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'Mistério'
... a água não cai!
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Nada
mais saudável que uma boa brincadeira envolvendo a Física. Por vezes, o
professor apresenta a outro professor, ou mesmo a um aluno esperto, frases,
situações e experimentos para serem analisados. Não percebendo, de
imediato, que trata-se de uma brincadeira, o argüido “dá tratos à
bola” procurando a descrição científica do proposto. Uma vez
descoberta a balela, tudo termina numa boa risada.
Eis um exemplo típico de tais frases: “Todos sabem que os trilhos
dilatam-se com o calor, por isso, os fabricantes de trilhos ferroviários já
os fazem em tamanho menor.” Essa proposição é uma bobagem “tamanho
família”!
Um
experimento, nesse escopo, que terminou em “tragédia hilariante”
desenvolveu-se assim:
Quando
colegas, de mesma profissão, visitam meu laboratório (que é meu
particular e honesto orgulho!) eu “apronto” mesmo. Entre outros, da
prateleira retiro um copinho de alumínio de bordo repuxado, como ilustrado
abaixo:
Ali
sobre a mesa, toda entulhada de livros e papéis, coloco água no copinho,
até a boca. A seguir coloco uma carta de baralho fechando a boca do
copinho e lentamente inverto o sistema. O professor visitante nem resiste e
vai logo dizendo — “Pode largar a carta que ela não
vai cair, a pressão
atmosférica não deixa!”
Ótimo,
o peixe está mordendo a isca! Realmente, vou tirando a mão que sustenta a
carta e lá estou eu, segurando com a mão esquerda, a lata de cabeça para
baixo, com a carta nela grudada.
—
“Oh Léo! Esta experiência é supermanjada!”
Ai
é que os olhos ficam esbugalhados, pois após pedir atenção, vou
puxando, (com a mão direita) e lentamente, a carta lateralmente, até
retirá-la totalmente. E lá estou eu segurando uma lata de 5,0 cm de diâmetro,
aberta, cheia de água e de boca para baixo !
Recoloco
a carta na boca do copinho, inverto novamente, retiro a carta e lá está a
água!
Então
começam, pelos colegas, as explicações cautelosas citando tensão
superficial, lei de Jurin, lei não sei de quem, e tudo fica no maior
suspense, pois a situação é fisicamente impossível.
Para
um certo colega, professor, eu não contei a “mutreta”
e lá se foi o colega para casa. Semana depois recebi um telefonema —
“Ih Léo, causei o maior vexame numa festa de aniversário! Fui fazer a
experiência com um copo e carta sobre a mesa das iguarias e foi um
desastre total — molhei tudo!”
Aí
eu contei o truque! Mestre, aquele meu copinho tem um fundo falso. É um
disquinho de alumínio ligeiramente menor
que o diâmetro do copo. Quando se vira o copinho, o disco desce
lentamente, silenciosamente e termina por apoiar-se nas bordas salientes
— o disco faz o papel da carta de
baralho e a água não cai. Eis o que ocorre:
—
“(censura)”
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