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Vassouras. Como funcionam? Luiz Ferraz Netto Parte
1 Equilibre a vassoura com seus dois dedos indicadores nas extremidades do cabo, como mostra a figura 1 (as setas indicam as posições aproximadas dos dedos).
Agora vá aproximando os dedos bem lentamente um do outro. Você notará que a vassoura não necessariamente desliza por sobre ambos os dedos. Às vezes é por sobre o seu dedo da mão esquerda que ela desliza, enquanto o dedo da mão direita permanece solidário à vassoura; às vezes é ao contrário. Mesmo que você esteja forçando apenas um dos seus dedos a se mover, ora a vassoura desliza por sobre um, ora por sobre o outro. E mais: se as mãos forem movidas suavemente, quando os dedos se tocarem a vassoura ainda estará em equilíbrio. Assinale no cabo de vassoura o ponto em que os dedos se encontraram. Repita o processo com os dedos em diferentes posições iniciais. Você notará que o ponto de encontro é sempre o mesmo. Uma vez que após o encontro dos dedos a vassoura está em equilíbrio, não é difícil concluir que este ponto é o centro de gravidade da vassoura!!! Esta é portanto uma maneira simples e interessante de determinar o centro de gravidade de um objeto extenso. O curioso é que quaisquer que sejam as posições iniciais dos seus dedos e qualquer que seja o dedo que é forçado a se mover, é como se a vassoura é quem decidisse por sobre qual dedo deslizar, de forma a manter o equilíbrio. A razão para isso está nas condições de equilíbrio de um corpo rígido. Considere as forças que agem sobre a vassoura. Além do peso P que age no centro de gravidade, duas forças verticais F1 e F2 exercidas pelos seus dedos equilibram a vassoura, como mostra a figura 2.
As somas das forças e de seus momentos (ou torques) devem ser nulas, isto é: F1 + F2 = P e F1 X1 = F2 X2 (momentos em relação ao C.G.). Portanto, as forças F1 e F2 dependem do peso da vassoura e das distâncias X1 e X2 (se X1 > X2 então F2 > F1 e vice-versa). Ao aproximarmos as mãos, a vassoura desliza por sobre um dos dedos: aquele para o qual a força horizontal exercida sobre o cabo superar a força de atrito máxima entre o dedo e a vassoura. Sabemos que as forças de atrito máximas F1max e F2max dependem das forças de sustentação F1, F2 e do coeficiente de atrito m, segundo as expressões: F1max = m.F1 e F2max = m.F2. Assim, se X1 > X2 então F2 > F1 e conseqüentemente F2max > F1max. Ora, ao empurrarmos os dedos lentamente, uma força horizontal estará sendo feita por ambos os dedos sobre a vassoura. Como nesse caso a força de atrito máxima em X1 é menor do que em X2 , a vassoura deslizará pelo dedo em X1. O contrário ocorre quando X1 < X2. Em outras palavras: as próprias forças de atrito envolvidas selecionam o dedo por sobre o qual a vassoura vai deslizar, de forma a que eles sempre se encontrem no centro de gravidade. Repita a experiência com outros objetos. Isso funciona também em duas dimensões. Experimente, por exemplo, apoiar uma bandeja por três dedos. Vá aproximando os dedos bem lentamente um do outro e veja o que acontece!! Parte
2 De início ela é palco para a determinação do CG de um corpo extenso heterogêneo. A técnica habilidosamente acima descrita deixa claro que o CG pode ser determinado "cientificamente" e não no tradicional "na base da tentativa". Mas, tem mais ...
a) Obtida a posição do CG (bem marcadinho com o giz) podemos continuar a explorar o senso comum dos alunos. Propomos: "Vamos cortar o cabo da vassoura bem na marca do CG obtendo dois pedaços; um que é só pedaço do cabo e outro com um pedacinho do cabo + a vassoura propriamente dita". Cada uma das partes, assim obtida, será colocada nos pratos de uma balança de braços iguais. Para que lado pende a balança? Para o lado que contém o pedaço de cabo ou para o lado que contém a vassoura? O "bom senso" dos alunos irá falhar. A resposta será: --- "não pende para lado nenhum, a balança permanecerá em equilíbrio pois a vassoura foi cortado justamente no CG". Isso não é verdade, a balança penderá para o lado que contém a vassoura.
