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Fluidostática
Empuxo e
Pressão (Parte
1)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Fluidos
--- Equilíbrio de fluidos
Matéria se diz em estado fluido quando é capaz de escorrer,
fluir; fluido não tem forma própria; ele se amolda aos sólidos
confinantes (vaso, tubulação, canal, vertente), e uma parte dele
pode deslizar sobre outra; fluido não resiste estaticamente a
esforços tangenciais.
Fluidos
podem ser líquidos e gasosos (estes se sub-classificam em gases e
vapores). Ao contrário dos fluidos gasosos, os fluidos líquidos
formam superfície livre e tem tensão superficial; por exemplo,
uma gota de água tem superfície envolvente definida, ao passo que
um jato de gás carbônico é corpo difuso. Líquidos distintos
podem ser ou não ser miscíveis; gases sempre são miscíveis.
Líquidos
resistem fortemente a esforço de compressão e podem resistir a
esforço de distensão (líquido tenso resiste a pressão
negativa); sob pressões moderadas gases cedem facilmente a esforço
de compressão e, sob qualquer pressão, ao invés de resistirem a
expansão, se expandem espontaneamente com tendência a ocuparem
todo espaço disponível.
Líquido
tem densidade, a grosso modo, igual à do sólido correspondente;
sob pressões moderadas, a densidade dos gases é centenas ou
milhares de vezes menor. Portanto, as moléculas de líquidos se
agrupam densamente como as de sólidos, podendo-se imaginar que as
contíguas se toquem; as forças intermoleculares atrativas e
repulsivas em média se equilibram mas são muito intensas; as moléculas
vibram caoticamente. Em gases, sob pressões imensas, o agrupamento
molecular pode ser denso como nos líquidos; sob pressões
moderadas e baixas as distancias intermoleculares são grandes ou
mesmo enormes em confronto com a extensão das molecular, e podem
crescer sem restrição; salvo nas colisões, as forças
intermoleculares são atrativas e pouco intensas, eventualmente
desprezíveis; a energia cinética das moléculas é considerável.
Em
fluido, as moléculas movem-se caoticamente e tanto mais
intensamente quanto mais elevada for a temperatura; o fenômeno e
chamado agitação térmica e é revelado sugestivamente pelo
movimento browniano.
Dividamos
o fluido, imaginariamente, em elementos de volume fixos em relação
ao referencial adotado. Cada elemento de volume é suposto
suficientemente grande para conter numerosas moléculas. Em
qualquer um desses elementos de volume consideremos
um elemento qualquer da superfície envolvente. Em intervalo de
tempo t ,__, t' , esse elemento de superfície é
atravessado por algumas moléculas de dentro para fora do elemento
de volume, e por outras moléculas de fora para dentro
do elemento de volume. Se as moléculas que emigram e as que
imigram forem igualmente numerosas seja qual for o
elemento de superfície considerado, o fluido se diz em equilíbrio.
Para fluido em equilíbrio dentro de um vaso, o referencial é
necessariamente fixo no vaso.
Equilíbrio
absoluto é equilíbrio em relação a referencial inercial
(gasolina estacionaria no tanque de um automóvel em repouso ou em
movimento retilíneo uniforme; atmosfera sem vento, quando se faz
abstração de movimentos da Terra).
Equilíbrio
relativo é equilíbrio que se
verifica em relação a referencial acelerado (gasolina
estacionaria no tanque de um automóvel com aceleração; atmosfera
sem vento, quando se considera a rotação da Terra).
Experimentação:
Seja dado um vaso apoiado na mesa do laboratório e contendo água.
Mediante uma seringa de injeção, injetemos na água, aqui e acolá,
gotas de solução de permanganato de potássio. As nuvens de
permanganato dentro da água permanecem estáticas, expandindo-se
lentamente devido a difusão.
Se a água do vaso não estivesse em equilíbrio, as nuvens de
permanganato se moveriam, eventualmente se estenderiam em forma de
filetes ou se desmanchariam em turbilhões.
Empuxo
e pressão
Consideremos uma superfície
banhada por um fluído em equilíbrio. Essa superfície pode ser
imaginária (e então deve ser concebida fixa) ou real (por
exemplo, parede do vaso continente). Seja DA
a área de um elemento dessa superfície. Como sabemos, os fluidos
não tem rigidez de forma, portanto eles não resistem
estaticamente a esforços tangenciais; conclui-se dai, que as forças
trocadas entre o fluido e o elemento de superfície considerado, são
necessariamente normais a este.
A
força DF
aplicada pelo fluido sobre o elemento de superfície DA
é denominada empuxo do fluido no
elemento. O empuxo em uma superfície
qualquer é resultante vetorial dos empuxos aplicados em todos os
elementos daquela superfície.
Entende-se
por pressão média em um elemento de
superfície à intensidade do empuxo por unidade de área:

Seja
P um ponto fixo pertencente ao elemento de superfície.
Concebendo elemento de superfície contendo P e cada vez menor, o
correspondente empuxo também é cada vez menor. Se o elemento de
superfície tender a Zero, ele no limite se reduz ao próprio ponto
P; dai a definição:
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Pressão
em um ponto é o limite para o qual tende a pressão media
quando tende a Zero o elemento de superfície que contem o
ponto:

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Fig.
01. O empuxo DF
de um fluido sobre um elemento de superfície DA
é normal a este. |
A
pressão em uma superfície se diz uniforme
quando ela é a mesma em todos os pontos da superfície. Em superfície
plana submetida a pressão uniforme a intensidade do empuxo (também
denominado 'força de pressão') é produto da pressão pela área:

