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Dinâmica
(Do ponto e dos
sistemas) |
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
I.
Leis de Newton
1.
Conceitos fundamentais - A dinâmica
estuda a correlação entre os movimentos (efeitos) e as forças (causas
que os produzem). O conceito geral de 'força' é o de agente físico, de
características vetoriais, capaz de modificar a velocidade de um corpo
(efeito dinâmico) ou produzir uma deformação no mesmo (efeito estático).
Forças podem agir individualmente ou em conjunto; em conjunto caracterizam
um 'sistema de forças' (veja detalhes em 2.3 -
notas).
2.
Princípios da Dinâmica - são proposições racionais compatíveis
com a experimentação;
2.1.
Primeira lei de movimento de Newton ou Princípio da Inércia -
"Ponto material livre da ação de forças (ponto isolado ou sujeito a
sistema de forças de resultante nula) está em repouso ou realiza
movimento retilíneo e uniforme em relação a um certo conjunto de
sistemas de referência" ou, dito de outro modo, "Ponto isolado
apresenta, num certo conjunto de sistemas de referência, aceleração
vetorial nula (a = 0); o conjunto desses sistemas recebe o nome de
sistema inercial de referência. Veja detalhes em 'Sistema
Inercial de Coordenadas'.
2.2.
Segunda lei de movimento de Newton ou Princípio da Proporcionalidade ou
Lei de Força - "Ponto material sujeito à ação de uma
força F adquire aceleração a, de mesma direção e sentido
que a força e módulo |a| proporcional à intensidade de F;
o coeficiente de proporcionalidade é um escalar essencialmente positivo
que 'mede' a inércia do ponto - sua massa -":
F
= m.a.
Notas
-
A -
(a) a massa é uma grandeza escalar;
(b) a massa é sempre um escalar positivo;
(c) a massa - como indicativo da inércia do ponto material - é o
'coeficiente de resistência da matéria' ao movimento ou à variação de
movimento que se lhe quer comunicar;
(d) a massa caracteriza a inércia de cada tipo de matéria e sua
particular substância;
(e) a massa de um sistema de pontos materiais (rígido ou não) é a soma
das massas dos pontos que definem o sistema;
(f) para pontos ou sistema de pontos materiais, todos constituídos da mesma
substância, a massa aumenta com o aumento da 'quantidade de matéria'.
Se 1 mol da substância A tem massa m, N moles dessa substância A
terá massa N.m .
(g) em Mecânica Clássica, massa é grandeza constante em relação ao
tempo, velocidade ou posição;
(h) em Mecânica relativista, massa é função da velocidade, expressa
por:

B
- Conhecida a massa m do ponto e a sua lei de aceleração a(t)
numa dada categoria de movimento, a lei de força F(t) obtém-se
multiplicando o escalar m pelo vetor a(t);
lei de força = massa x lei de aceleração
F(t) = m x
a(t)
Se o ponto material realiza simultaneamente várias categorias de
movimento, a cada uma delas corresponde uma lei de força; para o sistema
vale o:
2.3
- Princípio da ação independente das forças - "Quando
sobre um ponto material agem simultaneamente várias forças, cada uma atua
de maneira independente das demais; a aceleração vetorial adquirida pelo
ponto é dada pela soma vetorial das acelerações que cada força produz
isoladamente".
Nota
- A força única que aplicada ao ponto determina a mesma aceleração
imposta pelo sistema de forças denomina-se 'resultante do sistema' e, as
forças que definem o sistema denominam-se, então, 'forças componentes'.
| ações independentes |
... |
acelerações componentes |
| f1 = m.a1 |
... |
a1 = f1/m |
| f2 = m.a2 |
... |
a2 = f2/m |
| ............. |
... |
............. |
| fn = m.an |
... |
an = fn/m |
| aceleração
resultante: a = a1+ a2+ ... + an = f1/m+f2/m+
... +fn/m |
| resultante
do sistema de forças: R = f1 + f2 + ... + fn
= m.a |
Princípio fundamental da Dinâmica -
"Para referenciais inerciais, onde a resultante das forças aplicadas
ao ponto material é R, vale:
Rexternas
= m.a
2.4
- Terceira lei de Newton ou 'lei da Ação e Reação' -
"Nos referenciais inerciais, quer a interação entre dois pontos
materiais se dê 'à distância' (interação de campos) ou por contato, as
forças que traduzem essas interações sempre comparecem aos pares".
