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Trabalho
e Energia Prof.
Luiz Ferraz Netto 1 - Critique a seguinte definição de energia: “energia é a capacidade de produzir trabalho”. Comentando Não sabemos definir energia, tempo, espaço, matéria etc. São conceitos primitivos. A ciência tem seus conceitos primitivos; a matemática também os tem, por exemplo, na geometria são os conceitos de ponto, reta e plano. Na química são os de energia, estrutura e ligação. Ao contrário de outras grandezas físicas como velocidade e força, energia é um conceito abstrato que possui valor monetário quando se transforma em trabalho. Uma força de intensidade 1 kgf ou uma velocidade de medida 3 m/s não são coisas que se possam comprar ou vender; todos os meses, entretanto, pagamos às companhias distribuidoras pelos quilowatts-hora que consumimos. 2 - Exercendo-se uma força constante ao longo de uma dada distância sobre corpos inicialmente em repouso, qual será a energia cinética no fim do percurso? A energia cinética dependerá da massa do corpo? Solução Consideremos o movimento unidimensional de um pote de gelo seco (atrito reduzido ao mínimo) puxado por uma força constante ao longo de uma pista horizontal de alumínio polido, conforme ilustramos:
Como a força é constante, o pote acelerará uniformemente, com a = F/m e teremos: x1 = (1/2).(F/m).t2 e v1 = (F/m).t Eliminando-se t entre estas duas expressões, vem: v1 =(2Fx1/m)1/2 e Q1 = m.v1 = (2mFx1)1/2 . A quantidade de movimento fornecida ao pote não é independente da massa do pote, como ocorreria se aplicássemos a força durante um dado intervalo de tempo. A quantidade de movimento é proporcional à raiz quadrada da massa m. Existe, no entanto, uma quantidade que é invariante para todos os potes, independentemente de suas massas, a saber: Ecin. = Q21/(2m) = (m.v21)/2 = F.x1 Assim, quando se exerce uma força constante ao longo de uma dada distância sobre corpos inicialmente em repouso, todos adquirem a energia cinética, Ecin., no fim do percurso, isto é, DEcin. = Ecin. = F.x1 = WF , sendo WF o trabalho realizado pela força F no deslocamento x1. 3 - Um garoto sobre potes de gelo seco encontra-se de pé sobre uma superfície horizontal de alumínio polido, perto de uma parede vertical. Empurrando a parede, o garoto sai com uma certa velocidade e energia cinética. Quem “pagou” por essa energia? Solução
Quem “pagou” pela energia cinética foi o trabalho interno das forças musculares do garoto. Analiticamente, pelo teorema trabalho-energia cinética, temos: Wres. = Wext. + Wint. = DW Ora, Wext. = 0, então, Wint. = (1/2)m.v2 . Há uma outra maneira de encarar o problema. A força impulsiva, F, atuando na mão do garoto durante o intervalo Dt, fornece um impulso F.Dt = m.Dv. Por outra parte, a força F desloca o seu ponto de aplicação de Dx e realiza o trabalho FDx = (1/2) mv2, sendo Dx a pequena deformação da mão do garoto. 4 - Uma pessoa carregando um saco na cabeça por uma estrada horizontal realiza ou não trabalho físico? Discutir. Solução Em se tratando de trabalho interno podemos afirmar que ele existe, pois o sangue circula mais depressa nos capilares, o coração bate mais depressa, o atrito interno é maior etc. 5 - Pode o ponto de aplicação de uma força deslocar-se na própria direção e sentido da força e ser nulo o trabalho realizado por essa força? Solução Entre os instantes t1 e t2 o ponto de aplicação da força de atrito de rolamento deslocou-se entre as duas posições P1 e P2, representadas abaixo.
6 - Quando dois grupos de garotos puxam uma corda em sentidos contrários e existe equilíbrio, realiza-se trabalho? Solução Consideremos
o sistema corda. A corda é composta de um enorme número de moléculas
que exercem forças internas umas sobre as outras. Quando a corda é
alongada bruscamente, as distâncias entre as moléculas variam,
realiza-se trabalho interno com uma diminuição de energia interna do
sistema que se manifesta em forma de calor DQ
= DU. Consideremos o sistema garotos. O esforço muscular dos garotos acarreta um trabalho interno, uma vez que o sangue circula mais depressa, o coração bate mais depressa, o atrito interno é maior, os garotos estão queimando combustível através desse esforço muscular. 7 - Um garoto está nadando contra a corrente de um rio, de tal modo que permanece sempre no mesmo lugar. Realiza-se trabalho neste caso? Solução
Em relação ao referencial da margem, não se realiza trabalho, pois não há deslocamento. É preciso ter cuidado com a expressão: “uma esfera com velocidade v pode realizar um trabalho”. Devemos acrescentar à expressão “em relação ao referencial do laboratório”, uma vez que, se tomarmos o referencial na própria esfera, não existirá energia cinética e, portanto, ela não poderá realizar trabalho.
8 - Descreva uma situação física em que o trabalho depende do referencial. Solução
Para um observador L, no laboratório, o trabalho da força de atrito (fat), exercida sobre o corpo pela mesa, é Wfat = - fat.s. Nenhum trabalho é feito pela força de atrito fat' (reação de fat) atuando sobre a mesa, pois, em relação ao observador L, a mesa não se movimenta (Wfat' = 0). Para um observador B no bloco, teríamos o contrário: Wfat = 0 e Wfat' = - fat'.s. 9 - Como se classificam as forças da natureza no que se refere ao trabalho? Solução O trabalho de uma força conservativa tem as seguintes propriedades:
Quando só atuam forças conservativas num sistema, a energia mecânica total é conservada. Uma força diz-se não-conservativa se qualquer um dos itens (a), (b) ou (c) é violado; neste caso, não há conservação da energia mecânica. A força não-conservativa mais comum é a força de atrito. 10 - Qual a relação entre trabalho, energia e combustível gasto? Solução Temos, pois, um caminho para medir a energia: pelo combustível gasto. Um homem realiza trabalho quando coloca um corpo de massa m a uma altura h, às expensas do seu esforço muscular, cujo combustível é o alimento. Algumas tarefas úteis, uma vez iniciadas, não exigem combustíveis, por exemplo, uma coluna sustentando um telhado, o deslizamento sobre uma superfície sem atrito. Os textos de física apontam que o trabalho depende somente da força e do deslocamento na direção da força, mas não do tempo. Alguns estudantes não aceitam esta asserção e dizem, por exemplo, que um carro gasta mais gasolina para percorrer uma dada distância a 60 km/h do que a 30 km/h. Como as energias cinéticas inicial e final são nulas, em cada caso, não podemos associá-las à diferença de combustível. Por outro lado, as forças de atrito dos pneus sobre a estrada são independentes da velocidade do carro e não afetam o gasto de combustível. São os efeitos do atrito fluido (ar e lubrificantes), pois, quando o carro se move através do ar, a força de atrito fluido cresce com a velocidade. Assim, um carro a alta velocidade gasta mais gasolina do que um carro devagar, cobrindo a mesma distância, pois no primeiro caso ele tem que vencer um atrito fluido muito mais forte do que no segundo caso. Estamos estudando o problema físico sem levarmos em conta a variação de rendimento do carro com a rotação do motor (problema de engenharia). Neste caso, o carro a 60 km/h pode gastar menos combustível do que a 30 km/h. O problema pode ser melhor proposto, assim: O que exige maior esforço muscular do ciclista: uma bicicleta a alta velocidade ou uma bicicleta a baixa velocidade? *** segue parte 2 - série A ***
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