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A
mecânica de Newton nos referenciais acelerados
( VPC
=Vertical Para
Cima )
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Introdução
É bastante comum o uso das palavras para cima e para baixo. Existe
pouca ambigüidade quanto ao uso de ambas, em situações
corriqueiras de experimentos locais, referenciados a sistemas
coordenados, em repouso (ou em movimento retilíneo e uniforme) em
relação à superfície da Terra. Essa ambigüidade já será
marcante se tomarmos as impressões de observadores distintos sobre a
superfície da Terra.
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Na
fig.0, quem tem razão ao afirmar :¾
Essa é a vertical para cima! ?
Essa
simples indagação deixa claro, em vários níveis de
interpretação, a ambigüidade no uso de tais palavras,
mesmo assumindo referencial inercial ligado à Terra.
Em
referenciais acelerados, tais como, carro ou elevador
acelerados, carrossel ou satélite em órbita etc., as percepções
de observadores a respeito de vpc
(vertical para cima) ou vpb (vertical para baixo) serão
completamente diferentes daquelas de outros observadores em
referenciais inerciais. |
Nesse
artigo, orientado para alunos do nível médio e candidatos aos
vestibulares --- área de Ciências Exatas --- recordamos alguns
itens da mecânica newtoniana e examinaremos alguns aspectos dessas
sensações em referenciais acelerados, à nível de 2°
grau.
O
VPCímetro
Antes de discutirmos que rumo
toma o para cima ou o para baixo, vamos inventar um vpcímetro,
ou seja, um aparelho que nos informe, sem sombra de dúvidas, qual é
a direção vertical e, nessa direção, quais os sentidos para
cima e para baixo.
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Nosso
vpcímetro nada mais é que o fio de prumo, ou
um pêndulo simples, sempre em repouso em relação ao
observador.
Assim,
se o observador vê o pêndulo simples como na ilustração
da fig.1, ele dirá: Vertical é a direção do fio, o
sentido para
baixo é aquele do
ponto de suspensão para a bolinha do pêndulo e o sentido para
cima é aquele da
bolinha do pêndulo para o ponto de suspensão.
Para
sofisticar nosso vpcímetro, vamos intercalar no fio
do pêndulo um dinamômetro ideal (sua massa é negligenciável
com respeito à massa da bolinha do pêndulo). Tal dinamômetro
mostrará ao observador o peso
da bolinha. |
Experimentos
corriqueiros realizados por observadores em repouso na superfície da
Terra, tendo ao lado seu vpcímetro, mostram que:
a)
Em geral as árvores e muitas plantas, crescem vpc;
b) as pessoas permanecem vpc;
c) o ar quente segue vpc em sua convecção;
d) um corpo em queda livre segue vpb;
e) a superfície livre de um líquido em um copo é perpendicular
à vertical do vpcímetro;
f) as bolhas provenientes de um líquido em ebulição caminham vpc;
g) as raízes principais das plantam crescem vpb etc.
Referenciais
acelerados corriqueiros
Examinaremos, a seguir, o
comportamento de experimentos similares aos sugeridos acima, porém
ocorrendo em situações simples de referenciais acelerados. Em cada
caso, além dos equacionamentos necessários, daremos ênfase às
respostas das seguintes perguntas:
I
) Que rumo
toma a vpc?
II ) Qual o peso
de um corpo de massa m?
III) Qual a aceleração
de queda livre?
Vejamos,
para efeito de comparações, algumas respostas dadas por um
observador com aceleração nula em relação à superfície
da Terra.
NOTA
1: Para esse observador, iniciante em Ciência, será
perfeitamente permitido negligenciar as acelerações orbitais e a
rotação própria da Terra.
A
aceleração (g) de um corpo em queda livre tem direção
vertical (dada pelo seu vpcímetro), sentido para baixo e
intensidade igual à da aceleração imposta exclusivamente pela
gravidade (gg), de 9,8 m/s2, bem de acordo com a
Lei da Atração Gravitacional, do inverso do quadrado da distância,
de Newton.
NOTA
2: Se o observador iniciante não desconsiderasse a rotação da
Terra, sabe-se perfeitamente que no equador, a aceleração de queda
livre (g) é menor que a aceleração devida à gravidade (gg)
em coisa de 0,3%. É sempre bom lembrar que o valor de (gg)
é sensivelmente o mesmo para todos os pontos da superfície da
Terra; quem varia, em função da latitude do ponto considerado é o
valor de g (aceleração de queda livre, ou aceleração local
ou aceleração aparente). Para não deixar dúvidas é que adotamos
as notações:
(gg)-
aceleração devida exclusivamente à gravidade (campo de gravidade
da Terra à nível de sua superfície) e
(g)-
aceleração de uma queda livre, no local da superfície da Terra e
no referencial adotado para determiná-la.
Esse
g não tem características dadas somente pela atração
gravitacional da Terra, mas também pelas acelerações associadas à
rotação da Terra. Infelizmente, muitos livros tabelam g com
o título de valores da aceleração da gravidade em diversos
locais.
