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Pressão
exercida pela água Prof. Luiz Ferraz
Netto
Relembrando
a pressão Nota:
Assim como a advocacia, a medicina e tantas outras profissões e
artes, a ciência tem seu jargão próprio. As palavras aplicar
e exercer são exemplos típicos desse jargão
científico. Uma maneira simples de se ilustrar isso é tomar o peso de um corpo como o representante da intensidade da força gravitacional sobre ele e, a região onde ele se apóia, como representante da superfície. Para tanto, pense num menino montado em sua bicicleta equipada com pneus finos. Ao andar sobre um terreno arenoso, eles (os pneus) deixarão sulcos profundos. Todo peso do menino e sua bicicleta estarão distribuídos nas duas pequenas áreas de apoio dos pneus contra o solo; a área é pequena, a pressão exercida é grande. Se o menino trocar os pneus, colocando modelos mais largos, a área de contato com o solo aumenta, a pressão exercida diminui, o sulco já não será tão profundo. Para calcularmos quando vale a pressão que os pneus exercem contra o solo, bastar-nos-ia saber duas coisas: o peso do menino (valor da força peso) e de sua bicicleta (que vem a ser o valor da força total aplicada), e a área total de apoio dos pneus. Eis o cálculo:
Pressão
exercida de lado?
Um teste sobre a pressão. Em
(a) temos os copos cilíndricos de vidro, em (b) o cilindro de
madeira e em (c) um frasco contendo água. Em (d) colocamos o
cilindro de madeira dentro de um dos cilindros de vidro, no qual ele
cabe justinho e em (e) colocamos água no outro copo cilíndrico.
Agora fazemos duas perguntas: Respostas:
Madeira não exerce pressão lateral, água sim. Conclusão: Os líquidos exercem pressão nas paredes laterais dos recipientes que os sustentam, porque essas o impedem de escorregarem. Pressão
exercida para cima?
A água também exerce pressão para cima. Num
frasco, como esse indicado na figura, há um ressalto na região (1).
Nessa região, os pacotes de água, empurrados pelos demais pacotes
de água, querer subir para atingirem o mesmo nível da superfície
livre dos pacotes de água que estão no gargalo do frasco. Há
forças aplicadas pelo líquido, para cima. Repare, na figura (a) que
há forças agindo para baixo (no fundo do frasco), há forças
laterais (aplicadas contra as paredes laterais do frasco) e há
forças para cima (aplicadas contra os ressaltos). Há forças em
todas as direções e sempre no sentido de empurrarem,
perpendicularmente, as paredes para fora. Pressão
x profundidade A pressão exercida por um líquido aumenta com a profundidade. Nota
ao professor: Esse trabalho foi preparado para o ensino
fundamental, a fase etária certa para a fixação dos conceitos
físicos. A formulação matemática requer abstração e ela
própria em si (a fórmula) não amplia os conceitos adquiridos. É
uma formulação sintética do conceito e, sem dúvida, útil ao
desenvolvimento científico e tecnológico. Se sua classe dá claras mostras de ter
absorvido o conceito, aventure-se pela sistematização matemática
revisando: a grandeza física que caracteriza o líquido em questão
(r
= massa específica), a grandeza física associada ao campo de
gravitação local (g = aceleração local devido à gravidade) e a
grandeza física relativa à altura do líquido (h = distância entre o ponto
considerado e a superfície livre do líquido). Só após isso tudo
apresente: Pressão no ponto considerado = P = r
. g . h. Peixes que vivem nas regiões abissais, regiões onde as águas do mar alcançam profundidades de vários quilômetros, estão sujeitos a pressões enormes. Entretanto, eles nada sofrem, uma vez que a pressão interna deles é igual à externa. As enormes forças que as águas do mar aplicam contra sua superfície externa (no sentido de comprimir o peixe) são contrabalançadas pelas enormes forças que seus líquidos e gases internos aplicam contra essas mesmas superfícies (no sentido de expandirem o peixe). Se esse peixe, por motivo qualquer, se descontrolar e começar a subir, a pressão exercida pela água do mar diminui, mas sua pressão interna não; eles começarão a estufar, estufar, até explodirem. Nenhum peixe da região abissal pode chegar vivo até a superfície dos oceanos, eles explodem. O que você acha que aconteceria se um homem tecnologicamente desprotegido fosse levado para tais regiões abissais dos oceanos? A
lei de Pascal
O aumento de pressão numa dada região se transmite a todas as outras regiões! Se
submetermos a água contida num cilindro a uma pressão adicional,
adaptando a esse cilindro um êmbolo com um peso considerável em
cima (figura b), a situação será bem diferente da anterior. A
água jorrará dos orifícios superiores quase tão rapidamente
quanto dos inferiores. Se o peso colocado sobre o êmbolo for muito
maior que o peso da água, todos os jatos terão a mesma forma e
apresentarão alcances horizontais iguais. Como a velocidade dos
jatos de água é determinada pela pressão no interior do
recipiente, concluímos que: Essa lei básica no estudo da Ciência foi descoberta pelo físico francês Blaise Pascal (1623-1662), e tem o seu nome. Prensa
hidráulica
Ilustrando a lei de Pascal. Nessa ilustração, a área do êmbolo da direita é quatro vezes maior que a área do êmbolo da esquerda (o diâmetro dele é o dobro do diâmetro do outro; a figura não mostra a escala correta). Já que a força total sobre o êmbolo da direita será quadruplicada, temos que colocar sobre ela quatro pesos, para manter o equilíbrio. Vamos deixar isso bem claro: a pressão é a mesma nas bases dos dois êmbolos; é a pressão exercida pela água. As forças, entretanto, são diferentes; ela é mais intensa na base do êmbolo de maior área. Esse comportamento aqui descrito é a base da chamada prensa hidráulica, na qual a pressão exercida por um líquido, proveniente de uma força relativamente pequena, aplica um esforço muito mais considerável em outro êmbolo de diâmetro maior. É um equipamento desse tipo que levanta os automóveis, em postos de gasolina, para lavagens, trocas de óleo e manutenções. Na figura a seguir, ilustramos uma dessas prensas utilizadas para comprimir fardos.
