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Poluição do ar

Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br

Relembrando
O ar é um recurso natural da Terra, constituindo uma fina camada denominada atmosfera terrestre. Esta camada fica em contato com a superfície da Terra. Aqui, bem próximo de nós, esta camada recebe o nome de troposfera que tem uma espessura entre 8 e 16 km. Devido aos fatores naturais, tais como as erupções vulcânicas, o relevo, a vegetação, os oceanos, os rios e aos fatores humanos como as indústrias, as cidades, a agricultura e o próprio homem, o ar sofre, até uma altura de 3 km, influências nas suas características básicas.

Todas as camadas que constituem nossa atmosfera possuem características próprias e importantes para a proteção da terra. Acima dos 25 km, por exemplo, existe uma concentração de ozônio (O3) que funciona como um filtro, impedindo a passagem de algumas radiações prejudiciais à vida. Os raios ultravioletas que em grandes quantidades poderiam eliminar a vida são, em boa parte, filtrados por esta camada de ozônio. A parcela dos raios ultravioletas que chegam à terra é benéfica tanto para a eliminação de bactérias como na prevenção de doenças.

Nosso ar atmosférico não foi sempre assim como é hoje, apresentou isso sim, variações através dos tempos. Provavelmente o ar que envolvia a Terra, primitivamente, era formado de gás metano (CH4), amônia (NH3), vapor d’água e hidrogênio (H2). Com o aparecimento dos seres vivos, principalmente os vegetais, a atmosfera foi sendo modificada. Atualmente, como já sabemos, o ar é formado de aproximadamente 78% de nitrogênio (N2), 21% de oxigênio, 0,03% de gás carbônico (CO2) e ainda gases nobres e vapor de água. Esta composição apresenta variações de acordo com a altitude.

Fatores que provocam alterações no ar
A alteração na constituição química do ar através dos tempos indica que o ar continua se modificando na medida em que o homem promove alterações no meio ambiente. Até agora esta mistura gasosa e transparente tem permitido a filtragem dos raios solares e a retenção do calor, fundamentais à vida. Pode-se dizer, no entanto, que a vida na Terra depende da conservação e até da melhoria das características atuais do ar.

Os principais fatores que têm contribuído para provocar alterações no ar são:

ý a poluição atmosférica pelas indústrias, que em algumas regiões já tem provocado a diminuição da transparência do ar;
ý o aumento do número de aviões supersônicos que, por voarem em grandes altitudes, alteram a camada de ozônio;
ý os desmatamentos, que diminuindo as áreas verdes causam uma diminuição na produção de oxigênio;
ý as explosões atômicas experimentais, que liberam na atmosfera grande quantidade de gases, de resíduos sólidos e de energia;
ý os automóveis e indústrias, que consomem oxigênio e liberam grandes quantidades de monóxido de carbono (CO) e dióxido de carbono (CO2).

Todos estes fatores, quando associados, colocam em risco o equilíbrio total do planeta, podendo provocar entre outros fenômenos, o chamado efeito estufa, que pode provocar um sério aumento da temperatura da terra, o que levará a graves conseqüências.

A poluição
A poluição do ar é definida como sendo a degradação da qualidade do ar como resultado de atividades que direta ou indiretamente:

a- prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
b- criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;
c- afetem desfavoravelmente a biota;
d- afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;
e- lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos em leis federais [Lei Federal no 6938, de 31 de agosto de 1981, regulamentada pelo decreto no 88 351/83].

A partir dessa conceituação do que é poluir e dos fatores expostos acima, que têm provocado a degradação da qualidade do ar e do ambiente como um todo, já existe uma preocupação por parte dos cientistas e estudiosos do assunto em equacionar o problema e propor soluções.

Algo sério e urgente deve ser feito, pois a grande quantidade de partículas sólidas em suspensão e os gases tóxicos que têm sido lançados na atmosfera, a diminuição dos níveis de oxigênio da atmosfera e a contínua interferência do homem nos ciclos biogeoquímicos, caso não ocorra uma reversão, podem comprometer o futuro das populações animais e vegetais. Em muitos lugares a qualidade de vida da população já encontra-se seriamente comprometida.

Poluição e sua fonte
Para facilitar o estudo do assunto, identificamos quatro tipos principais de poluição do ar, segundo as fontes poluidoras.

A. Poluição de origem natural: resultante de processos naturais como poeiras, nevoeiros marinhos, poeiras de origem extra terrestre, cinzas provenientes de queimadas de campos, gases vulcânicos, pólen vegetal, odores ligados à putrefação ou fermentação natural, entre outros.

