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Tensão
superficial
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Podemos
sair secos de um mergulho na água? Claro que sim. Basta que nos
untemos com uma substância impermeável à água.
Untem
um dedo com parafina e mergulhem-no na água. Quando o retirarem
constatarão que vem seco ou apenas com algumas gotinhas. Uma
sacudidela basta para que elas caiam.
Diz-se,
nesse caso, que a água não molha a parafina. O mercúrio
comporta-se da mesma maneira em relação a quase todos os corpos sólidos.
Não molha o couro, nem o vidro, nem a madeira.
A
água, mais caprichosa, adere bem a certos corpos e evita o contato
com outros. Não molha as superfícies engorduradas mas molha bem o
vidro limpo. Molha ainda a madeira, o papel e lã.
Se
colocarmos uma gota de água numa lâmina de vidro muito limpo,
ela espalha-se e forma uma película muito delgada. Se deixássemos
pingar a mesma gota sobre parafina, ela conservaria uma forma quase
esférica embora comprimida pelo seu próprio peso.
A
gasolina ou mesmo o querosene são substâncias que aderem a quase
todos os corpos. Ao procurar espalhar-se pela superfície do vidro ou
de um metal é capaz de sair de um recipiente mal fechado. Um pouco
de gasolina entornada pode envenenar-nos a vida por muito tempo,
manchando uma grande extensão, penetrando em todas as fendas,
impregnando as roupas etc. Esta é a razão por que é tão difícil
libertar-nos do seu desagradável odor.
A
propriedade que têm certos corpos de não se deixarem molhar pode
ser origem de fenômenos muito curiosos.
Peguemos
uma agulha e, após untá-la com gordura, pousemo-la suavemente na
superfície da água. A agulha não afunda. Olhando mais atentamente
nota-se que ela forma uma depressão nessa superfície na qual flutua
tranqüilamente.
Mas
basta apertá-la ligeiramente para que a agulha afunde. É preciso,
para que isso aconteça, que uma parte suficientemente importante
seja mergulhada na água.
Esta
interessante propriedade é utilizada por certos insetos aquáticos
que se movem rapidamente à superfície da água sem molharem as
patas.
Utiliza-se
a "molhagem" na indústria para enriquecer os minerais por
flutuação.
O
fenômeno consiste no seguinte: o mineral finamente pulverizado é
colocado num tanque cheio de água ao qual se adiciona um óleo
especial que possui a propriedade de molhar as partículas do mineral
mas não as da ganga. Uma agitação enérgica permite envolver estas
partículas por uma película de óleo. Nessa massa negra
formada por mineral, água e óleo injeta-se ar sob pressão. Uma
grande quantidade de bolhas de ar (formando uma espuma) sobe à
superfície. A técnica da flutuação baseia-se no fato de as partículas
envolvidas pelo óleo prenderem-se às bolhas de ar que as trazem à
superfície como se fossem balões.
O
mineral fica à superfície com a espuma, a ganga permanece no fundo.
Retira-se a espuma para a submeter em seguida a um tratamento que
permita obter um concentrado várias vezes purificado.
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As
forças de aderência que se exercem entre as superfícies são
capazes de perturbar o princípio dos vasos comunicantes, o
que é fácil de verificar.Se introduzirmos um tubo muito
fino (uma fração de milímetro de diâmetro) na água,
esta, violando o princípio dos vasos comunicantes, sobe
rapidamente até um nível muito superior ao do recipiente
base.
Por
que isso acontece? Que forças mantêm o peso da coluna de líquido?
A ascensão é devida às forças que fazem aderir a água ao
vidro. |
As
forças de adesão superficial só se manifestam de maneira visível
quando se dispõe de um tubo suficientemente delgado. Quanto mais
estreito é o tubo mais alto o líquido sobe, mais pronunciado é o
fenômeno.
A
designação destes fenômenos superficiais provém do nome dos tubos
utilizados. O seu diâmetro interno (muito regular ao logo do tubo
todo) não ultrapassa urna pequena fração de milímetro; um tubo
deste tipo chama-se capilar (o que significa fino como
um cabelo). E o fenômeno observado denomina-se capilaridade.
Vejamos
até que altura os capilares podem fazer subir um líquido.
Num
tubo de 1 mm de diâmetro a água sobe a 1,5 mm. Para um diâmetro de
0,01 mm a altura de ascensão aumenta na mesma proporção em que
diminui o diâmetro, quer dizer, a água sobe a 150 mm.
Claro
que a ascensão só é possível se a superfície do vidro for
molhada. É fácil de compreender que o mercúrio não subirá num
capilar. Antes pelo contrário, desce. Com efeito, o mercúrio
"tem horror" ao contato com o vidro e tende a reduzir a
superfície exposta até ao limite que é permitido pela gravidade.
Existe
uma quantidade enorme de corpos que pode se comparado a um sistema de
tubos muito finos. Todos os corpos apresentam sempre fenômenos de
capilaridade.
As
plantas são dotadas de um complexo sistema de longos canais e de
poros. O seu diâmetro é muitas vezes inferior a um centésimo de
milímetro. As forças capilares podem assim trazer a água do solo a
uma grande altura e distribuí-las a todas as partes da planta.
O
mata-borrão, um equipamento da época das canetas com pena, era
algo muito cômodo. Se uma gota de tinta caia sobre o papel, não era
necessário esperar que secasse para mudar de página, bastava
encostar uma ponta do mata-borrão na gota e ela era
"aspirada" do papel.
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Estamos
em presença de um típico fenômeno de capilaridade. O
microscópio permite ver a estrutura de um mata-borrão: uma
trama de fibras formando canais muito finos. São estes tubos
que desempenham o papel de capilares. Os pavios das velas,
lamparinas, isqueiros (com fluido) etc., apresentam o mesmo
sistema de longos canais formados pelas fibras.
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A
figura acima ilustra como um destes "pavios" pode funcionar
como sifão: basta mergulhar uma das suas extremidades no líquido de
modo que a outra fique num nível mais baixo que o da primeira. Em
tinturaria esta propriedade da capilaridade é extensivamente
aproveitada.
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