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Estudo
do líquido viscoso
(Viscosidade
e M.R.U.)
Prof. Luiz Ferraz
Netto
leobarretos@uol.com.br
Objetivo
Analisar a força viscosa de contato que nasce num corpo que se
desloca num fluido; determinar a viscosidade de um líquido;
determinar a velocidade de deslocamento de um corpo em Movimento
Retilíneo e Uniforme
nesse líquido; destacar o empuxo (ou impulsão) de Arquimedes.
Destacar "o que se vê" e "o que se abstrai"
como resultado do aprendizado da Ciência.
Noções
teóricas
O que você vê quando deixa uma bolinha de vidro cair dentro de um
tubo cheio de óleo? Uma bolinha descendo devagar dentro do tubo?
Sim, é o que a maioria das pessoas diriam que vê! Dessa linha em
diante você poderá diferenciar entre aquilo que se vê e aquilo
que se abstrai como resultado do aprendizado de Ciência.
Dispomos
de um tubo de vidro (*) cheio de óleo de cozinha e deixamos cair
dentro dele uma esfera de vidro (bola de gude). No início
observamos que a esfera desce acelerada mas, após um breve
intervalo de tempo, a aceleração desaparece e a bolinha passa a
descer com velocidade constante. Quando isso ocorre, dizemos que a
bolinha atingiu sua velocidade limite,
tal como ocorre com alguém que faz um salto com pára-quedas.
Para os estudiosos da Dinâmica a conclusão é uma só: "a
resultante das forças que agem na bolinha tornou-se nula".
Detalhemos isso.
Três
são as forças que agem na bolinha enquanto desce no óleo com sua
velocidade limite, a saber: P, o peso da bolinha; E,
o empuxo de Arquimedes e F, a força de atrito viscoso com a
qual o líquido se opõe ao movimento da bolinha em seu seio.
Ilustremos isso:
A
situação de 'equilíbrio dinâmico' da bolinha pode ser descrita
vetorialmente assim: P + E + F = 0 ou, projetando tal equação
vetorial num eixo vertical orientado positivamente para baixo: P -
E - F = 0, ou ainda,
P
= E + F ... eq.01 ...
A
força peso da bolinha, P, ação da massa da Terra sobre a massa
da bolinha de vidro, pode ser calculada por P = m.g , onde m
é a massa da bolinha e g é o módulo da aceleração local
da gravidade. Supondo que a esfera de vidro seja homogênea (coisa
não muito verdadeira para algumas bolas de gude que já vi),
podemos substituir sua massa m pelo produto de sua massa
específica d (também se diz, densidade absoluta) pelo seu
volume V. Assim, para a intensidade da força peso ficamos
com: P = d.V.g.
Todavia, sabemos que o volume de uma esfera é dado por Vesf.=(4/3).p.r3
, onde r é o raio da bolinha. Para a intensidade da força
peso teremos então:
P
= (4/3).p.d.r3.g
...eq.02...
Tratemos
do empuxo de Arquimedes, E, que continua válido mesmo com a
bolinha em movimento, todavia, com velocidade constante (em
movimento acelerado a história é outra, devido às forças de inércia!).
Seu cálculo prende-se ao peso do óleo deslocado pela presença da
esfera de vidro: E = m'.g , onde m' é a massa de óleo
deslocado e g o valor da aceleração local da gravidade.
Mas, m', por sua vez pode ser (admitindo óleo homogêneo)
substituído pelo produto da massa específica do óleo d'
pelo volume V' do óleo deslocado. E ficamos com: E =
d'.V'.g .Todavia, como a bolinha é rígida, V' = V = (4/3).p.r3
. E então, teremos para E:
E
= (4/3).p.d'.r3.g
...eq.03...
Falemos
agora da força de atrito viscoso que foi estudada por Stokes. Sua
intensidade é dada por
F
= 6.p.h.r.v
...eq.04...
sendo
h
o coeficiente de viscosidade do óleo, v a velocidade da
esfera em relação ao óleo e r o raio da esfera.
Assim,
levando as equações 02, 03 e 04 na equação fundamental 01,
temos:
(4/3).p.d.r3.g
= (4/3).p.d'.r3.g
+ 6.p.h.r.v
...eq.05...
Isolando-se
a incógnita v na eq.05 e efetuando simplificações
elementares tem-se:


Mediante
técnicas da cinemática podemos determinar a velocidade limite da
bolinha (v) e mediante o uso do paquímetro determinar o
raio (r) da mesma, logo, pela eq.08, podemos determinar k.
Conhecidas as densidades absolutas tanto do material da esfera (d)
quanto do óleo utilizado (d'), pela eq.07, obtemos a
viscosidade (h)
do óleo.
Procedimento
experimental
1. Com o uso do paquímetro determine o raio médio de cada bolinha
a ser usada nos experimentos.
2. Solte uma esfera de cada vez dentro do tubo contendo óleo e
cronometre o tempo necessário para a esfera percorrer 40 ou 50 cm
(depende da altura do tubo utilizado); coloque o início da régua
pouco abaixo da superfície livre para desconsiderar a fase de
aceleração.
3. Registre o tempo médio e a velocidade média de queda para cada
esfera utilizada.
4. Construa, numa folha de papel milimetrado, o gráfico da
velocidade média em função do tempo ( v x t ), para cada esfera
utilizada.
5. Construa, numa folha de papel milimetrado, o gráfico ( v x r2
). Obtenha, deste gráfico, o valor de k, substituindo-o na
eq.07 e encontre o valor de h,
a viscosidade do óleo.
6. Construa, numa folha de papel di-log, os gráficos de ( v x r )
e ( v x r2 ). Obtenha destes gráficos o valor de k,
substituindo-o na eq.07 e obtenha, novamente, a viscosidade h
do óleo.
7. Calcule a viscosidade para cada esfera utilizada. A seguir
calcule o valor médio da viscosidade e compare com os valores
obtidos via gráficos (veja última coluna da tabela a seguir).
8. Qual a unidade de k ?
9. Qual a unidade de h
?
Aspecto
da tabela de dados
| n |
esferas |
D |
Dm |
rm |
r2m |
t |
tm |
vm |
h |
| 1 |
A |
|
|
|
|
|
|
|
|
| 2 |
|
|
| 3 |
|
|
| 4 |
B |
|
|
|
|
|
|
|
|
| 5 |
|
|
| 6 |
|
|
| 7 |
etc. |
n
= número de medidas ; D = diâmetro das esferas ; Dm=
diâmetro médio das esferas ; rm= raio médio das
esferas ; t = tempo de queda ; tm= tempo médio de queda
; vm= velocidade média das esferas ; h
= viscosidade.
Dados
extras (preencher):
densidade do óleo utilizado = ........... g.cm-3
densidade média do material das esferas = ........... g.cm-3
distância percorrida = .......... cm
aceleração local da gravidade = 980 cm.s-2
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