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Cálibres
(nível técnico)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Têm
essa denominação geral todo instrumento ou apetrecho que serve para
controlar as dimensões de um objeto que foi trabalhado, em particular de
eixos e de furos, a exatidão do perfil da seção, da posição relativa
de planos trabalhados e de furos, de posições angulares etc., com a
finalidade de verificar se as peças estão geometricamente idênticas com
os projetos em desenho.
Existem calibres para medida das dimensões efetivas das peças, e calibres
fixos, para controle rápido de peças trabalhadas em tolerâncias
preestabelecidas.
Os
calibres do primeiro tipo assumem diversas denominações dependendo da sua
constituição e do modo de ser usado.
Encontram-se entre eles, os mais comumente usados, tais como: o calibre de
cursor, o calibre de Columbus, o calibre de cursor com parafuso micrométrico,
o calibre a cursor para medidas de profundidade, o calibre a cursor para
jogo de rodas, o calibre a parafuso ou Palmer, os calibres padrões ou de
Johansson.
Os
calibres do segundo tipo são usados quase que exclusivamente nas produções
em série nas quais os eixos e os furos devem ser executados dentro de
tolerâncias preestabelecidas para que seja assegurada a intercambialidade.
Classificam-se em: calibres simples, calibres diferenciais, calibres para
ângulos e curvas, calibres para filetagern, calibres para engrenagens,
calibres para posições relativas de planos, calibres para posições
relativas de furos, calibres de forma.
O
calibre a cursor é constituído de urna haste
retilínea graduada em milímetros ou em frações de polegadas, ao longo
do qual pode correr uma outra haste mais curta (cursor)
também graduada em relação à medida que se quer efetuar. O conjunto
destas duas hastes é chamado nônio ou vernier
e pode também ter outras aplicações.
A medida, com o calibre a cursor, é efetuada por meio de dois bicos solidários
um na haste graduada comprida (régua principal), e outro no cursor, entre
os bordos dos quais é inserida a peça a ser medida, estes bordos devem
estar em perfeito contato quando as duas graduações tiverem os zeros
coincidindo. Para avaliar os décimos de milímetros da medida, o cursor
tem uma graduação de 9/10 de mm, obtida dividindo o comprimento de nove
milímetros da régua fixa em dez partes. Quando o zero do cursor coincide
com o zero da haste, a diferença entre a primeira marca desta e a primeira
marca do cursor é de 1/10 de mm. O nônio feito desta maneira permite
medir os milímetros e os décimos de milímetro, estes últimos são
obtidos da perfeita coincidência de uma marca do cursor com a marca da régua.
Em outras palavras a aproximação da medida que se pode obter com o nônio
é dada pela diferença entre a graduação da haste e a do cursor. No caso
em questão, sendo 1 mm a graduação da haste e 9/10 a do cursor, temos:
1
mm - 9/10 mm = 1/10 mm,
ou
seja a medida pode ser lida com a aproximação de décimo de milímetro.
Colocando o objeto a ser medido entre os bicos da haste e do cursor, se
prossegue à leitura em milímetros da medida correspondente à marca da
haste que precede o zero do cursor, lê-se em seguida os décimos de milímetro
indicados pelo número da marca do cursor que coincide exatamente com a
marca da haste.
O
mesmo resultado se pode obter com o nônio excedente,
o qual difere do nônio anteriormente descrito, apenas no comprimento da
escala do cursor; o comprimento desta outra escala é de 11 mm ao invés de
9, é também dividida igualmente em dez partes, mas a numeração das
marcas é oposta, ou seja, começa com dez e decresce até zero. A diferença
entre uma graduação da haste e uma do cursor é sempre 1/10 de mm. O nônio
excedente não é porém muito usado, apesar da sua analogia com o nônio
normal e a vantagem de ser mais legível já que as suas marcas estão mais
distanciadas. Talvez a sua limitada aplicação seja devida à disposição
inversa que pode facilmente induzir a erros.
Se
a graduação do cursor tem o comprimento de 19 mm e é dividido em 20
partes ou 49 mm divididos em 50 partes, teremos os nônios vintesimais ou qüinquagésimais
que permitem avaliar com precisão de vigésimo ou qüinquagésimo de milímetro,
respectivamente com o uso de um nônio especial, chamado curto, é possível
executar leituras qüinquagésimos de milímetro sem aumentar
excessivamente o comprimento do nônio e portanto do cursor. Devido porém
a dificuldade de determinar com exatidão a coincidência das marcas, estes
nônios devem ser lidos com auxílio de uma lente de aumento. O nônio
curto tem a graduação da haste em meio milímetro e a do cursor em 12 mm
divididos em 25 partes, temos então:
1/2
mm - 12/25 mm = (25-24)/50 mm =1/50 mm.
