|
Aparelhos
de medida
(Didático - nível médio)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Nônio
ou Vernier
É um dispositivo que nos permite
efetuar a leitura das frações de unidade, ou seja, das frações da menor
divisão de uma régua ou de um arco a que se adapte, e cuja invenção é
atribuída a Pierre Vernier e Pedro
Nunes.
O
nônio ou vernier é constituído por uma pequena regüeta ou limbo
circular, dividido em certo número de partes iguais, que se move ao longo
de outra régua ou limbo graduados cujas divisões têm um valor conhecido
(1 mm ou 1o, por exemplo). No
primeiro caso temos o “nônio retilíneo”
e, no segundo, o “nônio circular”.
Sua construção baseia-se no que expomos a seguir.
Nônio
retilíneo (vernier)
Seja AB a regüeta denominada
nônio, de comprimento correspondente a n
divisões da régua de maior comprimento e graduadas em partes iguais.
Suponhamos que se divida AB (nônio) em n ± k partes iguais.
Representando-se
por D o valor da menor divisão da régua
principal e por d o valor da menor
divisão do nônio, teremos:

Designando-se
por N a diferença entre D (menor divisão da régua
principal) e d (valor da menor divisão do nônio), teremos:
.....
(1)
Logo,
a diferença entre i partes da régua principal e outras tantas do nônio
será:
.....
(2)
Conseqüentemente,
para o traço da divisão i do nônio coincidir com um traço da
divisão da régua principal, é necessário que o zero
do nônio esteja adiantado ou atrasado de um comprimento co
da divisão da régua correspondente a i.N e esse comprimento deverá
ser adicionado ou subtraído à leitura feita até a divisão co
da régua que precede imediatamente o zero do nônio,
segundo este se encontre dividido em n + k ou em n - k partes
iguais (na ilustração acima, n divisões da régua principal foram
divididas em n+k partes no nônio).
Observação:
Nos nônios circulares, tal procedimento é análogo.
Os nônios acoplados nos diversos instrumentos contêm, em geral,
apenas mais uma divisão que o comprimento da régua ou do arco;
correspondem, no nônio, a n + 1 divisões iguais, mesmo que não estejam
todas gravadas, pois, considerando-se que a precisão de um nônio depende
do número de suas divisões, não haverá vantagem em sua natureza exceder
o limite 1/50; se tal ocorrer, a própria largura do traço fará parecer
que existem várias coincidências simultâneas entre os diversos traços
do nônio e da régua. Nessas condições, teremos, nas expressões (1) e
(2), k = 1 e o sinal ±. Conseqüentemente, teremos:

A
fração D/(n + 1) é denominada natureza
do nônio e exprime a diferença entre o valor da menor divisão
da régua principal ou do arco e de uma divisão do nônio.
Na
ilustração acima temos um nônio acoplado a uma régua cujo comprimento
corresponde a 9 divisões (n = 9) da mesma. O nônio por sua vez
apresenta 10 divisões e, nessas condições, sua natureza é:

Na
ilustração a seguir, temos um nônio acoplado a uma régua graduada em
milímetros e cujo comprimento corresponde a 19 divisões (n = 19)
da mesma. Esse nônio apresenta (n + 1)/2 divisões, pois, de acordo
com o anterior, estas representam, na verdade, n + 1 divisões
(mesmo que estejam todas gravadas).
Isso
é comprovado levando-se em consideração
que o comprimento do nônio corresponde a 19 divisões da escala principal
(n = 19); conseqüentemente, o nônio apresenta 20 divisões (n
± 1 = 20). Nessas condições,

Na
próxima ilustração, apresenta-se a medição de um objeto de comprimento
L, determinado da maneira que segue.
a)
Determina-se a natureza N do nônio:

b)
Ajustar o traço correspondente ao zero do nônio a uma das extremidades do
objeto cujo comprimento L pretende-se medir;
c)
Ler o número Lo da escala principal,
correspondente ao traço da régua que precede imediatamente o traço zero
do nônio;
d)
Ler o número correspondente ao traço do nônio, que coincide com um dos
traços da régua;
e)
O valor do comprimento L é dado por:
L
= Lo + i.N = 4 + 4.(0,1) = 4,4 mm
onde
Lo = 4 mm; i = 4; N = 0,1 mm.
Observação:
Na prática, os nônios vêm graduados de forma a indicar diretamente o
produto i.N. Observar que, na ilustração acima, o traço 4
do nônio coincide com um dos traços da escala principal. Ora, o produto i.N
será igual a 0,4.
Para isso, basta ler o número que corresponde ao traço do nônio que
coincide com um dos traços da régua (escala principal).
Vernier
(nônio) circular
Para a medida de ângulos, o vernier
se aplica sobre um limbo circular graduado. Suas divisões de igual extensão
correspondem a arcos ou ângulos
iguais. Seguem-se exemplos:

