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Colisão de bolas superpostas
(Choques perfeitamente elásticos)
(SOLUÇÃO)

Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br 

Enunciado
As bolas (1) e (2), superpostas, iniciam suas quedas livres a partir da altura h acima do solo, como se ilustra. Considere todas as colisões como perfeitamente elásticas.  As massas das bolas são M1 = m e M2 = 2m. O raio da bola (2) é r. Calcular  a altura que a bola (1) alcança após os choques.

Solução
Inicialmente calculemos a velocidade com que a bola (2) atinge o solo. Usaremos o princípio da conservação da energia mecânica, assumindo energia potencial Zero ao nível do solo:

mgh + 0 = 0 + (1/2)mvo2 , donde vo = (2gh)1/2  .....(Eq.0)

Sendo o choque perfeitamente elástico e, em virtude da enorme massa da Terra (solo), a velocidade da bola (2) após o choque, v'2, terá o mesmo valor que vo, mesma direção e sentido contrário (inversão da velocidade); portanto: v'2 = - vo .

Nota: Essa propriedade acima indicada (inversão da velocidade) deve ser demonstrada; faremos isso ao final da solução dessa questão proposta.

A seguir, equacionemos a colisão entre as bolas (1) e (2), notando que a velocidade com que a bola (1) colide com a bola (2) vale também vo ,a mesma calculada para a bola (2) ao atingir o solo, uma vez que percorreram (praticamente) a mesma distância em queda livre. Eis a esquematização (antes) e (depois) da colisão:

Comecemos aplicando a conservação da quantidade de movimento, indicando: M1 = m, M2 = 2m, vo e v'2 velocidades das bolas antes do choque e v'1 e v"2 as velocidades após o choque:

M2(-v'2) + M1.vo = M2.v"2 - M1.v'1    ou,

2m(-v'2) + m.vo = 2m.v"2 - m.v'1 

-2mvo + mvo = 2m.v"2 - m.v'1 

-m.vo = m(2v"2 - v'1)

-vo = 2v"2 - v'1 .... (Eq.1)

A seguir, por ser a colisão perfeitamente elástica, usemos a conservação da energia cinética:

(1/2)M2vo2 + (1/2)M1vo2 = (1/2)M2(v"2)2 + (1/2)M1(v'1)2 

(1/2)2mvo2 + (1/2)mvo2 = (1/2)2m(v"2)2 + (1/2)m(v'1)2 

2mvo2 + mvo2 = 2m(v"2)2 + m(v'1)2 

3mvo2  = m[2(v"2)2 + (v'1)2]

3vo2  = 2(v"2)2 + (v'1)2  ..... (Eq.2)

Da (Eq.1), isolando v"2 vem:

v"2 = (-vo + v'1)/2

Levando esse resultado na (Eq.2), tem-se:

3vo2  = 2[(-vo+ v'1)/2]2 + (v'1)2  

A seguir, algumas passagens algébricas com o intuito de isolar v'1 que é nossa incógnita:

6vo2  = [(-vo+ v'1)]2 + 2(v'1)2  

6vo2  = vo2 - 2.vo.v'1+ (v'1)2 + 2(v'1)2 

6vo2  = vo2 - 2.vo.v'1+ 3(v'1)2 

3(v'1)2 - 2.vo.v'1 - 5vo2 = 0

Resolvendo a equação de segundo grau em v'1 , tem-se:

primeira solução: v'1 = (5/3).vo e segunda solução: v'1 = - vo 

A segunda solução pode ser abandonada por referir-se á velocidade inicial da bola (1); interessa a primeira solução: v'1 = (5/3).vo .

Com essa velocidade inicial, queremos saber que altura máxima a bola (1) alcança. Trata-se agora de um 'lançamento vertical para cima, no campo da gravidade, com velocidade inicial v'1", questão bastante conhecida da cinemática. Fazemos, por Torricelli:

Vf2 = Vi2 - 2.g.H
0 = (v'1)2 - 2gH
[(5/3)vo]2 = 2gH 
H = [(5/3)vo]2/2g

Lembrando que (Eq.0)   vo = (2gh)1/2 , levamos esse resultado na expressão acima; tem-se:

H = [(5/3)(2gh)1/2]2 / 2g = (25/9)(2gh)/2g = (25/9)h

Porém, essa é a altura que adquire, 'acima da bola (2)' e, como a bola (2) tem raio r, a altura total contada a partir do solo será:

Htotal = H + 2r = (25/9)h + 2r

A altura acima do solo é cerca de 3 vezes maior que a altura inicial da queda!

Nota: Esse último cálculo, obtenção da altura H, poderia ter sido feito usando da conservação da energia mecânica. Com plano de referência Zero no solo e bola lançada para cima a partir da altura 2r (de sobre a bola 2) teríamos:

mg(2r) + (1/2)m(v'1)2 = mgH + 0
2rg + (1/2)(5vo/3)2 = gH  e substituindo vo2 por 2gh
2rg + (1/2)(25/9)(2gh) = gH

H = (25/9)h + 2r

******************************

Demonstração da inversão da velocidade em choque perfeitamente elástico contra o solo rígido.

O fundamento básico é que, uma vez que a Terra tem massa 'enormemente' maior que M2, sua alteração de velocidade por causa da colisão será tão pequena que é perfeitamente negligenciável; desse modo, a bola adquirirá toda a alteração de velocidade. 

Primeiro usamos a conservação da quantidade de movimento:

M2.vo = M2.v'2 + Msolo.vsolo

M2.vo - M2.v'2 =  Msolo.vsolo

M2(vo - v'2) =  Msolo.vsolo ..... (eq.1)

A seguir, como o choque é perfeitamente elástico, usaremos da conservação da energia cinética:

(1/2)M2(vo)2 = (1/2)M2(v'2)2 + (1/2)Msolo(vsolo)2

M2(vo)2 = M2(v'2)2 + Msolo(vsolo)2

M2[(vo)2 - (v'2)2] = Msolo(vsolo)2

M2(vo - v'2)(vo + v'2) = Msolo(vsolo)2 .... (eq.2)

Substituindo-se na (eq.2) o fator M2(vo - v'2) por Msolovsolo, conforme indica a (eq.1), vem:

Msolovsolo(vo + v'2) = Msolo(vsolo)2  ou

vsolo(vo + v'2) = (vsolo)2

vo + v'2 = vsolo .... (eq.3)

Levemos a (eq.3) em (eq.1), tendo sempre em mente que Msolo >>> M2, de modo que poderemos desprezar M2 como parcela, com respeito a Msolo :

M2(vo - v'2) =  Msolo.vsolo = Msolo(vo + v'2)   ou, eliminando os parêntesis:

M2vo - M2v'2 = Msolovo + Msolov'2  ou, reagrupando,

(M2 - Msolo).vo = (M2 + Msolo).v'2  e, finalmente:

v'2 = vo.(M2 - Msolo)/(M2 + Msolo) ~ vo.(-Msolo/Msolo) = - vo

v'2 = - vo

cqd.

 

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