B. Poluição relacionada aos transportes: resultante da ação de veículos automotores e aviões. Devido a combustão da gasolina, óleo diesel, álcool etc., os veículos automotores eliminam gases como o monóxido de carbono, óxido de enxofre, gases sulfurosos, produtos à base de chumbo, cloro, bromo e fósforo, além de diversos hidrocarbonetos não queimados. Variando de acordo com o tipo de motor, os aviões eliminam para a atmosfera: cobre, dióxido de carbono, monoaldeídos, benzeno etc.

C. Poluição pela combustão: resultante de fontes de aquecimento domésticos e de incinerações, cujos agentes poluentes são: dióxido de carbono, monóxido de carbono, aldeídos, hidrocarbonetos não queimados, compostos de enxofre. O anidrido sulfuroso, por exemplo, pode transformar-se em anidrido sulfúrico, e este, em ácido sulfúrico, que precipita juntamente com as águas das chuvas.

D. Poluição devida às indústrias: resultante dos resíduos de siderúrgicas, fábricas de cimento e de coque, indústrias químicas, usinas de gás e fundição de metais ferrosos. Entre esses resíduos encontram-se substâncias tóxicas e irritantes, poluentes fotoquímicos, poeiras etc. Além da poeira de natureza química, com grãos de tamanho dos mais diferentes, os principais poluentes industriais encontram-se no estado gasoso, sendo que os mais freqüentes são: dióxido de carbono, monóxido de carbono, óxido de nitrogênio, compostos fluorados, anidrido sulfuroso, fenóis e álcoois de odores desagradáveis.

Inversão térmica
Um fenômeno interessante na atmosfera é o da inversão térmica, ocasião na qual a ação dos poluentes do ar pode ser bastante agravada. A coisa funciona assim: normalmente, o ar próximo à superfície do solo está em constante movimento vertical, devido ao processo convectivo (correntes de convecção). A radiação solar aquece a superfície do solo e este, por sua vez, aquece o ar que o banha; este ar quente é menos denso que o ar frio, desse modo, o ar quente sobe (movimento vertical ascendente) e o ar frio, mais denso, desce (movimento vertical descendente). Este ar frio que toca a superfície do solo, recebendo calor dele, esquenta, fica menos denso, sobe, dando lugar a um novo movimento descendente de ar frio. E o ciclo se repete. O normal, portanto, é que se tenha ar quente numa camada próxima ao solo, ar frio numa camada logo acima desta e ar ainda mais frio em camadas mais altas porém, em constantes trocas por correntes de convecção. Esta situação normal do ar colabora com a dispersão da poluição local.


Dispersão da poluição em dias normais

Na inversão térmica, condições desfavoráveis podem, entretanto, provocar uma alteração na disposição das camadas na atmosfera. Geralmente no inverno, pode ocorrer um rápido resfriamento do solo ou um rápido aquecimento das camadas atmosféricas superiores. Quando isso ocorre, o ar quente ficando por cima da camada de ar frio, passa a funcionar como um bloqueio, não permitindo os movimentos verticais de convecção: o ar frio próximo ao solo não sobe porque é o mais denso e o ar quente que lhe está por cima não desce, porque é o menos denso. Acontecendo isso, as fumaças e os gases produzidos pelas chaminés e pelos veículos não se dispersam pelas correntes verticais. Os rolos de fumaça das chaminés assumem posição horizontal, ficando nas proximidades do solo. A cidade fica envolta numa “neblina” e conseqüentemente a concentração de substâncias tóxicas aumenta muito.


Inversão térmica

O fenômeno é comum no inverno de cidades como Nova Iorque, São Paulo e Tóquio, agravado pela elevada concentração de poluentes tóxicos diariamente despejados na atmosfera.

Quadro geral
A tabela que segue apresenta os principais poluentes do ar e alguns aspectos relacionados ao ambiente e à saúde humana.

Poluentes

Fontes

Efeitos sobre o ambiente

Efeitos sobre a saúde humana

Dióxido de Carbono (CO2)

combustão de produtos carbonados diversos que podem ocorrer em usinas elétricas, industriais e no aquecimento doméstico.

a acumulação desse gás poderia elevar a temperatura da superfície terrestre a um ponto perigoso e provocar catástrofes ecológicas e geoquímicas.

em função de seus efeitos sobre o ambiente, o CO2 pode, a longo prazo, tornar a Terra imprópria à vida humana, pelo aquecimento excessivo que poderá provocar.

Monóxido de carbono (CO)

combustão incompleta de materiais fósseis como o petróleo e o carvão, principalmente nas indústrias metalúrgicas, refinarias de petróleo e motores a combustão.

pode afetar o equilíbrio térmico da estratosfera.

quando aspirado pelo homem, combina-se com a hemoglobina das hemácias, substituindo o oxigênio, provocando a dificuldade respiratória e mesmo asfixia. A diminuição do suprimento de oxigênio às células leva o aparelho respiratório e o coração a trabalhar mais, provocando um esforço adicional, perigoso em pessoas portadoras de problemas cardíacos e pulmonares.