Paquímetro
(craveira, calipter ou calibre)
É um instrumento que serve para
medir diretamente, comprimentos, diâmetro de fios, diâmetros interno e
externo de tubos, profundidade de orifícios cegos etc.
Constitui-se
numa régua metálica graduada, terminada por uma espera
fixa (ab) ao longo da qual desliza uma espera
móvel ou cursor (a’b’), no qual
existe uma janela onde estão acoplados um nônio e um parafuso de pressão
(P) que permite fixa-lo.
Nos
modelos mais modernos existe, fixa ao cursor e deslocando-se com ele, uma
haste (H), para a medição de profundidades de cavidades (orifícios
cegos).
Quando as duas esperas (fixas e móveis) se tocam, o zero do nônio deve
coincidir com a divisão zero da escala principal do instrumento.
Trabalho
prático
Determinar o diâmetro externo D,
o diâmetro interno d e a altura H, da peça (cilindro com
orifício central --- pedaço de tubo de PVC) fornecida pelo professor.
Siga as instruções do professor para utilizar corretamente o instrumento
de medida.
Cada
aluno do grupo efetuará uma medida, passando o material ao companheiro (um
rodízio) até que se complete o total de 10 medidas para cada dimensão
(cada aluno anotará não apenas os resultados da própria medida, mas também
das medidas dos companheiros do grupo).
Parafuso
micrométrico
É um parafuso de hélice cilíndrica
em relevo muito regular, cuja cabeça é um tambor (T), dividido em
partes iguais e móvel em volta de seu eixo (dentro de sua 'porca'), ao
longo de uma escala retilínea (R) paralela a este, como se ilustra:
O
parafuso move-se numa peça oca, chamada 'porca', onde as saliências do
parafuso ajustam-se perfeitamente às reentrâncias da porca e vice-versa.
A ponta do parafuso (E'), deve encostar-se à espera fixa (E), quando o
bordo esquerdo do tambor (T) está na direção da divisão
zero da escala R e, simultaneamente, a divisão
zero do aludido tambor coincide com o bordo da escala R. O parafuso
micrométrico é caracterizado por um passo (p) muito regular e pequeno, em
geral 1 mm, ou 0,5 mm.
Avaliação
de frações do passo
O parafuso
micrométrico, serve para medir com exatidão, frações da menor
divisão de uma escala retilínea. Quando se dá ao tambor T uma rotação
completa, a ponta E' sofre um deslocamento no sentido longitudinal, medido
na escala retilínea R, igual ao passo do parafuso.
Sendo
n o número de divisões (n = 50, 100 500) em que se encontra
dividida a cabeça do parafuso e, tendo-se rodado com ele até a divisão n1,
o deslocamento h será dado por:

