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Pressão
exercida pela água
(Teoria com
'dicas' aos professores - Ensino fundamental)
Prof. Luiz Ferraz
Netto
leobarretos@uol.com.br
Relembrando
a pressão
A pressão, como sabemos, é
uma maneira cômoda para informarmos como uma força se distribui na
superfície contra a qual foi aplicada. Para uma dada intensidade de
força, quanto maior for a área da superfície onde ela se
distribui, menor será a pressão por ela exercida.
Nota:
Assim como a advocacia, a medicina e tantas outras profissões e
artes, a ciência tem seu jargão próprio. As palavras aplicar
e exercer são exemplos típicos desse jargão
científico.
Aplicar refere-se à força, uma grandeza da ciência, que para
ficar perfeitamente conhecida requer quatro informações: sua intensidade
(que vem a ser o seu valor, indicado numa certa unidade), sua direção,
seu sentido e a região ('ponto
de aplicação') onde manifesta sua ação.
Exercer refere-se à pressão, uma grandeza da ciência que
dispensa as qualidades de ter direção e sentido; para ela bastam o
'valor da força' e a 'área da região' onde ela manifesta sua
ação. A ciência traduz essas idéias com duas palavras especiais;
diz que a força é uma grandeza vetorial,
e que a pressão é uma grandeza escalar.
Retornemos ao conceito de pressão.
Uma
maneira simples de se ilustrar isso é tomar o peso de um corpo como
o representante da intensidade da força gravitacional sobre ele e, a
região onde ele se apóia, como representante da superfície. Para
tanto, pense num menino montado em sua bicicleta equipada com pneus
finos. Ao andar sobre um terreno arenoso, eles (os pneus) deixarão
sulcos profundos. Todo peso do menino e sua bicicleta estarão
distribuídos nas duas pequenas áreas de apoio dos pneus contra o
solo; a área é pequena, a pressão exercida é grande. Se o menino
trocar os pneus, colocando modelos mais largos, a área de contato
com o solo aumenta, a pressão exercida diminui, o sulco já não
será tão profundo. Para calcularmos quando vale a pressão que os
pneus exercem contra o solo, bastar-nos-ia saber duas coisas: o peso
do menino (valor da força peso) e de sua bicicleta (que vem a ser o
valor da força total aplicada), e a área total de apoio dos pneus.
Eis o cálculo:
Pressão
exercida de lado?
Todos os corpos pesados
exercem pressão contra seus apoios, ou seja, aplicam forças contra
suas superfícies de apoio. Você, enquanto anda, exerce pressão
sobre a área onde seus sapatos se apóiam. Uma cadeira exerce
pressão sobre as áreas onde suas pernas se apóiam. Isso é sempre
correto, desde que tomemos o devido cuidado de saber quem são
realmente as superfícies de apoio. Para destacar bem esse cuidado,
vamos preparar um exemplo, usando dos seguintes materiais: dois copos
cilíndricos de vidro, um cilindro de madeira que entra justinho no
copo de vidro e um pouco de água. Veja essas ilustrações:
Um
teste sobre a pressão.
Em
(a) temos os copos cilíndricos de vidro, em (b) o cilindro de
madeira e em (c) um frasco contendo água. Em (d) colocamos o
cilindro de madeira dentro de um dos cilindros de vidro, no qual ele
cabe justinho e em (e) colocamos água no outro copo cilíndrico.
Agora fazemos duas perguntas:
(1) madeira (como em d) e água (como em e) exercem pressão no fundo
dos copos cilíndricos?
(2) madeira e água exercem pressão nas paredes laterais internas
dos copos cilíndricos?
Nota: Não esqueça do conceito posto;
exercer pressão numa certa superfície é um jargão científico que
significa aplicar forças contra essa superfície.
Respostas:
(1) Tanto o cilindro de madeira como a água estão apoiados nos
fundos dos copos. O peso da madeira e o peso da água distribuem-se
sobre as superfícies desses fundos e, portanto, exercem pressão.
Aliás, se o cilindro de madeira e a coluna de água tiverem o mesmo
peso, ambos estarão exercendo pressões exatamente iguais contra os
fundos dos copos.
