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Gravitação
IV
(Questões C)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Questão
1
Uma nave espacial de 10 000 kg está sendo conduzida
para uma longa missão no espaço exterior do sistema solar. Ela lançou um
pequeno satélite experimental que gira em torno dela a uma distância de
120 m sob suas mútuas atrações gravitacionais.
Qual é o período de revolução do satélite?
Qual é sua velocidade orbital?
Resposta
1
A solução do problema é uma aplicação direta da terceira lei de
Kepler, T2 = R3/K, e da lei da gravitação de
Newton, 4p2K
= GM, onde M é a massa da nave espacial. O
valor de K é:
K
= (0,667x10-10 x104)/4p2
= 1,69 x 10-8 S.I.U. e
T2
= (120)3 / 1,69x10-8 = 1,02 x 1014
s2
Assim,
T = 1,01 x 10 7 s = 120 dias. Então, a velocidade orbital do
satélite será:
v
= 2p
x 120 m / 1,01x107 s = 7,5 x 10-5 m/s = 0,075
mm/s.
Esta
velocidade diminuta indica que se trata de uma operação prática muito
difícil. Colocar tal satélite em órbita seria uma operação
extremamente delicada. Na solução do problema, admitiu-se que a força
gravitacional entre a nave e o satélite o manteria em órbita circular.
Isto só aconteceria, realmente, se o campo gravitacional geral, onde a
nave se move, fosse rigorosamente uniforme nos 240 m de diâmetro da órbita
do satélite.
Questão
2
Em algum ponto entre a Terra e a Lua, a força gravitacional sobre uma
nave, devido a Terra e a Lua juntas é zero.
Onde fica este ponto?
A distância Terra-Lua é de 3,8 X 105 m, e a Lua tem 1,20% da
massa da Terra. Muitos acreditam que é apenas nesse ponto que os
astronautas sentem 'falta de peso'. Explique por que os astronautas sentirão
'falta do peso' também em outros pontos.
Resposta
2
O ponto entre a Terra e a Lua, onde a força gravitacional da Terra iguala
à força gravitacional da Lua, em grandeza é
GmmT/rT2
= GmmL/rL2
sendo
rT e rL as distâncias respectivas do ponto
considerado, à Terra e à Lua. Ainda:
mL/mT
= rL2/rT2 = 1,2 x 10-2
==> rL = rT (1,2x10-2)1/2 =
0,11.rT
Ora,
rL + rT = 0,11.rT + rT = 1,11.rT
= 3,8.105 m, donde rT = 3,4 x 105 m
da Terra.
Este
ponto P fica bem próximo da Lua, a saber: rL ~ (rL
+ rT)/10.
Podemos
definir, vagamente, a expressão “falta de peso” dizendo ser a situação
em que uma balança de mola marcará zero quando um homem se acha de pé
sobre ela. A nave, depois de lançada, viajaria em órbita sob a ação
combinada da atração gravitacional do Sol, da Terra e da Lua. A força
gravitacional dará forma à órbita e determinará a aceleração de cada
parte da nave e de tudo dentro da mesma.
A
condição de “falta de peso” começará logo que o motor do foguete
pare de funcionar e a atração da gravidade (geral) passe a ser a única
força atuando sobre a nave espacial.
Questão
3
Observações astronômicas indicam que o Sol está descrevendo uma órbita
circular em torno do centro de nossa galáxia. O raio da órbita é cerca
de 30 000 anos-luz (= 2,7 X 1020 m) e o período de uma revolução
completa é cerca de 200 milhões anos. Nesse movimento o Sol fica sob a
atração gravitacional de uma grande quantidade de estrelas que estão
dentro de sua órbita.
a) Calcule a massa total dessas estrelas a partir dos dados.
b) Quantas estrelas de massa igual à do Sol (2 X 1030 kg) isso
representa?
Resposta
3
Essa questão fornece uma resposta prática à pergunta: “Quantas
estrelas existem em nossa galáxia ?“
Os
dados fornecidos são baseados nas observações do movimento relativo de
muitas estrelas com relação ao sistema solar. Vamos obter
somente a ordem de grandeza, uma vez que faremos simplificações e
aproximações (em destaque).
a)
Consideremos a galáxia como uma massa esférica de
estrelas e que sejam simetricamente distribuídas
em toda a esfera. Vamos calcular a força gravitacional sobre o Sol como
se toda a massa das estrelas estivesse concentrada no centro da galáxia,
da mesma maneira que fazemos quando calculamos a atração gravitacional da
Terra. As estrelas, situadas fora da órbita do Sol, não contribuem com
força gravitacional resultante sobre essa massa esférica.
Teremos,
então,
F = GMm/R2 = m.4p2.R/T2
e M = 4p2R3
/ GT2 = 4p2(2,7.1020)3
/ 0,67.10-11 (6.1015)2 = 3.1041
kg.
b)
Supondo que existam N estrelas, cada uma de massa m
(2x1030 kg), sua massa total será M = N.m. Certamente não é
verdade que todas as estrelas da galáxia sejam do mesmo tamanho do Sol,
mas o Sol é uma estrela típica e sua massa é bem próxima da massa média.
Assim,
N
= 3.1041 / 2.1030 ~ 1011
= 100 bilhões
Calculamos
a ordem de grandeza do número de estrelas que estão a uma distância de
30 000 anos-luz do centro da galáxia. Há razões para acreditar que esta
distância seja metade da distância do eixo da galáxia. Assim,
considerando a galáxia esférica, o número total de estrelas seria 23
vezes maior que o calculado, isto é, N
~ 1012. Desde que nossas aproximações não são
melhores do que isso, podemos nos contentar com 1011, como sendo
o número de estrelas da nossa galáxia, dentro de um fator de 102
ou 103.
Questão
4
Um astronauta, equipado com sua roupa espacial, pode pular 0,60 m sobre a
Terra, verticalmente, usando esforço máximo. Até que altura ele pularia
sobre a Lua, sendo que o diâmetro da Lua é de 1/4 do diâmetro da Terra e
que sua densidade é de 2/3 daquela da Terra?
Resposta
4
Sobre a superfície da Terra, o valor de

Questão
5
Uma nave espacial da Terra entra numa órbita circular de 22 000 km acima
da superfície de Marte, no equador, girando com a mesma velocidade do
planeta, e assim fica, sempre acima do mesmo ponto sobre a superfície
daquele planeta (satélite martestacionário?). Os 'marcianos' instalaram
um foguete teleguiado, diretamente abaixo e o dispararam verticalmente com
a intenção de destruir o intruso terrestre.
Com que velocidade mínima deve o foguete deixar a superfície de Marte
para ter sucesso na missão?
Assuma que Marte é uma esfera de raio 3 400 km e tem por densidade média
4 120 kg/m3.
Resposta
5
Calculemos, inicialmente, a massa de Marte.

Quando
o foguete teleguiado levanta, ele sofre a ação de uma força retardadora
atuando sobre ele, devido à força gravitacional do planeta.
Quando
a velocidade do foguete é v, num dado instante t, a sua distância
ao centro de Marte é r; portanto, a força retardadora tem módulo:
F
= GMm.m/r2
onde
G é a constante universal de gravitação e m a massa do foguete. Desde
que F = ma, a aceleração a sobre o foguete tem
sentido oposto a r e tem por grandeza:

A
velocidade mínima, v, com que o foguete pode ser enviado, é aquela que o
permitirá atingir uma distância de 22 000 km acima da superfície ou uma
distância de 25 400 km do centro de Marte, antes. que sua velocidade
vertical seja zero. Assim,

onde
R1 = 3 400 km e R2 = 25 400 km. Da integração:

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