos raios X. A nota oficial da descoberta deu-se a 23 de
janeiro de 1896.
Logo após a
descoberta, compreendeu-se que os raios X poderiam ser amplamente utilizados
em muitos campos da ciência e da técnica. Em medicina, por exemplo, a nova
radiação teria um grande campo de aplicação, embora inicialmente seu uso
tenha encontrado certa resistência.
Três meses
após ter sido anunciada a descoberta, o jornal da Associação Médica Americana
comentava: "Os cirurgiões de Viena e Berlim acreditam que a fotografia de
Roentgen esteja destinada a revolucionar a cirurgia. Nós, não. Meia hora é o
tempo mínimo de exposição necessário, e, na maior parte dos casos, até de uma
hora. A aparelhagem é tão cara que somente poucos cirurgiões poderão dar-se
ao luxo de tê-la em seus consultórios".
Todavia,
essa primeira impressão desfavorável logo se desfez, e as técnicas de emprego
na medicina difundiram-se rapidamente. De início os médicos se limitaram a
empregar os raios X para estudar os ossos, os cálculos (concreções que se
formam em alguns órgãos internos) e para localizar corpos estranhos. Depois
introduziu-se a técnica dos contrastes, que, pela ingestão de substâncias
radiopacas, possibilita a exploração de órgãos como o estômago, os rins, etc.
No campo da
física, os raios X forneceram um novo meio de pesquisa: permitiram estudar a
fundo a estrutura do átomo, fornecendo informações sobre a disposição dos
elétrons em sua periferia. Além disso, chegou-se à conclusão de que a nova
radiação, colidindo com uma partícula, podia comportar-se como outra
partícula material. Descobriu-se, também, que ela transportava energia em
quantidades definidas.
Finalmente,
graças ao trabalho de cientistas como Bragg, Von Laue, Hull, Debye, Scherrer
e outros, a radiação foi utilizada para descobrir como os átomos estão
dispostos na matéria. Estudou-se a difração dos raios X e obtiveram-se
espectros de interferência após fazer tais radiações atravessarem certos
cristais. Como resultado, foi possível medir seu comprimento de onda, estudar
a fundo a estrutura dos cristais e propor uma bem fundamentada explicação
atômica para as leis cristalográficas.
O próprio
Roentgen nunca abandonou as pesquisas sobre a radiação X. Em 1900 foi
convidado a ocupar a cátedra de Física na Universidade de Munique.
Despendeu os
últimos anos de sua vida estudando: não se interessava apenas pelos raios X,
mas também pela cristalografia e pelas radiações infravermelhas. Morreu em
Munique, no dia 10 de fevereiro de 1923.
Por sua
descoberta e estudos posteriores, Roentgen foi o primeiro físico a receber o
Prêmio Nobel, em 1901.
A euforia
que sucedeu à descoberta dos raios X seguiu-se um período de depressão:
muitos médicos e cientistas que utilizavam a radiação para fins terapêuticos
ou de pesquisa viram-se acometidos por irritações e descamações cutâneas,
queimaduras e até mesmo formas cancerosas. Logo se descobriu que a utilização
da radiação na ausência de proteção adequada produzia lesões nos tecidos a
ela expostos.
Ao incidir
sobre os tecidos, a radiação provoca a emissão de elétrons (chamados
fotoelétrons) com energia de milhares de elétrons-volt. O fenômeno causa a
destruição da estrutura das células dos tecidos da carne, dos ossos e do
sangue. De início, o efeito se manifesta localmente como irritação cutânea,
depois pode-se transformar em lesão grave, com cicatrização dificultosa.
A radiação
pode alterar a estrutura molecular das células somáticas, com conseqüências
sobre o metabolismo e a reprodução celulares. Pode também atingir as células
sexuais, o que representa perigo ainda maior. É por isso que um equipamento
de raios X só pode e só deve ser manejado por pessoas competentes e
devidamente protegidas.
Os raios X
começaram também, a partir de 1924, a serem aplicados na indústria. Nesse
ano, foi instalado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts um laboratório
destinado a estudar os empregos industriais da radiação.
Hoje em dia,
o instrumental de raios X é tão comum nos laboratórios científicos quanto a
aparelhagem óptica. A eletrônica veio também prestar ajuda ao desenvolvimento
dos aparelhos de raios X, possibilitando a construção de equipamentos mais
sensíveis e poderosos.
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