Essas forças de cada par (indiferentemente denominadas 'ação',
uma, e 'reação', a outra) agem simultaneamente, uma em cada ponto, têm
mesma direção, têm mesma intensidade e seus sentidos são opostos;
escreve-se, para o par: FA = - FB.
Nota
-
(a) "Força de ação à distância" é maneira cômoda de se
traduzir a ação recíproca entre corpos não em contato. Na conceituação
'mais moderna', trata-se de uma 'ação local' determinada pela modificação
do espaço pela presença de corpos.
(b) Recomendamos especial cuidado com a aplicação do 'princípio
da ação e reação', principalmente quanto ao fato da "reação"
ser igual á "ação", no sentido de movimento, aceleração,
deformação etc.
Em outras palavras, o que cada força do par faz com o ponto (ou
corpo) onde se aplica, são coisas distintas, são histórias diferentes. Há
um comentário sobre isso, o qual recomendo, em: "Corrigindo
velhos chavões".
3.
Unidades de massa e de intensidade de força:
3.1
- Sistema C.G.S.
| força |
símbolo |
massa |
símbolo |
aceleração |
definição |
| dina |
d |
grama |
g |
cm/s2 |
d=g.cm/s2 |
3.2
- Sistema M.T.S.
| força |
símbolo |
massa |
símbolo |
aceleração |
definição |
| esteno |
sth |
tonelada |
ton |
m/s2 |
sth=ton.m/s2 |
3.3
- Sistema Internacional de Unidades
| força |
símbolo |
massa |
símbolo |
aceleração |
definição |
| newton |
N |
quilograma |
kg |
m/s2 |
N=kg.m/s2 |
3.4
- Sistema M.kgf.S - técnico
| força |
símbolo |
massa |
símbolo |
aceleração |
definição |
quilograma-
força |
kgf |
unidade
técnica de
massa |
utm |
m/s2 |
kgf=utm.m/s2 |
(*)
o quilograma (kg) é definido mediante um padrão internacional
(massa de um cilindro de platina iridiada, eqüilátero) depositado em Sèvres,
Paris.
(**) o quilograma-força (kgf) é o peso do quilograma padrão num
local onde a aceleração da gravidade é normal (g = gn = 9,806
65 m/s2)
3.5
- Relações -
1
g = 10-3 kg; 1 ton = 103 kg;
1N = 105 d; 1 sth = 103 N; 1
kgf = 9,806 65 N
4.
Algumas categorias de movimento e suas leis de força -
1a
categoria - corpúsculo em queda livre (sob ação exclusiva da
aceleração local)
2a
categoria - corpúsculo vinculado a um plano inclinado isento de
atrito; nessa categoria duas forças determinam seu movimento, a saber: seu
peso e a reação normal de apoio por parte do vínculo.
3a
categoria - corpúsculo em movimento circular e uniforme.
4a
categoria - corpúsculo em movimento circular e uniformemente
variado.
5a
categoria - corpo que se desloca no ar. Quando um corpo se
desloca no ar, esse exerce uma força sobre aquele; é uma força
resistente ao movimento, cuja intensidade, obtida empiricamente, é dada
por: Rar=k.A.v2. A lei de força será:
Rar
= resistência imposta pelo ar;
k = constante que depende da forma do corpo;
A = área da secção transversal (normal à v);
v = velocidade do corpo em relação ao ar.
Nota
- Velocidade limite de queda no ar - em cada instante, para um
corpo em queda vertical no ar, tem-se:
P
- Rar=m.a
à
medida que v aumenta, aumenta a intensidade da Rar, até
que Rar = P e então a = 0; a velocidade passa a ser
constante --- é a velocidade limite de queda (vL):
Para
o caso de uma esfera no ar, para a velocidade limite de queda tem-se:
Para
o caso de uma gota de um líquido no ar, vale a lei empírica de Stookes:
6a
categoria - corpúsculo que realiza movimento harmônico simples
(mhs).
Nota - Veja detalhes em 'Dinâmica
do MHS'.
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