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Prof. Luiz Ferraz Netto VI. Trabalho, Energia e Potência [parte 2] 9. Energia cinética ou de movimento - Para variar a velocidade de um corpo em movimento é preciso o concurso de forças externas, as quais realizam certo trabalho. Esse trabalho é uma apreciação da energia que o corpo apresenta pelo fato de estar em movimento em relação a um dado sistema de referência. Denominaremos essa energia de cinética e, seu cálculo, no instante t, no qual a partícula de massa m apresenta velocidade v é: Ecin. = (1/2).m.v2 Energia cinética é grandeza física escalar, fato que deriva de ser a inércia de um corpo uma propriedade que se manifesta independente de orientação. Suponhamos que F seja a resultante das forças que atuam sobre uma partícula de massa m. O trabalho dessa resultante é igual à diferença entre o valor final e o valor inicial da energia cinética da partícula;pomos:
Na
expressão da primeira linha aplicamos a segunda lei de Newton; o
componente tangencial da força resultante é igual ao produto da massa da
partícula por sua aceleração tangencial. 9.1. Força Conservativa - Energia Potencial Uma força é conservativa quando o trabalho dessa força for igual à diferença entre os valores inicial e final de uma função que só depende das coordenadas. A essa função se dá a denominação de energia potencial:
O
trabalho de uma força conservativa não depende do trajeto seguido para o
móvel ir do ponto A ao ponto B. 9.2. O peso é uma força conservativa Calculemos o trabalho da força peso F = - mg.j (essa notação indica que o eixo y é vertical, orientado para cima e que seu versor é j), quando o corpo se desloca desde a posição A, cuja ordenada é yA até a posição B cuja ordenada é yB.
A energia potencial Epot. correspondente à força conservativa peso tem a forma funcional: Epot.= mgy + C , onde C é uma constante aditiva que nos permite estabelecer o nível zero da energia potencial. Como
já vimos na Parte 1, a força exercida por
uma mola é conservativa; vale recapitular.
A função energia potencial correspondente à força conservativa F é: Epot.(x) = (1/2).k.x2 + C. O nível zero de energia potencial se estabelece do seguinte modo: quando a deformação é zero, x = 0, o valor da energia potencial se toma zero, Epot. = 0, de modo que a constante aditiva assumirá valor C = 0 e Epot.=(1/2)kx2. 10. Energia cinética de um corpo em translação - Ecin. = (1/2).(Smi).v2 = (1/2).M.v2 11.
Energia cinética no movimento relativo - Importante: Ecin.,abs. =/= Ecin.,rel. + Ecin.,arr. [ =/=, leia-se, diferente de] 12. Teorema da energia cinética - (TEC) - O trabalho realizado pela resultante de todas as forças aplicadas a uma partícula durante certo intervalo de tempo é igual à variação de sua energia cinética, nesse intervalo de tempo. tR,AB = m.v2B/2 - m.v2A/2 = [DEcin.]A==>B 13. Energia mecânica - no instante t, é a soma das energias potencial e cinética. Emec.,A = Epot.,A + Ecin.,A 14. Expressão analítica do teorema da conservação da energia total - O trabalho das forças externas aplicadas a um corpo é utilizado nas variações de suas energias cinética e potencial, sendo que, parte dele é 'consumido' pelas forças de atrito. texterno, A==>B = [DEpot.]A==>B + [DEcin.]A==>B + tfat,A==>B 15. Teorema da conservação da energia mecânica - Nos sistemas para os quais se verificam: texterno, A==>B = 0 e tfat,A==>B = 0 (sistema conservativo) tem-se: [DEpot.]A==>B + [DEcin.]A==>B = 0 ou seja, Emec.,A = Emec.,B = constante 16. Princípio da conservação da energia - Em qualquer processo, a energia nunca é criada ou destruída, apenas transformada de uma modalidade para outra/outras. 17. Mais detalhes 17.1. Conservação da energia - Quando uma partícula está sob a ação de uma força conservativa, como já dissemos, o trabalho desta força é igual à diferença entre o valor inicial e final da energia potencial; escrevemos:
Por outro lado, (TEC), o trabalho da força é igual à diferença entre o valor final e inicial da energia cinética; escrevemos:
Igualando ambos os trabalhos, obtemos a expressão do princípio da conservação da energia: Ecin.,A + Epot.,A = Ecin.,B + Epot.,B A energia mecânica da partícula (soma da energia potencial mais energia cinética) é constante em todos os pontos de sua trajetória. 17.2. Forças não-conservativas - Para bem entender o significado de força não-conservativa, vamos apresentar uma comparação com a força conservativa 'peso'.
17.3. A força de atrito é uma força não-conservativa - Quando a partícula se desloca de A para B, ou de B para A, a força de atrito é oposta ao sentido do movimento; o trabalho é negativo porque a força tem sinal contrário ao deslocamento.
17.4. Balanço das energias - Em geral, sobre uma partícula atuam forças conservativas Fc e não-conservativas Fnc. O trabalho da resultante dessas forças que atuam sobre a partícula é igual à diferença entre a energia cinética final menos a inicial (TEC); pomos:
O trabalho das forças conservativas Fc é igual à diferença entre a energia potencial inicial e a final; então:
Aplicando-se a propriedade distributiva do produto escalar, obtemos que:
O trabalho de uma força não-conservativa modifica a energia mecânica (cinética mias potencial) da partícula.
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