O
calibre a cursor mais difundido é o calibre Columbus,
que possui a característica de poder indicar ao mesmo tempo a mesma medida
para diâmetros externos, diâmetros internos e profundidades. Tanto a
haste graduada como o cursor são providos de dois pequenos bicos, construídos
com os bordos de medida alinhados e usados em par para medidas externas e
para medidas internas. Ao cursor é também ligada uma lingüeta que,
correndo em uma guia entalhada na haste, sai desta última permitindo, de
tal maneira, as medidas de profundidade.
Normalmente a haste traz duas graduações, uma dividida em milímetros
(escala métrica), e a outra em 1/ 16 avos de polegadas (escala inglesa)
com os respectivos nônios que dão as possibilidades de ler o décimo, o
vigésimo ou o qüinquagésimo de milímetro e 1/64 ou 1/128 de polegada. O
comprimento da haste pode variar de 130 a 1 000 mm e o comprimento dos
bicos é proporcional ao comprimento da haste segundo os seguintes valores:
|
Comprimento
útil
da graduação |
Comprimento
dos bicos |
|
130 |
40 |
|
200 |
60 |
|
250 |
75 |
|
300 |
90 |
|
500 |
150 |
|
750 |
150 |
|
1
000 |
150 |
Os
sistemas de trava do cursor podem ser simples, com parafusos de pressão ou
engenhos diversos, com alavancas ou não dependendo da casa construtora do
calibre. O calibre Columbus é normalmente construído em aço inoxidável
temperado o que lhe confere dureza, resistência ao uso e indeformabilidade
com o tempo. As superfícies graduadas são freqüentemente cromadas,
opacas a fim de se obter melhor visibilidade na colimação das marcas.
Para
medidas mais precisas recorre-se ao calibre de cursor
com parafuso micrométrico, geralmente provido de nônio vintesimal
ou qüinquagésimal, cujo cursor pode ser acionado por pequeno
deslocamento, de um parafuso micrométrico o qual é unido a outro cursor
que deve ser, antes de executar a operação, travado na haste.
Outras
aplicações do calibre a cursor encontram-se no calibre a cursor para
medidas de profundidades com base de apoio e haste deslocável, no calibre
a cursor para medidas de altura, com haste vertical em uma base e nônios
com bicos deslizantes e, o calibre para engrenagens, também chamado duplo
calibre a cursor de Brown e Sharpe nome dos idealizadores.
Este último é formado por dois calibres normais dispostos em 90o
(ilustração acima); um deles, chamado modulador,
possui o cursor fixo e haste móvel e sobre o cursor se lê a distância
que separa a extremidade da haste das pontas dos bicos, ou a distância
entre a circunferência de ponha e a circunferência primitiva da roda
dentada; o outro possui ao contrário o cursor móvel e mede a espessura do
dente.
A medida da espessura do dente compreende então duas operações, ou seja:
1)
o posicionamento da haste móvel do calibre modulador de modo que, apoiando
a superfície terminal desta sobre a ponta do dente, a ponta dos bicos
esteja sobre a circunferência primitiva;
2) a leitura da espessura do dente é efetuada com o segundo calibre.
Deve-se
notar que a medida assim obtida não é exata, enquanto que a espessura do
dente é indicada pela corda ced e não pelo arco ctd, dando
lugar a um erro que pode às vezes não ser desprezível, por exemplo,
quando se tratar de pinhões com pequeno número de dentes. Também a
altura do modulador para ser exata deve ser igual ao módulo m
aumentada a fração ef que subentende o arco de circunferência
primitiva compreendido entre o lado do dente.
O
duplo calibre a cursor pode ter outras aplicações como a medida de
espessura a uma distância preestabelecida, por exemplo, diâmetro de um
tronco de cone a uma determinada distância da base menor. O calibre
a parafuso ou palmer baseia-se no princípio
segundo o qual o deslocamento de um parafuso em relação ao seu eixo é
proporcional ao número de giros e ao passo do próprio parafuso. Este
calibre é normalmente chamado micrômetro e,
devido à sua particular constituição, necessita de trato delicado. Os
calibres padrões ou Johansson são também chamados travas de planos
paralelos.
Os
calibres fixos são assim chamados, porque são
fabricados para uma dimensão de medida fixa, ou regulado para uma dimensão
de medida que não é modificada durante o seu emprego. Os calibres fixos
para furos são os calibres a tampão, os calibres chatos, os calibres de
barra, de extremidade esférica ou de extremidade em ponta etc.; os
calibres fixos para eixos são os calibres a garfo, os calibres a anel etc.