As
unidades coerentes de pressão obedecem à fórmula:

são
elas o bária (dina/cm2,
CGS), o pascal (N/m2 , SI),
o piezo
(pz, sn/m2, MTS), o quilograma-força
por metro quadrado (kgf/m2, MK*S).
“Um
pascal é a pressão uniforme que
determina empuxo de intensidade um newton
em superfície plana com área igual a um
metro quadrado”. As demais unidades mencionadas são
definidas analogamente, conforme o quadro seguinte:
| |
CGS |
SI |
MTS |
MK*S |
| F |
dina |
newton |
steno |
kgf |
| A |
cm2 |
m2 |
m2 |
m2 |
| p |
bária |
pascal |
piezo |
kgf/m2 |
| NosProporc. |
10 |
1 |
103 |
9,806 65 |
Temos:
[p] = L-1.M.T-2 ... (05)
Reforçando
A unidade de pressão no sistema S.I. é o newton/m2
(N/m2), que recebe o nome de pascal (Pa). No
sistema CGS (praticamente fora
de uso), a unidade de pressão é o dina/cm2 (din/cm2),
que recebe o nome
de bária (não tem símbolo). A relação existente entre
ambas unidades é:
1
Pa = 10 bárias ou 1 bária = 10-1 Pa
Como
bária é uma unidade demasiadamente pequena, se utilizam
correntemente dos seguintes múltiplos: o bar (bar) e o milibar
(mbar), empregados na Meteorologia, tais que:
1
bar = 106 bárias = 105 Pa
1 mbar = 103 bárias = 100 Pa
no
sistema técnico de unidades, a unidade de pressão es o kgf/m2,
pouco utilizado.
Em seu lugar se utiliza o kgf/cm2, que recebe o nome de atmosfera-técnica
(at), por ser quase igual a a pressão
atmosférica normal.
1
at = 1 kgf/cm2 = 104 kgf/m2
1 kgf/m2 = 9,806 65 N/m2 = 9,806 65 Pa
A
pressão atmosférica normal é a pressão equivalente à
exercida por uma coluna de mercúrio de 760 mm de
altura, exatamente a 0°C, sob gravidade normal (gn
= 980,665 cm/s2 = 9,806 65 m/s2) e recebe o
nome de atmosfera (atm). Como a densidade do
mercúrio a 0°C é de 13,5955 g/cm3,
teremos:
1
atm = 13,5955 g/cm3 x 980,665 cm/s2 x 76 cm =
= 1,01328×106 bárias = 101 328 Pa = 1013,28 mbar
Freqüentemente
se especificam as pressões dando a altura da coluna de mercúrio
que a 0°C exerce a mesma pressão. Assim, é costume expressar a
pressão em milímetros de
mercúrio (mmHg), unidade de pressão que recebe, também, o
nome de torr (Torr) em
homenagem a Torricelli:
1
mmHg = 1 Torr = 13,5955 g/cm3 x 980,665 cm/s2
x 0,1 cm =
= 1333,26 bárias = 133,326 Pa = 1,333 mbar
1 cmHg = 10 Torr = 1333 Pa
Resulta
fácil de comprovar a relação seguinte:
1
at = 1 kgf/cm2 = 0,968 atm
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Fig.02 - Manômetro a membrana.
A pressão p abaúla a membrana M; esta é ligada ao
ponteiro
P. Para conferir maior sensibilidade ao
instrumento, a mem-
brana pode ser ondulada (como no barômetro aneróide).
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Fig.03 -
Manômetro metálico, de Bourdon.
Sob o efeito da pressão p, o tubo T se de-
forma elasticamente (como a "língua de sogra");
A extremidade E do tubo deformável é ligada ao
ponteiro P, que se situa diante de um limbo
graduado.
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Consideremos
um elemento de superfície contendo um ponto no seio de um fluido;
aplicando a definição, obtém-se a pressão exercida no ponto,
cuja força de pressão tem direção perpendicular ao elemento de
superfície considerado. Escolhendo outro elemento qualquer de
superfície contendo o mesmo ponto, obtém-se a pressão exercida
no mesmo ponto, cuja força de pressão também tem direção
perpendicular ao novo elemento de superfície, porém distinta da
anterior. Demonstra-se que a pressão em um ponto é a mesma,
qualquer que seja a direção da força de pressão, no ponto
considerado. É esta a propriedade que priva a pressão de caráter
vetorial. Pressão é grandeza escalar.
A
pressão que acabamos de definir é também chamada pressão
absoluta. A atmosfera exerce uma pressão chamada pressão
atmosférica. Quando uma
parede esta sujeita à pressão absoluta p de um fluido
em uma face e à pressão atmosférica pat
na outra face, é útil o conceito de pressão efetiva do fluido,
diferença entre a pressão absoluta e a pressão atmosférica:
pef
= p - pat ... (06)
A
pressão absoluta pode ser negativa em líquido (caso excepcional
de “líquido tenso”), nunca em gás; ela é nula no vácuo.
Nota:
Quanto sua origem, a pressão em um fluido pode ser gravífica
ou elástica. A pressão é dita gravífica quando ela
decorre da força de gravidade, que faz com que cada camada
horizontal do fluido seja comprimida pelo peso da camada que lhe
fica acima, e comprima a camada subjacente. Num fluido suposto
livre da ação da gravidade a pressão gravífica é nula. A pressão
da água em uma piscina é gravífica.
A pressão é dita elástica quando ela decorre da tendência de
expansão do fluido. Tais são (predominantemente) a pressão do ar
em um pneumático, e a pressão do liquido em uma prensa hidráulica.
Nos corpos gasosos que preenchem espaços suficientemente grandes
para que não possam ser considerados pequenos em confronto com o
raio da Terra, a pressão e em parte elástica, em parte gravífica;
é este o caso dos grandes reservatórios para gás de iluminação.
Na atmosfera terrestre a pressão é gravífica.
Segue Parte 2 --- Compressibilidade
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