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Feira de Ciências e Trabalhos Escolares
(Técnicas, Normas e Sugestões)

Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br

Artes 

A ARTE NAS INFORMAÇÕES
Uma vez determinado o tamanho e a forma de sua estrutura você deve decidir qual a melhor maneira de apresentar as informações necessárias para explicar seu projeto. Alguns expositores preferem construir primeiro a estrutura e depois experimentar diferentes distribuições das ilustrações e objetos tridimensionais no espaço disponível. Outros preferem medir as áreas das paredes laterais, a de fundo e da região da base e trabalhar com folhas de papel no tamanho original para chegarem à melhor disposição.

Qualquer que seja a escolha, o desenho de sua exposição é uma arte com alguns princípios bem estabelecidos e poucas regras fixas. A seguir damos algumas normas que podem servir de orientação:

Esquemas preliminares
Faça esquemas de todas as disposições que lhe agradem e estude-os sob ponto de vista da clareza do conteúdo e do efeito visual.

Textos
Cuide para que o texto exposto no seu stand tenha o número mínimo de palavras. Os espectadores vão VER uma exposição e não LER uma exposição.

A ilustração 13 mostra como uma disposição bem pensada pode economizar muitas palavras.

Fig.13- Arte nos textos

Como o texto é necessário, procure o tipo (fonte) de letra que seja claro e bastante grande para que se possa ler com facilidade.

Você gostaria de ler essa frase acima assim:

Como o texto é necessário, procure o tipo (fonte) de letra que seja claro e bastante grande para que se possa ler com facilidade. (Fonte: Matura MT Script) ... ou, assim:

Como o texto é necessário, procure o tipo (fonte) de letra que seja claro e bastante grande para que se possa ler com facilidade. (Fonte: Algerian)

Porém, evite letras excessivamente grandes ou predominantesos títulos e os textos devem limitar-se a explicar o exposto, não a dominá-lo.

Arranjo dos textos
Alguns expositores colocam legendas em todas as ilustrações, porém, pode-se utilizar blocos de textos de ambos os lados da legenda, de modo que resultem igualmente claros e contribuem para evitar a monotonia visual. As ilustrações 14 e 15 mostram tais arranjos.

Fig.14- Exemplo de arranjo de textos

 

Fig.15- Blocos de textos com legenda comum

ERROS DE PORTUGUÊS nos textos são inconcebíveis. Depõem acentuadamente contra o expositor e a escola. A acentuação, a pontuação, a ortografia e a gramática devem ser impecáveis. O(s) professor(es) da cadeira dessa língua deve(m) vistoriar todos os textos a serem exibidos (inclusive os textos dessa Sala antes de sua distribuição aos alunos — o autor não é nenhum mestre nas artes bizarras da língua portuguesa).

Questões de destaque
Se você vai utilizar uma série de ilustrações e textos para contar um desenvolvimento, estude a possibilidade de ampliar ou destacar um dos elementos mais importante do enredo, de modo que possa servir de ponto focal da série. Eis um visual de exposição (ilustração 16) e um modelo de destaque (ilustração 17).

Fig.16- Visual de uma exposição

 

Fig.17- Modelo de um destaque (canto superior esquerdo)

Grandes fotografias
As fotografias devem ser vistas em todos seus detalhes sem necessidade de agachar-se ou de esforços visuais. Amplie-as se isso for necessário. Cuidado com os reflexos devido à sua superfície polida.

Fotografias em cores
As fotos em cores são caras (?), porém, uma ou duas podem acrescentar interesse a um grupo de fotos em preto e branco.

Quadros e gráficos
Se em sua exposição há quadros e gráficos, procure que sejam simples. Evite os gráficos em que várias curvas se cruzem uma ou mais vezes, sem destaques. Os gráficos logaritmos, os gráficos de dispersão e outros análogos apenas confundem o espectador médio. As representações de distribuições mediante setores circulares (pizzas), retangulares de diversas alturas (barras) e figuras representativas, conforme a ilustração 18, são mais claras.

Coloque legendas (rótulos) adequadas em todos os quadros e gráficos. Normalmente, o uso de cores pode contribuir para destacar fatores distintos.

