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Feira de Ciências e Trabalhos Escolares
(Técnicas, Normas e Sugestões)

Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br

Técnicas

 

COMO EXPOR SEU PROJETO CIENTÍFICO
Esse é um aspecto crucial para seu êxito junto ao público, às entidades que patrocinam a Feira e aos juizes. Vamos dividi-lo em dois sub-itens:

A - Planejamento dos elementos a serem expostos.

B - Desenho da exposição; sua estrutura, a apresentação e o visual.


A- Planejamento do conteúdo da exposição

exposição = aquilo que o público verá

Trate de organizar o conteúdo da exposição de maneira que faça sentido para os espectadores que saibam menos que você. Nossas sugestões englobam muitos temas do universo de idéias, porém, não fecham o assunto. Contamos com seu bom senso para nos auxiliar na tarefa de mostrar aquilo que o público deve ver.

Ao se aproximar do local onde você expõe, o visitante quer ver um Título, algum nome que explique muito rapidamente de que se trata.

Esse título, deve ser curto, o menos técnico possível, o mais chamariz possível e o mais visível de todos os textos apresentados. Na parte da estrutura (8.2) vamos sugerir um excelente local para esse Título. Esse título principal, pode ser explicado, ampliado ou comentado mediante um subtítulo.

Depois que o visitante se interessou pelo seu Título, ele se aproxima mais e vê o subtítulo. Aí ele quer saber, sem muita 'enrolação', o Resumo ou apresentação do problema. Isso pode estar escrito de um modo muito claro, ou pode ser apresentado a viva voz . Você deve dar ao espectador uma explicação condensada do projeto e de sua importância. Pode ser, sem incluir a linguagem técnica que não tenha sentido para o visitante, aquilo que está escrito em seu Folheto Explicativo. Essa primeira explicação deve ser muito simples. Só a aprofunde se perceber que o visitante está solicitando algo mais. Aí pode ir fundo!

Suas hipóteses e conclusões devem ser expostas de maneira compreensível para o espectador médio. Para os mais interessados, apresente seu folheto explicativo e comente-o de modo a despertar o interesse pela sua posterior total leitura. Não espere que o visitante leia-o na sua frente, ele tem muito mais coisas a ver pela frente. Apenas deixe-o interessado. Ele poderá ser um futuro da ciência.

Durante sua apresentação do trabalho, se possível, mostre detalhes a respeito do seu método e profundidade de investigação. Exponha somente os aspectos que se destaquem e chame a atenção para os pormenores que, em sua opinião, dão mostras de imaginação, engenhosidade ou criatividade.

Nunca se esqueça que um desses visitantes pode ser um juiz!

Quanto às suas observações e dados, ambos são importantes porém, numa exposição o excesso de dados pode resultar cansativo. Quando possível, apresente somente aqueles que são indispensáveis para uma explicação muito breve de seu projeto.

Um fator que deve ser muito bem pensado em sua apresentação inclui as fotografias e ilustrações. Passe em revista os fatores anteriores para decidir em que casos as fotografias possam ser mais elucidativas que os textos ou esquemas simples. Faça uma lista de todas as fotos que poderão participar do seu 'stand' (boxe, nicho, local específico onde se fará a apresentação), assim como de todos os desenhos e ilustrações que você poderá usar nas suas explicações. Não selecione nada, por enquanto. Mais adiante, ao projetar a distribuição, a limitação do espaço o obrigará a decidir pela melhor seleção.

Equipamento e amostras também contribuem para a boa explicação do tema do projeto. Escolha objetos, aparelhos, equipamentos e amostras que dêem aos espectadores uma imagem clara de seu trabalho.

O visitante deve ficar consciente daquilo que você pretende. Tudo que você está tentando fazer é transferir a idéia já trabalhada que está em sua cabeça, para o espectador. Isso nem sempre é fácil e, em termos de ciência, a coisa pode complicar-se ainda mais, por requerer conhecimentos anteriores acumulados pela vida estudantil.

O equipamento científico é, além de um auxiliar visual, o instrumento de produção do fenômeno básico de seu tema. Você pensou em conseguir um substituto barato de um equipamento de laboratório muito caro?

Se você está apresentando, por exemplo, fenômenos do eletromagnetismo e optou por ilustrá-lo mostrando como equipamento uma campainha elétrica construída em casa, deverá ter em mente dois fatores importantes:

(a) seu modelo de campainha funciona realmente a qualquer instante? Precisa de ajustes na frente do visitante? Que impressão terá o espectador ao ver você torcer pontas de fio no momento da apresentação? E,

(b) sua campainha apresenta provas claras de certas afirmações que tenha feito? Será que o espectador vai enxergar o tal campo magnético de que você tanto falou?

