menu_topo

Fale com o professor Lista geral do site Página inicial Envie a um amigo Autor

A digestão

Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br

O tema
As transformações químicas que ocorrem como resultado da atividade do tecido vivo são reunidas sob o nome de metabolismo. Note que o metabolismo, assim apresentado, deixa claro que são transformações químicas que ocorrem como resultado da atividade dos tecidos vivos, evitando cuidadosamente dizer que elas devam, necessariamente, ocorrer dentro dos tecidos. Este cuidado é importante tendo-se em vista a existência de algumas reações químicas muito importantes, que envolvem o tecido vivo, mas que não ocorrem dentro do tecido vivo. Estamos nos referindo à digestão.

Dentro ou fora?
Quando engolimos a comida, ela desce pela garganta, chegando ao estômago e depois, talvez, aos intestinos. Ela sofre transformações radicais durante o processo, e o material que é finalmente eliminado pelo ânus é bem diferente daquele que entrou pela boca. Do ponto de vista de uma cadeia alimentar é uma pena pois, se não fosse assim, o resultado final de nosso almoço seria nosso jantar!

Enquanto o alimento permanece no canal alimentar (este nome se refere a todo o tubo complexo que vai desde a boca até o ânus; veja ilustração), ele não se encontra, realmente, dentro do corpo. Ele está numa porção do mundo externo, a qual é limitada pela boca e pelo ânus.

Que acontece?
Diversas glândulas, entre as quais algumas grandes, como o fígado e o pâncreas, e numerosas pequenas nas paredes do estômago e dos intestinos, descarregam sucos no canal alimentar. Estes se misturam com a comida, e o teor enzimático dos sucos catalisa aquelas reações metabólicas que reunimos sob o nome de digestão. Muitas e muitas são as reações que ocorrem no processo da digestão porém, todas estas transformações digestivas têm certas coisas em comum. Em primeiro lugar, todas elas envolvem a conversão de moléculas maiores em menores. Tais transformações metabólicas de corpos relativamente grandes e complexos em moléculas relativamente pequenas e simples estão reunidas sob o nome de catabolismo (“jogar para baixo”); a digestão envolve uma série de transformações catabólicas.

Que significa 'absorver'?
Além do mais, a natureza das diversas transformações catabólicas da digestão implica, invariavelmente, na ruptura de alguma ligação química, e na ligação (justamente no ponto de ruptura) dos elementos da água. Este método de quebrar ligações, acrescentando os elementos da água, constitui um artifício bastante natural, uma vez que a água é o principal constituinte do tecido vivo, perfazendo coisa de 60 por cento do peso total, e 98 por cento das moléculas individuais de um ser vivo, por exemplo.
O processo recebe o nome de hidrólise. Os produtos finais da digestão --- as unidades estruturais obtidas por meio da hidrólise --- podem atravessar as membranas intestinais (são “absorvidas”), entrando no corpo propriamente dito. Moléculas mais complicadas do que estes produtos finais da digestão geralmente não conseguem fazer o mesmo.

'Subdividir para vencer'
Este é o significado da digestão: ela converte os alimentos brutos, não absorvíveis, em unidades estruturais absorvíveis. Com isto, o corpo adquire massa, a qual transporta energia química, uma quantidade medida em quilocalorias ou grande caloria. São estas as tais “calorias” referidas pelos especialistas em dietas (dieticistas) como contidas nos alimentos.
Simples não?

Mas, ...
Embora enfatizemos aqui o modelo da digestão humana, há uma variedade muito grande de processos digestivos. A aranha, por exemplo, inicia seu processo digestivo totalmente fora do corpo (digestão extra-corpórea) - seu veneno contém enzimas que desfazem os tecidos da presa e ela apenas sorve o liquido resultante; até algumas plantas fazem digestão - como as plantas insetívoras.
Por outro lado, alguns animais são desprovidos de trato digestório, como os parasitas intestinais, que se aproveitam do trabalho do hospedeiro e apenas sorvem os nutrientes já digeridos.
Esses são processos extracelulares (ocorrem fora das células), mas os microorganismos, que não possuem estruturas digestórias, podem realizar a digestão intracelular, englobam partículas do meio e
digerindo-as com enzimas lançadas no vacúolo digestivo (em animais pluricelulares isso ocorre também, por exemplo, com algumas células de defesa, que capturam e destroem células e partículas invasoras).

