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Cientistas
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Alessandro Giuseppe Volta
(1745 - 1827)
Em fins do século XVIII, um novo ramo da física
fascinava os pesquisadores: a eletricidade. Era estranho que dois corpos
pudessem atrair um ao outro só porque tinham sido friccionados, gerando
aquele "fluido misterioso" chamado eletricidade.
Para a sociedade de então, eram experiências que
lembravam a magia; mas os físicos desconfiavam que o estudo de tais
fenômenos, que pareciam ser governados por leis bem determinadas, abriria
caminho a novos conhecimentos, vastos e interessantes. Já vislumbravam
relações entre os fenômenos elétricos e a química, porquanto a eletricidade
parecia favorecer determinadas reações ou dissociações de compostos, entre
eles a água.
As experiências, contudo, apresentavam grandes
dificuldades, principalmente porque só se sabia produzir eletricidade
friccionando dois corpos entre si. Com essa operação, de fato, se obtém a
separação de cargas elétricas superficiais, ou seja, um dos corpos passa a
ter elétrons em excesso e no outro há falta deles. A diferença de eletrização
resultante (negativa no primeiro e positiva no segundo) é demonstrada pela
atração que se verifica entre os dois corpos.
Na época, ainda não se havia conseguido produzir
a eletricidade de modo constante, com corrente fluindo continuamente através
de um condutor. Existiam máquinas eletrostáticas rudimentares que serviam
apenas para um número limitado de experiências. Ademais, para medir a
quantidade de eletricidade com que se faziam as experiências, usavam-se
procedimentos pouco sensíveis, capazes de medir cargas elétricas apenas
quando estas fossem grandes. As quantidades pequenas de carga fugiam à
capacidade de medida da época.
Foi Alessandro Volta, físico italiano, quem
aprofundou os estudos dos fenômenos elétricos e conseguiu gerar eletricidade
por meio de reações químicas. Construiu um estranho aparelho com moedas de
cobre, discos de zinco e discos de feltro banhados com uma solução ácida, que
servia para produzir com continuidade um movimento de cargas elétricas
através de um condutor. Esse aparelho, chamado pilha porque as moedas de
cobre, os discos de feltro e os discos de zinco eram empilhados uns sobre os
outros, descortinava novos horizontes à pesquisa dos fenômenos elétricos,
permitindo a realização de novas experiências.
Após este passo, pouco tempo bastou para que as
relações entre as correntes elétricas e os campos magnéticos fossem
descobertas. Para isso foi também de grande auxílio outra invenção de Volta:
um dispositivo que permitia medir quantidades minúsculas de eletricidade
estática.
A contribuição de Volta para o progresso da
Ciência foi realmente notável, especialmente considerando ter sido um
autodidata. Não se dedicou somente à eletrologia, mas se interessou
profundamente na solução de diversos problemas industriais.
Alessandro Volta nasceu em Como, uma pequena
cidade próxima de Milão, na Itália, em 18 de fevereiro de 1745. Era o sexto
dos sete filhos do Conde Filippo Volta e da Condêssa Maria Madalena, que o
enviaram para passar a infância numa localidade próxima, Brunate, entre
pessoas de pouca cultura.
Parece ter sido esta a razão pela qual, segundo
seus biógrafos, teve um desenvolvimento muito lento, tanto que só teria
começado a falar com sete anos, para grande preocupação de seus pais. Mas nos
anos de silêncio, sua mente não perdeu tempo. Bem cedo o jovem Alessandro
revelou uma indomável vocação para os estudos das ciências naturais, a ponto
de utilizar qualquer papel que lhe viesse as mãos para fazer um registro de
suas observações, levadas a efeito, as vezes, em lugares perigosos (aos doze
anos pensou ter descoberto um filão de ouro num rio e, para segui-lo, quase
se afogou).
Com a morte do Conde Filippo Volta, a família
fica em situação econômica difícil, e o jovem Alessandro vai viver com um
tio. Já era tempo de pensar no futuro: o tio quer fazê-lo estudar Direito; um
professor aconselha a carreira eclesiástica. Porém, a escolha definitiva é
feita pelo próprio Alessandro, que se decide pela física.
Com apenas dezesseis anos abandona o Colégio dos
Jesuítas, em Como, e prossegue seus estudos sozinho, com a assistência do
Cônego Gattoni, um amigo que lhe ensina os primeiros rudimentos da física e
põe a sua disposição os aparelhos necessários às experiências. Com dezoito
anos, Volta marca sua primeira presença: escreve uma carta ao físico G.A.
Nollet, na qual exprime sua convicção de que os fenômenos elétricos podiam
ser atribuídos a forças de atração de tipo semelhante àquelas gravitacionais,
já descritas por Newton. Com ela demonstrava já estar amadurecido para tratar
de questões bem mais profundas.