VPCímetro
no elevador
Coloquemos um vpcímetro
preso ao teto de um elevador com aceleração nula, conforme ilustra
a fig.2 (A).
|
 |
Na
massa (m) do pêndulo, cuja aceleração é nula, pela
Segunda Lei de Newton, deve-se ter:
S
F = m.a = 0
As
duas forças que atuam nessa massa são: a força
gravitacional ( m.gg ), vpb e a força de
tração devida ao fio (T), vpc.
Então,
na direção do fio:
F
= T + m.gg = O
\
T = -
m.gg |
Respostas
às três perguntas:
I)
vpc é a direção e sentido da força T.
II)
O peso da esfera é o oposto de T, assim:
P
= -
T = m.gg Û
| P | = | T | onde | T | é o valor lido no
dinamômetro.
III)
A aceleração g numa queda livre da bolinha do pêndulo,
nesse elevador, será dada por seu peso divido pela sua massa:
g
= P/m = m.gg /m = gg
Nesse
elevador, o piso será horizontal se for perpendicular à direção
de T (ou P). Uma superfície horizontal, na condição
imposta, será denominada nível. Ela poderá ser constatada
pelo nível de bolha, instrumento indispensável, por exemplo,
aos pedreiros.
Nesse
exemplo visto, vpc (e observador) dentro do elevador, coincide
integralmente com as noções de vpc do observador em repouso
na superfície da Terra. Na verdade, as três respostas dadas são válidas
para os dois observadores.
Comentando
...
Não espere que isso aconteça
também com relação aos referenciais acelerados. Vpc para o
observador nesses referenciais, confirmado pelo vpcímetro, não
coincidirá com o vpc do observador no referencial inercial. O
rumo da vertical, em geral, será diferente. As próprias superfícies
de nível poderão ou não serem planas. Se uma superfície de nível
for plana no referencial acelerado, ela poderá ou não, ser a horizontal
do observador inercial.
Os
pesos dos objetos no referencial acelerado, denominados por alguns
autores como pesos aparentes, assim como suas acelerações de
queda livre , denominadas pelos mesmos autores como acelerações
aparentes, serão diferentes daqueles observados no referencial
inercial. O peso P e a aceleração g , na queda livre,
dependerão de gg e da aceleração a do
sistema de referência, mas essas grandezas estarão sempre
relacionadas entre si através da expressão :
P
=
m.g
Embora
focalizemos nossa atenção nas expressões vetoriais que
permitam a obtenção de g no referencial acelerado, nada
impede sua determinação experimental;
(a)
quer mediante régua e cronômetro usando: s = gt2/2 ,se g
for constante,
(b)
quer mediante a medida do período das pequenas oscilações do pêndulo
simples de comprimento L : T = 2p
(L/g)1/2.
Elevador
com aceleração ascendente
A fig.2 (B) ilustra a situação,
mostrando o elevador e o vpcímetro preso ao seu teto, ambos
com aceleração ascendente a.
|
 |
Convencionemos
aqui o sentido ascendente como positivo e o sentido
descendente como negativo, como referências algébricas para
as intensidades das forças e acelerações.
A
resultante das forças sobre a massa da bolinha é ( T
+ m.gg ), que deve ser igual a m.a,
ou:
T
+ m.gg = m.a (P.F.D.)
donde
T = m( a - gg ) Œ
onde
gg = - 9,8 m/s2 (valor algébrico). |
Respostas
às três questões:
I)
A direção e o sentido da força T fornecem a vpc no
interior do elevador.
II)
O peso da bolinha de massa m é o oposto da força T, cuja
intensidade é a indicada pelo dinamômetro. Indiquemos isso:
P
= - T = - m( a - gg ) ou P = m( gg
- a )
III)
A aceleração g ,na queda livre da bolinha será:
g
= P/m = - m( a - gg)/m = gg -
a ou g = gg - a Ž
NOTA
3:
Cuidado com o resultado Ž
, trata-se de uma subtração vetorial (ou geométrica) e não
algébrica. A subtração do vetor a do vetor gg
é um vetor que se obtém adicionando-se vetorialmente ao vetor gg
um vetor oposto a a.
No caso, o vetor gg - a é vpb.
Atende
para o fato de que o valor de g nesse referencial acelerado é
maior que o valor de gg .
|
 |
Estar
num elevador, como o do exemplo, seria equivalente a estar
num elevador em repouso ( ou m.r.u. ) na superfície de um
planeta (veja figura 2 C ao lado), cuja aceleração, devida
exclusivamente à gravidade tivesse, em sua superfície, o
valor
|
gg - a | |
Elevador
com aceleração descendente
A fig.3 (A) ilustra um
elevador com aceleração descendente (a é negativo), com
|
a | < | gg | .
As
expressões vetoriais Œ
,
e Ž
, vistas acima, ainda são válidas. A força T que o fio
exerce na bolinha de massa m, é positiva, portanto, um observador no
elevador e um observador estacionário darão a mesma informação: vpc.
Entretanto,
a intensidade da tração na corda (dada pelo dinamômetro do vpcímetro)
é menor do que |m.gg|.
Estar
nesse elevador seria equivalente a estar num planeta com aceleração
gravitacional menor que a da Terra. A medição da aceleração de
uma queda livre, nesse elevador, daria como resultado, um valor menor
que 9,8 m/s2.