expressão
usada para todos os parafusos micrométricos.
Micrômetro
(Palmer)
O micrômetro
é um instrumento de precisão que consta basicamente de um parafuso micrométrico
capaz de se mover ao longo do próprio eixo; é empregado para medir
espessuras de lâminas e diâmetros de fios ou tubos. É feito por uma peça
de aço BAC em forma de U — ou estribo.
Na
parte B, está ligada uma espera fixa (P), e C é uma porca fixa na qual se
desloca um parafuso micrométrico cuja extremidade (P’) pode-se apoiar em
P. A cabeça do parafuso é constituída por um tambor (T), normalmente
dividida em 50 ou 100 partes iguais. Sobre a porca (C), está gravada uma
escala retilínea (E), com intervalos iguais de 1 mm ou 0,5 mm.
Quando a ponta do parafuso (P’) está em contato com a espera fixa P, o
tambor T cobre toda a escala E, e o zero de graduação
do tambor deve coincidir com o traço zero da
escala retilínea (ou principal).
Estudo
do aparelho
a)
Verificar qual o valor de cada uma das divisões da escala retilínea E
(geralmente em mm).
b)
Contar o número de divisões em que está dividido o tambor.
e)
Determinar o passo do parafuso (p); para isso, dá-se uma rotação
completa ao parafuso, verificando-se na escala E, qual o deslocamento
longitudinal da ponta P’ (espera móvel).
d)
Calcular a natureza do palmer (chama-se natureza
do palmer (N) — micrômetro — ao menor comprimento passível
de ser medido pelo instrumento); designando-se por p o passo do
parafuso e por n o número de divisões do tambor T teremos:
N
= p/n
A
natureza N representa a translação da ponta do parafuso
correspondente a cada rotação de uma divisão do tambor.
Leituras
Para efetuar uma leitura, verificar
inicialmente qual a divisão da escala E deixada a descoberto pelo tambor T
e mais próxima do seu bordo e, ainda, qual a divisão deste (i) que fica
em coincidência com a geratriz (G). A leitura será dada pela expressão:
L
= Lo + i.N = Lo + i.(p/n)
Trabalho
prático:Determinar o diâmetro das
peças fornecidas pelo professor.
Esferômetro
O esferômetro
é uma outra aplicação do parafuso micrométrico. A porca A do parafuso
micrométrico é a parte central do tripé rígido, cujas pontas P1,
P2 e P3 são os vértices de um triângulo eqüilátero
de lado L = P3P2 = P2P1 = P1P3
e cujo eixo é perpendicular ao plano definido pelas pontas. A ponta P do
parafuso micrométrico, projeta-se no centro do triângulo. Ligado ao
parafuso e, perpendicular a ele, existe um disco D, dividido em partes
iguais (geralmente 100 ou 500) cujo bordo quase toca numa escala metálica
E, dividida em unidades de comprimento (0,5 ou 1,0 mm).
A
escala retilínea (ou principal) E serve simultaneamente para a avaliação
do número de voltas que dá o parafuso e do índice para a graduação do
disco D, onde se lêem as frações de volta.
Para
a aferição do instrumento, colocá-lo sobre uma placa de vidro,
perfeitamente plana e bem polida. O nível da face superior do disco D
deverá indicar "0" na escala E e o "0" do disco deve
defrontar o "0" da escala E.
Estudo
do aparelho
a)
Verificar o valor de cada uma das divisões da escala principal.
b)
Determinar o passo (p) do parafuso micrométrico, dando uma rotação
completa no parafuso; verificar então de quantas divisões da escala
principal E, subiu ou desceu o índice do disco D.
e)
Calcular a natureza N do esferômetro: N = p/n, onde p é o passo do
parafuso micrométrico e n é o número de divisões da escala circular.
Leituras
Para ler a escala E, fazer com que o
raio yisual seja rasante à superfície da escala D. A leitura será dada
por:
S
= So + i.(p/n)
onde
So é o número de divisões da escala principal
compreendido entre o zero e o limbo do disco (D), i é a divisão da
escala circular que coincide com a “aresta” da escala retilínea E.
Determinação
do raio de curvatura de uma lente (ou espelho esférico)
Constitui-se na principal aplicação
do esferômetro. Assentá-lo primeiramente sobre a superfície esférica
cujo raio (R) pretende-se determinar.
O
plano formado pelas três pontas (P1, P2 e P3)
determina sobre a superfície esférica uma calota de flecha f = PP’,
cuja base é uma circunferência de raio r, na qual está inscrito o triângulo
eqüilátero definido pelas pontas do tripé.
Consideremos o triângulo retângulo P’BC. De acordo com um conhecido
teorema de geometria, teremos:

Determinação
de f
Assentar o esferômetro sobre uma lâmina
de vidro perfeitamente polida e fazer a leitura do limbo. Colocá-lo a
seguir sobre a calota de raio de curvatura a determinar, girando o parafuso
até sua ponta tocar levemente a superfície da calota. A diferença entre
esse resultado e o anterior dá o valor procurado (f).
Determinação
de L
Para medir L, assentar o esferômetro
sobre cartolina e exercer sobre ele, pressão suficiente para que fiquem
marcadas as três pontas do tripé. Medem-se as distâncias entre as três
pontas do triângulo, e, assume-se a “média” para a medida de L.
Trabalho
prático
Determinar o raio de curvatura (R)
de uma lente.
NOTA:
Segue trabalho: "Os cálibres ... nível técnico".
Copyright © Luiz Ferraz
Netto - 2000-2011 ® - Web Máster: Todos os Direitos Reservados
|