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Mudança
de Referencial
(Parte 05 - Exemplos
em Cinemática)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Nesta
Parte 05 propomos dois casos simples.
Matemática é ferramenta poderosa; o Teorema de Coriolis conduzirá
rapidamente à solução.
Consideramos
didático, também, tratamento inusitado por ser trabalhoso, os diagramas
vetoriais. Consideraremos datas t e t + Dt,
com duração Dt
suficientemente extensa para que se obtenham diagramas inteligíveis, e
suficientemente exígua para que a introvisão (insight) conduza à
percepção do limite com Dt
tendendo a ZERO. Não faremos distinção entre incremento e diferencial (Dt
e dt, Dv
e dv etc.). Os diagramas vetoriais dos componentes de
velocidades visualizam os incrementos que geram os componentes de
aceleração.
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Recordemos
função vetorial f(t) de intensidade constante (Parte 01).
Sendo | f | constante, é constante seu quadrado:
| f |2 = f2 = f x f =
const. Diferenciando esta
expressão, obtém-se: 2.f x df = ZERO , logo df
_|_ f .
Com a notação da figura 02,
vem: df = | f |.dj.t
ou
df = | f |.w.dt.t
. |

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Plataforma
giratória para manobras em terminal ferroviário
No plano horizontal fixo [referencal
|A (AXYZ)] apoia-se um grande disco circular [referencial |R
(Rxyz). No piso traçam-se eixos cartesianos AX e AY; o eixo AZ
é vertical ascendente. No disco traçam-se eixos cartesianos Rx e Ry;
o eixo Rz coincide com AZ. Em relação ao piso, o disco
efetua rotação uniforme com velocidade w
= w.k.
Segundo o eixo Ry estende-se no disco o trilho de uma locomotiva que o
percorre em movimento uniforme segundo a lei y = v.t.
Propomo-nos,
mediante construções gráficas, determinar a aceleração absoluta de um
ponto P da locomotiva. O resultado será confrontado com o esperado
pela aplicação do teorema de Coriolís.
Iniciamos:
A trajetória relativa de P é reta (eixo Ry). A trajetória
absoluta é uma espiral. Isso pode ser visualizado através do experimento,
com a prancheta, que colocamos em Composição
de Movimentos 2 (experiência 2: translação e rotação).
Sistematizamos:
R
= A portanto
R - A = S = 0
w
= w.k = constante portanto g
= dw/dt = 0
O
movimento relativo segue as leis:
x
= 0 y =
v.t z = 0
r = P - R = v.t.j
r* = vrel = v.j (constante)
r** = arel = 0
Consideremos
o sistema em duas datas consecutivas e próximas t e t' =
t + dt. Admitiremos dt ~= Dt,
gerando acréscimos pequenos nas posições e velocidades, mas viáveis
para as construções gráficas. Estas são executadas sem escala.
Na duração dt o referencial |R sofre o
giro dj
= w.dt.
Simultaneamente, o móvel passa de P(t) para P'(t') [figura
3]. Em |R , o móvel percorre o eixo Ry desde P(0;y;0)
na data t até P'(0;y+dy;0) na data t'. Em |A o móvel passa
de P(X;Y;0) na data t para P'(X+dX;Y+dY;0) na data t'.
A
velocidade relativa tem sempre a direção de j. Em |R :

Vista
pelo observador fixo em |A , a velocidade relativa muda de
direção. Assim surge, em relação a |A , o incremento
diferencial "absoluto" da velocidade relativa, dvrel
, de medida escalar v.dj
= v.w.dt
[figura 4].
Para
o movimento de arrastamento o referencial é A . Nas
datas t e t' as velocidades de arrastamento são,
respectivamente, varr do ponto coincidente Pc
e v'arr de outro ponto coincidente P'c [figura
5]:
varr
= w.y
na direção de i = cosj.I
+ senj.J
, no sentido de -i .
v'arr = w.(y
+ dy) com giro dj
.
A
velocidade de arrastamento cresce e gira [figura 6].
Têm-se:
w.dy
= w.v.dt
e w.y.dj
= w.y.(w.dt)
= w2
.y.dt .
A
velocidade absoluta de P é vabs = vrel
+ varr .
vabs e varr são concebidas em
relação a |A , vrel é concebida em
relação a |R , onde ela é constante; para se efetuar a
soma, ela é projetada em |A , onde ela gira e sofre
incremento diferencial dvrel (v.dj)
[figura 4].
Daí:
dvabs = dvrel + dvarr
.