Fig.18- Gráficos em exposições

Espaços em branco
Depois do conteúdo, a ferramenta mais valiosa do expositor é o espaço em branco, as zonas em branco em seus painéis de exposição. Os painéis repletos de coisas, nos quais os materiais não deixam um centímetro de espaço em branco, são características de pessoas pouco experientes. E o pior, são contraproducentes!

Os espectadores passam uma vista d’olhos, decidem que deve ser muito difícil entender um trabalho tão compacto e passam a outros expositores mais simples. Como norma geral, cerca de 40% do espaço disponível para sua exposição deve estar totalmente em branco. Dê uma repassada nas ilustrações que apresentamos.

Organização
Do mesmo modo como você organiza palavras para formar frases e parágrafos, os elementos de sua exposição (textuais e visuais) devem ser organizados para formar grupos e subgrupos (reveja ilustrações 2, 3 e 16). Nessa organização pode-se também empregar a técnica de destacar o elemento mais importante. Por exemplo, se você expõe amostras semelhantes (pedras, conchas, cilindros de materiais diferentes, borboletas, folhas, tipos de areia, tipos de caixas de embalagens, frascos de laboratório etc.) pode destacar a mais rara (ou outra qualidade específica) colocando-a contra um fundo de cor que a realce (e as demais sem esse fundo), conforme exemplificamos na ilustração 19.

Fig.19- Destaque do mais raro.

Aparelhos
Os expositores pouco experimentados se entusiasmam, por vezes, com grandes quantidades de aparelhos mecânicos que são desnecessários e confusos. Se em seu projeto você tem que mostrar uma peça especial, pense na possibilidade de expô-la separadamente, sem a totalidade do conjunto à qual pertence. Isso pode ser feito apresentando a peça em questão junto com uma fotografia em ângulo conveniente, ou mesmo um esquema (desenho técnico) do grupo de onde ela faz parte.

Para expor sobre o funcionamento da bobina de ignição de um automóvel, você não precisa levar o motor inteiro! Um bom fluxograma mostrando como essa peça se interliga com as outras partes é mais que suficiente. O ideal, sem dúvida, será preparar um projeto eletrônico (em circuito impresso) usando a bobina de ignição e mostrar o faiscamento produzido ao ser acionado um interruptor (veja sugestão no Bloco de Eletrônica).

Movimentos mecânicos
Normalmente, em uma Feira, só se utiliza dos recursos do movimento quando é estritamente necessário. Por exemplo, é consistente usar um suporte giratório para fazer passar várias amostras de minerais fluorescentes sob uma luz negra (ilustração 20), ou para apresentar várias amostras de materiais radioativos passando, uma por vez, sob um contador Geiger. Porém, o uso desse suporte giratório para expor uma série de fotografias resultaria, no mínimo, demasiado pretensioso.

O suporte giratório em si não é um problema, basta usar um motorzinho de vitrola (toca-discos, pick-up), uma pequena polia, uma correia e uma grande polia servindo como base giratória, a questão é o porquê do uso desse mecanismo.

Fig.20- Caixa com motor e redutor de velocidades

Recomendamos que você empregue melhor seus esforços para estudar mais profundamente seu tema e conseguir uma apresentação mais asseada, com textos claros, do que empenhá-los em artifícios mecânicos.

Entretanto, em certas apresentações, tais movimentos são parte de destaque do tema. Nesse caso, incentivamos seu preparo. Porém, estude pormenorizadamente sua confecção, ajustes etc., para que não tenha que fazer retoques periódicos.

Frente ao espectador, não adianta argumentar que tal parafuso necessita de ajuste delicado, ou que tal motor não pode ficar ligado tanto tempo (isso foi erro de cálculo de potência elétrica, incompatibilizando o motor ao seu trabalho) etc. — para ele seu aparelho não funciona.

Em movimentos que dependam de circuitos eletrônicos (temporizadores etc.), sempre existe um componente eletrônico, o potenciômetro, que é o recurso de ajuste de laboratório; ele não deve ser usado no desenrolar de uma Feira de Ciências. Troque-o por interruptores de controle dotados de resistores, adequados, em série.

Botões para apertar ou coisas do tipo
Nas Feiras, há poucos sistemas que devam funcionar com a participação do público. Isso é requisito para exposições científicas permanentes, como é o caso da Estação Ciência , Lapa - SP e do Laboratório de Demonstrações do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, nas quais, o autor labutou por vários anos. Porém, se você expõe equipamento que pode ser posto em funcionamento pelos espectadores, assegure-se que funcione com segurança e garantia, inclusive quando você não estiver presente (o que traduz uma situação detestável para qualquer juiz que se aproxime de seu stand).

