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Forças
dissipativas
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Introdução
É bastante comum a pergunta: "O atrito é
sempre contra o movimento?".
Como resposta, podemos por de imediato: "Parado é, sim, contra o
deslizamento."; mas, ressaltamos que, em muitos casos importantes é a
favor do movimento. Quem não conhece a embreagem (frição) de automóvel? É um
exemplo importante de força dissipativa agindo a favor do movimento.
Vejamos isso.
Trabalho
motor das forças dissipativas
Todo corpo material macroscópico
compõe-se de numerosas partículas (moléculas, átomos, íons, ... ). Por
isso a superfície de um sólido, em visão microscópica, é estrutura
comparável a um mosaico cheio de irregularidades.
Em dispositivos mecânicos (máquinas simples e suas combinações) tal
estrutura superficial gera atrito e micro-deformações nas peças que se
movem em contato uma com outras; dai, dissipação de energia mecânica.
Atrito é regido por leis empíricas, as leis de Coulomb-Morin.
Em qualquer estado de agregação as moléculas são animadas de movimento
caótico (agitação térmica); esta confere ao sistema energia térmica Ut
( não é calor ! é parcela da energia interna U do sistema !
).
Força exercida com intervenção decisiva de agitação térmica é
dissipativa (não-conservativa). São exemplos, o atrito sólido, o empuxo
de fluido gasoso etc. Força dissipativa só
trabalha dissipando energia mecânica, isto é, gerando ponderável energia
térmica e/ou calor que são formas de energia degradada. Elas representam
redução na energia disponível no universo.
Freio de automóvel: mediante atrito, ele
converte a energia cinética (Ec) do veículo em energia
térmica Ut. Os freios se aquecem e cedem calor Q
(trabalho molecular caótico) ao ar ambiente em temperatura inferior:
Ec
===> Ut ===> Q
Dá-se
a dissipação integral da energia cinética do veículo.
O processo oposto, isto é, a mecanização total de Ut
ou Q, é impossível em princípio: Ut e Q
são formas de energia degradada.
Exemplo - Em um aclive, um automóvel
de massa m = 1,0 ton parte do repouso adquirindo (Ep) =
2,0 kJ e, em sua translação, (Ec) = 4,0 kJ.
Considerando só estes termos, o ganho de energia mecânica do sistema é (Em)
= 6,0 kJ.
No processo intervém a transmissão (embreagem, câmbio, diferencial).
Nesta há, transitoriamente, deslizamento (a frição entra patinando); o
trabalho das forças de atrito é tatr
= -7,0 kJ. Logo, a energia dissipada é (Ediss) = - tatr
= 7,0 kJ. A transmissão consome 13,0 kJ.
Uma vez impulsionado o veículo, a embreagem não patina mais, a dissipação
na transmissão limita-se a câmbio e diferencial, e é modesta.
Em relação a referencial próprio (referencial |CM de centro de
massa) a energia cinética das peças moveis do motor e a de rotação das
rodas totalizam ganho (Ec)própria = 1,0 kJ.
No
processo descrito, o trabalho útil do motor totaliza 14,0 kJ.
Presumindo
para o motor rendimento térmico otimista próximo de 10%, vale o esquema
acima.
Dos 144,0 kJ de calor proveniente dos fumos (fonte quente), perdem-se 130
kJ no escapamento (fonte fria) e por refrigeração; só 14,0 kJ são
convertidos em trabalho. Destes, 1,0 kJ gera energia cinética própria (peças
em rotação), os restantes 13,0 kJ acionam a transmissão. Esta dissipa (Ediss)
= 7,0 kJ e impulsiona o veículo conferindo-lhe (Em) =
6,0 kJ. Os valores citados traduzem uma boa aproximação da realidade.
Resumindo: Neste exemplo, como em
muitos casos análogos força dissipativa realiza trabalho motor. Porém,
é inevitável que ele seja acompanhado de ponderável dissipação,
gerando energia degradada.
Exemplos - Arma de fogo, motor térmico, helicóptero.
Resistência
do meio
Considere um sólido que se move com
velocidade v (negrito = vetor) em relação ao fluido no qual ele
está imerso. O fluido aplica no móvel uma força resistente F.
Distinguem-se diversos regimes:
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Resistência
viscosa
(velocidade baixa)
Resistência hidráulica
(velocidade média)
Resistência trans-sônica
(velocidade próxima à do som)
Resistência ultra-sônica
(velocidade superior à do som) |
|F|
= C.|v|
|F|
= Ch.|v|2
|F|
= Ct.|v|n
|F|
= Cu.|v|u |
A
resistência viscosa exprime-se na forma
F = - C.v , sendo C o coeficiente de
resistência viscosa do móvel no fluido. Em particular, para minúsculas
esferas (por exemplo, gotículas de neblina) vale a Lei de Stokes
F = - 6.p.h.r.v
, sendo h
a viscosidade do fluido e r o raio da esférula.
A
resistência hidráulica segue a Lei de
Newton: F = - C.A.r.(v2/2).u
onde u = v/|v| (vetor unitário), sendo C
o coeficiente de resistência (que depende da forma do móvel), A
a área da seção reta, r
a massa específica do fluido e v a velocidade do móvel
relativa ao fluido.
O
expoente n na resistência trans-sônica
e aquele u na resistência ultra-sônica
variam com v , sendo n > u. Esse assunto, tema
da Fluidodinâmica, é de capital importância para a construção de veículos
velozes e foguetes.
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