O
tema
As transformações químicas que ocorrem como resultado da atividade
do tecido vivo são reunidas sob o nome de metabolismo. Note
que o metabolismo, assim apresentado, deixa claro que são transformações
químicas que ocorrem como resultado da atividade dos tecidos vivos,
evitando cuidadosamente dizer que elas devam, necessariamente,
ocorrer dentro dos tecidos. Este cuidado é importante tendo-se em
vista a existência de algumas reações químicas muito importantes,
que envolvem o tecido vivo, mas que não ocorrem dentro do tecido
vivo. Estamos nos referindo à digestão.
Dentro
ou fora?
Quando engolimos a comida, ela desce pela garganta, chegando ao estômago
e depois, talvez, aos intestinos. Ela sofre transformações radicais
durante o processo, e o material que é finalmente eliminado pelo ânus
é bem diferente daquele que entrou pela boca. Do ponto de vista de
uma cadeia alimentar é uma pena pois, se não fosse assim, o
resultado final de nosso almoço seria nosso jantar!
Enquanto
o alimento permanece no canal alimentar (este nome se refere a todo o
tubo complexo que vai desde a boca até o ânus; veja ilustração),
ele não se encontra, realmente, dentro do corpo. Ele está numa porção
do mundo externo, a qual é limitada pela boca e pelo ânus.
Que
acontece?
Diversas glândulas, entre as quais algumas grandes, como o fígado e
o pâncreas, e numerosas pequenas nas paredes do estômago e dos
intestinos, descarregam sucos no canal alimentar. Estes se misturam
com a comida, e o teor enzimático dos sucos catalisa aquelas reações
metabólicas que reunimos sob o nome de digestão. Muitas e muitas são
as reações que ocorrem no processo da digestão porém, todas estas
transformações digestivas têm certas coisas em comum. Em primeiro
lugar, todas elas envolvem a conversão de moléculas maiores em
menores. Tais transformações metabólicas de corpos relativamente
grandes e complexos em moléculas relativamente pequenas e simples
estão reunidas sob o nome de catabolismo (“jogar para
baixo”); a digestão envolve uma série de transformações catabólicas.
Que
significa 'absorver'?
Além do mais, a natureza das diversas transformações catabólicas
da digestão implica, invariavelmente, na ruptura de alguma ligação
química, e na ligação (justamente no ponto de ruptura) dos
elementos da água. Este método de quebrar ligações, acrescentando
os elementos da água, constitui um artifício bastante natural, uma
vez que a água é o principal constituinte do tecido vivo,
perfazendo coisa de 60 por cento do peso total, e 98 por cento das
moléculas individuais de um ser vivo, por exemplo.
O processo recebe o nome de hidrólise. Os produtos finais da
digestão --- as unidades estruturais obtidas por meio da hidrólise
--- podem atravessar as membranas intestinais (são
“absorvidas”), entrando no corpo propriamente dito. Moléculas
mais complicadas do que estes produtos finais da digestão geralmente
não conseguem fazer o mesmo.
'Subdividir
para vencer'
Este é o significado da digestão: ela converte os alimentos brutos,
não absorvíveis, em unidades estruturais absorvíveis. Com isto, o
corpo adquire massa, a qual transporta energia química, uma
quantidade medida em quilocalorias ou grande caloria. São estas as
tais “calorias” referidas pelos especialistas em dietas (dieticistas)
como contidas nos alimentos.
Simples não?
Mas,
...
Embora enfatizemos aqui o modelo da digestão humana, há uma
variedade muito grande de processos digestivos. A aranha, por
exemplo, inicia seu processo digestivo totalmente fora do corpo
(digestão extra-corpórea) - seu veneno contém enzimas que desfazem
os tecidos da presa e ela apenas sorve o liquido resultante; até
algumas plantas fazem digestão - como as plantas insetívoras.
Por outro lado, alguns animais são desprovidos de trato digestório,
como os parasitas intestinais, que se aproveitam do trabalho do
hospedeiro e apenas sorvem os nutrientes já digeridos.
Esses são processos extracelulares (ocorrem fora das células), mas
os microorganismos, que não possuem estruturas digestórias, podem
realizar a digestão intracelular, englobam partículas do meio e
digerindo-as com enzimas lançadas no vacúolo digestivo (em animais
pluricelulares isso ocorre também, por exemplo, com algumas células
de defesa, que capturam e destroem células e partículas invasoras).
