Feira
de Ciências e Trabalhos Escolares
(Técnicas,
Normas e Sugestões)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Julgamento
COMO
SE JULGAM AS EXPOSIÇÕES
[ aos juizes e agentes patrocinadores ]
As
normas para o julgamento dos trabalhos expostos numa Feira de
Ciências variam bastante, porém a maior parte delas, num trabalho
sério de equipe de professores, segue de perto os critérios e
sistema de pontuação utilizados pela Feira
Científica Internacional, que são:
I.
Capacidade criativa . .. . . . . . . 30 pontos
Em
que medida o trabalho exposto apresenta originalidade no
planejamento ou em sua execução? Deve-se considerar os aspectos
originais, independentemente do preço do equipamento comprado ou
emprestado. Tenha presente a utilização engenhosa do material
exposto. Considere que as coleções só serão criativas se
apresentarem um objetivo muito bem definido.
II.
Pensamento científico . . . . . . . 30 pontos
O
exposto revela um procedimento organizado? Existe planejamento? Há
classificações, observações precisas ou experimentos
controlados? O exposto verifica leis ou relações de causa e
efeito? Contribui, mediante modelos e outros métodos, a uma melhor
compreensão de fenômenos ou de teorias científicas? Houve
preocupação na aplicação de metodologia científica?
Considere
a quantidade provável de autêntico estudo e esforço dedicado ao
trabalho exposto. Ignore o que se pode subtrair, incluir ou
melhorar — isto já seria pensamento do júri, não do expositor.
III.
Minuciosidade . . . . . . . . . . . 10 pontos
Pontue
aqui a medida com que a história (tema) se desenrola completamente.
Não é imprescindível que nos modelos se observe uma clareza
muito prolixa dos detalhes da construção. Ser minucioso é saber cutucar
o nervo doente e não excitar o corpo todo. Ser minucioso é
saber despertar no espectador uma célula cerebral adormecida.
IV.
Habilidade . .. . . . . . . . . . . . . 10 pontos
Está
bem construído o trabalho apresentado? A base do
"aparelhinho" foi devidamente cortada, lixada e
envernizada? Necessita de reparos freqüentes para manter o
funcionamento? No caso de coleções, que grau de habilidade é
refletido no trabalho exposto, na montagem, nos textos etc.?
Dispense sua exigência e maturidade no assunto, você é um
profissional, ele um aluno.
V.
Clareza . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 pontos
Na
sua opinião, um indivíduo médio entenderá a idéia do trabalho
exposto? Estão escritos corretamente os títulos, as etiquetas, as
descrições e os visuais? Foram apresentados com limpeza e
precisão? Há algo que faça aumentar a atenção do espectador à
medida que observa a seqüência do trabalho exposto? Aqui é onde
entra, obrigatoriamente, a necessidade de mais de um juiz, um deles
especialista no tema.
Senhor
do júri, por gentileza, nunca se esqueça disso, sua avaliação
pode mudar o rumo de uma vida profissional.
Ser
júri numa Feira de Ciências é uma 'senhora'
responsabilidade. Não os invejo.
VI.
Valor espetacular relativo. . . 10 pontos
Esse
trabalho exposto é mais atrativo que outros relativos ao
mesmo tema? Exemplifico, exame de sangue é 'habitué' (o
que é ótimo!) em Feiras de Ciências e, vários grupos de alunos
apresentam o mesmo tema. O problema do júri é estabelecer como
cada um deles realmente esclarece o proposto, isso é o valor
espetacular relativo.
Nessa
avaliação de exposições versando sobre o mesmo tema (e nenhum
mal há nisso!) não se deixe influenciar por detalhes simpáticos
(luzes, botões, interruptores, manivelas ou outros artifícios
visuais que não acrescentem nada ao objetivo do trabalho exposto).
Enaltecer
indevidamente trabalhos vulgares, com apresentação dispendiosa,
com computadores, reprodutores de fitas de vídeo, toca-discos
etc., é perigoso por incentivar, para as próximas feiras,
composições cada vez mais suntuosas, porém alheias ao espírito
científico.
Verifique
se o trabalho exposto é fonte sonora que possa prejudicar outros
trabalhos próximos, quer pelo ruído, quer por desrespeito aos
gostos alheios para os sons produzidos.
Comentários
e finalização
Essas normas apresentadas ainda deixam muito campo a
critério dos juizes, especialmente no que se refere à distinção
entre o próprio projeto científico e o trabalho exposto. O normal
é que se destine 60 pontos à criatividade e ao pensamento
científico; os 40 pontos restantes podem se redistribuir conforme
consenso entre juizes e agentes patrocinadores.
Os
juizes devem se reunir e estudar os critérios e as pontuações
antes de avaliarem os trabalhos expostos. Foge ao nosso bom senso
cogitar que na equipe de juizes não tenha pelo menos um apto e
acostumado ao pensamento científico cartesiano. Um mestre em
ciências exatas.
Aliás,
independente disso, convidar tais mestres (de outras Escolas,
Faculdades ou Universidades) para participarem como juizes em sua
Feira de Ciências é o que há de melhor bom tom.
Entre
os cuidados que devem ser tomados pelos agentes expositores e
juizes, um é a emissão das normas da exposição, dos critérios
adotados, dos comportamentos esperados e dos prêmios envolvidos.
Sobre
a premiação, é terminantemente
proibido, por lei e por consciência científica, que os prêmios
afetem as notas mensais normais do processo de educação na
escola.
Participa-se
de uma Feira de Ciências para uma divulgação científica e
mostras do aprendizado na escola, não para tirar nota. Os
prêmios podem ser ofertados pelos agentes patrocinadores,
sociedades beneficentes, agremiações locais, firmas comerciais
locais, prefeitura local etc.
Bolsas
de Estudos são os prêmios mais indicados.
Mesmo
que o espectador médio apenas observe os trabalhos, sem pedir
explicações, o aluno-expositor deve ser alertado pela comissão
organizadora da Feira de que, por vezes, o que aparenta ser um
simples espectador poderá ser um juiz averiguando o grau de
compreensão do tema do projeto.
Cada
juiz deverá ser portador de um bloco de fichas cujo modelo pode
ser o da ilustração 2