Não há nada mais decepcionante para o espectador quanto, ao apertar um botão, nada acontece, nada funciona, em fim, não há feedback. Ele não vai fazer os ajustes que, para você, são óbvios. Na Estação Ciência, um interruptor de um aparelho exposto é acionado mais de 1000 vezes a cada dia! O interruptor do seu trabalho suportaria isso?

Nota importante: Se o botão ou interruptor do seu trabalho exposto comanda um aparelho de grande potência, é conveniente usar de um relê cujos contatos liguem tal aparelho. Use de um circuito independente, de baixa potência, para comandar a bobina desse relê (ilustração 21).

Fig.21- O botão destinado ao espectador deve pertencer a um circuito de baixa potência.

Demonstrações
Podem resultar informativas e interessantes. Talvez você deva incluir uma em seu trabalho. Isso vale para demonstrações matemáticas ou físicas (textuais ou visuais). Cai muito bem esclarecer colegas e o público como se calculam áreas e volumes pelo teorema de Pappus-Guldin (e você fica sabendo algo mais — essa é a idéia da Feira). As demonstrações em temas de Física, Química ou Biologia são maravilhosas e elucidativas. Como é simpático alguém absorver, ao vivo, a lei de Boyle, para gases. Ainda sobre os gases, são altamente esclarecedores os modelos mecânicos para a Teoria Cinética.

Esse item Demonstrações é sem dúvida o mais explorado por alunos do primeiro e segundo graus.

A quase totalidade dos alunos quer apresentar um "aparelhinho" simpático que ilustre tal e qual fenômeno. Uma das finalidades desse trabalho que lhe apresento é mostrar como esse "aparelhinho" deve ser apresentado ao público. Como você está observando, não é só colocar o dito cujo sobre a mesa e começar a falar com os visitantes. Esse procedimento não é científico!

Em demonstrações bastante apuradas, que demandem um certo tempo de preparo do material, não deixe o público aguardando à sua volta, coloque uma bonita tabuleta sobre a mesa com os dizeres:

"A próxima demonstração será realizada às .......... horas. Agradecemos sua presença."

Seres vivos
As plantas e os animais utilizados nos projetos científicos podem ser expostos para dar maior interesse e sentido à sua apresentação (ilustração 22). Porém, como a Feira de Ciências é posterior ao projeto, o crescimento ou envelhecimento ocorridos nesse intervalo pode modificar os espécimes vivos de tal maneira que, ao chegar o momento da Feira, sejam menos atrativos ou significativos que quando o projeto foi idealizado. Além disso, se você pretende apresentar sua exposição em varias Feiras é possível que o transporte e os cuidados especiais para com suas amostras vivas seja difícil e caro.

Se você pensar em expor espécimes vivos, estude bem as normas das Feiras locais e seus possíveis desenvolvimentos. Assegure-se de que possa expor animais de maneira cômoda e atrativa. Proteja animais e plantas de dedos inquisitivos.

Fig.22- Experimentos com seres vivos

O colorido
Empregado corretamente, o colorido é funcional e agradável. As sugestões a seguir podem ajudá-lo a decidir que cores devem ser empregadas e como distribuí-las. Em um espaço tão reduzido como o de sua exposição científica, bastam uma ou duas cores básicas mais o branco e o preto.

Utilize-se das cores em uns poucos blocos grandes e não muitas manchas coloridas pequenas. Pode-se usar de diferentes cores básicas para definir distintas zonas de interesse; as zonas secundárias podem ser definidas mediante distintos matizes daquelas cores básicas.

Nos projetos de Biologia pode-se utilizar de tons claros nos quais predominam verdes e amarelos. Nos projetos de Física os coloridos empregados podem ser mais intensos. Em qualquer caso, deve-se evitar contrastes violentos e demasiadamente coloridos. Sua exposição deve dar a impressão de moderação elegante e não resultar cafona. As cores devem ser atrativas e realçar o exposto, nunca confundir nem desconcertar.

