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Balanças
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
***
em construção ***
Introdução
O estudo das alavancas ficaria incompleto se nada fosse dito sobre
as balanças mecânicas, uma vez que
estas formam um conjunto das mais notáveis aplicações daquelas máquinas
simples básicas. Os melhores tipos de balanças são, sem dúvida,
as balanças de alavanca, um dos mais
sensíveis instrumentos de medição na Física. Usando balanças
micrométricas podemos determinas massas com precisão que supera
os 1/1000 do miligrama, portanto precisão acima dos 10-6
g.
É natural que essas balanças sensíveis tenham que ser
especialmente protegidas, pois qualquer golpe de ar ou o menor
abalo interferem na 'pesagem'.
Em princípio, existem balanças de dois tipos: balanças de
travessão de braços iguais e de braços desiguais.
Todas elas construídas em diferentes versões.
No
intuito de atender a Estática, desenvolvendo os exercícios de
alavancas, começaremos com a balança decimal.
Balança
decimal
Na prática, são constituídas por sistemas de alavancas
destinadas à 'pesagem' de grandes cargas. Para fins didáticos,
essa balança pode ser construída facilmente com placas de madeira
(mdf), sarrafo, fios de pesca e alfinetes de mapas. Detalharemos
isso na parte de montagem.
Abaixo,
à esquerda, ilustramos o aspecto geral desse tipo de balança. A
carga é colocada sobre a plataforma superior e as massas aferidas
no prato ligado ao travessão. No equilíbrio, a soma das massas
aferidas é sempre dez vezes menor que a massa da carga ou,
se preferirmos, o peso da carga é sempre 10 vezes maior que o peso
colocado no prato; dai a denominação de balança decimal.
Estudemos
o equilíbrio dessa balança e determinemos as intensidades de
todas as forças que participam do sistema.
Comecemos por observar que as plataformas (AE e CD) têm mesmo
comprimento (5 unidades arbitrárias) e que o travessão (apoiado
em 0) tem braços desiguais; o braço de potência (massas
aferidas) tem o dobro do comprimento (10 unidades) do braço de
resistência (5 unidades). Observe também que o fulcro da
plataforma superior (E) está apoiado na divisão "1" da
plataforma inferior. A plataforma superior está ligada ao travessão
em "1", pelo tirante AB e a plataforma inferior está
ligada ao travessão em "5", pelo tirante CF (há um
'rasgo' na plataforma superior que permite a passagem do tirante
CF).
Para fins de exemplificação, admita que a carga tenha peso P =
100 kgf. O que devemos mostrar é que, negligenciando os pesos próprios
das plataformas e do travessão (o que é bem razoável, em
confronto com o peso da carga), o peso da massa aferida deve ser T
= 10 kgf. Essa será realmente a situação de equilíbrio e,
"de quebra", calcularemos as demais forças.
Examinemos
essas forças:
Na plataforma superior (ilustração acima, à direita) agem as forças
N' = P, N1 e N2; na plataforma inferior
(ilustração abaixo, à esquerda) agem as forças -N2, N3
e N4; os tirantes AB e CF transferem -N1 e -N4
para o travessão, respectivamente, em B e F; no travessão
(ilustração abaixo, à direita) agem as forças T, N,
-N1 e -N4. Exceto P = 100 kgf, todas as demais, T, N,
N1, N2, N3 e N4, são incógnitas.
Equilíbrio
do sistema de forças que age na plataforma superior (pólo de
momento em E):
(1):
P = N1 + N2 ou 100 = N1 + N2
(2): N1 x 5 = 100 x 2 ==> N1 = 40 kgf
levando esse valor em (1) tem-se: N2 = 60 kgf
Equilíbrio
do sistema de forças que age na plataforma inferior (pólo de
momento em D):
(3):
(-N2) = N3 + N4 ou 60 = N3 + N4
(4): 60 x 1 = N4 x 5 ==> N4 = 12 kgf
levando esse valor em (3) tem-se: N3 = 48 kgf
Equilíbrio
do sistema de forças que age no travessão (pólo em 0):
(5):
N = T + (-N1) + (-N4) ou N = T + 40 + 12
(6): T x 10 = 40 x 1 + 12 x 5 ==> T
= 10 kgf
levando esse valor em (5) tem-se: N = 62 kgf
Respostas:
T = 10 kgf, N = 62 kgf, N1 = 40 kgf, N2 = 60 kgf, N3 = 48 kgf, N4 =
12 kgf .
Nota:
Nos cálculos acima admitimos que o C.G. do bloco de peso P =
100 kgf está diretamente acima da divisão "3" da
plataforma inferior, de modo que se braço de alavanca em relação
ao fulcro E vale 2 unidades. Se o bloco estivesse um pouco para trás,
de modo que seu C.G. ficasse diretamente acima da divisão
"2" da plataforma inferior, seu novo braço de alavanca
em relação ao fulcro E valeria "1" unidade. Todavia, o
resultado para T seria exatamente o mesmo obtido na hipótese
anterior (T = 10 kgf). Verifique isso e calcule os novos valores
das demais forças participantes. A posição do bloco sobre a
plataforma superior não afeta a 'pesagem'.
Assim,
verificamos que através de uma disposição funcional de
alavancas, podemos construir balanças nas quais é necessário
para a 'pesagem' somente uma pequena parte do valor da carga (no
exemplo acima a relação é 1 : 10.
Balança
postal (pesa-cartas)
Como sabemos, existem basicamente duas possibilidades de se
conseguir o equilíbrio de uma alavanca. Para um braço de
alavanca mantido de valor constante podemos trocar as massas
aferidas (esse é o caso da balança decimal onde o braço das
massas aferidas T é constante; 10 unidades no exemplo acima); mas
podemos também manter os corpos de comparação e alterar os braços
de alavanca. Essa possibilidade é usada na balança pesa-cartas,
abaixo ilustrada.
Ela
é composta de uma alavanca angular, em cuja extremidade está
fixada um corpo de chumbo que constitui a tara T. O equilíbrio
dá-se por si só através da inclinação. Por efeito da carga (P)
aumenta-se o braço de alavanca b2 e, com ele, o momento de
torção oposto ao peso da carta (P x b1 = T x b2).
Pesquise como se gradua uma dessas balanças de cartas. Medimos
pesos ou massas?
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pretendo continuar com outros tipos de balanças ***
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