Pense nisso ao preparar seu equipamento de demonstrações.

E aqui, novamente, vamos ressaltar a importância do folheto ¾ da explicação para ser distribuída. Esse não pode faltar! Uma apresentação sem documentação é uma exposição perdida. Não esqueça que, uma folha datilografada e bem ilustrada, pode transferir muita informação, por vezes, até mais que aquilo que aparece no espaço limitado de sua exposição. Esse folheto explicativo, além de documentar sua presença e a de seu projeto, serve de referência aos espectadores quando comentam entre si a feira de ciências e suas exposições.

Não esqueça de colocar seu nome e/ou componentes do grupo no folheto explicativo!

Vamos finalizar esse item A falando de certas manhas que podem lhe passar despercebidas. A vivência em feira de ciências e exposições congêneres (tipo Feira do Conhecimento), dá ao expositor (você ou seu grupo) uma tarimba especial e lhe permite adquirir manhas muito úteis. Afinal, isso é típico em qualquer realização humana.

As manhas do expositor com vivência vão desde a escolha antecipada do local onde fará sua apresentação (na entrada, naquela curva significativa do salão, perto de tal local de grande afluência do público, próximo às câmaras de TV, do lado da sala dos agentes expositores etc.), da vestimenta adequada, do corte do cabelo (você já ouviu falar em hippie, punk, funk ou huck fazendo feiras de ciências?), do desenho do piso, dos painéis divisórios, até aos cuidados sobre o tipo de público (escolar, evangélico, político, universitários etc.) e conhecimento dos interesses dos juizes.

Se um júri de feira de ciências não tem reconhecidamente cultura científica, não há dúvida que para o expositor manhoso o conhecimento antecipado disso é muito importante. Entretanto, numa Feira séria, esse aspecto está descartado, a citação foi apenas para mostrar como vivência é importante.

B- Desenho da exposição
Uma vez terminado o projeto, preparado seu folheto explicativo, planejado e enumerado os elementos da exposição e, familiarizado com as normas básicas postas pelos agentes organizadores da Feira, você pode começar a planejar como expor seu trabalho.

No texto a seguir vamos sugerir normas de orientação e medidas práticas relativas à estrutura que suportará o material exposto, maneiras de apresentar as informações (textos, fotografias, diapositivos, gráficos, títulos, amostras, equipamento de laboratório etc.), distribuição e fixação dos elementos da exposição, materiais, cores e iluminação.

Estrutura
As normas internacionais fixam o tamanho da estrutura para exposições em 1,20m de comprimento e 0,75m de largura. A estrutura pode repousar sobre o chão em seus próprios suportes ou em uma mesa(que normalmente tem 0,75m de altura e é fornecida pelos organizadores da Feira).

A altura total de sua estrutura para exposições vem limitada por considerações práticas a uns 1,20m, já que a vista do espectador que passa diante do seu trabalho abrange com maior facilidade a zona compreendida entre 0,75 e 1,95m de altura.

O campo de visão periférica para um observador mais próximo á mais limitado ainda (veja ilustração 1).

Uma estrutura de 1,20m de altura, ou menos, colocada sobre uma mesa é muito adequada e permite distribuir bem os materiais.

Fig.1 - Campo de visão ótimo

Forma
Com poucas exceções, os expositores de Feiras de Ciências podem explicar seus projetos satisfatoriamente com estruturas similares às das ilustrações 2 e 3.


                          Fig. 2 - Estrutura sobre uma mesa

Estas duas estruturas básicas foram idealizadas tendo em conta a simplicidade de construção, a flexibilidade, a economia de materiais e a possibilidade de reutilização em outras feiras. Ambas têm dimensões dentro das normas internacionais. A estrutura da ilustração 2 é a mais fácil de ser construída.

Fig.3 - Estrutura auto-suportada

A da ilustração 3 é uma modificação da anterior, destinada a acomodar um objeto de grandes dimensões e que deve, por questão de segurança, apoiar-se no piso. Esses painéis (ou stands) têm as seguintes características em comum:

* Uma grande parede de fundo que pode ser utilizada para o texto de apresentação, para expor as ilustrações ou amostras, ou ainda para conclusões importantes — é o campo visual principal dos textos.

Esses textos podem ser confeccionados sobre madeira compensada (em pequenas chapas de contornos retangulares, proporcionais aos lados de sua tela de televisão ... e aqui pode nascer um belo tema ... por que a tela da TV tem aquelas dimensões?) de 3mm de espessura, que dão relevo, são facilmente fixadas aos furos da parede de fundo por ganchos, presilhas para blocos de papel perfurados ou parafusos (todos removíveis).