Se
os cabos que sustentam o elevador fossem cortados, teríamos a situação
da fig.3 (B), onde o elevador e seu conteúdo estão em queda livre (a
= gg ). Para tal situação, tendo-se em vista a
expressão Œ
, a força T é nula, portanto não existe direção identificável
que possa ser chamada de vertical. O fio toma a forma de uma
linha sinuosa qualquer.
Dessa
forma, o peso (P = - T) da massa m e a medida da aceleração
de queda livre (g), são ambos nulos. Essa é a condição de perda
de peso.
Mais
comentários sobre essa imponderabilidade serão vistos na
situação dos satélites artificiais. De qualquer modo, fique atento
¾
quem se anula é o peso da bolinha em relação ao referencial do
elevador; a força gravitacional ( Fg = m.gg
) continua existindo.
Vamos
discutir agora a situação ilustrada na fig.3 (C), com o elevador
acelerado em sentido ao centro da Terra, com aceleração a,
onde |a| > | gg |. Você pode imaginar o
elevador da fig.3 (A) visto de ponta cabeça, onde agora o
cabo é utilizado para acelerá-lo no rumo que o observador
estacionário chamaria de vpb. Nessa situação, nosso observador no
interior do elevador também será visto pelo observador estacionário,
de ponta cabeça.
A
força T que o fio do vpcímetro exerce na massa da
bolinha continua a ser dada pela expressão Œ
, só que agora, o observador interno a identifica como vpc
e o estacionário como vpb. Para ambos, vpc e vpb
coincidem com a orientação da aceleração a.
Para
o observador no interior do elevador as respostas às nossas três
perguntas são:
I)
Vpc é a direção do fio BC e o sentido é de B para C (o
observador estacionário dirá ser vpb).
II)
O peso P da massa m está expresso corretamente pela equação
vetorial
, com orientação vpc. Continua a ser |P| = |T|,
indicado pelo dinamômetro do vpcímetro.
III)
A medida da aceleração de queda livre vem expressa corretamente
pela equação Ž
. Nesse caso, a aceleração de queda livre, medida pelo observador
do elevador, é positiva e vpc.
Desafios
- Experimentos dentro do elevador acelerado
Constitui excelente exercício
mental fazer-se perguntas sobre experimentos científicos realizados
dentro de elevadores acelerados. Eis algumas propostas:
1)
Pêndulo simples suspenso ao teto do elevador, oscilando com pequenas
amplitudes.
Como
o seu período é afetado pela aceleração do elevador, nas três
situações da fig.3 ?
2)
Um aquário posto no piso do elevador contém um peixe, uma bolha de
ar que se desprende do fundo e uma bola de pingue-pongue. O elevador
é acelerado verticalmente, nas três situações citadas. Existe
alguma modificação na flutuação do peixe, na força ascensional
na bolha ou na quantidade de líquido deslocado pelo bola?
A
fim de solucionar essas questões, o melhor caminho mental é lembrar
que, o efeito de uma aceleração é o mesmo que o aumento ou
diminuição da força gravitacional. Tenha sempre presente que a
(nova) aceleração g no interior do elevador é expressa
vetorialmente por :
g
= gg - a
Em
algumas situações o efeito da aceleração é mais sutil e, um
deslize na conceituação pode levar a soluções errôneas. Veja
esse exemplo.
No
piso do elevador tem-se um bloco de massa M, em repouso, ao qual
vamos aplicar uma força horizontal F, no intuito de arrastá-lo
sobre o piso. A intensidade da força de atrito despertada
entre o bloco e o piso é dada, aproximadamente, por:
Fat
= m
.Fn
onde
Fntraduz a força normal de compressão, do bloco
sobre o piso.
Via
de regra, o aluno identifica | Fn | = | m.gg
| , e a partir daí discute, confrontando |
Fat | com | F |, as diversas possibilidades
do escorregamento, repouso ou aceleração horizontal de M.
Entretanto, com o elevador acelerado, por exemplo com a
ascendente, a força normal Fn terá intensidade dada por :
|
Fn | = | m.gg | + | m.a |
Como
uma conseqüência desse substancial aumento na força normal ocorrerá
um aumento correspondente na força de atrito, podendo invalidar
totalmente as possibilidades analisadas pelo aluno.
Recomendamos
cuidados especiais para exercícios onde participam os empuxos
exercidos por líquidos, sobre os corpos neles imersos, em
referenciais acelerados.
Aceleração
horizontal constante
Nosso vpcímetro será
suspenso ao teto de um automóvel que está experimentando uma
aceleração horizontal constante a, para a direita, como se
ilustra na fig.4.
O
fio do vpcímetro BC, no carro, fará um ângulo q
com a vertical CD (a vertical do observador estacionário na
estrada). Para o observador no interior do carro, a vertical será a
direção do fio BC.
Calculemos
o ângulo q
, tendo-se em vista o diagrama de forças ilustrado na fig.4 (B).
