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Bobina
de Tesla
(Funcionamento
e segurança)
Prof. Luiz Ferraz
Netto
leobarretos@uol.com.br
Numa
análise simplificada, a qual pode ser complementada pelo
montador/pesquisador, seu funcionamento pode ser assim descrito:
O
transformador T eleva a tensão recebida da rede (em geral, 110 VAC
nominais) para cerca de 12 000 volts. Como o secundário desse
transformador está ligado em paralelo com o capacitor C de alta tensão,
em cada semi-ciclo da tensão alternada, ele se carrega (armazena
energia potencial eletrostática) até o valor dessa alta tensão
disponível. A descarga de C ocorre no espaço de faísca do
centelhador, através da bobina primária L1. Todas as vezes que há
centelha (120 vezes por segundo em rede de 60 Hz), passa uma alta
intensidade de corrente elétrica através de L1. Quanto maior for a
capacitância do capacitor C, maior será a intensidade dessa
corrente em L1.
As
descargas através do centelhador (faiscador) produzem pulsos
extremamente agudos de potência elétrica, os quais são muito ricos
em harmônicos de R. F. A freqüência desses pulsos, em vista dos
valores dos componentes utilizados, situa-se principalmente na região
dos 200 kHz. Esses pulsos ocorrem pelo fato do capacitor e L1 estarem
associados em paralelo (descargas oscilantes).
As
bobinas L1 e L2 formam um transformador elevador de tensão com núcleo
de ar, sendo L1 o primário e L2 o secundário da nova alta tensão
desenvolvida. A tensão entre os terminais de L2 será de 75 000 a
250 000 volts, dependendo da capacitância (tamanho) do capacitor C.
A eficiência desse transformador é máxima na situação de ressonância
da qual participam vários fatores. A física e a matemática desse
estudo estão além das pretensões desse projeto para alunos do nível
médio. Em nível superior tal estudo é obrigatório.
Cuidado!
Os ajustes da bobina de Tesla e principalmente do espaço de centelha
no faiscador devem ser feitos somente
quando a unidade estiver desligada. Embora a tensão de saída da
bobina possa ser da ordem de 150 000 volts, a intensidade de corrente
é de apenas uns poucos centésimos do microampères. No entanto,
essa intensidade de corrente é suficiente para um pequeno choque e
eventuais queimaduras causadas pela R. F., principalmente quando
concentradas numa única pequena região da pele. Esses pequenos
choques e essas possíveis queimaduras praticamente desaparecem se o
operador estiver segurando uma larga peça metálica (uma tira de
ferro, por exemplo). Isso acontece pelo fato da distribuição da
descarga na mão ocorrer em área bem maior. As correntes dessas
descargas ao longo do corpo não serão percebidas devidos ao
"efeito de pele" já discutido no gerador de Van de Graaff.
Tenha
o mais absoluto cuidado
com o transformador para tubos néon; ele fornece 12 000 VAC a 30 mA
e esses parâmetros podem ser mortais em determinadas condições.
Nunca deixe de verificar se o plugue está fora da tomada ao tentar
fazer qualquer ajuste. Nunca solicite voluntários nas demonstrações
com bobina de Tesla; o voluntário pode ter algum problema cardíaco
mesmo sem que ele o saiba. Um cartaz destacando esse perigo para os
portadores de marca-passo é indispensável numa exibição pública.
Introdução
| Material
| Montagem
| Circuito
| Funcionamento
| Prova
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