O estudo é uma atividade fascinante, mas nem
sempre proporciona meios adequados de subsistência, Volta precisava encontrar
uma atividade remunerativa para poder continuar suas pesquisas. Mesmo sem
possuir títulos escolares adequados, suas experiências e estudos o haviam
feito famoso em toda a Europa. E, ainda, estudando sozinho, havia aprendido
latim, francês, alemão e inglês, sem deixar de lado uma boa cultura básica de
física e matemática. Considerou adequada a seus interesses a carreira
didática e recorreu, então, a Carlo di Firmian, governador da Lombardia
austríaca, para obter um emprego. Conseguiu inicialmente a nomeação para
docente substituto, depois a de regente e, finalmente a de professor de
física experimental nas escolas de Como - sem mesmo precisar defender tese -
recebendo um salário igual ao de um professor veterano.
Manuscrito enviado a Royal London Society
Em 1775, Volta inventa o eletróforo (aparelho com
seu nome, atualmente), que promove a eletrização de condutores e possibilita
obter altas tensões aproveitando o princípio de funcionamento do condensador,
ou seja, o fenômeno de indução eletrostática. Para garantir a prioridade,
comunicou a invenção a Priestiev, Na época era uma necessidade tornar
conhecidos os resultados dos próprios estudos a alguém importante e famoso,
pois ainda não existia o serviço de publicações, com que hoje conta um
pesquisador. Uma carta a um cientista significava assegurar a prioridade de
uma descoberta e receber críticas e comentários úteis para levar avante
pesquisas posteriores.
No ano seguinte anuncia a invenção do eudiômetro
(que ainda hoje é lembrado com seu nome). Neste aparelho provoca-se a reação
entre compostos gasosos por meio de um centelha elétrica - invenção que
prenunciava o advento do motor a explosão, atual, no qual o oxigênio e o
hidrogênio de Volta são substituídos, respectivamente, pelo ar e pelos
vapores de um combustível. Hoje, tal aparelho é encontrado nos laboratórios
das escolas para demonstrar a lei com que se unem hidrogênio e oxigênio para
formar a água. Mas naquela época servia para demonstrar a validade das leis
das proporções definidas e para estudar as leis dos gases. De fato, Volta
determinou a lei segundo a qual um gás se dilata quando é aquecido,
participando, com Gay Lussac, das glórias da observação.
Sala de aula onde Volta lecionou na Universidade
de Pávia
Em 1776, descobriu o metano, gás que havia, visto
emanar em fermentações subaquáticas dos pântanos. Tais estudos tornaram-no
ainda, mais famoso e abriram caminho, em 1779, para a Universidade de Pávia,
onde foi ensinar. Em 1785, seis anos depois, os estudantes daquela
universidade o elegeram reitor, de acordo com o costume da época.
Em seus primeiros anos de atividade em Pávia,
Volta teve a oportunidade de realizar muitas viagens pela Europa, durante as
quais ampliou seus conhecimentos e, ao mesmo tempo, tornou-se bastante
conhecido. Foi um homem dotado de elevado sentido prático, que o levou a se
interessar sempre por problemas industriais. Sugeriu a fabricação industrial
das vacinas, compreendeu e procurou difundir a importância do amianto para a
indústria, promoveu a difusão da cultura controlada do bicho-da-sêda e tentou
racionalizar o cultivo do lúpulo e da batata.
A invenção da pilha - chamada então "órgão
elétrico artificial", porque a eletricidade era gerada por um artifício e não
pelo trabalho humano - data de 1800. A primeira pilha era constituída por
diversos recipientes contendo uma solução ácida . Os conteúdos eram
interligados em série por arcos feitos de dois metais (cobre e estanho ou
então cobre e zinco, um em cada extremidade do arco). Mais tarde, Volta criou
um dispositivo mais compacto empilhando alternadamente discos de cobre e de
zinco intercalados com feltro embebido em solução ácida.
Volta faz demonstrações da pilha para Napoleão
Esta descoberta tornou-o definitivamente uma
celebridade: em 1801 foi recebido por Napoleão, que desejava ver o aparelho.
Recebeu posteriormente do imperador a nomeação de senador e depois conde do
reino da Itália. Sua vida, então, transcorria tranqüila As raras polêmicas,
inevitáveis entre estudiosos, limitavam-se a divergências superficiais. Os
acontecimentos políticos não o interessavam: ignorou os movimentos
separatistas, aceitou a cidadania austríaca, embora considerasse como pátria
somente a cidade de Como e as regiões adjacentes.
Em 1819, com 74 anos de idade e já sentindo que sua capacidade inventiva
estava esgotada, retirou-se da vida ativa para. morar em Cammago, onde morreu
em 1827.
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