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Água do mar
(parte 1)
Prof. Luiz Ferraz
Netto [Léo]
leobarretos@uol.com.br
PROPRIEDADES FÍSICAS
A água do mar é uma solução de vários sais que, nos oceanos, contém
96,5% de água pura. As propriedades físicas anômalas da água pura, que a
destacam como exemplo estranho entre as substâncias naturais, pertencem também à
água do mar. Estas 'estranhezas' são devidas à construção assimétrica das moléculas, onde
os dois átomos de hidrogênio não fazem um ângulo de 180° com o átomo de oxigênio, mas sim de 109°. Como consequência, é a molécula H2O um dipolo elétrico invulgarmente forte.
Os grandes momentos
dipolares criam apreciáveis forças intramoleculares de que resulta a formação de moles de água, o que explica também a grande quantidade
de calor necessário para aumentar a agitação molecular na água. Deste modo, as características térmicas da água,
a saber, calor específico, calor de fusão, calor de vaporização, ponto de fusão
(ou congelamento) e ponto de ebulição, apresentam valores
anormalmente altos, o que favorece a habitabilidade da Terra pelo homem.
Pelo seu calor específico (1,0 cal/g.oC, o mais alto que se conhece)
é a água a melhor armazenadora de energia térmica de todas as substâncias. As correntes marítimas
efetuam, por isso, grandes transportes de energia térmica, propiciando enormes
trocas de calor entre regiões distintas.
O calor latente de vaporização (585 cal/g, ainda o valor mais elevado que se conhece),
dificulta a secagem do solo e, por outro lado, representa a
maior fonte de calor da atmosfera nas latitudes elevadas,
na forma de calor de condensação. Assim, o transporte de vapor de água das regiões subtropicais para aquelas
latitudes, por intermédio da circulação atmosférica, é também
o transporte de grandes quantidades de calor latente, que
se liberta por condensação do vapor, na formação das nuvens,
contribuindo consideravelmente para atenuar, as diferenças
de temperatura entre os pólos e o Equador.
Nos moles de água podem distinguir-se três espécies
diferentes, a que correspondem respectivamente 2, 4 ou 8 moléculas, dispostas como numa rede cristalina. A
parcela com que cada uma das espécies comparece, varia com a temperatura. Quando
esta decresce, aumenta a proporção da terceira
espécie, que ocupa muito espaço, pelo que, sobrepondo-se
ao decréscimo normal de volume (como em qualquer outra substância) existe também um aumento deste. As duas
variações de volume equilibram-se aos 4°C, e a água tem a sua
densidade máxima para essa temperatura. Abaixo de 4°C,
o volume específico volta a aumentar. A 0°C, ponto de fusão (ou de
congelamento), os moles de 8 moléculas estão na proporção
de 9%. Em seguida, dá-se a congelamento da água, que
desempenha um papel decisivo na decomposição das rochas
e na formação do solo. A forte diminuição de densidade
que se verifica na passagem da água ao estado sólido explica
que o gelo possa flutuar na água líquida, o que já na
acontece com as demais substâncias, em que a fase sólida
é sempre mais densa do que a respectiva fase líquida.
Só
pelas suas propriedades anormais é que a água torna possível a vida a plantas e a animais na terra firme, apesar
das
formações temporárias de gelos.
A água do mar possui as propriedades particulares
da água pura, com modificações, algumas das quais insignificantes (como as da viscosidade, tensão superficial,
condutibilidade térmica, calor específico, calor de evaporação,
absorção da luz), outras, mais importantes (como as da compressibilidade e a
velocidade de propagação do som)
por vezes até decisivas para os fenômenos naturais.
O mesmo se dá com a pressão osmótíca, a condutibilidade
elétrica e o abaixamento da temperatura de densidade máxima, que, de 4° C na água pura passa para
1,33°C na água salgada com 24,7‰ de sal, e para -3,53°C,
com 35,0‰; e dá-se ainda com o abaixamento do ponto de fusão, que passa de 0,00°C na água pura para
-1,33°C e -1,91ºC na água salgada, respectivamente com as mesmas concentrações salinas. Além disso é também manifesto
que a água do mar com salinidade superior a 24,7‰ se
comporta, em princípio, de forma diferente da água doce no relativo ao congelamento, que se verifica antes de ser
atingida a densidade máxima — o que significa que a convecção vertical automática, por
resfriamento, nunca se interrompe nos mares, como acaba por acontecer com a água
doce.
Nos oceanos, a energia térmica contida numa coluna de água é assim cedida pouco a pouco à atmosfera, em contraste com os lagos
e outras formações de água doce, que mantêm uma temperatura de 4°C abaixo de
fina camada superficial que, por sua vez esfria em paralelo com a atmosfera lhe
toca.
Pela convecção permanente desempenham os mares um importante papel na suavização dos climas. Nas regiões subpolares (como no mar do Norte), a convecção
vertical, de Inverno, atinge a profundidade de 4000 m. Todavia, as camadas de água
menos salinas podem afetar essa convecção, como acontece nos fiordes
noruegueses, no mar Negro e no Báltico.
A densidade da água do mar depende da temperatura, da
salinidade e também da pressão, pois, embora em pequena quantidade, a água é compressível. Na fossa das Filipinas, a 10 000 m de profundidade, (à temperatura de 2,48°C e
com 34,67‰ de concentração salina), o valor da densidade é de 1,07211 g/cm3. A mesma água, mas à superfície, portanto suportando só a pressão atmosférica, apresentaria densidade de 1,02769
g/cm3. Perante uma descompressão atmosférica, a compressibilidade da água salgada traduz-se
numa dilatação e, portanto, num resfriamento adiabático. A água que se encontra no fundo da referida fossa, se fosse
trazida à superfície sem trocas de calor nem misturas, resfriaria
(no nosso exemplo) de 2,48°C para 1,17°C. A este último valor dá-se o nome de
temperatura potencial à profundidade citada. As massas de água de
densidades diferentes que se contactam em profundidade não podem se manter
em equilíbrio, de modo que a circulação oceânica não se
efetua apenas à superfície mas também a grandes profundidades. Os processos
geradores, que se localizam exclusivamente à superfície do mar, são condicionados pelas diferenças
regionais do balanço térmico e químico do mar.
A pressão osmótica depende
fortemente da salinidade do mar. Enquanto para valores baixos da salinidade (por
exemplo 7‰) orça pelas 4,5 atm (atmosferas), atinge
23,1 atm para a salinidade normal dos oceanos (34‰).
Como as células dos seres vivos são envolvidas por membranas semipermeáveis, a pressão osmótica tem influência
na sua constituição e os organismos vêem a sua capacidade
restringida por diminutas variações da salinidade; portanto, da pressão osmótica. Esclarecem-se assim duas particularidades
do mar: a relação estreita da flora e da fauna marinhas com a salinidade, assim
como a notória pobreza
de espécies nas regiões com grandes variações de salinidade,
de que são o melhor exemplo as zonas de água salobra
(na proximidade da foz dos rios). ;
Segue: Propriedades ACÚSTICAS da água do mar
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