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Dimmer
com TRIAC
Prof. Luiz Ferraz
Netto
leobarretos@uol.com.br
Apresentação
O eficiente controle da
velocidade de uma ferramenta ou eletrodoméstico
motorizado pode ser feito com o uso de um bom dimmer. Os motores elétricos
usados em equipamentos para demonstrações em Feiras de Ciências
poderão apresentar suas velocidades de rotação controladas por
esse dimmer.
O
dimmer eletrônico ou controle de potência de estado sólido que
sugerimos utiliza um TRIAC.
O
que ele faz?
O que o circuito faz é controlar o ângulo de condução
desse componente eletrônico. Disparando-o em diversos pontos do
sinal senoidal da rede elétrica domiciliar, é possível aplicar potências
diferentes a uma carga (motor, lâmpada incandescente, estufa,
secador de cabelos etc.).
Assim,
se o disparo for feito no início do semiciclo, todo ele (o semiciclo
de potência) poderá ser conduzido para a carga e ela receberá potência
máxima. Entretanto, se o disparo ocorrer no final do semiciclo,
pequena parcela da energia será conduzida até a carga que operará
com potência reduzida. Abaixo reproduzimos as formas de onda, com
disparos no início e no final do processo (entre esses dois extremos
há toda uma gama de potências sob controle do potenciômetro):
A
obtenção do disparo do TRIAC, nos instantes convenientes do
semiciclo de tensão da rede, é conseguida através de uma rede de
retardo RC, onde R é variável (vide esquema).
Material
Semicondutor:
TRIAC - TIC 216B ou TIC 226B (para a rede de 110V a 200V ) ou TIC
226D (para a rede de
220V); os substitutos para esses TRIACs são: BTA08 e BTA12.
DIAC - qualquer tipo (exemplos: 1N5411 e 40583) .
Resistores: R1= 10k ohm x 1W; P1= 100k ohm (potenciômetro).
Capacitor: C1= 220 nF (poliéster).
L1 - Filtro - 40 voltas fio 16 ou 18 em bastão ferrite de 1 cm de
diâmetro.
Diversos: tomada, placa de circuito impresso, cordão de força,
caixa de montagem, botão para o
potenciômetro, fios, solda etc.
Esquema
Atenção:
Há uma observação
nessa montagem. Veja ao final do texto.
Montagem
A placa do circuito impresso (em tamanho real) e o
circuito chapeado é o mostrado abaixo.
Funcionamento
Com R (potenciômetro P1) na
sua posição de valor máximo, o tempo de carga de C1 (capacitor de
poliéster) até ocorrer o disparo do DIAC (que controla o TRIAC) é
maior. O disparo ocorre quase que no final do semiciclo e a potência
entregue ao motor é mínima. Com R na sua posição de mínimo, a
carga de C1 é rápida e o disparo do DIAC ocorre no início do
semiciclo. O motor desenvolve praticamente toda a sua potência.
A
característica importante desse circuito --- e essa é a causa pela
qual passou a substituir o reostato original que acompanha o motor da
máquina de costura atual, por exemplo --- é que sendo o controle
feito pela parcela do semiciclo aplicado e não pela sua tensão, o
torque se mantém mesmo em baixas velocidades.
Nota: A comutação rápida de SCRs e
TRIACs em aparelhos eletrônicos causa interferências em rádios e
TVs. Essa interferência se propaga pela rede elétrica e pode causar
sérios dissabores. Isso pode ser minimizado com a inserção de um
filtro adequado (L1) entre xy mostrado nos esquemas acima. Ele
consta de 40 espiras juntas de fio de cobre esmaltado número 16 ou
18 (AWG) num bastão de ferrite de diâmetro 1cm e comprimento 4 ou 5
cm.
Eis outra sugestão para um bom filtro que pode ser usado tanto em
aparelhos interferidos como interferentes:
Mesmo
tratando-se de um circuito relativamente simples, com componentes de
fácil aquisição no mercado eletrônico, recomenda-se ao
aluno-construtor de equipamento para Feira de Ciências que possa vir
a usar desse dimmer, que peça auxílio a um técnico em eletrônica
para suprir os detalhes (triviais para o técnico) que faltam nesse
texto.
Para
facilitar alguns novatos, acrescentamos abaixo algumas informações
extras:
Observação:
O consulente
Pedro Baniski
Rua Odorico Barbosa Bueno, 310 - Castroville
Castro - Paraná - 84178-630
BRASIL
alertou
sobre uma ligação 'errada' entre o potenciômetro e um terminal da
tomada. Ele propõe a seguinte modificação para a ligação do
potenciômetro:
Ou
seja, ligar o potenciômetro 'depois do motor, lâmpada' e não
'antes' como no original acima.
Na dúvida, manda os resultados experimentais! Assim, como a alteração
é bem simples (troca de uma solda!) foram examinadas as duas situações
e eis os resultados:
a)
o esquema do Sr. Pedro funcionou também;
b) tanto faz usar um ou outro; não 'fumaçou' nem o potenciômetro e
nem o resistor;
c) como o projeto foi feito mais para controle de velocidade de
motores universais (e não apenas para controlar o brilho de lâmpadas),
foram testados ambos com carga indutiva de 600W, 117Vac; ambos os
esquemas funcionaram bem;
d) levamos os testes, de ambos os esquemas, com ambas as cargas
(resistiva e indutiva) para verificação de linearidade via
osciloscópio; na proposta do Sr. Pedro a linearidade é um pouco
melhor, não tem tanta interferência.
Fica a observação para todos e o moral da questão ... em Ciência
não há palavra da autoridade, quem manda é o veredicto final da
experimentação.
Léo
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