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Uma
força da natureza --- a gravidade Prof.
Luiz Ferraz Netto Introdução Essas são as regularidades que desejamos entender. Queremos saber por que a natureza tem formas específicas, por que as formas são as que existem e não outras, e por que os objetos se comportam como observamos. Entretanto, para começar, devemos considerar as características simples da Natureza, não específicas, e comuns a todos os objetos. Esta Leitura é dedicado a uma dessas características. É o fenômeno da gravidade --- há uma outra que trataremos oportunamente, que é a luz. A
gravidade na Terra e no céu A Lua e os planetas não caem diretamente sobre a Terra ou para o Sol. Portanto, como podem seus movimentos ser governados pela força da gravidade? Há um abismo entre nossa experiência terrestre de coisas caindo em sentido à Terra e o fenômeno celeste de corpos orbitando em volta de um centro (Lua em torno da Terra e planetas em torno do Sol). O estabelecimento de uma ponte sobre esse abismo constituiu um passo decisivo para a compreensão do universo. Vejamos como isso ocorreu. Imagine
que estamos no alto de uma torre muito elevada e atiramos uma pedra
horizontalmente no espaço. A trajetória da pedra será encurvada para
baixo por causa da gravidade e a pedra atingirá o solo a uma certa distância
da torre. Quanto maior for o impulso com o qual atiramos a pedra, menos
encurvada será sua trajetória. Podemos imaginar que a pedra seja atirada
com tanta violência que o encurvamento da trajetória seja exatamente
igual à curvatura da superfície da Terra, que é esférica. Nesse caso, a
pedra nunca atingiria a superfície porque à medida que sua trajetória se
encurvasse, a superfície da Terra se encurvaria da mesma maneira. Seria
como se tivéssemos atirado a pedra além do horizonte. Se o ar não a
retardasse, a pedra percorreria uma órbita em torno da Terra como um satélite. Examinemos agora, de outra maneira, a órbita de um objeto em torno de um centro de atração. Quando um planeta percorre sua órbita em torno do Sol, a força atrativa da gravidade conserva a órbita circular, da mesma maneira que uma pedra amarrada a um fio efetuará um movimento circular se você segurar a outra ponta do fio e o fizer girar. A força atrativa (força que o fio aplica na pedra) desempenha o papel de resultante centrípeta condizente ao movimento circular e uniforme. A reação centrípeta (o puxão sobre a corda) é tanto maior quanto maior é o número de voltas que a pedra efetua por segundo e também é tanto maior quanto maior é o raio; além disso, naturalmente, ela é proporcional à massa do objeto. Podemos facilmente calcular a resultante centrípeta sobre cada planeta pois conhecemos seu período de revolução e sua distância ao Sol. A
resultante centrípeta é exatamente a força atrativa da gravidade.
Portanto, quando calculamos a força centrípeta em uma órbita,
determinamos também a força da gravidade. Foi dessa maneira que Newton
mediu a força da gravidade do Sol sobre os planetas e destes sobre suas
luas. Para ter certeza de que a força entre o Sol e os planetas é uma força universal que age entre duas massas quaisquer, precisamos mostrar que existe o mesmo tipo de atração entre dois blocos de chumbo, ou quaisquer dois outros objetos, e que essa força também decresce com o quadrado da distância e é proporcional ao produto das massas. Certamente a força gravitacional entre dois blocos de chumbo deve ser extremamente pequena, pois as massas dos dois blocos é pequena em comparação com as dos corpos celestes. Se a massa dos blocos for de 100 kg e estes estiverem a 1 m um do outro, a força entre eles será aproximadamente igual à que a Terra exerce sobre seis centésimos milésimos do grama. Apesar disso, ela foi medida, e as medidas confirmam a validade geral e a universalidade da lei da gravidade. O
caráter geral da lei da gravidade Com
Newton, todas essas idéias revelaram-se ilusões. O princípio fundamental
relacionado ao movimento planetário é a lei da
atração gravitacional. Ela determina as órbitas dos planetas
apenas na medida em que exige que essas órbitas sejam círculos ou
elipses, com o Sol no centro do círculo ou em um dos focos da elipse, e
enquanto estabelece uma relação
especial entre o raio (ou eixo maior da elipse) e o período de revolução.
Mas o princípio não prescreve nenhum tamanho especial para o raio. Podemos ver, por esses exemplos, que os tamanhos das órbitas observadas atualmente não têm grande significado. Poderiam ser completamente diferentes sem violar nenhuma lei da Física. A lei fundamental da gravidade determina apenas o caráter geral do fenômeno, admitindo uma variedade contínua de realizações. As órbitas reais dependem de influências que agiram antes do fenômeno se ter desenvolvido, sem posterior influência externa. As órbitas atuais podem, talvez, ser atribuídas a algumas causas definidas, como algumas condições especiais que prevaleciam durante a formação do sistema solar, ou à influência de estrelas que passaram perto, mas não há nada de fundamental nos tamanhos que elas apresentam atualmente. Admitimos que os planetas de outras estrelas se movam em órbitas completamente diferentes, mesmo que se trate de estrelas muito semelhantes ao nosso Sol em tamanho e constituição. Por causa de sua universalidade, a força da gravidade exerce sua ação muito além do sistema solar e mesmo além de nossa galáxia. As estrelas dentro de cada galáxia atraem-se mutuamente em virtude da gravidade, e cada galáxia exerce forças gravitacionais sobre as outras. Portanto, os movimentos das estrelas e das galáxias são regulados por suas atrações mútuas. Por enquanto, não conhecemos grande coisa a respeito desses movimentos porque são muito difíceis de observar, e teríamos de resolver um problema complicado de análise matemática se desejássemos calcular os movimentos de 50 bilhões de estrelas sob a influência de suas mútuas atrações gravitacionais. Entretanto, há boas indicações de que o mesmo princípio governa os movimentos das estrelas. Elas parecem mover-se em torno do centro da galáxia de maneira muito semelhante à dos planetas em tomo do Sol. Em breve os super-computadores resolverão esse pequeno problema hoje tachado de 'complicado'. São também os movimentos das galáxias determinados por forças gravitacionais? Este é um problema de astronomia até hoje sem solução. Conhecemos pouquíssima coisa a respeito, excetuando-se o notável movimento das galáxias afastando-se umas das outras — a expansão do universo. Esse movimento; evidentemente, não pode ser produzido pela gravidade; deve haver alguma outra explicação fundamental mas até hoje desconhecida --- ou, a hipótese expansão não é boa. E agora, a teoria da gravitação (parte 2)
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