As
forças que agem na bolinha, vistas pelo observador estacionário são,
a tração imposta pelo fio T (força de contato) e a força
gravitacional Fg= m.gg (força de
campo).
|
T | pode ser facilmente obtido, pela simples leitura no dinamômetro
do vpcímetro e a intensidade da força gravitacional pelo cálculo:
massa m (conhecida) vezes a intensidade da aceleração devida à
gravidade | gg | (conhecida). A direção de T
relativa à vertical do observador estacionário (expressa pelo ângulo
q
) é a incógnita.
A
resultante dessas duas forças que agem sobre m é R e, de
acordo com a Segunda Lei de Newton devemos por:
T
+ Fg= R = m.a Q
Projetando-se
essa equação Q
no eixo y, vpc, tem-se:
T.cosq
+ m.gg = m. ay
Como,
por hipótese, a aceleração do carro é horizontal, sua componente
sobre o eixo y vertical é nula , donde:
T.cosq
= - m. gg
ou
cosq
= |-mgg| / |T| (a)
Projetando
essa equação Q
sobre o eixo x ,horizontal para a direita, tem-se:
T.senq
+ 0 = m.ax
E,
como a é horizontal, sua projeção sobre x, ax
coincide com a, logo:
senq
= |m.a| / T (b)
De
(a)
e (b)
obtém-se :
tgq
= |a| / |gg| ‘
Agora
podemos responder às três perguntas:
I)
Vpc é a direção do fio do vpcímetro e o sentido é
de B para C, que são as características vetoriais da força T.
Um passageiro sentado no banco desse carro sentirá uma reação de
apoio tanto por parte do assento como por parte do encosto. A
resultante dessas duas forças será a reação normal de apoio desse
passageiro. Essa força normal, para o passageiro, será vista sob ângulo
q
pelo observador estacionário, em relação à sua vertical.
II)
O peso da bolinha (aparente, para alguns autores) terá intensidade
igual à tração no fio, dada pelo dinamômetro. Essa intensidade
também pode ser obtida do diagrama de forças, observando que:
|
P | = | T | = [ (m.gg)2 + (m.a)2]1/2
’
III)
A aceleração de uma queda livre ,no interior desse carro, terá
intensidade dada por:
|
g | = | P | / m = ( gg2 + a2 )1/2
“
Se
o observador no carro não sabe a direção correta da vertical
, ele não saberá dizer que parcela de P é devida à atração
gravitacional da Terra e que parcela é devida à aceleração do
carro. De qualquer modo ele poderá sempre imaginar que a aceleração
da gravidade teve seu valor | gg | aumentado para o novo
valor: (gg2 + a2 )1/2 .
Se
o fio de linha do vpcímetro quebrar, a bolinha cairá em
queda livre ao longo da direção CB, de C para B, com intensidade
dada pela “
. Se o fio que sustenta a bolinha, em lugar de quebrar, for
ligeiramente deslocado de sua posição de equilíbrio (dada pelo ângulo
q
), a bolinha oscilará como um pêndulo, em torno de B, com período
dado por:
Tcarro
= 2p
(L/g)½
onde
g é o valor expresso pela “
e L é o comprimento BC do fio.
Importante:
Você
que está na superfície da Terra e observa uma queda livre, não
saberá dizer qual é realmente a vertical do lugar e, conseqüentemente,
não poderá dizer com que parcela a atração gravitacional da Terra
contribuiu para aquela aceleração de queda livre. Não esqueça que
você está num referencial acelerado ¾
Terra girando em torno de seu eixo e eixo transladando em relação
ao Sol. O rumo da queda livre que você observa, ou a direção do
fio de prumo no local (exceto se estiver em um dos pólos!) é apenas
a vertical local e não a direção do raio da Terra que passa
nesse local, que é a vertical verdadeira.
Um
pêndulo simples nesse local, através da medição do período e do
comprimento do fio, não fornecerá a aceleração da gravidade e sim
a aceleração local.
Aceleração
centrípeta horizontal
Suponha um carro dotado de
velocidade escalar constante V = w
.r, numa trajetória circular de raio r, sobre superfície plana e
horizontal da Terra. Nosso vpcímetro estará suspenso no
ponto C do teto, como ilustra a fig.5 (A).
Essa
situação tem muitas similaridades com aquela ilustrada na fig.4.
A
força de tração T que o fio aplica na bolinha, do mesmo
modo que naquela situação, admite uma componente vertical Fv, que
equilibra a força gravitacional Fg = m.gg
exercida pela Terra sobre a massa da bolinha. A componente horizontal
de T traduz a resultante das forças sobre a bolinha,
determinando sua aceleração a , que é radial com sentido
para o centro da curva, ou seja, é centrípeta.
Do
diagrama de forças posto na fig.5 (B), facilmente tiramos:
R
= T + Fg = m.a = (m.V2/r)n = (m.w
2.r)n ”
onde
n é o versor da normal à curva na posição esquematizada.
A
inclinação do fio, dada pelo ângulo q
, continua a ser expressa por:
tgq
= | a | / | gg |, ou tgq
= (m.V2/r) / (m.gg )
logo,
tgq
= w
2.r / gg
•
Vejamos
as respostas às três perguntas
e alguns comentários:
I)
Vpc, no ponto B, é a direção do fio e para cima, é de B
para C. Essa vertical, para o observador no carro, faz ângulo q
, com a vertical do observador estacionário.
