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Redução de
forças
(Parte 2)
Prof. Luiz Ferraz Netto [Léo]
leo@feiradeciencias.com.br
leobarretos@uol.com.br
Aplicações
1- Transmissibilidade das forças
Em um sólido S agem forças diversas; seja (A, F) uma
delas. Na linha de ação desta, seja B um ponto qualquer no mesmo sólido.
Aplicando-se a Operação Elementar III (OE-III), incorporemos o
sistema nulo das forças (B, F) e (B, -F).
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Conforme o item Sistema Nulo,
(A, F) e (B, -F) formam par nulo, que pode ser suprimido conforme
OE-IV. Assim tem-se, ao invés de (A, F), a força equivalente (B,
F).
Em outras palavras, força é vetor deslizante no sólido.
Nos sistemas da ilustração que acompanha o item Sistema
Binário, a equivalência se demonstra pela transmissibilidade de
forças.
2- Rotação de binário
Dado o binário da ilustração (a), tracemos a circunferência de diâmetro
AB; ilustração (b). Tracemos o novo diâmetro CD qualquer; ilustração
(b). Em C e D apliquemos os pares nulos representados.
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F em B e uma das F em C, convergem em E e ai
compõem a resultante F'; ilustração (c).
F em A e uma das F em D, convergem em H e ai compõem a resultante
F´; ilustração (c).
As duas F´, uma em E e a outra em H, formam par nulo. Suprimidas conforme
OE-IV, resta o binário das forças F no braço CD.
Conclusão: O binário de braço AB equivale ao binário de braço CD. Girando-se um binário em seu plano, surge binário equivalente.
3- Translação de binário
1- Segundo as linhas-de-ação: Basta construir o
segmento A´B´ paralelo a AB, com A´ e B´ sobre as correspondentes
linhas-de-ação. Transfere-se F de A para A´; transfere-se F de B
para B´. O novo par F, agora em A´, B´, gera binário equivalente em
consequência da transmissibilidade.
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2- Segundo o braço: Em (a) damos o binário. Em (b), na reta suporte do braço AB, façamos CD = AB = b. Em C e D apliquemos os pares nulos representados por F↑ e F↓. Seja E o ponto médio de BC; ele será também o ponto médio de AD.
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Por intuitivo, admitimos que F em B e F↑ em C constituem binário resultante nulo em relação a E e podemos suprimir o par (B, F) e (C, F↑); do mesmo modo e pelo mesmo motivo podemos suprimir (A, F) e (D, F↓). resta o binário formado pelo par (C, F) e (D, F↑), que é equivalente ao binário dado em (a).
Mediante translações em seu plano, uma na direção das forças e outra na direção do braço, realiza-se translação qualquer, no mesmo plano.
Em suma: Por rotação e/ou translação em seu plano, um binário se transforma em outro que lhe é equivalente.
4- Composição de forças paralelas
As
figuras ilustram:
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a) É dado um sistema de duas forças paralelas (A, F1) e (B, F2).
b) Incorporar o par nulo das forças f.
c) Compor as forças em A; idem em B.
d) As forças F´1 e F´2 concorrem em E.
e) Em E, decompor F´1 e F´2 segundo as direções originais.
f) Em E, as f formam par nulo; suprimem-se.
g) F1 e F2 geram a resultante F = F1 + F2 que se transmite para C.Conclusão: O sistema dado das forças (A,F1) e (B,F2) equivale à força resultante (C,F), com F = F1 + F2 conforme os esquemas acima.
Semelhança de triângulos conduz à lei que determina C por cálculo :
CA/CE = f/F1 ; CB/CE = f/F2 ... donde CA/CB = F2/F1 ... (1)
O ponto C divide AB na razão inversa dos módulos F1 e F2.
Nota 1: Verificação da
validade do Teorema de Varignon para a conclusão acima:
Da proporção (1) vem: CA.F1 = CB.F2
ou -CA.F1 + CB.F2 = 0 ...
(2)
Com D sobre AB, vale : CD.F1 + CD.F2 =
CD.F ... (3)
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Somando as igualdades (2) e (3), vem: (CD-CA).F1 + (CB+CD).F2 = CD.F ou AD.F1 + BD.F2 = CD.F ... (4)
Com pólo em D, é pois: M(A,F1) + M(B,F2) = M(C,F) <== re-encontramos o Teorema de Varignon!
Nota 2: Fica, como
exercício proposto, refazer as demonstrações acima para o caso de forças
paralelas (A, F1) e (B, F2) de sentidos
opostos, com F1 ≠ F2.
Se, com forças opostas, for F1 = F2, o sistema é binário,
e resultará F´1 = F´2 paralelas e opostas: novo binário,
equivalente ao primeiro.
Conclusão: Binário é sistema irredutível!
Os entes primários da Estática são FORÇAS e BINÁRIOS.
5- Binários equivalentes com braços desiguais
No esquema representam-se dois binários no mesmo plano. Demonstrar que eles se
equivalem se for b1.F1 = b2.F2;
ou seja, B1 = B2 .
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Em C e D apliquemos os pares nulos representados.
F1↓
em A e F2 ↓
em D equivalem a (F1 + F2)↓
em E, sendo AE.F1 = DE.F2 ,portanto, (b1+
BE).F1 = (b2+ CE.F2), o que nos leva a: BE.F1
= CE.F2 e também a: BE = CE.(F2/F1).