Os
termos são extraídos das figuras 4 e 6, e reunidos na figura 7.
O
termo w.y.dj
= w2.y.dt
gera a aceleração de arrastamento, que no caso presente se resume na
aceleração centrípeta:
aarr
= w2.y
==> aarr
= - w2.y.j
Os
outros dois termos geram, cada um, a metade da aceleração complementar:
v.dj
+ w.dy = v.(w.dt)
+ w.(v.dt) = 2.w.v.dt
portanto
ac = 2.w.v
==> ac = - 2.w.v.i
ou ac
= 2.w^vrel
A
aceleração absoluta é aabs
= arel + aarr + ac .
No
caso presente é arel = 0; resulta pois [figura
8]:
aabs
= - w2.y.j
- 2.w.v.i
O
Teorema de Coriolís confirma os resultados acima (lembramos: ^
produto vetorial; X produto escalar):
arel
= 0
aarr = S** + g^r
+ w^(w^r)
= 0 + 0 + w.k^(w.k^y.j)
= w2.y.j
.
ac = 2.w^vrel
= 2.w.k^v.j
= -2.w.v.i
Re-encontramos:
aabs
= - w2.y.j
- 2.w.v.i
A
aceleração absoluta resulta expressa mediante o terno-de-base (i,j,k)
do referencial |R . Todavia, a aceleração absoluta é
concebida em relação a |A . Sua expressão pode ser
transformada para o terno-de-base (I,J,K) do referencial |A .
Movimento
circular concêntrico em mesa circular girante
Vasos de barro são moldados em mesa girante. Em tal mesa (agora
limpa!) fixa-se um trilho de autorama circular, concêntrico e de raio r. O
trilho é percorrido por um carro com velocidade angular relativa wr
constante, no mesmo sentido em que a mesa gira com velocidade angular
w = wr/2.
Pretendemos estudar o movimento absoluto de um ponto do carro, procedendo
mediante: (a) construções gráficas e (b) teorema de
Coriolís.
Iniciamos:
Referencial
|A (AXYZ) fixo no piso.
Referencial |R (Rxyz) fixo no disco
girante.
Origens A = R
.
(a)
Mediante construções gráficas.
Na
[figura 9]:
j =
ângulo(YAy) e w
= dj/dt
R = A jr
= ângulo(yRP) e wr
= djr/dt
Adotou-se j
= 20o portanto jr
= 40o
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Figura 9: Posições
de P nas datas t e t'= t + dt.
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Supondo
disco transparente, são visíveis também os eixos do referencial |A
. Entre as datas t e t'=t + dt ocorrem os giros dj
= w.dt
e djr
= wr.dt
= 2.dj.
Arbitramos
fixar dt de modo a ser dj
= 5o, logo, djr
= 10o. Em relação a |A
, o arco descrito por P é PP' = r.(djr
+ dj)
(ângulos em radianos).
Em
relação ao referencial |R ,
a velocidade de P é vrel = wr.r
constante, vrel = vrel.t.
Vista pelo observador em |R ,
ela gira de djr
, com incremento diferencial
,
valor algébrico vrel.djr
.
Vista pelo observador em |A , a
deflexão é (djr
+ dj),
o incremento diferencial é
,
com valor algébrico vrel.(djr
+ dj)
[figura10]:
|dvrel|
= vrel.(wr
+ w).dt
= (wr.r).wr.dt
+ w.vrel.dt
|dvrel| = w2.r.dt
+ w.vrel.dt
O
primeiro termo gera a aceleração normal, o outro termo gera metade da
aceleração complementar.
.............
Esse
trabalho - Mudança de Referencial
- contém as seguintes partes:
Parte
01 - Referenciais, suas mudanças e conseqüências na Física
Parte
02 - Coordenadas cartesianas - MCU
Parte
03 - Fórmulas de Poisson - Derivadas
Parte
04 - Aspectos cinemáticos - Coriolis
Parte
05 - Exemplos na Cinemática
Parte
06 - Exemplos - Conceitos fundamentais na Dinâmica
Parte
07 - Pêndulo cônico - Plataforma de manobra - Pêndulo
de Foucault
Parte
08 - Ferrovia - Furacão - Giroscópio
Parte
09 - Desvio da vertical - Torre Eiffel -
Espaçonave(1)
Parte
10 - Espaçonave(2) - Experimento de Eötvös -
Imponderabilidade no equador
Parte
11 - Força de Coriolis em Meteorologia e Tectônica
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