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Feira de Ciências e
Trabalhos Escolares
(Técnicas,
Normas e Sugestões)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Introdução
A
necessidade do FAZER
Na maioria das
esferas de atividades, a melhor maneira de aprender é fazendo. Os
livros, revistas, aulas teóricas e conferências fornecem uma sólida
base, porém assimilamos verdadeiramente os conhecimentos quando
colocamos em prática as teorias. Para aprender matemática temos que
resolver muitos problemas e exercícios. O mesmo ocorre com as ciências
ditas naturais. Aliás, uma das etapas da maior importância do método
científico, justamente aquela que distingue uma ciência exata dos
demais ramos do conhecimento humano, é a experimentação.
Projetos
Científicos ... o prazer do conhecimento
Quando realizamos um bom
projeto científico, trabalhamos quase da mesma maneira que os
cientistas profissionais. Como eles, observamos, experimentamos,
investigamos, especulamos e comprovamos a validade de nossas hipóteses,
mediante mais experimentos, tudo isso com o objetivo de aprendermos
mais. Se nosso trabalho foi bom, outros também poderão aprender com
ele; mas, para isso, devemos apresentá-lo de maneira adequada.
A
melhor vantagem que podemos obter pela realização de um projeto científico
é a melhor compreensão de um ramo da ciência. Os melhores projetos
científicos criam hábitos de planificação eficaz, de atenção aos
detalhes, cuidado no trabalho, aperfeiçoamento de manuseio e adoção
de critérios muito rígidos que nos serão úteis durante toda a vida.
Além disso, sempre fica a expectativa de que tais projetos possam
abrir as portas de uma carreira almejada, culminando com a realização
própria, individual ¾
aquela satisfação permanente que ninguém jamais pode nos subtrair.
Exposição
de Projetos ... a arte na prática
Com freqüência cada vez maior, os cientistas devem
partilhar seu trabalho não só com outros cientistas, senão também
com legisladores, administradores, sociólogos, artistas, professores,
genericamente, com pessoas de todas as profissões. Isso é a divulgação
científica. Seguindo essa tendência, os estudantes de ciências ¾
em todos os níveis ¾
também devem informar a outras pessoas sobre seus aprendizados e
projetos científicos.
As
exposições, quando realizadas corretamente, constituem um meio
eficaz de se conseguir esse objetivo.
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As
exposições constituem a mais eficiente proposta de divulgação
científica.
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As
exposições que combinam materiais visuais interessantes, com comunicações
bem escritas, podem transmitir grande quantidade de informações em um
espaço e tempo muito limitados.
As
boas exposições podem resultar muito claras a uma grande variedade de
espectadores. Os que têm certo conhecimento do tema podem absorver
toda a informação, mas também, os não especializados encontrarão
sempre algo de seu interesse.
Classificação das Apresentações
em Feiras de Ciências
1- Categorias dos
projetos
Projetos de Ciências da Computação - envolvem desenvolvimento de
hardwares ou softwares, ligados à informática.
Projetos de Ciências da Engenharia - envolvem apresentação de projetos
e/ou construção física de algum dispositivo, componente, máquina ou
processo que têm uma aplicação determinada.
Projetos de Ciências da Vida - envolve a biologia, a zoologia, a botânica
e mesmo os aspectos da medicina pura ou aplicada.
Projetos de Ciências Pura - é relacionado à Física, à Química ou à
Matemática. Seu objetivo preliminar é a consideração de causa e efeito de
algum processo ou atividade específica na natureza.
Projetos de Ciências Ambientais - é relacionado ao estudo da ciência da
terra e do espaço, junto com o impacto de fatores ambientais em sistemas
biológicos. Os projetos, nesta categoria, incluem os campos da ecologia e da
oceanografia.
Projetos de Ciência de Biotecnologia - se destinam à demonstração da
aplicação do conhecimento dos sistemas biológicos para criar um produto ou
para fornecer esclarecimento em um dos três seguintes campos: desenvolvimento
de colheitas, ciência animal e microbiologia.
2-
Tipos de Projetos
Experiência - uma investigação empreendida para testar uma hipótese
específica; evidenciar um fenômeno por sua repetição controlada.