(2) A madeira é uma estrutura sólida, rígida, e suas moléculas
não têm tendência de escorregar para fora da superfície lateral
da madeira. Por isso, o cilindro de madeira não se apóia contra as
paredes laterais internas do copo; ele não exerce pressão lateral
no copo. A água, líquida que é, apresenta seus pacotes de
moléculas soltos, prontos a escorregarem uns sobre os outros. A
água só se apresenta sob a forma de coluna porque as paredes
laterais internas do copo impedem esse escorregamento. A água está
apoiada nas paredes laterais internas do copo, ela exerce pressão
nessas paredes laterais. Um modo bem simples para justificar isso
seria produzir um orifício na parede lateral dos copos de vidro: a
madeira de modo algum escoaria por esse orifício, a água sim.
Madeira
não exerce pressão lateral, água sim.
Conclusão:
Os líquidos exercem pressão nas paredes laterais dos recipientes
que os sustentam, porque essas o impedem de escorregarem.
Pressão
exercida para cima?
Será que um líquido, além
de aplicar forças contra as paredes laterais dos frascos que os
contém, podem também aplicar forças para cima? A resposta é sim.
Basta que exista um obstáculo que impeça esse líquido de querer
subir. Veja uma situação dessas, onde as setas indicam forças.
A
água também exerce pressão para cima.
Num
frasco, como esse indicado na figura, há um ressalto na região (1).
Nessa região, os pacotes de água, empurrados pelos demais pacotes
de água, querer subir para atingirem o mesmo nível da superfície
livre dos pacotes de água que estão no gargalo do frasco. Há
forças aplicadas pelo líquido, para cima. Repare, na figura (a) que
há forças agindo para baixo (no fundo do frasco), há forças
laterais (aplicadas contra as paredes laterais do frasco) e há
forças para cima (aplicadas contra os ressaltos). Há forças em
todas as direções e sempre no sentido de empurrarem,
perpendicularmente, as paredes para fora.
Conclusão: O líquido exerce pressão em todas as paredes que o
impeçam de escoar. Em (b), para comprovar essas afirmações, foram
feitos orifícios nas regiões (1), (2) e (3). Repare como o líquido
jorra por esses orifícios. Repare também nas direções que esses
jatos tomam ao sair do frasco; são sempre perpendiculares às
paredes do frasco (essas são as direções das forças de pressão).
Pressão
x profundidade
Eis outra coisa importante
para reparar na ilustração acima: o jato em (3) alcança maior
distância horizontal que o jato em (2). Isso significa que a
pressão em (3) (maior profundidade) é maior que a pressão em (2)
(menor profundidade).
A
pressão exercida por um líquido aumenta com a profundidade.
Nota
ao professor: Esse trabalho foi preparado para o ensino
fundamental, a fase etária certa para a fixação dos conceitos
físicos. A formulação matemática requer abstração e ela
própria em si (a fórmula) não amplia os conceitos adquiridos. É
uma formulação sintética do conceito e, sem dúvida, útil ao
desenvolvimento científico e tecnológico. Se sua classe dá claras mostras de ter
absorvido o conceito, aventure-se pela sistematização matemática
revisando: a grandeza física que caracteriza o líquido em questão
(r
= massa específica), a grandeza física associada ao campo de
gravitação local (g = aceleração local devido à gravidade) e a
grandeza física relativa à altura do líquido (h = distância entre o ponto
considerado e a superfície livre do líquido). Só após isso tudo
apresente: Pressão no ponto considerado = P = r
. g . h.
Mais importante que a apresentação da 'formuleta' serão os
exemplos e situações corriqueiras que destacam a validade do
conceito: a
pressão relativa exercida por um líquido aumenta com a profundidade; as
intensidades das forças de pressão crescem na mesma proporção.
Peixes
que vivem nas regiões abissais, regiões onde as águas do mar
alcançam profundidades de vários quilômetros, estão sujeitos a
pressões enormes. Entretanto, eles nada sofrem, uma vez que a
pressão interna deles é igual à externa. As enormes forças que as
águas do mar aplicam contra sua superfície externa (no sentido de
comprimir o peixe) são contrabalançadas pelas enormes forças que
seus líquidos e gases internos aplicam contra essas mesmas
superfícies (no sentido de expandirem o peixe). Se esse peixe, por
motivo qualquer, se descontrolar e começar a subir, a pressão
exercida pela água do mar diminui, mas sua pressão interna não;
eles começarão a estufar, estufar, até explodirem. Nenhum peixe da
região abissal pode chegar vivo até a superfície dos oceanos, eles
explodem. O que você acha que aconteceria se um homem
tecnologicamente desprotegido fosse levado para tais regiões
abissais dos oceanos?
