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Forças
no portão
(Conceito de
"corpo livre")
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Um
portão de madeira leve de (1,0 x 0,5) m pode ser
confeccionado com o propósito específico de conceituar um
"corpo livre". Esse portão leva pitões no lugar dos
gonzos (dobradiças do portão) e grampos em forma de L são
postos, com buchas, na parede da sala de aula. Os pitões do portão
são encaixados nesses grampos, como se ilustra:
A
seguir, o portão é retirado dos grampos e passa a ser suportado
apenas pelos fios A e B (um pitão no teto da sala deve
ser previsto), permanecendo em equilíbrio. Esses fios dão as
direções das forças que os grampos aplicam no portão. Eis a
ilustração do procedimento:
Observe
atentamente que o fio A permanece horizontal, sob tensão,
denunciando que o grampo A não suporta nenhum componente de
força segundo a vertical; esse grampo não participa da 'sustentação'
vertical do portão. Indiquemos por R1 a força que
a parede aplica no portão, através desse fio A.
O fio B ficará inclinado, deixando claro que a força que ele
aplica no portão, R2, tem um componente na
vertical (na verdade, a equilibrante do peso do portão) e outra na
horizontal (equilibrante de R1).
O
"teorema da três forças" nos indica que o equilíbrio do
portão se reduz a um simples sistema de três forças concorrentes
no ponto X; as três forças são --- o peso P
(vertical para baixo), a ação da parede através da articulação A,
R1 (horizontal para a esquerda) e a ação da
parede através da articulação B, R2 (inclinada
para a direita). Observe:
Em
sala de aula, dinamômetros podem ser inseridos nos fios A e B
e, com isso, colhe-se dados quantitativos. Analiticamente o 'equilíbrio'
pode ser resolvido pelo "triângulo de forças" e, para
isso, basta notar que:
tga
= a/b = P/R1 ou R1 = P.b/a
R2.cosa
= R1 ou R2 = R1/cosa
Observe
que os "componentes normais" sobre os grampos A e B
são iguais, ou seja, a intensidade da força horizontal com que o
grampo A puxa o portão para a esquerda (que o módulo de R1)
é igual à intensidade com que a componente horizontal de R2
puxa a parede para a direita. Isso se vê analiticamente pela
relação: R2.cosa
= R1.
Por
técnica semelhante pode-se mostrar como "corpo livre" uma
escada encostada numa parede vertical lisa e um piso horizontal áspero.
Tais procedimentos são importantes para que o aprendiz passe a
'enxergar' essas abstrações que são corriqueiras para o professor.
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