II)
A intensidade do peso da bolinha é igual ao valor da tração no
fio, dada (sempre) pelo dinamômetro do vpcímetro, ou pela
expressão:
|
P | = | T | = [(m.gg)2+(m.w
2.r )2 ]½ = m.| g |
(11)
III)
A aceleração na queda livre vale :
g
= [(gg)2 + (w
2.r )2 ]½
(12)
O
observador, no interior do carro, dirá que parte de seu peso é
devido à atração gravitacional e que parte é devido à aceleração
do carro. Existe uma diferença importante entre o carro com uma
aceleração horizontal uniforme e o carro com um movimento circular
uniforme em pista horizontal. O vpcímetro preso ao teto do
carro, na primeira situação, fará sempre o mesmo ângulo q
com a vertical, qualquer que seja o local do ponto de suspensão C,
isso não acontecerá na segunda situação.
Observe
na fig.5 (A), dois pêndulos, um preso em C e outro em C’. A
bolinha de massa m’, em B’, apresentará raio r’ maior que r
(da bolinha B) e, as relações (10) e (12) mostram que q
e g, respectivamente, aumentam quando r aumenta.
|
 |
Para
estimular sua imaginação, suponha que, em lugar da bolinha
B’, tenha-se uma semente de feijão envolvida em algodão
úmido. Alguém plantou uma semente em B’. Como crescerá
essa plantinha, mantendo-se o movimento circular do carro
sempre uniforme por dias e dias?
A
fig.5a ilustra esse experimento que, facilmente pode ser
realizado pelo aluno, plantando sementes de feijão numa
forma de bolo redonda, contendo areia úmida e posta a
girar à 78rpm, sobre o prato de um velho toca-discos. |
Tanto
o caule como a raiz iniciam seu crescimento seguindo a direção
B’C’, uma vpc e outra vpb. Com o crescimento, as partes do
caule, irão para pontos de raios cada vez menores e com isso o ângulo
q
com a vertical diminuirá. O caule tende assintoticamente à vertical
do observador estacionário, enquanto que a raiz, por apresentar
pontos cada vez mais afastados do centro de rotação, tenderão para
a horizontal. Esse é o fenômeno do geotropismo num
referencial acelerado.
Movimento
circular uniforme horizontal (curvas inclinadas)
Para manter o movimento
circular uniforme de um veículo e seu conteúdo, com massa total M,
em pista horizontal, um agente externo deverá exercer nele uma
resultante centrípeta (direção radial, sentido para o centro da
curva) de intensidade Fcp = m.w
2.r.
O
agente externo é o pavimento, e a força de atrito, via de regra, é
o mecanismo através do qual a força é aplicada no veículo. Num
modelo mais simples, para tal força tem-se, Fmáx.= m
.Fn, onde Fmáx.. é a intensidade da força máxima
de atrito que pode ser despertada entre pneus e pavimento, m
é o coeficiente de atrito (grandeza adimensional) característico do
par de materiais em contato ( suposto constante) e Fn a
intensidade da força normal de compressão.
Sendo
a força de atrito, a resultante centrípeta destinada a produzir a
aceleração centrípeta adequada ao movimento, sua intensidade não
poderá exceder a força máxima de atrito disponível, assim :
M.w
2.r £
m
.M.gg
(13)
Para
que o veículo descreva essa curva no plano horizontal, a (13) deve
ser obedecida. Para tanto, com um dado valor de r, a velocidade
escalar do veículo não poderá superar um certo valor limite.
Acontece que o valor do coeficiente de atrito que, até então foi
suposto constante, pode ser reduzido pela presença, no pavimento, de
areia, óleo, água, resíduos de outros pneus etc. e, com isso o
segundo membro da (13) também será diminuído. O veículo começa a
derrapar. A boa solução é inclinar o pavimento da curva. Há duas
razões científicas para se construir curvas inclinadas numa
estrada:
A
primeira é para criar uma situação na qual vpc seja
perpendicular à superfície da rodovia. O sistema de equilíbrio das
pessoas (labirinto) está acostumado com movimentos não acelerados
em superfícies horizontais e disso deriva o bem estar nas
situações em que vpc é perpendicular à superfície sobre a
qual nos apoiamos. Nas ocasiões onde o autor teve oportunidades de andar
de avião, um fato foi observado, tanto nos pousos como nas
decolagens; ao olhar através da janela podia- se observar que o avião
estava mudando de direção e que suas asas estavam inclinadas coisa
de 45°
em relação à horizontal, entretanto, não existia a sensação de
que o avião estava fazendo curva ou inclinando-se, porque a vpc
tinha permanecido perpendicular ao assoalho e ao assento da poltrona.
A
segunda razão é para permitir que o veículo faça a curva
com uma dependência mínima (idealmente zero) do coeficiente de
atrito entre os pneus e o pavimento.
A
fig.6 ilustra alguns diagramas de forças envolvidos no ato de um veículo
realizar uma curva com pista inclinada.