A
lei de Pascal
Como já vimos, a pressão em
determinada região do líquido, é devido ao peso da coluna
líquida, que vai desde essa região até à sua superfície livre,
ou seja, a profundidade dessa região. Assim sendo, ela é maior
perto do fundo do frasco que a contém e decresce gradualmente
conforme vamos nos aproximando da superfície livre. Isso pode ser
mostrado facilmente, fazendo-se pequenos furos laterais em um
recipiente (um recipiente de cartolina enrolada em forma de um
cilindro e com seu fundo tapado, permite facilmente realizar esse
experimento). Observaremos as diferenças de pressões nos vários
níveis, comparando as dimensões e os alcances dos diferentes jatos
formados (a - na figura a seguir).
O
aumento de pressão numa dada região se transmite a todas as outras
regiões!
Se
submetermos a água contida num cilindro a uma pressão adicional,
adaptando a esse cilindro um êmbolo com um peso considerável em
cima (figura b), a situação será bem diferente da anterior. A
água jorrará dos orifícios superiores quase tão rapidamente
quanto dos inferiores. Se o peso colocado sobre o êmbolo for muito
maior que o peso da água, todos os jatos terão a mesma forma e
apresentarão alcances horizontais iguais. Como a velocidade dos
jatos de água é determinada pela pressão no interior do
recipiente, concluímos que:
Um líquido comprido num frasco exerce a mesma
pressão sobre todas as regiões de suas paredes.
Essa
lei básica no estudo da Ciência foi descoberta pelo físico
francês Blaise Pascal (1623-1662), e tem o seu nome.
Prensa
hidráulica
Imaginemos um recipiente
fechado, com dois cilindros de diâmetros diferentes projetando-se de
sua parte superior. Em cada cilindro, vamos adaptar um êmbolo sobre
o qual podemos colocar pesos. Se colocarmos um peso sobre o êmbolo
do cilindro menor, ele produzirá uma pressão adicional sobre a
água que preenche o recipiente todo. Tal pressão irá se transmitir
para todas as regiões do recipiente, através da água, inclusive
sobre a base do êmbolo maior. Entretanto, como a área desse êmbolo
é maior, a força total contra ele será também maior.
Ilustrando
a lei de Pascal.
Nessa
ilustração, a área do êmbolo da direita é quatro vezes maior que
a área do êmbolo da esquerda (o diâmetro dele é o dobro do
diâmetro do outro; a figura não mostra a escala correta). Já que a
força total sobre o êmbolo da direita será quadruplicada, temos
que colocar sobre ela quatro pesos, para manter o equilíbrio. Vamos
deixar isso bem claro: a pressão é a mesma nas bases dos dois
êmbolos; é a pressão exercida pela água. As forças, entretanto,
são diferentes; ela é mais intensa na base do êmbolo de maior
área.
Esse
comportamento aqui descrito é a base da chamada prensa hidráulica,
na qual a pressão exercida por um líquido, proveniente de uma
força relativamente pequena, aplica um esforço muito mais
considerável em outro êmbolo de diâmetro maior. É um equipamento
desse tipo que levanta os automóveis, em postos de gasolina, para
lavagens, trocas de óleo e manutenções. Na figura a seguir,
ilustramos uma dessas prensas utilizadas para comprimir fardos.
Prensa
para compactar fardos.
Nessa
ilustração, a pequena força aplicada na extremidade livre da
alavanca provoca o deslocamento do pequeno êmbolo do cilindro menor.
A pressão adicional desenvolvida transmite-se até a base do êmbolo
grande e aí provoca um deslocamento que comprime fortemente o fardo.
As válvulas v1 e v2 controlam as passagens do líquido (que, em
geral, é óleo) do recipiente inferior externo para os
cilindros.
Exercícios
1. O peso de um menino e sua bicicleta é de 60 kgf (leia:
60 quilogramas-força) e, a área de apoio dos pneus no solo é de 5
cm2. Calcular a pressão total exercida no solo.
Dica para o professor
2.
Você tem 500 bolinhas de vidro (bolas de gude). Você conseguirá
fazer com elas uma pilha, sem apoios laterais, tendo por base 100
bolinhas? Explique! Como associar essa questão com o problema de
"empilhar água"?
Dica para o professor
3.