Experimentos Básicos
1. O começo: A ação da saliva
Material

vidro conta-gotas com tintura de iodo
2 copos plásticos de café
2 tubos de ensaio numerados
água
amido
Procedimento
Coloque água em um dos copos, acrescente amido, mexa e despeje dois dedos da mistura em cada tubo de ensaio. No outro copo, recolha um pouco de saliva, passe-a para um dos tubos e agite. Espere 30 minutos e pingue uma gota de iodo em cada tubo.
Conclusão
O amido, ao reagir com o iodo, apresenta uma coloração roxa, mas a mistura com saliva não fica roxa por causa da atuação da enzima ptialina. Ela transforma o amido em maltose, que não reage com o iodo.

2. É importante mastigar bem
Material

2 copos com água
2 comprimidos efervescentes
Procedimento
Triture um dos comprimidos sobre uma folha de papel. Coloque simultaneamente o tablete inteiro em um copo com água e o triturado no outro.
Conclusão
O triturado se dissolve bem mais rápido. Essa é uma das características da digestão: quanto menores os pedaços de alimento, mais rapidamente os nutrientes presentes nele são absorvidos pelo organismo.

3. Sentindo os sabores
Material
4 conta-gotas com: suco de limão, água com açúcar, água com sal e chá de carqueja
açúcar
colher

Procedimento
Diga aos alunos que algumas regiões da língua são mais sensíveis a certos gostos que outras. Pingue os líquidos em diferentes regiões da língua. Depois, coloque açúcar na língua seca de um aluno.
Conclusão
Sentimos o gosto dos alimentos porque o cérebro interpreta as informações captadas pelos sensores presentes na língua. Se ela estiver seca, não sentimos gosto algum, pois a saliva ajuda a desprender dos alimentos partículas que sensibilizam o paladar.

4. O movimento da digestão

Material
meia fina
bolinha de isopor ou de tênis
bolacha

Procedimento
Peça aos alunos para colocar a mão no pescoço. Ao engolir uma bolacha, eles sentirão o movimento peristáltico feito pelos músculos do esôfago. Coloque a bolinha (que representa a comida) dentro da meia fina (o esôfago). Faça a bolinha deslizar pela meia empurrando-a com os dedos.
Conclusão
Os músculos do esôfago se contraem de forma parecida com a meia para levar o alimento ao estômago. Esses movimentos ocorrem em todos os órgãos do sistema digestório.

5. A acidez do suco gástrico
Material
1 copo plástico de café
leite
vinagre ou suco de limão

Procedimento
Coloque leite no copo e adicione vinagre.
Conclusão
O vinagre talha o leite da mesma maneira que o suco gástrico, produzido pelo estômago, quebra as moléculas grandes dos alimentos em partículas menores. Isso ocorre porque o suco é composto de ácido clorídrico, enzimas e muco.

6. O detergente da digestão
Material
dois copos com água
óleo de cozinha
detergente

Procedimento
Coloque óleo nos dois copos com água. Em um deles, acrescente detergente e agite.
Conclusão
Assim como o detergente, a bile, produzida pelo fígado, é um suco ácido que transforma as gorduras em gotículas muito pequenas, facilitando a digestão.

7. Quebrando as proteínas
Material
clara de ovo cozido
4 tubos de ensaio numerados
água
suco de mamão, de limão e de abacaxi
algodão

Procedimento
Coloque água no tubo 1, suco de mamão no tubo 2, de limão no tubo 3 e de abacaxi no tubo 4. Corte a clara de ovo em cubinhos iguais e coloque um em cada tubo. Tampe com algodão e deixe em repouso por três dias.
Conclusão
Apenas no tubo 4 será possível perceber a diminuição da clara de ovo, já que a bromelina, enzima presente no abacaxi, provocou a quebra da proteína albumina. No estômago e no intestino delgado as proteínas também são quebradas pelas enzimas.

8. Absorção da água pelo corpo
Material
copo com água
esponja

Procedimento
Coloque a esponja seca no copo com água.
Conclusão
A esponja age da mesma maneira que o intestino grosso, pois ele absorve vitaminas e sais minerais de parte da água que estava nos alimentos ou que foi ingerida com eles. Esses nutrientes depois são levados pelo sangue para as células.

Fonte dos experimentos: http://revistaescola.abril.com.br .

 


Copyright © Luiz Ferraz Netto - 2000-2011 ® - Web Máster: Todos os Direitos Reservados

Nova pagina 1