Dióxido de enxofre (SO2)

emanações de centrais elétricas, fábricas, veículos automotores e combustível doméstico freqüentemente carregado de ácido sulfúrico.

o ar poluído agrava as afecções respiratórias, afeta os animais e as plantas, as pedras calcárias empregadas em construções e também tecidos sintéticos.

ação irritante nos canais respiratórios, provocando tosse e sufocação. Contribui para o agravamento de asma e da bronquite crônica. Afeta também outros órgãos sensoriais.

Óxido de nitrogênio (NO2)

provém de motores a combustão, aviões, fornos, incineradores, do emprego excessivo de certos fertilizantes, de queimadas e de instalações industriais.

pode provocar nevoeiros.

causa a redução da capacidade do sangue no transporte de oxigênio para as células, provocando ente outras doenças, o enfisema e a redução das defesas do organismo contra as infecções. Pode ainda provocar afecções respiratórias e bronquites em recém-nascidos.

Chumbo (Pb)

 

 

acumula-se no organismo e afeta as enzimas e o metabolismo celular.

Os poluentes
Os problemas do ar são as substâncias ou misturas de substâncias, em estado líquido, sólido ou gasoso, que direta ou indiretamente são dispersos na atmosfera, provocando alterações na sua composição. Os poluentes, pela dispersão que têm na atmosfera, podem ser agrupados em primários e secundários. Apenas para efeito de consulta, para trabalhos escolares de conscientização de seus perigos, vamos citá-los:

I - Poluentes primários: são aqueles emitidos diretamente de fontes identificáveis. Estão presentes na atmosfera na forma em que são emitidos. Podemos citar: poeiras, compostos de enxofre (dióxido de enxofre, mercaptanas, gás sulfídrico etc.), óxidos de carbono (monóxido e dióxido de carbono), compostos de nitrogênio, compostos orgânicos, compostos halogenados e compostos radioativos.

II - Poluentes secundários: são os produzidos no ar, pela reação entre dois ou mais poluentes. Exemplos: o dióxido de enxofre (SO2), proveniente das atividades industriais (combustão de óleos, operações de fusão, usinas de natureza tipicamente química) e dos veículos automotores, dá origem ao gás sulfúrico, pela ação do oxigênio natural do ar (catalisado pela energia solar) ou do ozônio (derivado do oxigênio natural por ocasião de descargas elétricas atmosféricas - raios). O SO3, por sua vez, reage com o vapor de água existente no ar formando uma neblina de ácido sulfúrico. Dos poluentes apresentados tem-se como os maiores causadores de efeitos sobre o ambiente e a saúde, o dióxido de carbono, o monóxido de carbono, o dióxido de enxofre, o óxido de nitrogênio e o chumbo. De modo geral, considerando-se apenas os aspectos das fontes industriais de poluição, todas as indústrias são potencialmente poluidoras.


Leitura Complementar - Fontes

O tópico Poluição do ar está assentado sobre uma publicação da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia - COPAM - Comissão de Política Ambiental. Tal publicação, que abrange 8 volumes de divulgação e conscientização dos problemas junto às comunidades, elaborado por excelente equipe técnica, pode ser obtida no órgão acima, no endereço: Rua da Bahia, 916 - 9o andar - CEP: 30 000 - Belo Horizonte - MG.

O controle da qualidade do ar é, por lei, de responsabilidade dos Governos Federal e Estadual. Em nível federal, através da Lei no 6 938/81 e do Decreto no 88 351/83, compete à SEMA - Secretaria Especial do Meio Ambiente a aplicação das medidas preventivas e corretivas. Em nível estadual existe a devida Lei e Decreto, as sim como a competente Comissão de Política Ambiental à qual se atribui a responsabilidade sobre o controle das poluições.

Anote neste espaço, após as devidas pesquisas, os dados relativos ao seu Estado:

Estado :

Órgão :                                        Sigla:

Lei :                                            Decreto:

Endereço:

CEP :

Telefone:                                      Fax:

URL:    http://www.

Segundo essa legislação em vigor, todas as fontes de poluição do ar devem se adequar a determinadas condições de forma a não ocasionarem danos ao ambiente e à população. Desse modo, toda fonte de poluição existente que não esteja adaptada à legislação pode se denunciada ao órgão competente federal, estadual ou municipal, o qual estabelecerá um prazo viável para que seja feita a adequação aos padrões estabelecidos. Porém, como pessoas e cidadãos, membros da sociedade, a população tem parcela de responsabilidade no controle da poluição do ar.


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