Estudo - apresentação de uma coleção ou uma análise de dados para
revelar a evidência de um fato, de uma situação ou de uma tese padrão de
interesse científico. Este tipo de apresentação em Feira de Ciências pode
incluir um estudo de relacionamentos da causa e do efeito ou ainda de
investigações teóricas de dados.
Inovação/Invenção - desenvolvimento e avaliação de dispositivos, de
modelos, de técnicas ou de aproximações inéditas na tecnologia, na
engenharia ou nos computadores.
3-
Sobre as divisões etárias
Fundamental - 7 a 9 anos; Básico - 10
a 15 anos; Médio - 16 a 18 anos; Avançado - igual ou maior de 19 anos.
4-
Sobre a Segurança
É de total responsabilidade da Escola e Professores o estabelecimento e
exigência de segurança. Aos professores cabem a incumbência de transmitir
aos expositores as regras de funcionamento da Feira e suas medidas de
segurança. Por exemplo, animais vivos não devem ser indicados devido aos
procedimentos que poderiam prejudicar ou estabelecer situação de aflição
aos mesmos. A Escola deve rever, constantemente, as condições de segurança;
revisá-las e atualizá-las.
A proteção aos estudantes (ou/e outros) quanto à propriedade intelectual
deve ser analisada em sala de aula; mostrar que sua inovação/invenção tem
valor e pode (deve) ser registrada. Analisar, em palestra com profissional da
área, o processo de patentes. Coibir o uso de material, texto, figuras,
equipamentos, sem a tácita apresentação dos autores e suas fontes de
pesquisas (palestra sobre direitos autorais e ética).
Feiras
de Ciências ... uma divulgação inteligente
As Feiras têm sido muito populares no decorrer da
história. Geralmente têm produzido oportunidade de exibir trabalhos
ou êxitos que deixaram plenos de orgulho seus autores. Freqüentemente
têm estimulado o progresso, o intercâmbio de bens e de idéias.
Muitos empresários de mente aberta buscam, mesmo nas mais modestas
Feiras de Ciências, sugestões, trabalhos, resultados, técnicas, idéias
e afins, que se adaptem de imediato a suas necessidades.
A
oportunidade para os autores de trabalhos em tais Feiras são
acentuadas. Diretores, Professores de escolas, Autoridades e Membros de
destaque da sociedade local estão de olho abertos para esse ou aquele
participante que se destaque em uma Feira Científica.
Pequeno
histórico
No princípio desse século, alguns professores americanos
incentivaram seus alunos para que iniciassem projetos científicos
individuais e os expusessem, depois, para seus companheiros de classe e
de estudo. E assim tudo começou!
No
intervalo entre as duas Guerras Mundiais, algumas escolas desenvolveram
feiras científicas em suas cidades para expor os trabalhos que mais se
destacaram.
O
movimento de feiras científicas ganhou impulso rapidamente
depois da Segunda Guerra Mundial e em 1950 celebrou-se, na Filadélfia
(USA) a primeira Feira Científica, que abraçou trabalhos de 13 outras
Feiras do país. O sucesso desencadeou a formação de Feiras, atraindo
expositores de mais de 200 Feiras estaduais; a moda científica tomou
cunho mundial, produzindo as Feiras Científicas Internacionais - uma
espécie de "jogos olímpicos" para os expositores em feiras
de ciências.
Normalmente,
em feiras estaduais e regionais, assim como se faz nas Internacionais,
são abertas inscrições exclusivamente para alunos do segundo grau e,
algumas vezes, existem subdivisões para estudantes do primeiro grau.
Nos distritos escolares em que se realizam feiras apenas para graus
inferiores, é hábito incluir divisões para os alunos superiores e
intermediários.
Algumas
escolas primárias realizam feiras científicas para seus estudantes da
quinta à oitava série. Ainda que a qualidade global das exposições
das feiras locais raramente encontra-se à altura das feiras regionais,
estaduais e internacionais, aquelas constituem, provavelmente, os
instrumentos educativos mais valiosos, uma vez que são dirigidas para
um grande público de companheiros de classe, pais, mestres e outros
cidadãos da localidade.
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As
Feiras locais devem ser incentivadas, pois são as mais
comuns no Brasil.
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Colégios,
Escolas e Faculdades devem dar sua parcela de promoção aos jovens.
