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Sistema
Inercial de Coordenadas Prof.
Luiz Ferraz Netto Apresentação
pressupõe
a adoção de um sistema determinado de coordenadas. "Se encontrarmos um sistema de coordenadas, para o qual é válida a relação m.g = F também prevalecerá a mesma equação para todos os sistemas que se movem, em relação ao primeiro, com uma translação a velocidade constante." O conjunto de todos esses sistemas constitui o denominado Sistema inercial de coordenadas. Eis a justificação:
Assim, a equação de Newton prevalece também no sistema que tem movimento de translação a velocidade constante em relação ao sistema primitivo, em outras palavras, as 'leis de força' valem para todo sistema inercial de coordenadas. Assim, é indiferente estudar qualquer fenômeno físico dentro de um elevador em repouso ou com velocidade (vetorial) constante. Nos sistemas acelerados aparecem "forças de inércia". Comentemos tais 'fantasmagóricas' forças. Uma esfera jaz, por exemplo, sobre uma mesa lisa. A mesa move-se com a aceleração g para a direita.
Para
o observador fixo ao solo, a esfera permanece em seu lugar. Aliás, isto é
óbvio, uma vez que sobre a esfera não atuam forças horizontais (ou seja,
como não há atrito, a mesa vai em frente e a esfera permanece no mesmo
local). Entretanto para um observador solidário à mesa, a esfera adquire
a aceleração - g.
Para esse observador, como que sem motivo ou ação alguma, a esfera se
afasta dele aceleradamente. Para ele, só resta uma conclusão (apesar de
não saber a origem de tal causa), a de que sobre a esfera atua a força F'
= - m.g
. Força
centrífuga ... uma força de inércia
No
referencial fixo ao solo essa resultante centrípeta equaciona-se: K
= m.r.w2
= m.L.sena.w2
[1] . Do triângulo de forças [ FKP ] tiramos K = P.tga
= mg.tga
[2]. mg.tga = m.L.sena.w2 ===> cosa = (g/L).w2 que define exatamente a posição da partícula no referencial solidário ao solo. Entretanto, considerando-se um referencial preso á partícula (ilustração acima, direita) ela estará em equilíbrio e, para justificar isso só admitindo-se a presença da força de inércia K', de modo que se tenha: F + P + K' = 0 que dará a mesma solução para o posicionamento da partícula. Exemplo 2: Consideremos o caso de um disco que gira no plano horizontal com a velocidade angular w, visto pelo observador II.
No centro do disco gira o observador solidário I. Mediante um fio, ele segura uma massa m, que também gira à distância R do centro do disco, estando pois, em repouso em relação ao disco. O observador I não sabe que está girando, assim argumentará: "A massa m está em repouso, porque ela ocupa sempre a mesma posição no meu sistema de coordenadas. Entretanto, uma força desconhecida para mim, puxa-me a massa radialmente, pois tenho que manter o fio constantemente esticado". O observador I chamará de força centrífuga a força de inércia F', contrária a tensão do fio (ilustração acima, direita). Ao contrário, um observador exterior II (ilustração acima, esquerda) argumentará: "A massa m não está em repouso. Ela é acelerada, porque muda continuamente a direção da sua velocidade ao longo da trajetória circular". A força responsável por essa aceleração é a força centrípeta, exercida pela tensão do fio e que condiz com o movimento circular e uniforme. Força
de Coriolis
Todavia
o projétil não atingirá o alvo e chegará em P' (ilustração acima,
esquerda). Um observador exterior II dirá: "Enquanto o
projétil percorria o espaço entre o centro O e o alvo, o disco girou,
desviando-se do projétil". E complementa: O projétil, entretanto,
deslocou-se em linha reta. O afastamento Ds
= PP' calcula-se assim: Se o projétil tem velocidade v, precisa,
portanto, para percorrer o espaço OP = r, do tempo t = r/v; durante esse
tempo o disco gira do ângulo j
= w.t. PP'= j.r = w.t.r = w.r2/v = Ds O
atirador solidário I considerará as coisas diferentemente
(ilustração acima, direita). Como ele não sabe da sua rotação (caso do
observador na superfície da Terra, que não percebe sua rotação),
concluirá: O alvo P está em repouso, porém a trajetória do projétil
sofreu um desvio lateral por causa de uma
força especial F', a força de Coriolis. F' = m. 2.Ds/t2 = m.(2Ds)(1/t2) = m.(2w.r2/v).(v2/r2) = 2.m.v.w F' = 2.m.v.w ==> força de Coriolis Apesar
de I não saber diretamente da rotação observará forças, para
ele reais. F' = 2.m[v . w] ... sendo a = ângulo entre v e w ... F' = 2.m. v. w . sena A expressão [v . w] dá-se o nome de produto vetorial dos vetores v e w. Representa um novo vetor, que é perpendicular àqueles dois vetores e cujo módulo é dado por v . w . sena . Princípio
de D'Alembert Eis o que constitui o Princípio de D'Alembert. F = m.g é equivalente a F + F' = 0. Como aplicação desse princípio, resolveremos as seguintes questões: Questão
1: problema do elevador
Podemos agora, com o princípio de D'Alembert, reduzir este problema a um problema de estática, se introduzirmos a força de inércia F' = - m.g 'percebida' por um observador solidário ao elevador. Para esse observador o movimento acelerado desaparece e, sobre o bloco atuam o seu peso P = m.g (vertical para baixo), a reação de apoio D (vertical para cima) e a força de inércia de intensidade F' = m.g (vertical para cima). Essas três forças devem formam um sistema de resultante nula (princípio de D'Alembert) portanto: P + D + F' = 0 ou, segundo a vertical, P - D - F' = 0 ==> m.g - D - m.g = 0 ==> D = m.(g - g) No caso limite: g
= 0 será ==> D = m.g Questão
2: balança de Poggendorff
Se
inicialmente, as duas massas são mantidas em repouso por meio de um fio
(de modo que todo o conjunto permaneça em equilíbrio) a força que se
exerce sobre o braço da balança é F = (2M + m).g, como facilmente se
deduz. Para tanto, devemos introduzir as forças de inércia (positivas quando dirigidas para baixo) tanto em M à esquerda ( +M.g ) como em (M+m) à direita [ -(M+m)g ]. Nessas condições o equilíbrio para a roldana será dado por: -
Fo + 2M.g + m.g + M.g
- (M+m).g
= 0 A balança comporta-se durante o movimento, como se as massas móveis se tornassem mais leves. Esse experimento da balança de Poggendorff é altamente recomendado para as salas de aula. Questão
3: balança de Poggendorff e roda
de Maxwell (ioiô)
Queimando-se
o fio S, o cordel desenrola e a roda cai com aceleração g
. Durante a queda a força que o conjunto aplica no prato esquerda passa de
F para Fo = M.(g - g)
< F e a balança pende para a direita. |
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