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Máquinas
Simples Prof.
Luiz Ferraz Netto Planos
Inclinados Conservação
do trabalho
O
operador deve aplicar sobre a carga (Q = resistência) uma
força de intensidade Fa = P (potência) paralela
à inclinação do plano, de modo a transporta-la do plano
horizontal inferior ao plano horizontal superior, isto é, elevar a
carga de uma altura H. Lembrando que, desprezando-se as forças dissipativas, em toda máquina simples há conservação de trabalho (em regime operacional --- no caso, 'carga' subindo o plano inclinado em movimento uniforme), podemos escrever: P.L = Q.H ou P = Q.(H/L) Observe
que P.L é o trabalho da força aplicada pelo operador e Q.H
é o trabalho necessário para elevar, lentamente, uma carga de
peso Q a uma altura H. Vantagem
mecânica VM = Q/P (definição) Da conservação do trabalho P.L = Q.H tem-se: Q/P = L/H, donde: VM = Q/P = L/H = 1/sena Observe que quanto menor for a inclinação (a), menor será sena e maior será a vantagem mecânica. Experiência
1
Na ausência de atrito, no corpo sobre o plano inclinado agem três forças: seu peso Q, a reação (normal) de apoio por parte do plano (N) e a força potente (P). A carga vertical Q pode ser decomposta em N' (perpendicular ao plano inclinado) e P' (paralela ao plano inclinado). Em função de Q e a tais componentes valem: P' = Q.sena e N' = Q.cosa. No equilíbrio devemos ter: N = N' e P = P' ou N = Q.cosa e P = Q.sena Experiência
2
Desta vez vamos decompor Q segundo a horizontal (P') e na direção perpendicular ao plano inclinado (N'); teremos: P' = Q.tga e N' = Q/cosa. Logo, no equilíbrio, P = Q.tga e N = Q/cosa. Experiência
3
No
corpo sobre o plano inclinado, novamente, agem apenas três forças:
P, N e Q. A carga Q pode ser substituída
pelos componentes P' = Q.sena
e N' = Q.cosa.
Por sua vez a potência P pode ser substituída pelos
componentes P' = P.cosb
e P" = P.senb. Q.sena
= P.cosb
(na direção do plano) A
primeira equação desse sistema fornece: P = Q. (sena/cosb); Cunha
Os
instrumentos cortantes ou agudos, facas, navalhas, tesouras, formões,
talhadeiras, cinzéis etc. são variações da cunha. P = 2.P'.sen(a/2) = 2.Q.sen(a/2) Para
que a potência seja menor que a resistência deve-se ter P <
2Q e a
menor que 60o. Parafuso
O passo do parafuso é a 'altura' (h) do plano inclinado; a circunferência 2.p.r é a 'base' (b) (ilustração acima, à direita). A saliência do parafuso chama-se 'filete'; pode ser quadrangular ou triangular. Quando se usa o parafuso para transmitir esforços, é preferível ter um filete retangular (como o do parafuso da ilustração abaixo, à direita), que é mais robusto que o triangular (como o usado nos parafusos micrométricos, que não são feitos para transmitirem grandes esforços). Ao filete corresponde, na porca, um sulco de mesmo passo. Parafuso e porca 'sempre' trabalham juntos; no parafuso para madeira, a porca é a madeira. No trabalho parafuso/porca podemos diferenciar os casos: a) porca fixa; a rotação do parafuso determina a translação do mesmo em relação à porca. É o que se observa na prensa, onde a cada volta do parafuso (através do trabalho da força aplicada na alavanca) ele avança (ou retrocede) de um passo.
Na prensa ilustrada acima, a alavanca tem braço R e o parafuso tem passo p. A resistência Q aplica-se verticalmente, na ponta do parafuso. Quando a resistência cede de uma distância p, o trabalho será dado por Q.p. A potência P é o esforço que se faz tangencialmente à circunferência de raio R da alavanca; o trabalho dessa potência, numa volta completa, será: P.2.p.R (com essa volta completa o parafuso desloca-se de p). Tem-se,
pois:
P.2.p.R
= Q.p ou P
= Q.p/(2pR). P = Q/n b) porca móvel; a rotação do parafuso (sem qualquer translação efetiva da peça) determina a rotação da porca. É o caso do trabalho do parafuso-sem-fim que se engrena na roda dentada:
No parafuso-sem-fim, com roda dentada de n dentes, uma volta na manivela desloca a roda de 'um' dente. Sendo r o raio do cilindro que suspende a carga Q, tem-se: P.2pR.n = Q.2pr; logo, a 'equação da montagem' será: P = Q.r/(R.n). As aplicações do parafuso são numerosas; empregam-se parafusos para fixar objetos de madeira ou de metal; nas prensas de copiar, de cunhar etc.; o parafuso micrométrico é parte essencial de vários instrumentos de precisão (palmer, micrômetro, esferômetro etc.); as hélices dos navios e aeroplanos são parafusos a deslocar na água ou no ar, que lhe servem de porcas; as prensas servem para espremer sucos das sementes oleaginosas etc. O parafuso-sem-fim tem grande analogia com o sarilho de engrenagem e tem os mesmos usos. Segue: |
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