* Duas paredes laterais menores e formando ângulo, para facilitar a visão, nas quais pode-se afixar textos suplementares e outras ilustrações.

* Espaço horizontal de exposição à altura da mesa, onde se colocam os materiais, as montagens, as amostras, os modelos, os aparelhos, o folheto explicativo, blocos literários etc. É a região de apoio das peças físicas.

Alguns expositores podem preferir colocar neste local um plano inclinado escalonado (ilustração 4) para um ajuste adequado do melhor ângulo de visão.

Fig.4 - Base de apoio em plano inclinado ajustável

Se as paredes laterais e a de fundo são aparafusadas nesta base, a estrutura resultará bastante rígida e estável. Use, de preferência, parafusos com borboleta para facilitar os apertos com a mão; na última hora sempre pode faltar uma chave de boca ou mesmo um alicate. Há muitas variações possíveis.

Os aparelhos muito altos podem ser expostos em estruturas com suas próprias pernas, dispensando a mesa, como foi ilustrado na fig.3. Se lhe interessar, pode prolongar as três paredes até o chão, porem isso requer mais material e o expositor pode ficar tentado a montar textos e ilustrações abaixo do nível de fácil leitura e observação. A ilustração 5 é uma alegoria disso que falamos.

Fig.5 - Texto em local inadequado

O título principal pode ser funcional e ao mesmo tempo atrativo, conforme se observa nas ilustrações 2 e 3. Ele deve ficar na placa frontal superior, para ser visto facilmente e não consumir espaço nas paredes do fundo ou laterais. Essa placa frontal aumenta a rigidez da estrutura e serve para ocultar as luzes, instaladas em sua face interna (ilustração 6).

Fig.6 - Placa-Título (no exemplo: Fibras Ópticas)

* Material para a estrutura:
É possível construir estruturas atrativas com papelão, cartolina ou outros produtos análogos, mesmo porque, no caso de expositores de escolas de primeiro grau, que talvez dela se utilizarão uma só vez, talvez não convenha ter muito gasto com materiais mais duradouros. Na ilustração 7 mostramos uma dessas estruturas, em papelão, obtido da embalagem de um fogão a gás, na qual o expositor Marcelo Alencar Dias, da 5a série, apresentou o Teorema de Pitágoras lançando mão de bolinhas de gude.

Observe o título chamariz: Pitágoras ... O bom de bolas!

Fig.7 - Modelo para expositor do primeiro grau

Uma boa placa de papelão corrugado, esses de embalagens de geladeiras, freezers, fogões etc., propicia uma boa montagem da estrutura para expositor iniciante do primeiro grau. Fitas gomadas, estrategicamente colocadas nas bordas cortadas, escondem o corrugado e dão o visual de molduras. Deve-se usar grampeadores de grampos grandes e sarrafos de madeira (facilmente obtidos em lojas de tecidos ... o quadro de madeira revestido com papel onde esses tecidos são enrolados são simplesmente jogado fora; ali tem sarrafinhos na medida certa!) nas bordas e diagonais, para evitar o empenamento.

Porém, se contemplarmos a possibilidade de realizar outros projetos e concorrer em outras Feiras, vale mais que se adote a construção de uma estrutura mais duradoura. Leve ainda em conta o fato de que a entidade organizadora da Feira possa querer montar essa Feira em outros locais, mesmo em outras cidades, em conjunto com outros agentes expositores. Há muitas escolas que levam suas exposições para as Faculdades e vice-versa. Ainda que o agente organizador da Feira possa não permitir a apresentação do mesmo trabalho de um ano para o outro (procedimento que reprovo, pois o trabalho sempre apresentará algum acréscimo valioso) é raro que exijam a construção de uma nova.

Os compensados e os prensados de fibras de madeira (tipo "duratex", perfurados em fileiras) são relativamente baratos, aceitam bem a pintura e os adesivos. São bastante leves e, com espessuras superiores a 3mm e comprimentos inferiores a 1,20m, têm a suficiente rigidez. Esses prensados são encontrados com filas de furos nos quais pode-se pendurar vários objetos (ilustração 8).

Existem no comércio ganchos especiais para tais prensados perfurados. Muitas lojas de ferragens os usam para exibirem seus produtos.

