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Composição
de movimentos 1
(Teoria)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Resumo
teórico
Ponto
material (ou partícula) é abstração física; não é
possível sua realização prática. Um modelo físico realizável
é admiti-lo como sendo um corpo qualquer (dotado de massa), cujas
dimensões possam ser consideradas desprezíveis em confronto com
as demais dimensões envolvidas no fenômeno do qual esse corpo
participa.
Uma bolsa feminina é ponto material no fenômeno queda livre,
quando abandonada de um avião a 20 000m de altura; não será mais
ponto material no fenômeno abri-la para verificar como estão
as coisas de seu interior, após chegar ao solo.
A
posição de um ponto material requer
conhecimento de três coordenadas, no sistema de referência
adotado. O movimento do ponto será
caracterizado pela alteração de pelo menos uma de suas
coordenadas, no decorrer do tempo. A designação sintética, móvel
refere-se a um ponto material em movimento.
O
lugar geométrico das posições ocupadas pelo móvel, no
referencial adotado é sua trajetória.
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Todos
os movimentos e todas as trajetórias são conceitos físicos
relativos ao sistema de referência adotado. |
Quando
se consideram dois sistemas de referências (S e S')
para o estudo de um movimento, adota-se terminologia
diferenciadora, a saber:
Movimento
absoluto (ou resultante): movimento (ou trajetória) em relação
ao sistema de referência (S). Poderia ser S'.
Movimento
de arrastamento: movimento do referencial S' que
translada em relação ao sistema de referência S. Poderia
ser de S em relação a S'.
Movimento
relativo: movimento (ou trajetória) do ponto material em
estudo, em relação ao referencial S'. Poderia ser em relação
a S.
Em
geral, nas questões de cinemática envolvendo ponto material em
movimento em breves intervalos de tempo, adota-se a Terra como
corpo onde se fixa o sistema de referência absoluto S.
Nessa opção, S' será qualquer outro referencial móvel em
relação a S.
Exemplifiquemos:
Movimento de uma mosca (P) no interior de um ônibus (S') e
este em movimento de translação em relação a Terra (S).
Movimento
de P em S': movimento relativo;
Movimento de S' em S: movimento de arrastamento;
Movimento de P em S: movimento absoluto.
Trajetória
de P em S': trajetória relativa;
Trajetória de S'em S: trajetória de arrastamento;
Trajetória de P em S: trajetória absoluta.
No
referencial adotado a trajetória do móvel é uma linha
(reta ou curva) cuja equação relaciona as coordenadas espaciais
x, y e z, não envolvendo explicitamente a coordenada
temporal t.
No
referencial adotado o movimento do ponto material é descrito por
três equações paramétricas, x=x(t), y=y(t) e z=z(t), onde o parâmetro
t é a coordenada temporal.
Um
exercício típico na Cinemática é explicitar um movimento de um
ponto material pelas suas equações paramétricas, colhidas num
sistema de referência absoluto S, e solicitar a equação
da trajetória do ponto.
Exemplificando:
O movimento de um ponto material, no referencial S, é dado
por:
x
= 2t + 1 y = t2 + 4
z = 0
com
x, y e z em metros e t em segundos. Obter a equação da trajetória
do móvel.
A
solução é simples, basta eliminar t entre as equações
paramétricas; vejamos:
x
= 2t + 1 ==> t = (x-1)/2, que levada em y = t2
+ 4 fornece y = (1/4).x2 - (1/2).x + 5/4 que
é a equação da trajetória do movimento plano em questão.
A
seguir, mostraremos que, velocidades e
deslocamentos (ambas, grandezas
vetoriais) também são conceitos relativos ao referencial adotado.
Na
figura, S é sistema de referência ligado á Terra; S'
é sistema de referência móvel (translação) em relação a S
e P é um ponto material cujo movimento será estudado em S
e S'.
Com
t = t' (caráter absoluto da coordenada temporal, na Mecânica Clássica),
derivando-se a (1) em relação ao tempo, tem-se:

onde
dR/dt é a velocidade do ponto em relação à Terra
(velocidade absoluta), dr/dt é a velocidade do referencial S'
em relação a S (velocidade de arrastamento) e dr'/dt
é a velocidade do ponto P em relação ao referencial S'
(velocidade relativa).
Reescrevendo:
(teorema de Roberval)
Com
Dt
= Dt'
,ou seja, pondo-se que os intervalos de tempo que separam dois
eventos simultâneos, nos dois referenciais, são iguais (Mecânica
Clássica), tem-se:

ou

assim,
tanto velocidade como deslocamento
do ponto P dependerão do referencial adotado.
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