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O
'truque' do carretel
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Apresentação
ao público
Os objetivos do experimento são mais
eficazmente introduzidos quando despertamos na audiência um
sentido de curiosidade científica ou do deslindar de um 'truque';
uma 'novidade' diferente dos fatos do dia-a-dia, sem contudo,
apelar para misticismo usando de termos como 'misterioso',
'fantasmagórico', 'canalizações de energia' e que tais. Assim,
peça para sua platéia que opine se o carretel se moverá para
frente ou para trás quando você puxar a linha.
Quaisquer que sejam as manifestações da audiência, o carretel
poderá não obedecer, especificamente, nenhuma delas: se alguém
afirmar que o carretel vai se deslocar para a frente, no sentido de
puxar a linha, ele poderá ir para trás; se afirmar que vai para
trás, poderá ir para a frente e, mesmo que alguém sugira que de
qualquer modo o carretel irá se deslocar ao aplicar força na
linha, ele poderá permanecer em repouso!
Tudo
irá depender, realmente, do ângulo com respeito à horizontal,
com que o apresentador puxa a linha: um pequeno ângulo (q)
entre a linha e a horizontal fará o carretel se deslocar no
sentido da tração, e um ângulo (q)
pouco maior, fará o carretel deslocar-se em sentido oposto à tração.
Uma pequena mudança de ângulo, imperceptível para a platéia,
mudará o sentido de movimento do carretel --- para a audiência,
um comportamento 'bem misterioso'!
Enfim, um grande carretel de madeira (ou yo-yo) com um cordel
enrolado ao redor dele, com saída por baixo, pode ser posto
em movimento no mesmo sentido em que cordel é puxado ou em sentido
oposto, dependendo apenas do ângulo com que o cordel é puxado com
respeito à horizontal.
Discussão
A explicação dos acontecimentos envolve considerações de forças
e torques no carretel. Acompanhemos pela ilustração abaixo:
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Iniciemos
a partir da situação em que a linha é puxada com força T,
fazendo ângulo q
com a horizontal, e seja
esse o caso no qual o carretel está na iminência de deslizar sem
rolar (translação pura).
Realmente teremos apenas três forças agindo no carretel, a saber:
a reação total devido ao apoio (R), o peso (mg) e a
tração imposta pelo cordel (T). Todavia, é útil decompor
a reação total devido ao apoio em seus dois componentes
ortogonais (N) --- força normal de apoio devido à mesa ---
e (fat = - m.N.i)
--- força de atrito de Coulomb --- de intensidade m.N
e de sentido oposto ao versor i. Assim, ilustramos acima: T,
mg, N e m.N.
Se o carretel ainda está na iminência de escorregar, a força
resultante horizontal deve ser nula, o que permite escrever:
T.cosq = m.N ... eq.01
Só duas forças produzem torques (momentos) em relação ao eixo do carretel, e estes torques devem ser iguais e opostos, quando o carretel está na iminência de escorregar, sem girar. O braço de alavanca do torque de T é r1 e o braço de m.N é r2. Comparando os torques temos:
T.r1 = m.N.r2 ... eq.02
Dividindo-se,
membro a membro, a eq.01 pela eq.02 temos:
cosq
= r1/r2
... eq.03 .
Assim, o ângulo crítico que determina se o carretel girará ou
deslizará e de que modo irá girar, só depende da relação dos
dois raios --- é independente da massa do carretel, da tensão no
cordel e do coeficiente de atrito. Com um paquímetro (ou compasso
de calibre) -- para medir os raios -- e um transferidor -- para
medir o ângulo --, o experimentador poderá verificar o ângulo crítico
previsto teoricamente. Este é um exemplo especialmente
interessante do equilíbrio do corpo rígido.
Nota 1: Atente que "torque" implica na existência de 'binários', 'conjugados', sendo em si, a medida do 'momento do binário'. Em geral a 'outra força do binário', aquela que aparece no centro de rotação, não é desenhada pelo fato de ter momento nulo em relação a tal eixo, todavia, conceitualmente, no diagrama de forças ela existe! Veja abaixo como ficaria a figura 'completa' e perceba porque as forças -µN e -T não foram representadas:
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Nota 2: Atente que na descrição do material, não me preocupei muito em dar as dimensões precisas do carretel, nem do tubo, nem do cordel, nem do tipo de mesa e nem do material utilizado --- pois já sabia de antemão que nada disso afetaria o resultado; só a razão dos raios é que importa!
Nota 3: A 'força de atrito' e a 'força normal' não são forças reais; a superfície de apoio não aplica, separadamente, duas forças no corpo, aplica uma única que é a força total de apoio. Todavia, em algumas situações, é cômodo decompor a força total de apoio em dois componentes ortogonais e dai resultam as denominadas, força de atrito e força normal. Recomendamos uma leitura no Equilíbrio da Escada para assentar esse conceito. Repare que, quando se negligencia o atrito, permanece sempre a força total de apoio, que é 'normal' (perpendicular ao vínculo). Em outras situações essa decomposição ortogonal não é vantajosa. Além disso, vale a pena tomar os devidos cuidados, frente a um 'vestibular', quando a questão põe em destaque: "representar as forças que efetivamente agem no corpo". Por exemplo, se num vestibular aparecer a seguinte questão: "Um grande carretel de madeira (ou yo-yo) com um cordel enrolado ao redor dele, com saída por baixo, pode ser posto em movimento no mesmo sentido em que cordel é puxado ou em sentido oposto, dependendo apenas do ângulo com que o cordel é puxado com respeito à mesa áspera horizontal. Nas alternativas abaixo ele está girando no mesmo sentido em que o cordel é puxado; desenhe as forças que efetivamente agem no carretel."
Eis
a opção correta a ser assinalada:

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