Os
calibres fixos devem sempre apresentar: um lado chamado não
passa, para o controle da dimensão mínima do eixo ou da dimensão
máxima de um furo; um lado chamado passa para
o controle da dimensão máxima do eixo ou da dimensão mínima do furo. Os
dois lados com as dimensões limites do eixo ou do furo, podem constituir
dois calibres simples distintos, ou um único calibre, chamado calibre
duplo ou preferencial.
Os calibres fixos podem ser classificados com base em seu emprego em:
calibre de trabalho, são os normalmente empregados pelos operários para a
verificação das peças durante a sua elaboração; calibre de recepção,
empregados para aceitação das peças; calibres de controle ou
simplesmente controle, usados periodicamente para a verificação dos
calibres de trabalho e de recepção.
Os
calibres com a superfície de medida curva se distinguem em: calibre de
extremidade esférica, quando as superfícies de medida fazem parte de uma
mesma esfera; calibres de extremidade cilíndrica, quando a superfície de
medida faz parte de um mesmo cilindro; calibres de extremidades apontadas,
quando as superfícies de medida fazem parte de esferas ou cilindros
diversos com o raio de curvatura menor que a metade da dimensão de medida
do calibre.
Na operação de controle com calibre fixos estão sempre indicadas as
medidas limites assinaladas com as letras P (passa)
e NP (não passa), e as quotas nominais
para as quais eles foram construídos; é também indicada a temperatura de
referência, para as dimensões assinaladas, universalmente reconhecidas
como sendo de 20oC.
Os calibres diferenciais usam-se para eixos com diâmetros até 120 mm e
para furos até 80 mm.
Os
calibres lixos ajustáveis oferecem a
possibilidade de regular e de substituir as faces de medida, geralmente
fazendo parte de cavilhas, que serão usadas durante as medidas. Por este
motivo e devido à economia que resulta, os calibres ajustáveis tendem a
substituir os calibres fixos propriamente ditos.
Os
calibres para ângulos e para curvas
são modelos que repetem com grande precisão ângulos de valores diversos
e curvas côncavas ou convexas de vários raios de curvatura. Um exemplo de
tais calibres são os blocos angulares.
Os
calibres para filetagem são tampões
filetados para filetagens internas e anéis filetados para filetagens
externas. Constroem-se também calibres filetados diferenciais.
Os
calibres para engrenagem são modelos metálicos
que repetem o perfil do dente ou do vão entre dois dentes.
O
calibre para posições relativas de planos são
calibres diferenciais usados para o controle da distância entre dois
planos, em particular entre dois rebaixos de um eixo. São formados por
duas chapas colocadas à distância mínima e duas chapas colocadas à distância
máxima admissível.
Os
calibres para posição relativa de furos são
empregados paria controlar a posição de um furo em relação a um outro
furo com um plano de referência, e são constituídos de cavilhas e planos
retificados colocados à distância de controle prescrita.
Os
calibres de forma servem para o controle de
perfis diversos. São modelos que reproduzem exatamente o perfil e que são
encostados à peça para fazer ressaltar eventuais irregularidades. Calibre
de forma é, por exemplo, usado para engrenagens que foram anteriormente
descritas.
Calibre
de uma corrente, é o diâmetro nominal dos anéis que formam a
malha da corrente.
Calibre
de boca de fogo é o diâmetro da alma, normalmente expresso em milímetros
e medido internamente ao cano.
Calibres
para laminadores. A parte central mais grossa dos cilindros dos
laminadores, também chamada mesa, apresenta
em negativo a forma que se quer estampar na peça. Portanto, se se quer
obter simples lâminas, a mesa será lisa; mas se se tratar de barras, a
mesa apresentará sulcos, oportunamente perfilados, que constituem os
sucessivos calibres ou passagens.
Tais. calibres podem ser esboçadores e finais. Os calibres esboçadores
executam o trabalho preparatório transformando as massas ou os lingotes em
barras de diversas seções com espigões arredondados; a eles quer se dar
geralmente a forma retangular, ogival ou oval.
Os calibres finais, também chamados de forma recebem o material do último
esboçador e, pouco a pouco, conferem-lhe a forma definitiva. Segundo a
disposição sobre as mesas dos cilindros, os calibres podem subdividir-se
em: calibres
repartidos se eles forem talhados metade no cilindro superior e
metade no cilindro inferior, como ocorre para uma barra redonda, ou
quadrada ou retangular; calibres compenetrantes
se o entalhe é praticado todo ele em um cilindro.
NOTA:
O mesmo tema, para o nível médio, está no item 16 dessa Sala: Aparelhos
de Medida.
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