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M.H.S.
Questões de conceito
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Questão
1- Dê alguns exemplos de movimentos periódicos
que sejam, aproximadamente, harmônicos simples. Por que são
raros os movimentos exatamente harmônicos simples?
Solução
Quando um ponto material vibra em torno de sua posição de
equilíbrio, sob a ação de uma força restauradora
proporcional à sua distância desta mesma posição de
equilíbrio, diz-se que ele efetua um movimento harmônico
simples.
Como exemplos de movimentos
periódicos, aproximadamente harmônicos simples, podemos
citar:
a) O de
um corpo suspenso por uma mola.
b) O de um pêndulo oscilando com pequena amplitude.
c) O movimento do balancim de um relógio.
d) As vibrações de cordas e colunas de ar de
instrumentos musicais (são praticamente harmônicas ou
superposição delas).
e) As oscilações das moléculas de um sólido em relação a
seus arranjos simples.
f) As oscilações das partículas do meio elástico que a
onda mecânica atravessa; no caso das ondas
eletromagnéticas, no vácuo, as quantidades que oscilam
são intensidades elétricas e magnéticas, associadas à
onda.
g) O comportamento de certos circuitos elétricos onde
existe corrente alternada.
Na prática, muitos destes
movimentos são apenas aproximadamente periódicos, devido ao
efeito das forças de atrito que dissipam
a energia dos mesmos. Vemos,
então, que o M.H.S. é um modelo físico de movimento.
Questão
2- Uma mola de constante elástica k mantém
suspenso, por uma de suas extremidades, um bloco de massa
m. Corta-se a mola ao meio e o mesmo
bloco é suspenso numa das
metades, como se ilustra. A freqüência de vibração é a mesma
antes e depois da mola ser cortada? Como estão relacionadas
essas freqüências?
Solução
Vemos, pela ilustração, que a mola cortada ficou
'dura'. Concluímos isso porque, o mesmo peso mg pendurado na
meia-mola, produziu somente a metade da deformação anterior;
dessa maneira, temos:
mg =kx (antes) e
mg = k'.(x/2) (depois) ...
e então,
k’ = 2k.
A freqüência da mola, sendo
função da sua constante elástica, não é a mesma nos dois
casos.

Questão 3-
Qualquer mola real tem massa. Se esta massa for levada em
consideração, explique como isto mudará as nossas expressões
para o período de oscilação de um sistema mola-massa.
Solução
Desprezando-se a massa da mola, a massa inercial oscilante
será somente a massa do bloco e para o período de oscilação
livre teremos:

O período, portanto, será
maior quando se considera a massa inercial oscilante do
sistema (bloco ± mola). Nos laboratórios didáticos das
escolas de ensino médio e das faculdades, via de regra, as
massas das molas utilizadas são negligenciadas frente à
massa do bloco nela suspenso. Em Engenharia, nem sempre isso
poderá ser feito.
Questão
4- A projeção de um movimento circular sobre um
diâmetro é um movimento harmônico simples?
Solução
Esta pergunta está parcialmente certa, uma vez que a
condição necessária é que o movimento a ser projetado seja
circular; mas isso não é suficiente pois deverá,
também, ser uniforme. Nos demais casos, resultará um
movimento oscilatório, porém totalmente variado e
não-harmônico, pois não se cumpre para a elongação a lei
senoidal.
Questão
5- Suponhamos ter um bloco de massa desconhecida
e uma mola de constante elástica também desconhecida.
Mostrar como podemos predizer o período de oscilações deste
sistema bloco-mola, simplesmente medindo o alongamento
produzido na mola vertical quando nela pendurarmos o bloco.
Solução
Trabalharemos com a mola de constante elástica k e com o
bloco de massa m, desconhecida.
Pendurando-se o bloco à mola e
soltando-se, bruscamente, as únicas forças que atuam sobre o
bloco durante o movimento são: a força gravitacional (peso
do bloco = mg) e a força elástica (aplicada pela mola
deformada = kx) Estas forças são conservativas e o sistema
oscila com um período dado pela expressão:

