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Travessia do
rio (quase) real
Questão - A
velocidade da corrente de um rio cresce proporcionalmente à
distância da margem, atingindo seu valor máximo Vmáx
no meio do rio. Junto às margens a velocidade da corrente é igual a
zero.
Um barco movimenta-se no rio de tal modo que sua velocidade u
em relação à água é constante e perpendicular à corrente.
Determinar a distância, na qual o barco será levado pela corrente,
em sua travessia, se a largura do rio é d. Determinar também
a trajetória do barco no referencial adotado.
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Solução -
Adotemos como início do sistema de coordenadas (x,y) o ponto A (0,0),
ponto de partida do barco. Os eixos adotados estão indicados na
figura abaixo. Adotemos como origem dos tempos (t = 0) o instante em
que o barco parte da margem.
O movimento do barco, em direção perpendicular à
corrente, tem velocidade constante u. Assim, o barco encontrar-se-á
a uma distância genérica y da margem, decorrido o tempo t
= y/u, após o início do movimento. Analisemos o movimento do barco,
da margem, até o meio do rio (y2 = d/2) onde a velocidade
é máxima.
À distância genérica y1 (y1 ≤ y2) da
margem, a velocidade da corrente será, dada a proporcionalidade:
V1/y1 = Vmáx/(d/2),
ou seja, V1 = (2.Vmáx/d).y1 .
Substituindo y1 = u.t1 na
expressão da velocidade V1 da corrente, obtemos que: V1
= (2.Vmáx/d).u.t1.
Desta última relação, e por serem Vmáx, d e u
constantes em relação ao tempo, deduz-se que o movimento do barco,
na direção paralela às margens, é uniformemente variado e ocorre com
aceleração constante a = 2.Vmáx.u/d.
O barco atingirá o meio do rio no tempo t2 = y2/u
= d/(2u). Nesse mesmo intervalo de tempo (/\t = t2
- t1), o barco será levado para baixo, pela
corrente, a uma distância
s = (1/2).a.t22 =
(1/2).(2.Vmáx.u/d).[d/(2u]2 = Vmáx.d/(4u)
.
No movimento desde o meio do rio (ponto C) até a
margem oposta (ponto B), o barco será levado pela corrente, a uma
distância adicional s. Deste modo, a distância procurada
será:
D = 2.s = Vmáx.d/(2u).
No movimento do barco até o meio do rio
temos:
x = (1/2).a.t2 = (Vmáx.u/d).t2
e
y = u.t .
Dessas relações paramétricas, de parâmetro t,
determinamos a trajetória [y = f(x)] do barco desde o ponto A até C;
eliminando-se t entre elas, obtemos: y2 = (d.u/Vmáx).x
ou x = (Vmáx/d.u).y² (tem a forma de uma parábola).
A segunda metade da trajetória (CB) terá o mesmo caráter que a
primeira; mesmo módulo de aceleração segundo x (porém de sinal
trocado), de modo que a velocidade cai de Vmáx até 0.
Nota: Não
existe rio com velocidade de correnteza constante, como aparece em
muitos exercícios de Física sobre independência dos movimentos.
Bom proveito!
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