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Equilíbrio
da escada
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Objetivo
É
patente a dificuldade que
os alunos, em geral, apresentam no entendimento da Estática e da
Hidrostática. O motivo básico é que não ‘enxergam’ as forças
de campo e as nascidas dos contatos, que agem nos corpos extensos, em
equilíbrio. Passar do sistema efetivamente em equilíbrio
(montagem), para o diagrama de forças (uma mentalização teórica)
segundo o modelo de Newton e posteriormente passar ao equacionamento
baseado nas duas leis de equilíbrio, não é fácil. Para tanto,
recomendamos aos professores de Física que comecem com situações
simples (como por exemplo, uma esfera apoiada sobre o solo) e desenhe
todas as forças que agem no sistema (no exemplo, esfera e Terra),
indicando claramente os pares ação e reação.
Depois disso, avançar acuradamente em cada exemplo, de dificuldade
progressiva, até que o aluno, num bater de olhos, diga o número
total de torças no sistema todo e discrimine as forças em cada um
dos componentes do sistema. Na Sala 17 desse 'site' -- Sugestões
didáticas -- temos toda uma série desses tipos de exercícios.
Esse
projeto, do equilíbrio da escada,
é especialmente recomendado não só para exposições em feiras,
como também para apresentação pelo professor, em sala de aula. O
material e a montagem são bastante simples. O aprendizado que se
recolhe disso é enorme.
Iniciemos com o preparo do material.
Material
A.
A escada
É confeccionada com duas hastes de madeira, cilíndricas, cada uma
com 40 cm de comprimento e 0,6 cm de diâmetro . A seguir,
obtenha uma vareta de madeira, dessas para construir pipas. São
varetas roliças de cerca de 1 m de comprimento e diâmetro 3 mm.
Recorte-a em pedaços de 10 cm cada.
Fure as duas hastes de madeira, que serão as laterais da escada, a
cada 5 cm, com brocas de 3 mm. Passe cola branca, para madeira, nas
extremidades do ‘palitos’ e coloque nos orifícios, constituindo
a escada.
B.
Os apoios
São construídos com duas tábuas (compensados, virolas) de (40 x 40
x 1,5) cm, coladas e pregadas em ângulo reto. Na ‘parede’
vertical, cole uma placa de vidro comum de (20 x 20) cm e no
‘solo’, uma folha de lixa d’água de (20 x 20) cm, com a face
áspera para cima. O vidro é para reduzir substancialmente o atrito
entre a escada e a parede. A lixa é para despertá-lo, no pé da
escada.
C.
Acessórios
Um cilindro metálico, de massa 100 g, com um pitão rosqueado no
topo, cordel, régua e transferidor.
Montagem
Procedimento
experImental
E.
Diagrama de forças
Faça um esboço da escada, vista de perfil e desenhe as
forças que efetivamente atuam na escada. São três:
(1) uma
força de campo, originada pela massa da escada mergulhada no campo
gravitacional terrestre, que é o peso P, vertical, para baixo
e aplicado no centro de gravidade da escada.
(2) outra é a força de contato que a parede exerce na
escada N. Essa tem direção perpendicular à parede (na
hipótese de ausência de atrito).
(3) e, finalmente, a força de contato entre a escada e o piso
horizontal (forrado com lixa); reação no piso.
Como
só agem três forças coplanares na escada, podemos aplicar o teorema
das três forças, ou seja, as direções dessas três forças
devem apresentar um ponto comum. A ilustração a seguir destaca o
diagrama de forças que agem na escada e o teorema das três forças.
F.
Decomposição da terceira força
Fora das direções horizontal ou vertical, temos
apenas a força R. Vamos decompô-la em suas componentes, uma
vertical V e uma horizontal H. A componente V
traduz a reação à compressão vertical que a escada determina no
solo. A componente H surge devido ao atrito despertado na tendência
do pé da escada deslizar para a direita; habitualmente ela é
indicada como força de atrito Fat.
Na
ilustração acima temos o diagrama de forças, pronto para o
equacionamento da questão. Utilizamos o conhecido método
das projeções:
G.
Equacionamento
a) equilíbrio segundo x:
N - Fat = 0 ==> N = Fat
b)
equilíbrio segundo y:
V - P = 0 ==> V = P
c)
nulidade da soma algébrica dos momentos em relação ao pé da
escada:
N.L.sena
- P.(L/2).cosa
= 0
ou
P = 2.N.tga
= 2.Fat.tga
logo
Fat = P/(2.tga)
H.
Versão com peso
Inicie novas investigações de situações de atrito,
pendurando o cilindro na escada.
Comece pendurando-o no centro de gravidade da escada (que deve ser o
meio do degrau central, se você montou tudo simetricamente). Coloque
o cilindro em outros degraus analise e equacione o equilíbrio da
escada.
I.
Versão com MDF
Tanto a parede vertical como a base horizontal são feitas de madeira
MDF. A parede vertical é apenas envernizada e a base é pintada de
cinza fosco. A escada pode ser feita de sarrafos de cedro de (1 x 1)
cm e palitos roliços para churrasco. O 'quadrante' pode ser
aproveitado de um transferidor de plástico; o fio de prumo é de fio
de pesca com uma chumbada na extremidade livre.
Bom
sucesso!
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