Cada parte, após o corte, tem seu próprio peso (P1, o peso do pedaço de cabo e P2, o da parte que contém a vassoura). Em relação ao antigo CG, esses pesos (P1 e P2) têm momentos (torques) iguais (P1.x1 = P2.x2) mas, como x1 é maior que x2, teremos P1 menor que P2. A balança, que compara pesos (criteriosamente, massas) e não momentos, penderá para o lado de P2 (vassoura). Os alunos, sem dúvida, apreciarão essa observação ... e diga-se de passagem, já foi questão de vestibular. b) Continuemos com a vassoura (íntegra) e pedimos uma cadeira emprestada (professor não usa cadeira!). Agora vamos colocar na cabeça dos meninos a idéia de centro de percussão. As meninas, em particular, irão adorar ... pois descobrirão cientificamente "onde sentar" e "onde apoiar as mãos" durante seus vôos noturnos com a vassoura (bruxas ... ih ih ih!)
Segurando a "vassoura" próximo à piaçaba (vassoura típica das bruxas), dê uma batida com a ponta da vassoura (ponta do cabo) no encosto da cadeira (ou outro obstáculo rígido). Ao fazer isso, observe com a vassoura "treme" toda, a piaçaba trepida, o braço treme e a manga da camisa pula. O sistema todo vibra ... pois a pancada foi dada fora do centro de percussão. Vá dando pancadinhas a partir da extremidade do cabo da vassoura, indo para o CG. Altere também o local por onde segura a vassoura. Logo obterá um local (onde a vassoura bate contra a cadeira) onde a pancada é "seca", firme, nada trepida ... é o local do CP. É
um ponto importante dos corpos rígidos, é o local onde se pode
bater com vontade sem que aja qualquer vibração. Há um experimento
específico para a obtenção do CP na sala 05, para ver isso clique
aqui. Os martelos têm cabos com formato especial; há um rebaixo adequado onde ele deve ser empunhado. Pegando-se o martelo pelo local certo, o CP recai justamente onde ele bate no prego. A pancada é seca, o prego e martelo não oscilam. O prego não entorta. Marceneiros experientes colocam um prego na madeira com uma única pancada; as "companheiras de trabalho" do Silvio Santos não conseguem isso nem com três batidas sobre o prego, pois empunham o martelo muito próximo à sua cabeça (do martelo). Quando a dona de casa empunha uma vassoura para a tarefa do dia a dia ela, pela prática de anos a fio, coloca uma das mãos sobre o CP. Desse modo a vassoura desliza suave sobre o chão, sem trepidar. O mesmo acontece com o rodo. Se empunhado fora do CP, ele trepidará deixando marcas d'água consecutivas no chão, que é o que acontece quando empunhado por uma criança que não alcança colocar uma das mãos sobre o CP. Em tempo, ao visitar alguém, repare na vassoura lá encostado em seu lugar de repouso. Observe como tem uma marca "encardida" no local do CP. É lá que vai a mão no dia a dia......... As bruxas sentam-se sobre o CG e colocam as mãos sobre o CP ... e deslizam suaves pelos céus afora! É assim que minha sogra nos visita! c) Uma vassoura (íntegra) caiu do 20o andar. Um giz caiu da mão do professor. A vassoura, assim como o giz (pelo seu formato tronco cônico), têm CG e CP. Em quantas partes quebrará o giz (ou a vassoura) ? De Verdade em Verdade vos digo: 2, 3 ou 4. Dependendo exclusivamente de como toca o solo.
Fiz essa pergunta a um colega, professor de química. Não sabendo responder em quantas partes o giz iria quebrar-se, respondi por ele: em três partes. De propósito abandonei o giz para que quebrasse em 3 partes. E justifiquei assim: --- Ele quebrou assim porque é feito de carbonato de cálcio (CaCO3). Como ele não entendeu, detalhei CaCO, três; três cacos. Aahhhnnn..... A
bem da ciência, é só verificar as forças que agem no giz ao tocar
o solo para entender em quantas partes ele irá quebrar: Por enquanto é só! ... e as garotas, relevem as brincadeiras, é pura descontração. |
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