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O Arranca-estacas

Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br

Apresentação
Arrancar um toco, uma estaca ou simplesmente levantar uma grande carga é problema da Estática do ponto material. O arranca-estacas é uma máquina simples e, como tal, multiplica a intensidade da força aplicada pelo operador (P), transmitindo-a para a carga (Q), a estaca. Essa montagem didática é recomendada para aulas de Física, exposições e apresentações em Feiras de Ciências.

Material
Estrutura de madeira, cordoné, pequenas argolas, pitões, porta-pesos e massores.

Montagem

A figura acima ilustra a montagem. O operador aplica na corda ligada no anel A a força P  (simulada pelo peso do bloquinho P) e o sistema aplica na carga a força - Q (muito maior que P).
O segredo todo da multiplicação de forças está nos ângulos (a) e (b) da montagem, os quais devem ser bem pequenos. Quanto menores os valores desses ângulos, menor será o valor de P para sustentar a carga Q.

Explicando
Nos anéis A e B as forças aplicadas são as ilustradas na figura a seguir. Cada anel simula um ponto material em equilíbrio. Em cada um, a resultante das forças aplicadas deve ser nula.

Forças nos anéis A e B

A resolução gráfica desta máquina, ou seja, determinação de P em função de (a), (b) e Q exige 12 passos, ilustrados a seguir. Tratam-se de construções geométricas simples, em escala.

Resolução gráfica do arranca-estacas

De início, traçamos as direções dos fios, assim como as verticais e horizontais que passam por A e B. 
A seguir descrevemos as operações na ordem devida:

01. Construímos o segmento orientado que representa Q numa dada e conveniente escala;
02. Construímos a equilibrante de Q (-Q) (use compasso!);
03. Reta horizontal pela extremidade de -Q determina, na direção do fio inclinado, a tração que ele suporta;
04. Reta vertical pela extremidade da tração determina na horizontal sua componente horizontal;
05. Construímos a componente horizontal da tração no fio inclinado de b;
06. Construímos a equilibrante desta componente horizontal que será a tração no fio horizontal;
07. Transfere-se o oposto desta tração para o ponto A;
08. Construímos a equilibrante desta tração horizontal;
09. Reta vertical pela extremidade desta tração determina a tração no fio inclinado de ;
10. Reta horizontal determina a componente vertical desta tração;
11. Esta componente vertical é a equilibrante de P;
12. Construímos o oposto da componente vertical que é o segmento, na mesma escala, que fornece P.

Uma resolução analítica é a seguinte:

Equilíbrio de B:                                              Q + T1 + T = 0   (*)
[T1 é a tração no fio inclinado de (
b); T é a tração no fio horizontal].

Projeção da equação vetorial (*) no eixo x (horizontal):                       T1.sen(b) = T  (1)
Projeção da equação vetorial (*) no eixo y (vertical)    :                       T1.cos(
b) = Q  (2)

Equilíbrio de A:                                              P + T + T2 = 0   (**)   
[T2 é a tração no fio inclinado de (a)].

Projeção da equação vetorial (**) no eixo x (horizontal):                       T2.cos(a) = T    (3)
Projeção da equação vetorial (**) no eixo y (vertical)    :                        T2.sen(
a) = P   (4)

A (2) fornece, diretamente, o valor de T1    ===> T1 = Q/cos(b);
Levando-se esse valor de T1 na (1), obtemos T   ===> T = Q.sen(
b)/cos(b) = Q.tg(b)
Levando-se o valor de T na (3), obtemos T2  ===> T2.cos(a) = Q.tg(
b) ===> T2 = Q.tg(b)/cos(a)
Finalmente, tendo-se T2 obtém-se P ===>
P = Q.tg(a).tg(b).

Outro encaminhamento para a solução:
Dividindo-se m.a.m (1)/(2) e (4)/(3) vem: ===> T/Q = tg(
b)   e  P/T = tg(a)
Multiplicando-se m.a.m essas duas últimas:  T/Q x P/T = tg(a) x tg(
b)    ou 
P = Q.tg(a).tg(b).

Nota: Não pense que aplicando a força P no anel A o toco vai 'sair 1/2 metro do chão'! Não se esqueça da Lei Áurea da Mecânica ... o que se ganha em força, perde-se em distância.

 

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