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Cinemática
dos Dominós
(Velocidade
escalar média)
Prof. Luiz Ferraz
Netto
leobarretos@uol.com.br

Apresentação
Creio que todos já viram peças
de dominó arrumadas, uma atrás da outra, formando longas filas.
Os padrões --- desenhos, caminhos ---, por vezes, são bastante
complicados. O tombamento começa quando se derruba a primeira
delas. Cada peça, ao cair, bate na seguinte e a derruba... e assim
a "perturbação" vai avançando.
*
Com que rapidez a "frente da perturbação" avança?
** Com que rapidez cada peça derruba a seguinte?
*** Qual a velocidade máxima que se consegue para a "frente
da perturbação" e para cada peça
individualmente?
O
desafio dessa atividade experimental é maximizar
a velocidade para derrubar uma fila de 100 peças de dominó.
Na montagem da fila, deve-se adotar um espaçamento uniforme entre
as peças.
Para
responder a essas perguntas e vencer o desafio, basta que o
experimento seja repetido algumas vezes ou realizado
simultaneamente por vários grupos de alunos.
Material
Trena,
4 jogos de dominós (4 x 28 peças = 112 peças),
cronômetro, papel, lápis e fita crepe.
Para
cada grupo de alunos, os 4 jogos de dominó devem ser idênticos
(mesmo fabricante), mas os conjuntos podem ser diferentes de um
grupo para outro. Se for possível conseguir dominós coloridos,
adquira 3 caixas de uma mesma cor e 1 caixa de cor diferente. Dessa
maneira, ao arrumar a fila, podemos usar um dos dominós de cor
diferente para marcar cada décima peça, mas nesse caso é
importante que todas as peças de um mesmo grupo de alunos, exceto
pela cor, sejam idênticas (material, peso, comprimento, largura e
espessura).
Preparando...
e perguntando
Cada grupo de alunos deve
montar sua fila (reta) de dominós com 100 peças. O espaçamento
entre as peças deve ser uniforme e, além disso, deve ter uma
medida tal que proporcione a obtenção da máxima velocidade de
avanço ["frente da perturbação"] e da máxima
velocidade de queda de cada peça individual.
Será
que há alguma relação entre a distância do espaçamento comum
entre dominós, o comprimento do dominó e a velocidade média da
queda dos dominós?
Explicação
básica
Para que possamos responder a essas
questões, será necessário comparar os resultados dos diversos
grupos de alunos, mas para que essa comparação seja possível
devemos ter uma unidade padrão para indicar o espaçamento entre
peças. Com essa unidade padrão, o fato de os dominós dos
diversos grupos terem ou não medidas iguais deixará de ser
significativo, permitindo a comparação efetiva dos resultados.
Mas como estabeleceremos essa unidade-padrão?
É
simples: se o espaçamento entre peças for expresso em termos de
Comprimentos de Dominó" [que designaremos por CD], grupos
diferentes, com dominós diferentes dos demais, poderão comparar
seus resultados.
Definiremos
o CD da seguinte maneira: tome a medida do espaçamento comum entre
peças (em cm) e divida pelo comprimento da peça (também em cm).

Isso
nos dará o espaçamento em Comprimentos de Dominó. Assim, o CD
será uma medida relativa e, como tal, adimensional.
Vejamos
um exemplo hipotético:
Grupo
(A): espaçamento comum entre peças = 2 cm; comprimento da peça =
4 cm; então:
CD(a)
= 2 cm/4 cm = 0,5 CD
Uma
dica: é importante que, na montagem da fila, a distância comum
entre peças não seja inferior a 0,1 CD nem superior a 0,9 CD.
Interpretando
os resultados
A partir das informações
acumuladas pelos vários grupos, já podemos, a esta altura, dar
resposta à questão:
Que
espaçamento permitirá a maior velocidade média?
Uma
boa maneira de encaminhar objetivamente a interpretação de
resultados numéricos é a seguinte:
1.
Organize os dados em uma tabela (que pode ser como essa, que
sugerimos abaixo), para ser preenchida por cada grupo:

2.
Construa um gráfico geral das velocidades médias obtidas (eixo de
y) versus espaçamento (eixo de x),em comprimentos de dominó;
3.
Explique a forma do gráfico (o esboço que mostramos abaixo é
fruto de uma série de experimentos reais).
Observe
que: quando as peças estão colocadas bem próximas (0,2 CD) a
velocidade de avanço da perturbação será mais baixa porque a
velocidade com que cada peça toca a seguinte é menor em relação
ao que ocorre quando o espaçamento é igual a 0,6 CD. Por outro
lado, quando os dominós estão bastante separados (0,9CD), a
velocidade de avanço também será mais lenta porque leva mais
tempo para que um toque o próximo.
Extensão
do experimento
I. Baseado nas observações e relações
desenvolvidas acima, faça uma previsão para indicar qual
comprimento e qual espaçamento uma fila de dominós deverá ter
para que o tempo de queda total seja de 1 minuto.
Com
que velocidade média essa fila estará tombando?
II.
Com que velocidade média os dominós tombariam se você
organizasse:
(a)
75 deles com um espaçamento de 0,3 comprimentos de dominó?
(b) 50 deles com um espaçamento de 0,6 comprimentos de dominó?
Dica:
Pode-se construir uma única fila de 125 dominós mas com dois espaçamentos
diferentes (um espaçamento para os 75 primeiros e outro para os
demais).
III.
Já que você está brincando e aprendendo com os dominós, por que
não os usa para simular uma reação em cadeia?
a)
Em vez de montar os dominós em uma linha direta na qual um dominó
simplesmente bate naquele que está na frente dele, organize os
dominós de forma que cada dominó bata em dois outros dominós, ou
seja, que o primeiro bate em dois outros, que batem em outros
quatro, depois em oito e assim por diante.
b)
Compare o tempo para tombar 100 dominós nessa disposição com o
tempo para derrubar 100 deles em fila reta.
Essa
montagem serve para nos dar uma idéia da rapidez com que ocorre,
por exemplo, uma reação nuclear em cadeia, e como ela se
sustenta. Nesse modelo, porém, a perturbação é transmitida
apenas em uma direção, enquanto na reação em cadeia real essa
transmissão se verifica em todas as direções.
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