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Máquinas
Simples Prof.
Luiz Ferraz Netto Introdução
Em
uma das rodas (denominada roda motriz),
o operador (que pode ser um motor elétrico) aplica sua força (Fa
= P = potência), em geral empunhando uma manopla (Aurélio:
a parte por onde se empunham certos instrumentos, utensílios ou
armas; punho) e a outra roda (denominada roda
de carga) transmite à carga, a força já multiplicada pela
máquina (Ft = R = resistência). Cinemática
dos acoplamentos a)
Velocidade angular - para caracterizar a rotação de todos
os pontos pontos de uma roda, basta saber de que ângulo central
(expresso em radianos) um ponto qualquer da roda gira num
determinado intervalo de tempo. w = (deslocamento angular)/(intervalo de tempo) = Dj/Dt ... (rad/s) Nota 1: Rodas acopladas a um mesmo eixo têm mesma velocidade angular, mesmo período e mesma freqüência (ilustração abaixo, esquerda): w1 = w2 <==> V1/r1 = V2/r2 <==> V1/V2 = r1/r2
Nota 2: Para rodas acopladas por correia, as velocidades lineares dos pontos das rodas, em contato com a correia, têm o mesmo valor; as velocidades angulares são inversamente proporcionais aos respectivos raios (ilustração acima, direita): V = V1 = V2 <==> w1r1 = w2r2 <==> w1/w2 = r2/r1 b) Período - Se a velocidade angular for constante, cada ponto da roda descreverá um movimento circular e uniforme. Neste caso, definimos o período (T) como sendo o intervalo de tempo necessário para que qualquer ponto da roda descreva uma volta completa. c)
Freqüência - Ainda no caso de velocidade angular constante,
denomina-se freqüência (f) ao número de voltas completas
efetuadas pelo ponto da roda, na unidade de tempo. f = (No de voltas)/(intervalo de tempo unitário) = N/Dt Para
Dt
= T (período), teremos N
= 1 e, portanto: f = 1/T. d) Velocidade linear - A velocidade linear (V) de um ponto da roda é dada por: V = (deslocamento escalar)/(intervalo de tempo) = Ds/Dt ... (m/s) e) Relações fundamentais - Quando a velocidade angular (w) é constante cada ponto da roda, que dista R do centro, descreverá seu movimento circular e uniforme; valem: w
= Dj/Dt
= 2p/T
= 2pf Dinâmica
dos acoplamentos a)
No acoplamento de rodas
num mesmo eixo o torque (momento) dado à roda motriz
transmite-se à roda de carga: ta
= tt
. Ft = Fa.(r1/r2) onde
r1/r2 = VM é a vantagem mecânica do
acoplamento. Assim, se r1 > r2 ganhamos
em força, mas perdemos em deslocamento e, conseqüentemente, em
velocidade.
Mais
uma vez, repare que a vantagem mecânica é a razão entre
os braços de alavanca que, no caso, são os raios das polias: VM
= r1/r2 . A razão dos diâmetros é a
mesma da razão entre os raios e o uso de VM = D1/D2
pode ser bem conveniente em alguns casos. Sobre as cinemáticas dos acoplamentos vale notar que a diferença entre polias e engrenagens é que polias giram no mesmo sentido enquanto que as engrenagens, em contato, giram em sentidos opostos.
Uma aplicação imediata do acoplamento de rodas num mesmo eixo encontra-se no sarilho ordinário. Esse consta de um cilindro horizontal de raio r, sobre o qual se enrola uma corda, por meio de uma manivela que faz girar o cilindro. A potência P se aplica à manivela de raio R (uma roda) e a resistência Q à extremidade livre da corda.
O sarilho ordinário pode ser visto como uma alavanca do primeiro gênero --- interfixa --- (detalhe na ilustração acima, à esquerda); temos: P.R = Q.r <==> P = Q.(r/R) O estudo do equilíbrio do sarilho, em laboratório, é feito mediante a montagem mostrada acima, à direita. Nota: O sarilho ordinário, quando apresenta seu eixo na vertical, passa a denominar-se cabrestante; serve para realizar grandes esforços de tração:
b)
No acoplamento de rodas através de correia os deslocamentos (d1
e d2) das forças aplicada (Fa)
e transmitida (Ft) são iguais, assim como
as intensidades das forças (Fa = Ft)
-- daí decorre a igualdade dos trabalhos. Engrenagens
A bicicleta, pelo seu sistema de transmissão mediante rodas dentadas e corrente, é exemplo de tal situação. Observe os sentidos de movimento nesse acoplamento por corrente; são os mesmos!
As
rodas dentadas também podem se 'engrenar', diretamente, sem a
necessidade de correntes -- engrenagem direta
-- (ilustração acima, esquerda). Observe os sentidos de
movimento nesse acoplamento direto 'entre dentes' --- giram em
sentidos opostos!
Essa máquina consta de dois conjuntos, com duas rodas cada um: (1) a potência P, através da manivela de raio R (primeira roda) atua sobre a pequena roda dentada de raio r (segunda roda); (2) essa roda dentada pequena do primeiro conjunto engrena com a roda grande, de raio R', do segundo sistema (primeira roda) e essa, por sua vez, é solidária ao cilindro de raio r' (segunda roda). Sobre esse cilindro se enrola a corda ligada á carga Q (resistência). Um
sarilho de engrenagem se comporta como combinação de dois sarilhos
ordinários (veja acima). Acompanhe pela ilustração acima,
onde F e F' indicam, respectivamente as forças de
reação e ação, aplicadas pelas superfícies de dois dentes em
contato: P.R/Q.r' = F.r/F'.R' ou (P/Q)(R/r') = r/R' P = Q.(rr')/(RR') Retornar:
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