A
inclinação das curvas de estradas de ferro mostram um problema de design
interessante. Os trilhos dos trens de brinquedo possuem segmentos
de linha retos ou em arcos circulares de raios fixos. Os segmentos
curvos deveriam possuir os trilhos exteriores à curva mais elevados
que os trilhos interiores e essas diferenças de níveis dependeriam
dos raios das curvas e do planejamento da velocidade do trem. Ora,
para unir um segmento de trilhos retos com esses trilhos inclinados
das curvas, será necessário uma descontinuidade no ângulo de
inclinação.
Esse
é o motivo pelo qual as curvas de rodovias e das estradas de ferro
apresentam curvas de transição que, tornam-se assintóticas aos
trechos retilíneos em cada extremidade. O raio de curvatura e o ângulo
de inclinação variam suavemente nos trechos de interligação
reta-curva. E muitos casos, os trilhos são assentados com inclinação
e curvaturas adequadas para uma única velocidade do trem e, trens
que viajam com velocidades maiores ou menores que essa velocidade
adequada terão que depender do flange da roda para manter os vagões
deslizando sobre os trilhos.
Superfícies
líquidas em rotação
Um recipiente contendo um líquido
é posto a girar centrado com um disco fixo ao eixo de um motor. A
superfície livre toma uma forma abaulada, com o líquido
subindo pelas bordas do recipiente e baixando na região central do
mesmo. A inclinação do líquido num dado ponto à distância r do
eixo de rotação será dada pela expressão •
.
|
 |
A
fig.7 ilustra essa situação e, o equacionamento a seguir
define analiticamente a forma dessa curva.
tg
q
= w
2.r / gg = dy/dr (14)
Então
: dy = ( w
2/ gg ). rdr
e,
integrando, com y = 0 para r = 0, vem
y
= (w
2/ 2.gg).r2 (15)
que
é a equação de uma parábola. |
Portanto,
a superfície livre do líquido para o observador estacionário é um
parabolóide de revolução.
Observe
que a equação dessa superfície é independente da densidade
absoluta do líquido. Os espelhos parabólicos de mercúrio são
obtidos por rotação uniforme em equipamentos bastantes
sofisticados.
Outra
observação interessante é que, nos líquidos incompressíveis, em
equilíbrio sobre ação da gravidade, as superfícies eqüipotenciais
gravitacionais são planos horizontais e as linhas de força do campo
gravitacional são retas e verticais. Aqui, nesse referencial
acelerado, as superfícies eqüipotenciais são parabolóides e as vpc
mudam de rumo a cada ponto da superfície. O remador ilustrado na
fig.7 não sente a curvatura da superfície, ele rema, como nós
o fazemos, num lago de água tranqüilas, sem qualquer esforço
extra. Nós vemos a superfície do grande lago curvada para baixo,
acompanhando a superfície da Terra, ela vê a superfície de seu
lago curvada para cima, acompanhando a curvatura de sua
Terra. Para ele o mundo é baulado para dentro.
Pêndulo
cônico
O pêndulo cônico é um
exemplo simples de partícula em movimento circular e uniforme. É
composto por uma pequena massa fixa à extremidade livre de um
cordel, girando, num plano horizontal, com movimento circular e
uniforme, ao redor de um eixo vertical que passa pelo ponto de
suspensão da outra extremidade do cordel. O ângulo que o cordel faz
com a vertical é q
. Seu valor é dado pela expressão •
e, o peso da bolinha, nesse referencial acelerado, é dado pela
expressão (11). A aceleração de queda livre de um corpo, medida no
interior da bolinha (imagine que no lugar da bolinha tenha-se uma
gaiola de parque de diversão), será peso do corpo dividido pela sua
massa, como indica a expressão (12).
Movimento
descendente em plano inclinado isento de atrito
Como você se sentiria dentro
de um carro que desce, sem atrito, ao longo de uma rampa inclinada de
45° em relação à horizontal?
Estamos
admitindo um deslizamento hipotético, desconsiderando, inclusive, a
energia cinética de rotação das rodas do veículo.
Como
é a vpc no interior desse carro? Que ângulo q
o fio do vpcímetro faz com a vertical do local?
Tendo-se
em vista a fig.8 (A), é fácil mostrar que q
= F
e que a força T que o cordel aplica na bolinha de massa m, não
apresenta componente paralela à linha de maior declive do plano (ou,
algebricamente, que essa componente é nula). Se o carro de massa M e
a bolinha de massa m estivessem deslizando, independentemente, nesse
plano inclinado sem atrito, cada um teria a aceleração gg.senq
. Se eles fossem unidos por uma corda, a tensão na corda seria nula,
isto é, não se requer, para nenhum dos dois, que existam forças
paralelas ao declive sem atrito, para lhes garantirem a aceleração
gg.senq
.
Quando
m encontra-se suspensa no interior de M, o sistema das duas massas
possui a aceleração gg.senq
, descendente e direção da linha de maior declive, idêntica à que
teriam, caso estivessem deslizando, independentemente, lado a lado.
Isso justifica porque a força que o cordel exerce na massa m
não apresenta componente paralela à linha de declive e porque q
= f
.
Um
argumento mais quantitativo é o fornecido na fig.8 (B).