Desejando melhorar a visibilidade e o efeito das ilustrações, monte-as sobre fundos coloridos que contrastem com suavidade. Evite a tendência de todo noviço de colocar sempre uma margem ou moldura ao redor de todas as ilustrações, quadros e textos. Se são colocados corretamente contra um fundo que ofereça contraste não há necessidade de moldura alguma.

A prova final do colorido e do aspecto conclusivo da exposição é uma tarefa para sentar, pensar, pedir sugestões e palpites do seu professor de arte.

Os retoques finais
Antes de montar permanentemente os elementos a serem expostos sobre a estrutura, faça uma distribuição provisória; provavelmente terá que mudar de posição várias vezes antes de optar pela final. Uma vez decidido, fixe-os. Nos seus textos ou letreiros suspensos tome cuidado com as letras. O computador (e impressora) pode auxiliar muito a confecção desses textos a serem colados em pranchetas. Na falta dele, use letras recortadas em papelão ou plástico (gabaritos). O título principal deve estar todo em letras maiúsculas. Os subtítulos em maiúsculas de tamanho menor ou maiúsculas e minúsculas. Não utilize exclusivamente maiúsculas para parágrafos inteiros nos textos - é difícil de se ler (veja o parágrafo a seguir, como exemplo).

ANTES DE FIXAR TODA ROTULAÇÃO E TEXTOS PRONTOS, MOSTRE-OS AOS SEUS COMPANHEIROS DE CLASSE, À SUA FAMÍLIA E, PRINCIPALMENTE, A SEU PROFESSOR DE PORTUGUÊS. O JARGÃO TÉCNICO, OS ADJETIVOS POMPOSOS E AS FRASES COM ESTRUTURAS REBUSCADAS NÃO SÃO CIENTÍFICAS ¾ DEIXE ISSO PARA O PESSOAL DO DIREITO CIVIL E POLÍTICOS (OS QUE SABEM FALAR), A FINALIDADE DELES É NÃO SEREM ENTENDIDOS.

No estilo científico, como em qualquer outro bom estilo, o texto simples e imediato sempre é o melhor.

As exposições em Feiras devem resultar tão inteligíveis aos profanos educados como a especialistas.

Procure, em seus textos (e folheto explicativo) usar de frase curtas, palavras que lhe sejam familiares e um mínimo de fórmulas e expressões técnicas. Se fizer as legendas à mão livre (o que nem sempre é recomendável, mas possível ... veja nossas ilustrações), utilize primeiro grafite mole, recorrendo sem reservas à régua e borracha, a seguir, cubra com a tinta definitiva.

Convém pedir emprestado a algum departamento de artes gráficas (sua localidade deve ter bons letristas e mesmo o pessoal que imprime textos em camisetas - recorra a eles!) alguns gabaritos para as letras de seu texto, como já sugerimos acima. Não utilize de tipos (fontes) góticos ou rebuscados semelhantes. Essa fonte ficará bonita em seu diploma universitário (aliás, qualquer tipo de letra fica bonita num diploma) e não em textos de sua apresentação em Feiras de Ciências.

Sempre tome os devidos cuidados para erros de concordância, ortografia etc. Não escreva diretamente sobre o painel, faça-o sobre uma cartolina de cor clara adequada e depois recorte em linhas retas. Suas fotos estão de bom tamanho? Já retirou as margens brancas do contorno da foto em si? Já verificou se, na posição escolhida a foto não vai dar reflexos? Já verificou com cuidado se em qualquer parte de seu trabalho escapou alguma expressão de gíria?

Evite gírias, não se esqueça que nos estudos científicos e outros em geral, a gíria não é aplicada. Nem você verdadeiramente gosta dela — você a usa, na certa para mostrar que se entrosa, que está "por dentro do papo" — mas se alguém de sua família está doente e corre atrás de um remédio, não ficará nada contente ao abrir a bula e ler ..."nesse bregueço tem um negócio forte pacas que nem te conto, mas vá por mim bicho que isso é jóia, pode ingerir mais ou menos quanto quiser pois nosso farmacêutico responsável é um barato."

Feira não é Quermesse, não fique em seu boxe comendo cachorro quente ou hambúrguer com refrigerante, pois além de sua exposição científica ser vista com mal olhos, estará demonstrando desconhecimento e mau gosto para alimentação (consulte seu médico a respeito da ingestão de refrigerantes) — e ainda o estará fazendo em hora e local impróprio.




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