Prensa para compactar fardos. Nessa ilustração, a pequena força aplicada na extremidade livre da alavanca provoca o deslocamento do pequeno êmbolo do cilindro menor. A pressão adicional desenvolvida transmite-se até a base do êmbolo grande e aí provoca um deslocamento que comprime fortemente o fardo. As válvulas v1 e v2 controlam as passagens do líquido (que, em geral, é óleo) do recipiente inferior externo para os cilindros. Exercícios 2.
Você tem 500 bolinhas de vidro (bolas de gude). Você conseguirá
fazer com elas uma pilha, sem apoios laterais, tendo por base 100
bolinhas? Explique! Como associar essa questão com o problema de
"empilhar água"? 3.
Por que os sólidos não escoam e os líquidos sim? Explique isso
utilizando o seguinte material: um tubo de PVC de 10cm de diâmetro,
bolinhas de gude à vontade e cola de silicone (excelente para colar
vidros). 4.
Uma barrica de madeira, com um pouco de lastro em seu interior,
flutua nas águas de uma piscina. Se a água pode exercer pressão
lateral na barrica, por que essa barrica não fica se deslocando para
cá e para lá? Desenhe a situação para justificar sua resposta. 5.
Esquematize uma prensa hidráulica. Explique seu funcionamento e cite
qual o princípio científico no qual ela se baseia.
Dicas 2-
Essa questão é para
despertar no aluno a existência de pacotes de moléculas (uma
dezena) que constituem a água no estado líquido. Cada bolinha de
gude representará um desses pacotes de moléculas. É fácil mostrar
a fluidez. Comece comentando: formar uma pilha colocando três bolas
juntas na base e uma quarta bolinha em cima. A quarta bolinha
empurrará as outras três para os lados. Numa base de 100 bolinhas
(um quadrado de 10 x 10) haverá, por cima, 81 espaços onde se
poderiam apoiar 81 bolinhas de gude; porém, a primeira bolinha
colocada fará esforço no sentido de afastar as outras e tudo se
espalha. Esse empilhamento só é possível colocando-se apoios nas
bolinhas da base (um cercado de madeira, por exemplo). Os líquidos
comportam-se assim; se não há apoio lateral esses escoam. 3-
Diga aos alunos que as bolinhas de
vidro, no sólido, farão o papel de moléculas e no líquido o papel
de pacotes de moléculas. Para ilustrar a rígida estrutura
cristalina nos sólidos, basta ir colando as esferas, de modo a
formar uma pilha cilíndrica, usando o tubo de PVC como apoio. Para
ilustrar o líquido, basta colocar as esferas soltas dentro do tubo
de PVC. Quando a cola secar (e isso com a cola de silicone é coisa
de 10 minutos) pode-se tirar o tubo que lá ficará uma coluna
rígida de bolinhas (recomendo que recubra o interior do tubo com 'um
tubo de papel transparente). Deixe claro agora, que colocando o tubo
ao redor da coluna de bolinhas (que simula o sólido) não haverá
tendência de escorregamento lateral, as bolinhas não empurram a
parede lateral interna do tubo, não há pressão lateral. As
bolinhas soltas, por sua vez estarão apoiadas internamente no tubo
de PVC, determinando uma pressão lateral. Faça o desenho disso no
quadro negro, ou melhor ainda, o experimento proposto. 4- Desenhe uma barrica flutuando em água para ilustrar a questão. Indique as forças que a água da piscina aplica contra o fundo da barrica (e são essas que equilibram a força peso da barriga para poder flutuar) e sobre as paredes laterais. Tome o cuidado de desenhar essas forças sempre perpendiculares às paredes e com intensidade aumentando da superfície para o fundo; algo assim:
Chame
a atenção para essas forças laterais que a água aplica contra a
barrica; umas equilibram as outras. Por isso, a barrica não tem
tendência de se deslocar lateralmente para lado nenhum. Basta por
uma lata rasa com algum lastro numa bacia com água para verificar
isso! 5-
Desenhe a prensa ilustrada
dessa aula, ou algum modelo mais simples, dispensando o reservatório
de óleo. O importante é ter dois cilindros de diâmetros
diferentes, interligados, cada um deles fechado por um êmbolo (que
também pode ser chamado de pistão). A lei de Pascal rege seu
princípio de funcionamento: qualquer variação de pressão num
líquido se transmite igualmente para todas as suas regiões. Veja em
nossa Sala de Fluidos, há uma experimento sobre isso.
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