não se levando em conta a massa
da mola.
A energia mecânica se conserva
e, graças a isso sabemos, de antemão, que nas condições
acima (abandono a partir do repouso e mola não deformada) o
bloco deformará a mola de 2a, onde a será a
amplitude do movimento (elongação máxima). Podemos perceber
isso por um raciocínio simples: Se no momento de abandono do
bloco a resultante das forças sobre ele é mg, para baixo,
(pois a mola ainda não foi deformada), quando o bloco
inverter o sentido de movimento (deformação máxima) a
resultante sobre ele deverá ser novamente mg, porém, para
cima. Ora, para que na posição mais baixa (deformação total
= D) a resultante tenha valor mg, para cima, é
preciso que a mola esteja aplicando a força k.D=2mg, para
cima. Teremos então:
k.D = 2mg ou m/k = D/2g
Basta então medirmos D e
teremos:

Como não é fácil medir D,
podemos soltar, lentamente, o bloco m e medir o alongamento
a (que será a amplitude do MHS que se estabelece
quando o bloco for solto bruscamente); como D = 2a, teremos

Questão 6-
Explicar como se podem comparar as massas dos corpos,
observando suas freqüências de oscilação, quando suportados
por uma mola.
Solução
Desprezando-se a massa da mola, seja f a freqüência
padrão produzida por um corpo de massa m, oscilando à
extremidade da mola. Sabe-se que:

Pendurando-se corpos de massas
m', m", m'" ... etc., as freqüências respectivas serão f',
f'', f'", e devemos ter:

Se, por exemplo, uma dada
freqüência for o dobro da freqüência padrão, a massa que
está oscilando será 4 vezes menor do que a massa padrão.
Questão 7-
Poderemos construir um pêndulo simples?
Solução
O pêndulo simples é um modelo físico, isto é, algo
que o homem cria para descrever um fenômeno da natureza,
geralmente complexo, uma vez que envolve muitos parâmetros;
o trabalho do físico é selecionar esses parâmetros, mantendo
constante o maior número deles e, assim, estabelecer uma lei
física, que nada mais é do que a expressão de uma rotina da
natureza. Há muitos outros modelos físicos, tais como
o vácuo, o gás ideal, o corpo rígido etc. O pêndulo simples
não pode ser construído materialmente, no entanto, ele pode
ser construído em pensamento. Galileu introduziu as
“experiências em pensamento” e muitos cientistas, inclusive
Einstein, as introduziram nos seus trabalhos.
Entre os vários outros fatores que impedem a construção do
pêndulo simples, está a inexistência de um fio perfeitamente
flexível, inextensível e sem massa.
Questão 8-
O problema seguinte foi proposto e resolvido por Galileu. Um
fio pende de uma torre alta e escura, de modo que a sua
extremidade superior não é visível ou acessível, mas a
extremidade inferior, sim. Como poderemos determinar o
comprimento do fio?
Solução
Em primeiro lugar, precisamos saber o valor de g no local da
experiência. Sabe-se que g varia com a latitude, altitude,
montanhas, raízes de montanhas, lençóis petrolíferos etc.
Em segundo lugar, toma-se
uma pequena esfera e pendura-se à extremidade do fio,
pondo-o a oscilar com um ângulo
j
< 15o.
Em terceiro lugar, mede-se o período de oscilações médio,
contando-se o tempo para um número muito grande de
oscilações.
Calcula-se o comprimento do fio a partir da fórmula:

Galileu poderia,
também, calcular o comprimento L, desde que fosse conhecido
o ângulo j
que o
pêndulo faz com a vertical e a elongação x, isto é, x =
L.sen j.
Questão 9-
Como poderemos usar de um pêndulo para traçar uma curva
senoidal?
Solução
Basta prender uma pequena caneta hidrográfica à esfera do
pêndulo ('lente') que está oscilando, de modo que o pequeno
pincel da caneta risque o papel à proporção que é puxado com
velocidade constante na direção perpendicular ao movimento.
Questão 10-
Qual é o objetivo do balancim num relógio de pulso ou do
pêndulo num relógio de parede?
Solução
O pêndulo de um relógio pode servir de exemplo de um sistema
cujas oscilações, apesar das forças de atrito, conservam
invariável a amplitude, graças à energia que recebem. O
balancim do relógio empurra o pêndulo de uma maneira
compassada com suas oscilações. A energia fornecida provém
de uma mola que se desenrola ou de um peso caindo.
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