Por que os sólidos não escoam e os líquidos sim? Explique isso
utilizando o seguinte material: um tubo de PVC de 10cm de diâmetro,
bolinhas de gude à vontade e cola de silicone (excelente para colar
vidros).
Dica para o professor
4.
Uma barrica de madeira, com um pouco de lastro em seu interior,
flutua nas águas de uma piscina. Se a água pode exercer pressão
lateral na barrica, por que essa barrica não fica se deslocando para
cá e para lá? Desenhe a situação para justificar sua resposta.
Dica para o professor
5.
Esquematize uma prensa hidráulica. Explique seu funcionamento e cite
qual o princípio científico no qual ela se baseia.
Dica para o professor
Dicas
1- Escrever
a expressão de definição: P = F/A e indicar a substituição das
letras que representam grandezas, pelos seus valores. Fica P = 60 kgf
/ 5 cm2 = 12 kgf/cm2. Comentar essa resposta
dizendo que é algo como: cortar de uma batata, um paralelepípedo de
(2 x 2,5 x 3)cm; apoiar esse 'tijolinho' de batata no chão pela face
de (2 x 2,5)cm (que dá 5cm2) e sobre esse pedaço de
batata colocar um peso de 12kgf.
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2-
Essa questão é para
despertar no aluno a existência de pacotes de moléculas (uma
dezena) que constituem a água no estado líquido. Cada bolinha de
gude representará um desses pacotes de moléculas. É fácil mostrar
a fluidez. Comece comentando: formar uma pilha colocando três bolas
juntas na base e uma quarta bolinha em cima. A quarta bolinha
empurrará as outras três para os lados. Numa base de 100 bolinhas
(um quadrado de 10 x 10) haverá, por cima, 81 espaços onde se
poderiam apoiar 81 bolinhas de gude; porém, a primeira bolinha
colocada fará esforço no sentido de afastar as outras e tudo se
espalha. Esse empilhamento só é possível colocando-se apoios nas
bolinhas da base (um cercado de madeira, por exemplo). Os líquidos
comportam-se assim; se não há apoio lateral esses escoam.
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3-
Diga aos alunos que as bolinhas de
vidro, no sólido, farão o papel de moléculas e no líquido o papel
de pacotes de moléculas. Para ilustrar a rígida estrutura
cristalina nos sólidos, basta ir colando as esferas, de modo a
formar uma pilha cilíndrica, usando o tubo de PVC como apoio. Para
ilustrar o líquido, basta colocar as esferas soltas dentro do tubo
de PVC. Quando a cola secar (e isso com a cola de silicone é coisa
de 10 minutos) pode-se tirar o tubo que lá ficará uma coluna
rígida de bolinhas (recomendo que recubra o interior do tubo com 'um
tubo de papel transparente). Deixe claro agora, que colocando o tubo
ao redor da coluna de bolinhas (que simula o sólido) não haverá
tendência de escorregamento lateral, as bolinhas não empurram a
parede lateral interna do tubo, não há pressão lateral. As
bolinhas soltas, por sua vez estarão apoiadas internamente no tubo
de PVC, determinando uma pressão lateral. Faça o desenho disso no
quadro negro, ou melhor ainda, o experimento proposto.
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4-
Desenhe uma barrica flutuando
em água para ilustrar a questão. Indique as forças que a água da
piscina aplica contra o fundo da barrica (e são essas que equilibram
a força peso da barriga para poder flutuar) e sobre as paredes
laterais. Tome o cuidado de desenhar essas forças sempre
perpendiculares às paredes e com intensidade aumentando da
superfície para o fundo; algo assim:
Chame
a atenção para essas forças laterais que a água aplica contra a
barrica; umas equilibram as outras. Por isso, a barrica não tem
tendência de se deslocar lateralmente para lado nenhum. Basta por
uma lata rasa com algum lastro numa bacia com água para verificar
isso!
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5-
Desenhe a prensa ilustrada
dessa aula, ou algum modelo mais simples, dispensando o reservatório
de óleo. O importante é ter dois cilindros de diâmetros
diferentes, interligados, cada um deles fechado por um êmbolo (que
também pode ser chamado de pistão). A lei de Pascal rege seu
princípio de funcionamento: qualquer variação de pressão num
líquido se transmite igualmente para todas as suas regiões. Veja em
nossa Sala de Fluidos, há uma experimento sobre isso.
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