Um
passageiro no interior desse carro responderá
nossas três perguntas assim:
I)
vpc é a força T, perpendicular ao declive e sentido
de B para C.
II)
O peso da bolinha de massa m é igual à intensidade da força T,
lida no dinamômetro do vpcímetro ou, analiticamente obtida
do diagrama de forças da fig.8 (C), que é m.gg.cosq
.
III)
A aceleração de uma queda livre será:
g
= P/m = m.gg.cosq
/ m = gg.cosq
Esse
passageiro, permanecerá vpc no carro acelerado rampa abaixo
com o seu corpo paralelo a BC e, se soltar uma pedrinha, a partir do
repouso (em relação a ele) para observar sua queda livre, ele a
veria cair seguindo a direção BC, de C para B.
Um
observador estacionário, fora do carro, observando a queda da
pedrinha, descreveria sua trajetória como um arco de parábola que
encontra a linha BC em todos os pontos de sua queda, que se dá com
aceleração constante gg.
Essas
observações são verdadeiras para qualquer ângulo de talude, quer
o carro esteja subindo ou descendo a ladeira, deslizando sem atrito.
Comentário
Essas rampas de descidas ou
subidas nem sempre são retas. É comum o estudo de movimentos sobre
arcos de circunferência num plano vertical, como é o caso dos loops,
montanhas russas etc.
Uma
montanha russa é composta por subidas e descidas, em arcos de
circunferências, com seus trilhos no plano vertical e, para um dado
carrinho (sem atrito ou momento de inércia nas rodas), se ele for inteiriço
(monobloco), vpc estará sempre naquele plano vertical e
perpendicular à tangente local do trilho. Isso não ocorre com dois
ou mais carrinhos acoplados pois, ainda que mantenham as mesmas
velocidades e acelerações escalares, alguns estão subindo uma
ladeira curva, enquanto que outros estão descendo; a vpc muda
de um carrinho para outro.
Comentário
interessante teríamos por parte de um observador que
"penetrasse" no interior da bolinha de um pêndulo simples
(nosso vpcímetro ). Ele diria que vpc é a direção
do fio que sustenta a bolinha do pêndulo, sentido, dele para o ponto
de suspensão e seu peso seria indicado pelo dinamômetro do vpcímetro.
Essa pessoa, permanecendo vpc numa inclinação, tem seu corpo
sempre paralelo à direção do fio, em toda a extensão do seu
percurso ao oscilar. Quando a inclinação do pêndulo simples se
avizinhasse dos 90°
, o corpo da pessoa permanece vpc nessa inclinação que está
próxima da horizontal ( que é paralela à linha de maior declive do
plano inclinado local ).
Entretanto,
a magnitude do peso de uma pessoa numa inclinação não é
simplesmente m.g = m.gg.cosq
, como no caso do escorregamento sem atrito num plano inclinado. Para
manter o movimento numa trajetória circular, uma força centrípeta
é requerida, que deve ser adicionada à m.gg.cosq
. Desse modo, a tensão no cordel do pêndulo que sustenta a massa m
será:
T
= m.gg.cosq
+ m.v2/r
(16)
onde
a velocidade v e o ângulo q
que o cordel faz com a vertical, estão constantemente se
modificando. Quando a quantidade T é positiva, o cordel encontra-se
sob tração e, se for negativa, o cordel não estará sendo
solicitado na manutenção do movimento.
Se
o pêndulo (ou inclinação) estão prestes a completar um loop
( q
= p
), a tensão no cordel deve ser positiva ou nula. Para o caso de T =
0, no topo do loop vertical, cosq
= -1, e essa expressão (16) nos leva a um resultado familiar,
ou seja:
v2/r
= gg
(17)
A
expressão (17) é apropriada para o pêndulo, quando o mesmo
encontra-se na extremidade superior de um loop vertical; a
aceleração gravitacional gg é suficiente para garantir
a aceleração centrípeta necessária para sustentar o movimento
circular e, assim, o loop não requer qualquer tensão no cordel. O pêndulo,
nesse ponto da trajetória, aparentará estar mais leve. O dinamômetro
do vpcímetro não registra peso algum!
Numa
situação similar, imagine você dirigindo um carro ao longo de uma
pequena colina numa estrada, onde o topo é um arco de círculo
vertical de raio r. Suponha que você mantenha a velocidade
v
= (gg.r)½
isso
fará com que os passageiros do carro tenham, momentaneamente, uma
sensação de falta de peso. Essas pessoas aparentarão
estarem flutuando livremente no carro. Tal fato real faz surgir um
problema interessante:
Quando
dirige-se um carro sobre uma trajetória curva de pequeno raio, no
topo de uma colina, as pessoas no interior do carro podem bater suas
cabeças no teto do carro. Como isso pode acontecer, se tanto as
pessoas quanto o carro não podem ter acelerações descendentes
maiores que gg ?
Satélite
em órbita ou nave espacial flutuando
Quando uma nave espacial não
está utilizando seu motor, ela estará caindo sob a ação de
qualquer campo gravitacional, de modo que a nave e todo seu conteúdo
estarão acelerando na mesma proporção. A velocidade e a aceleração
(proporcionada pela gravidade) da nave e de seu conteúdo serão
iguais em cada instante; os ocupantes da nave estarão sem peso
com relação à nave ¾
para eles, o interior da nave é uma zona de imponderabilidade.
