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Água do mar
(parte 3)
Prof. Luiz Ferraz
Netto [Léo]
leobarretos@uol.com.br
PROPRIEDADES ÓPTICAS
As propriedades ópticas da água do mar determinam a
penetração e a composição espectral da luz no mar e,
subsequentemente, a temperatura e a cor da água, e ainda
o limite de assimilação do fitoplâncton, influindo por isso,
de uma maneira geral, em todos os seres vivos marinhos.
São elas a reflexão, a refração,
a dispersão e a
absorção, que regem a propagação da luz no mar.
A superfície do mar tem um coeficiente de reflexão
(albedo) muito pequeno, quer para a radiação do Sol, quer para a atmosfera. Para
uma altura do Sol superior a 25º a parcela refletida
não atinge os 10%.
A refração da luz na água depende da
temperatura e da salinidade, o que permite determinar facilmente esta última,
conhecida aquela (refratômetro de imersão, interferômetro). A dispersão
e a absorção definem em conjunto o enfraquecimento da
luz, ou sua extinção.
Ambas dependem estreitamente do c.d.o.
A difusão aumenta quando o
c.d.o. diminui,
a absorção aumenta quando
o c.d.o. também aumenta,
estabelecendo- se assim um mínimo absoluto
para a extinção,cerca dos 0,47 µ,
portanto na zona do azul do espectro.
No gráfico abaixo, apresenta-se o coeficiente da extinção
a em função do c.d.o. Este coeficiente dá o abaixamento de intensidade
Jo de um raio luminoso, após ter atravessado uma camada de água de um metro de espessura:
J = Jo.10-a .
O gráfico mostra que para o amarelo é a extinção dez vezes superior à do azul, cem vezes para o vermelho, e que no infravermelho chega a ser um milhão de vezes
mais forte. É digno de nota que o mínimo de extinção da água do mar (l =0,47
µ) praticamente coincida com o máximo de intensidade da radiação solar (l
=0,48 µ). Deste modo a penetração da luz influencia favoravelmente a vida no mar. A alta extinção traduz-se no fato de a produção de calor pela radiação se restringir quase totalmente à camada superficial, com alguns centímetros
de espessura.
A cor da água do mar corresponde à zona do espectro
para a qual é máxima a relação entre
a reflexão difusa e a absorção da luz incidente. Novamente,
encontramos o c.d.o. de 0,47 µ, o que provoca a cor azul-cobalto-forte da água
do mar pura, bastante típica nas regiões tropicais. A observação mostra que o
mar apresenta
ainda outras cores, como verde-azul, verde, verde-amarelo,
e cores sujas — indicação de que a água não é pura. Alguns
vestígios de húmus, de cor amarela-intensa e proveniente
do plâncton, assim como de regiões pantanosas, dão ao mar
uma tonalidade verde, que predomina, por exemplo, no mar
Báltico. A matéria em suspensão na água, se for incolor, incrementa a difusão independentemente do c.d.o., o que ,
explica a cor azul do mar, mas se for colorida, reflete também a sua própria
cor, que, muitas vezes, é castanho-esverdeada. Se a matéria em suspensão variar
apreciavelmente, dará originam às cores sujas.
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