Nas
feiras científicas — como no atletismo, na música etc. — é raro
que os primeiros prêmios sejam obtidos por estudantes que participam
pela primeira vez. Quase todos os estudantes-expositores, aficionados,
têm participado a cada ano, em cada série, adquirindo com isso experiência
e conhecimentos acumulados.
Apresentar
exposição com destaque, requer do aluno, experiência na realização
de projetos científicos e prática nas técnicas de exposição. Temos
visitado com acentuada freqüência (em muitas participando como Juiz)
as feiras de ciências às quais fomos convidado e outras, das quais
tivemos conhecimento antecipado. Muitos erros cometidos em tais feiras
foram anotados (a falta de comunicação com razoável antecipação é
um deles). Essas anotações foram as bases desse trabalho, cuja
pretensão é a de minimizar tais falhas — essa é a parcela de
contribuição do autor.
Seu
projeto Científico ... de você para os outros
Como seu projeto vai custar bastante esforço mental, tempo,
trabalho físico e (algumas vezes) dinheiro, você deve eleger para a
sua apresentação um tema sobre o qual possa aprender algo mais. Evite
a eleição de um tema que lhe pareça familiar, corriqueiro. Seu
projeto deve ter sabor de uma aventura, não de um exercício
rotineiro. Por outro lado, não tem porque versar sobre temas bem
poucos conhecidos. Para obter êxito não é necessário exibir dados e
conclusões que assombrem os cientistas profissionais que gastaram sua
vida em trabalhos semelhantes.
Você
é um estudante com um hobby, e não um cientista, um
profissional da investigação, que tem toda uma equipe e todo o
equipamento de uma Universidade à sua disposição. Calma! ... você
pode chegar lá, mas não pulando um degrau só!
Basicamente,
o projeto por você escolhido deve ampliar seus conhecimentos pessoais
e aumentar sua capacidade de observar, especular, formular,
experimentar, deduzir e chegar a conclusões.
Sem
dúvida, a construção física das partes do projeto (etapas de
marcenaria, pintura, iluminação, mecânica, eletrônica, cortes,
ajustes, secagens, vidrarias, suportes, painéis e uma infinidade de
detalhes técnicos) vai lhe proporcionar um traquejo manual de capital
importância. É inconcebível que um estudioso de ciências não saiba
manusear uma chave de fenda, uma furadeira elétrica, um soldador elétrico,
um bico de Bunsen, uma fonte de tensão elétrica etc. A sua participação
na Feira de Ciências pode lhe capacitar também nesses detalhes técnicos.
Você
deve eleger um projeto que possa terminar com êxito e que, ao mesmo
tempo, esteja um pouco acima de seus conhecimentos atuais, para que ele
o obrigue a exercitar plenamente suas faculdades.
Se
você já sabe qual é o comportamento de uma bobina percorrida por
corrente contínua, tente um projeto para elucidar qual o novo
comportamento da bobina alimentada por corrente alternada.
Se
o seu projeto inicial inclui um termômetro comum, de mercúrio, que não
lhe acrescenta nada de novo, troque-o por um termômetro a gás a
volume constante. Ah! você não o conhece? Eis a oportunidade de estudá-lo,
montá-lo e transferir a outros esses conhecimentos recém adquiridos.
Isso é crescer!
Convém
não se empolgar em excesso. O projeto não deve ocupar tanto tempo que
o faça descuidar-se de outras obrigações necessárias à sua educação
escolar. Por outro lado, também não deve evitar um tema interessante
porque seu estudo demandaria demasiado tempo. Basta que, desse tema
especial, você procure ressaltar os aspectos que mais lhe pareçam
interessante.
É
recomendável que você eleja um projeto que o mantenha interessado nos
anos seguintes.
Por
exemplo, um aluno da quinta série, que estuda ciências gerais (nesse
ano deve estar vendo os assuntos: ar, água, solo e noções de
ecologia) pode se concentrar em um tema para desenvolver o que já sabe
dele (por exemplo, estudo do rotor do helicóptero, como asas móveis
para sustentá-lo no ar) e voltar a apresentá-lo nos anos seguintes,
com mais profundidade (leis de Bernoulli, no exemplo acima), mais
conhecimento (as equações de movimento em fluido viscoso, no exemplo
acima) e mais técnica.