Fig.8 - Placa de prensado perfurado

Se você pretende utilizar sua estrutura fundamental para outras exposições, essa montagem em nicho de prensado perfurado lhe dará grande flexibilidade para distribuir os elementos da exposição nas três dimensões. Você pode atravessar linhas de pesca entre as paredes para suspensões invisíveis. Ainda, os orifícios no prensado permite fixar com arame alguns objetos do trabalho, evitando que possam ser derrubados por espectadores pouco cuidadosos ou arrancados por "colecionadores de recordações".

Uma chapa ou placa de 1,20m por 2,40m será suficiente para uma estrutura típica em forma de nicho, que repousará sobre a mesa. O molde para os cortes (com serra elétrica tico-tico de dentes finos) é o da ilustração 9. As ilustrações 10 e 11 fornecem detalhes desta montagem.

Fig.9 - Molde para os cortes na chapa de prensado perfurado

Fig.10 - Vista lateral da estrutura em nicho

 

Fig.11 - Vista em planta da estrutura em nicho

Antes de pintar as chapas (e sarrafos, se necessários), deve-se recobri-las com uma demão de uma substância que feche seus poros (tinta látex). Deve-se aplicar essa tinta nas duas faces de cada chapa objetivando com isso que se curvem menos. Para o acabamento final, os esmaltes sintéticos diluídos são os indicados. Podem ser aplicados com rolo de espuma, com atomizadores próprios (spray) ou com revólveres apropriados. Consultar um pintor sempre é recomendável ... sempre se aprende mais. Para sarrafos, tocos, bases de madeira e outros trabalhos de marcenaria, a madeira de pinho branca é forte, leve e fácil de trabalhar.

Vá a uma marcenaria e veja quantos restos são jogados fora. Escolha suas peças e leve ao dono da marcenaria, explique qual a finalidade do material e ... duvido que o marceneiro não vai lhe cortar as peças nas medidas adequadas, dar uma boa lixada e talvez até, uma demão de selador.

Experimente e verá que os marceneiros são gente boa ... eles também têm filhos na escola!

Há os ranhetas mas, repare, não é aquela marcenaria que tem o melhor nome em sua cidade ... pequenas coisas já derrubaram grandes empresas! Que isso lhe sirva para o futuro.

As dobradiças, arandelas, porcas, parafusos, borboletas, para não levarem pintura, podem ser de aço inoxidável, aço cromado, bronze ou duralumínio.

Se seu trabalho exposto chegar a ganhar um prêmio, talvez você tenha que montá-lo e desmontá-lo em várias exposições e apresentações para grupos interessados. Com um pouco de engenhosidade e previsão ao escolher dobradiças de eixo desmontável, porcas de borboletas etc., você economizará muito tempo e contribuirá para manter em bom estado a estrutura de sua exposição.

* Iluminação e instalação elétrica
Os tubos fluorescentes de 40W são muito grandes e difíceis de ocultar em uma exposição normal de Feira de Ciências. O transporte ainda complica mais. Opte por lâmpadas fluorescentes de 20W (as mais indicada) ou lâmpadas incandescentes de 100W. Se necessário luz indireta para algum motivo, não se esqueça dos 'spots' e abajures de cabeceira.

A fiação para as lâmpadas e interruptores devem ser cobertas com guarnições de plástico (canaletes) facilmente obtidas no mercado. Consulte sempre alguém entendido no assunto, sua função é aprender. Faça uma fiação caprichada, sem fios descascados à mostra, soltos.

Não esqueça da sua própria segurança, das crianças e visitantes em geral.

A maior parte das Feiras bem planejadas (Feiras de Ciências e não Quermesses de ciências, como tenho visto amiúde) têm normas rígidas a respeito das instalações elétricas. É bom você ficar por dentro dessas normas. Se você instalar uma caixa de distribuição (jangada) com fusíveis na parte posterior da parede do fundo de sua estrutura (ilustração 12), poderá conectar nas tomadas todos os aparelhos e luzes.

Fig.12 - Instalação da jangada (várias tomadas conjugadas)

A maior parte das feiras facilita cabos e tomadas para o expositor, porém, não conte sempre com isso. Consiga de 7 a 15m de cabo (tipo enceradeira) e tenha-o preparado.

Atenção agentes organizadores da Feira!

Já vimos várias Feiras onde a instalação elétrica geral pegou fogo. Isso é total falta de planejamento por parte do agente organizador. Nas salas de aula, normalmente, tem-se uma ou duas tomadas conectadas à rede geral com fio bitola 16, para correntes elétricas de intensidade até 5A. Se a soma das intensidades de correntes utilizadas pelos stands expositores passar desse valor deve ser prevista nova fiação para atender a demanda dessa sala. Reavalie também os fusíveis da chave geral da rede elétrica do prédio onde será instalada a Feira. Recorram a um profissional para essa tarefa.


 


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