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Dureza dos Materiais
Medida
do impacto
(Queda
livre) |
Prof. Luiz Ferraz
Netto
leobarretos@uol.com.br
(Revisado em 03/10/2011)
A - Dureza dos Materiais
Objetivo
Apresentar o Método de Prova de
BRINELL para a determinação da dureza dos materiais.
Apresentação
É o método mais difundido na prática e visto nos Cursos de Resistência
dos Materiais. Ele consiste em comprimir uma esfera de aço (diâmetro
D) de grande resistência, com uma força conhecida (de
intensidade F), contra uma superfície do material sob prova, de
modo a produzir uma deformação permanente (mossa) em correspondência com
a esfera. Depois de ser retirado o 'penetrador esférico', determina-se,
por meio de um microscópio munido de retícula graduada e micrométrica, o
diâmetro (d) da impressão, fazendo-se a média dos valores de dois
diâmetros ortogonais.
A dureza do material será expressa como a razão entre a intensidade da
força (ou das cargas aplicadas) e a área da superfície da calota
esférica que é a 'impressão', usando-se como unidade de medida o kgf/mm²
(na prática, erroneamente, diz-se "kg/mm²").
Nota: A área de uma calota esférica
de altura h, numa superfície esférica de raio R = D/2 é
dada por:
Acalota
= 2.p.R.h = p.D.h
Se indicarmos
por Hd a dureza do material sob prova, por h a
altura da mossa, por d o diâmetro da base da calota esférica e
por D o diâmetro da esfera penetradora, tem-se:
Hd
= F/Acalota = F/p.D.h
Como as
medições nos fornecem F, D e d, vamos em busca do
h, em função de D e d; ilustremos:
Assim,

permite a
obtenção da dureza do material.
A 'impressão'
pode apresentar diversas formas segundo o tipo do material e do seu
estado, consequente, este último, dos tratamentos térmicos ou das
deformações recebidas em trabalhos precedentes.
No caso do aço doce e do cobre recozido, a marca apresenta uma aresta
saliente na superfície do material, enquanto que, para materiais mais
duros como o bronze e os aços de manganês e tungstênio, a marca tem a
periferia de ligação com a superfície do material, arredondada e
reentrante. Por causa disso, nos dois casos citados, a altura da calota
esférica h, tem valores, respectivamente, superior e inferior ao
valor efetivo da penetração; os valores calculados das durezas não
seriam confrontáveis para os diversos materiais. Dai a necessidade de
precisar sempre o método seguido, para a determinação da superfície da
impressão. De fato, em alguns casos mede-se o abaixamento súbito da
esfera em lugar do diâmetro d da impressão.
Indica-se normalmente com o símbolo Hd os valores da
dureza encontrados, partindo-se da medida do diâmetro d da
impressão.
As esferas de aço empregadas para a prova Brinell devem ter
características elásticas tais, que, comprimindo entre si duas esferas
de igual diâmetro D e igual dureza com uma força P = 10 D2
(P kgf, D mm), resulte uma superfície de contato circular
com diâmetro tal para que a pressão especifica media não resulte em
valor inferior a 630 kgf/mm2. Para valores de dureza Brinell, superiores
a 400 kgf/mm², devem-se empregar esferas de materiais especiais, de
elevada resistência e indeformabilidade, de outro modo os resultados da
prova seriam falseados pela deformação do penetrador.
A medida do
impacto, que apresentamos abaixo, deriva deste método de Brinell.
B - Medida do Impacto
Objetivo
Avaliar a altura de queda de uma
esfera de aço pela mossa que produz em uma prancha de madeira
macia ou na massa de vidraceiro.
Material
Esferas de aço (de
rolamentos - diâmetros de 1,5 cm ou superior) - Tábua de
madeira macia - Trena - paquímetro - massa de vidraceiro - esferômetro
(opcional).
Apresentação
Esse experimento ilustra, entre
outros fatos da Física, como os técnicos de polícia pode colher
uma série de informações examinando as marcas de balas nos
locais dos crimes. Com essa experiência simples pode-se determinar
a força de impacto de uma esfera de aço e as deformações que
causa sobre uma prancha de madeira ou numa camada de massa de
vidraceiro.
Procedimento
O experimento consiste em deixar cair
esferas de metal sobre a prancha (ou mesmo sobre algum tipo de
massa, como a de vidraceiro etc.), medir o diâmetro da mossa
produzida e, através dessas medidas, avaliar a altura de queda.
Inicialmente,
o experimentador deverá fazer algumas calibrações, medindo as
mossas produzidas por esferas que caem de alturas conhecidas. Esses
dados devem ser postos numa tabela. A variável importante é a
profundidade h da mossa. Como a leitura direta dessa variável é
um tanto difícil (mas que pode ser feita diretamente mediante o
uso de um esferômetro), é conveniente obtê-la indiretamente
através da medida do diâmetro (d)
da calota da mossa,
usando o paquímetro. Com essa medida (d), com a do diâmetro
da esfera utilizada (D) e um pouco de geometria, pode-se
obter
h.
A demonstração está na figura abaixo:
Você deve reproduzir essa relação e fazer um cartaz com a dedução para
mostrar na sua Feira de Ciências.
Nota: Devido ao fato de
h ser muito pequeno em confronto com
D é possível simplificar a expressão
verdadeira obtida para h,
substituindo-a por uma expressão de excelente aproximação, bem mais
simples; vejamos:

Deixe
cair a bola (de diâmetro D conhecido) de alturas conhecidas (de
0,5 a 2 metros, com acréscimos sucessivos de 10 cm). Para cada
altura de queda
H, obtenha (usando da expressão
simplificada deduzida) a
profundidade
h
da mossa. Faça um (grande e bonito) gráfico da
altura
H
(em ordenadas) contra a profundidade
h
(em abscissas).
Esse gráfico, durante a Feira, será seu instrumento de medida.
Para cada queda efetuada pelo espectador, meça
d, calcule
h (faça como o faz o
perito criminal), olhe
no gráfico e forneça a altura H de queda. Se o espectador quiser
saber a velocidade com que a esfera atingiu a tábua basta usar da
equação da queda livre :

Análise
Pela profundidade da mossa acham-se
os parâmetros relevantes da queda da esfera, como sua altura
inicial e a velocidade no momento do impacto. Do mesmo modo, o
perito da polícia tira informações sobre os tiros pelas marcas
das balas.
Dicas
Leve a prancha e algumas esferas para
seu box (local de demonstrações) na Feira de Ciências
e convide as pessoas do público para participarem das experiências
soltando as esferas sobre a prancha ou massa de vidraceiro. Prepare
um suporte para manter a trena esticada na vertical (assim o
espectador fica sabendo de que altura ele deixou cair a esfera).
Fique afastado para não ver de que altura a esfera foi solta e
depois, medindo o diâmetro da mossa, determine a altura da queda.
Faça uma marca sobre a mossa já utilizada para não confundi-la
com as demais.
Suas
demonstrações pode tornar-se "bem científica" se você
preparar um suporte vertical no qual possa deslizar um eletroímã.
O espectador ajusta a altura para o valor que quiser, aperta um botão
(tipo campainha) para prender a bolinha de aço no eletroímã e,
para soltar a bolinha, simplesmente tira o dedo do botão.
Converse
com um perito policial para conhecer alguns truques do ofício. Aliás,
o tema de sua apresentação pode ser este: "Como trabalham os
detetives na vida real".
Bom sucesso a
todos.
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