Nessas
novas apresentações, em anos seguintes, o aluno acrescentará em seu
projeto novas nuances, como os aspectos físicos, químicos ou biológicos
envolvidos em seu projeto, conforme vai avançando nos seus cursos de Física,
Química, Biologia etc.
Os
temas são variados, elegê-los é fácil, basta perguntar ALGO sobre
alguns aspectos da Ciência, tais como:
Como
se desenvolve o pólen? Qual é a melhor maneira de tratar uma
queimadura? Como se pode utilizar da energia nuclear em viagens
espaciais? Como fazer para separar as folhas de um livro muito antigo e
raro? Como as irradiações afetam o DNA e o RNA? Como são os modelos
das cadeias aromáticas? Como explicar o funcionamento de um relógio
mecânico? Quais os usos residenciais para as fibras ópticas? Como se
desenvolve a sociedade das abelhas? Etc., etc., etc.
Você
pode selecionar temas prometedores simplesmente passando em revista o índice
de seu caderno (livro) de ciências, ou qualquer livro de matéria
específica. A prudência recomenda que selecione três ou quatro temas
possíveis; leia um pouco sobre cada um deles, para depois escolher um.
Seu professor de Ciências pode auxiliá-lo na seleção.
Você
deve comentar seu tema com seus pais e amigos para, de antemão,
assegurar de que contará com o tempo, o lugar para trabalhar, o apoio
moral, ajuda de terceiros e, sem dúvida, recursos econômicos necessários
para chegar ao final com êxito.
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Quem
não aplica na Educação, investe na ignorância.
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O
princípio de todas as coisas, via de regra, é um tanto nebuloso. A
sua entrada e participação numa Feira de Ciências não foge à
regra; no início as coisas podem lhe parecer não tão claras, mal
definidas, tudo um pouco confuso. É a inexperiência! À medida que o
trabalho se desenvolve, você encontrará exatamente como proceder nas
explanações, como chegar às conclusões e como comunicá-las ao público.
Mãos à obra!.
Como
conseguir ajuda
Uma das características de uma pessoa verdadeiramente
educada e culta é sua propensão em discutir seus problemas com outros
e de beneficiar-se com seus conselhos e ajuda. Infelizmente os jovens
estudantes, por inexperiência e por não saberem quanto de cultura
existe à sua volta, têm propensão ao saber inexistente e com isso
julgarem-se os donos do mundo. Não os condenamos, também já
passamos por essa fase (hoje a classificamos como simplesmente ridícula).
Mais tarde, com a maturação, concluirá facilmente, que vale a pena
trocar tudo que sabe hoje, por aquilo que não sabe ... e então, será
o maior sábio do mundo!
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Aquele
que conseguir trocar o que sabe hoje por aquilo que não
sabe, será o maior sábio do mundo!
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Uma
das coisas mais importantes que você poderá aprender com a realização
de um projeto é o como e de onde obter ajuda, informação
e assistência. Isso estará à sua volta ... e não dentro de sua cabeça!
Seu
professor de ciências pode ser uma fonte excelente. Ele é honesto, se
não puder lhe dar a ajuda especializada, com certeza indicará alguém
ou alguma fonte capaz de fazê-lo. Não se esqueça dos bibliotecários.
Eles podem indicar referências especializadas, como enciclopédias e
livros de referência reservados.
As
assessorias incluem seus professores (todos), seus pais (com certeza),
seus colegas (após certa discussão, pois alguns deles ainda estão
com teia de aranha no lugar do cérebro e preferem ir ao Clube
à participarem de Feiras), o farmacêutico da esquina, o funcionário
da Divisão Agrícola da localidade, o pessoal técnico de alguma indústria
próxima, laboratórios de análises, universidades locais, mecânicos
etc., e ... o prefeito.
Um
tipo de ajuda, que recomendo enfaticamente é sua caderneta de campo,
seu caderninho de anotações. Tenha-o sempre à mão para anotar
alguma idéia momentânea, alguma detalhe interessante que viu numa
vitrina, alguma sugestão dada, um endereço pertinente, um tipo de
tinta, a oferta de pedaços de madeira oferecida por algum marceneiro,
algum desenho que lhe venha à mente, um modo de ilustrar um detalhe
etc. Esse caderninho é o maior quebra-galhos!
Atualizado
em 20/11/2010
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