Numa
órbita ao redor da Terra (r »
6 400 km ), a aceleração será de 9,8 m/s2, e com r »
640 000 km, a aceleração será de 9,8 x 10-2 m/s2.
Em cada caso, se a nave não estiver utilizando seu próprio motor, a
nave e seu conteúdo estarão numa queda livre, as pessoas no
interior da nave terão peso nulo em relação à nave (peso aparente
nulo) e não terão sensações que as possibilite estimar se sua
aceleração é de 9,8 m/s2 ou é de 9,8 x 10-2
m/s2.
Para
criar uma gravidade artificial para a nave, de forma que seus
ocupantes possam ter peso, e conseqüentemente identificarem
algum rumo como sendo sua vpc, tem-se proposto
construir naves ou estações espaciais com o formato de uma rosca,
que giraria com velocidade angular constante com relação a um eixo
de simetria circular. Dessa forma, a força necessária para manter a
aceleração centrípeta de cada objeto numa aeronave giratória,
serviria como uma pseudogravidade.
|
 |
Nesse
caso, teríamos que fazer : 9,8 m/s2 = r.w
2, onde r é o raio do assoalho da nave, w
sua velocidade angular, como se ilustra na figura 9.
Em
particular, para nossa posição de observação, repare que
o assoalho é uma faixa circular presa à "parede
lateral" da estação.
Na
falta dessa gravidade artificial criada pela rotação da
nave em torno do eixo de simetria, os objetos internos
continuam a exibir a propriedade da inércia, mas sem pesos
aparentes ¾
esta é a situação incomum que as pessoas na superfície da
Terra não têm e, dai decorre a conceituação errônea
entre massa e peso. |
Num
ambiente desse, por vezes designado região de imponderabilidade,
coisas estranhas ao que é corriqueiro à Física Terrestre acontece:
-
as
bolhas não surgiriam numa cerveja,
-
o
pêndulo não trabalharia,
-
você
não poderia fazer o bebê arrotar,
-
a
água não permaneceria no fundo do copo,
-
uma
bola de pingue-pongue não flutuaria em água,
-
num
tubo fechado contendo água e óleo, o óleo não estaria na parte
de cima,
-
o
barômetro de Torricelli seria um fracasso,
-
uma
vela não poderia queimar etc.
A
chama da vela, por exemplo, obtém o oxigênio necessário à combustão
através da convecção dos gases aquecidos. A convecção depende
dos diferentes pesos específicos que possuem os gases quentes e
frios, portanto, a convecção não pode existir num ambiente de
imponderabilidade, como é o caso de uma nave flutuando.
Essa
falta de peso momentâneo é experimentado por qualquer pessoa, por
exemplo, ao saltar do trampolim de uma piscina.
Vpc
... que rumo toma ?
É sempre interessante
desenvolver uma construção simples de vetores que permita
determinar o rumo da vpc ou da vpb, em qualquer referencial
acelerado. De modo geral, podemos dizer que a vpb é dada pela soma
de dois vetores e que a vpc é a direção dessa adição, com
sentido contrário.
O
primeiro vetor é gg, cuja magnitude é a aceleração
imposta exclusivamente pela gravidade, no local, sua direção é a
da vertical verdadeira local (radial) e sentido descendente.
O
segundo vetor é –a, que é oposto do vetor da aceleração
do sistema. A soma (vetorial) desses dois vetores é o vetor g,
que seria medido por um observador no sistema acelerado. Para esse
observador, o rumo de g é vpb e o rumo de –g é vpc.
Isso
é ilustrado na figura 10, para as acelerações verticais das
figuras 2 e 3 e na figura 11, para as acelerações horizontais das
figuras 4 e 5.
A
figura 12(A) mostra isso para o carro que movimenta-se, sem atrito,
descendo o declive.
A figura 12(B) mostra a situação para o carro descendo o declive
com a > gg.senq
.
A figura 12(C) mostra a situação para o carro que desliza com
atrito ( a < gg.senq
).
Dessa
forma, em todos os casos, tem-se:
g
= gg - a
(18)
Essa
expressão vetorial pode ser utilizada para o caso da Terra, com o
intuito de observar-se a relação entre g , gg e a
aceleração centrípeta a = r.w
2, onde w
é a velocidade angular de rotação da Terra. Salientamos que
assumimos para a Terra a forma esférica, distribuição uniforme e
que r , na expressão (18) não é o raio R da esfera terrestre, mas
sim r = R.cosl
, onde l
é a latitude.
A
figura 13 ilustra, sem as devidas escalas, essas somas vetoriais para
um ponto no equador, para um ponto no paralelo médio e para um ponto
no pólo.
Nessas
representações simplificadas, pode-se observar que |g | < | gg|
e, que ambas só são iguais, nos dois pólos. Entretanto, a diferença
entre as duas acelerações não supera os 0,3%.
Comentários,
sugestões e correções são os verdadeiros referenciais para o
autor; por um lado eu aprendo e por outro eu faço a correção ... e
todos sairemos beneficiados!
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