Da figura: BE + CE = BC, portanto, CE.(F2/F1) + CE = BC ou
ainda CE.(F2/F1 + 1) = BC, donde:
CE = BC/[F2/F1 + 1] ... (1)
F1↑ em
B e F2↑
em C equivalem a (F1 + F2)↑
em H, sendo BH.F1 = CH.F2 . Repetindo-se o raciocínio
anterior e retirando-se da figura: BH + CH = BC, chega-se à:
CH = BC/[F2/F1 + 1] ... (2)
De (1) e (2) conclui-se CE = CH, logo E ≡ H . (F1
+ F2)↓
em E e (F1 + F2)↑
em H, formam par nulo. Persiste o binário F2
↓ em C e F2↑
em D.
O binário b1.F1 = B1 foi transformado no
binário equivalente b2.F2 = B2 .
Nota
Binário também é chamado torque, sugerindo torção e/ou
rotação do corpo ao qual ele é aplicado.
Torque e trabalho
são entidades com significado físico distintos. Torque é (braço) x (força).
Trabalho é (força) x (deslocamento).
No Sistema Internacional de Unidades, SI, medem-se braço e deslocamento em
metros (símbolo m), força em newtons (símbolo N).
A unidade de torque é (metro) x (newton) = m.N, torque exercido com braço de 1 m
por força de intensidade 1 N. Não há outra denominação específica para a unidade
m.N.
Formalmente, também a unidade de trabalho é m.N, trabalho da força de
intensidade 1 N em deslocamento de 1 m na mesma direção e no mesmo sentido. Para
distingui-la, a unidade de trabalho é chamada Joule (símbolo J): 1 m.N =
1 J.
No Sistema Técnico Britânico (que não é oficializado no Brasil e, portanto, deve ser evitado) a unidade de torque é pé.lbf (pé.libra-força = ft.Lb = foot.pound-weight).
Dão-se: 1
pé = 1 ft = 1 foot = 0,3048 m
1 lb = 1 pound-mass = 0,4536 kg
1 Lb = 1 pound-weight = 4,448 N
gn = 9,806 65 m.s-2 = 32,174 ft.s-2
Converter
ft.Lb = pé.lbf para o Sistema Internacional.
1 ft.Lb = (0,3048 m).(4,448 N)
1 ft.Lb = 1,356 m.N
Cuidado:
libra-massa = unidade de massa ==> escreve-se "lb" (l minúsculo)
libra-força = unidade de força ==>
escreve-se "Lb" (L maiúsculo)
Assim, a unidade de pressão P = |F|/A = Lb/in² (leia-se: libra-força por polegada ao quadrado) --- que nada tem a ver com a linguagem popular "libras", por ocasião de ´calibrar´ os pneus.
6- Composição de binários
No plano da figura são dados os binários B1 e B2, conforme
o esquema (a). Com braço b arbitrário (não nulo) as forças respectivas
são F1 e F2, conforme o esquema (b): b = B1/F1 = B2/F2 .
Sobrepondo-se os braços resulta o esquema (c). O binário resultante está no esquema (d), com
F = F1 + F2 .
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Depreende-se o cálculo: B = b.F = b.F1 + b.F2
; donde B = B1 + B2 .
Respeitados os sinais, o binário resultante equivale à soma
dos binários componentes.
7- Redução de Força-e-Binário
No plano da figura são dados uma força (C, F) e um binário B, conforme o
esquema (a). O binário B equivale ao par-de-forças do esquema (b), com
B = b.F , donde b = B/F.
O par-de-forcas é posicionado conforme o esquema (c).
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As forças em C constituem par nulo. Persiste a força (P, F) com CP _|_ F e b = CP = B/P, esquema (d).
Conclusão: Sistema plano [Força e Binário ] equivale a uma força (P, F), e só.
Alternativa - Com
F ≠ 0 vale o Teorema de Varignon.
Com pólo C o momento de
(C, F) é nulo: O + B (esquema a) = CP.F (esquema d)
donde: CP = B/F
... CQD.
Sistema reduzido
Em um plano
p seja dado um sistema generico S de
forças (Pj, Fj) (inclusive as que formam binários). 0 sistema
equivalente mais simples é chamado "sistema reduzido" de S. Se não for
sistema nulo (sistema em equilíbrio), ele compreende só a força resultante (P,
F) com P e F a serem determinados, ou só o binario B, jamais os
dois simultaneamente (ver item anterior - Redução de Força-e-Binário).
NOTA - Sistema de forças no espaço tri-dimensional reduz-se, no caso mais geral, a uma força resultante (P, F) junto com um binario resultante com momento-vetor B paralelo a F. Em casos particulares podem ser nulos F, ou B ou ambos (sistema em equilíbrio).
Para a redução do sistema proposto S de forças e binarios em um plano procede-se sistematicamente como segue:
I) Deterninar a força-soma F =
S
Fj .
II) Em relação a pólo C fixado arbitrariamente no plano
p
calcula-se para o
sistema o momento
MC = S MjC = S bj.Fj
Apresentam-se os seguintes casos:
|
Pólo C |
Sistema |
|||
|
F |
MC |
Comentários |
F |
B |
|
0 |
0 |
Sistema nulo (equilíbrio) |
0 |
0 |
|
≠0 |
0 |
Por coincidência, o pólo C pertence à |
(C, F) |
0 |
|
0 |
≠0 |
Binário B = MC |
0 |
B |
|
≠0 |
≠0 |
Ver "Redução Força-e-Binário". |
(P, F) |
0 |
Fim ... Eventualmente seguiremos com forças no espaço tri-dimensional.
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