Experimentos
Básicos
1.
O começo: A ação da saliva
Material
vidro
conta-gotas com tintura de iodo
2 copos plásticos de café
2 tubos de ensaio numerados
água
amido
Procedimento
Coloque água em
um dos copos, acrescente amido, mexa e despeje dois dedos da mistura
em cada tubo de ensaio. No outro copo, recolha um pouco de saliva,
passe-a para um dos tubos e agite. Espere 30 minutos e pingue uma
gota de iodo em cada tubo.
Conclusão
O amido, ao reagir com o iodo, apresenta uma coloração roxa, mas a
mistura com saliva não fica roxa por causa da atuação da enzima
ptialina. Ela transforma o amido em maltose, que não reage com o
iodo.
2.
É importante mastigar bem
Material
2 copos com água
2 comprimidos efervescentes
Procedimento
Triture um dos comprimidos sobre uma folha de papel.
Coloque simultaneamente o tablete inteiro em um copo com água e o
triturado no outro.
Conclusão
O triturado se dissolve bem mais rápido. Essa é uma das características
da digestão: quanto menores os pedaços de alimento, mais
rapidamente os nutrientes presentes nele são absorvidos pelo
organismo.
3.
Sentindo os sabores
Material
4 conta-gotas com: suco de limão, água com
açúcar, água com sal e chá de carqueja
açúcar
colher
Procedimento
Diga aos alunos que algumas regiões da língua são
mais sensíveis a certos gostos que outras. Pingue os líquidos em
diferentes regiões da língua. Depois, coloque açúcar na língua
seca de um aluno.
Conclusão
Sentimos o gosto dos alimentos porque o cérebro interpreta as
informações captadas pelos sensores presentes na língua. Se ela
estiver seca, não sentimos gosto algum, pois a saliva ajuda a
desprender dos alimentos partículas que sensibilizam o paladar.
4.
O movimento da digestão
Material
meia fina
bolinha de isopor ou de tênis
bolacha
Procedimento
Peça aos alunos para colocar a mão no pescoço. Ao
engolir uma bolacha, eles sentirão o movimento peristáltico feito
pelos músculos do esôfago. Coloque a bolinha (que representa a
comida) dentro da meia fina (o esôfago). Faça a bolinha deslizar
pela meia empurrando-a com os dedos.
Conclusão
Os músculos do esôfago se contraem de forma parecida com a meia
para levar o alimento ao estômago. Esses movimentos ocorrem em todos
os órgãos do sistema digestório.
5.
A acidez do suco gástrico
Material
1 copo plástico de café
leite
vinagre ou suco de limão
Procedimento
Coloque leite no copo e adicione vinagre.
Conclusão
O vinagre talha o leite da mesma maneira que o suco gástrico,
produzido pelo estômago, quebra as moléculas grandes dos alimentos
em partículas menores. Isso ocorre porque o suco é composto de ácido
clorídrico, enzimas e muco.
6.
O detergente da digestão
Material
dois copos com água
óleo de cozinha
detergente
Procedimento
Coloque óleo nos dois copos com água. Em um deles,
acrescente detergente e agite.
Conclusão
Assim como o detergente, a bile, produzida pelo fígado, é um suco
ácido que transforma as gorduras em gotículas muito pequenas,
facilitando a digestão.
7.
Quebrando as proteínas
Material
clara de ovo cozido
4 tubos de ensaio numerados
água
suco de mamão, de limão e de abacaxi
algodão
Procedimento
Coloque água no tubo 1, suco de mamão no tubo 2, de
limão no tubo 3 e de abacaxi no tubo 4. Corte a clara de ovo em
cubinhos iguais e coloque um em cada tubo. Tampe com algodão e deixe
em repouso por três dias.
Conclusão
Apenas no tubo 4 será possível perceber a diminuição da clara de
ovo, já que a bromelina, enzima presente no abacaxi, provocou a
quebra da proteína albumina. No estômago e no intestino delgado as
proteínas também são quebradas pelas enzimas.
8.
Absorção da água pelo corpo
Material
copo com água
esponja
Procedimento
Coloque a esponja seca no copo com água.
Conclusão
A esponja age da mesma maneira que o intestino grosso, pois ele
absorve vitaminas e sais minerais de parte da água que estava nos
alimentos ou que foi ingerida com eles. Esses nutrientes depois são
levados pelo sangue para as células.
Fonte
dos experimentos: http://revistaescola.abril.com.br
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